Quem deverá entrar na berlinda agora é o Ministro Chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. Quem o colocou na marca do pênalti foi Nestor Cerveró.
Segundo ele, José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, teria desviado dinheiro da estatal para a campanha de Jacques Wagner ao governo da Bahia, em 2006.
Coincidentemente, Gabrielli transferiu para a Bahia o setor financeiro da Petrobras, construindo um prédio em Salvador para tanto.
– Gabrielli decidiu realocar a parte financeira para Salvador sem haver nenhuma justificativa – afirmou Cerveró.
Depois de deixar a presidência da Petrobrás, José Sergio Gabrielli foi justamente ser Secretário de governo de Wagner na Bahia. Outra coincidência, é claro.
Teria havido também um pedido a Wagner pelo ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro para a liberação de verbas pelo Ministério dos Transportes.
Também foram divulgadas mensagens de celular que apontam atuação de Jacques Wagner junto a FUNCEF para favorecimento da OAS.
Segundo o presidente da CPI dos Fundos de Pensão, deputado Efraim Filho, Jaques Wagner deverá ser convocado para prestar esclarecimentos.
– Já estão configurados os indícios de tráfico de influência e direcionamento dos negócios para interesses políticos partidários”,afirmou.
As conversas obtidas por investigadores da Operação Lava Jato no celular do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho (Léo Pinheiro), indicam que Wagner teria facilitado negócios em benefício da empreiteira.
Pinheiro afirmou em mensagens que precisaria de “JW na aprovação final” de um negócio. Em seguida a diretoria da FUNCEF aprovou a compra de cotas de até R$ 500 milhões em um fundo da OAS.
A OAS, muito endividada, está em recuperação judicial.
A Casa Civil está provando ser uma maldição em tempos petistas.
Que o digam José Dirceu, Antônio Palocci, Erenice Guerra, Gleisi Hoffmann, Aloísio Mercadante e … Dilma.
Aguardemos.
Enio Meneghetti
P.S.: Ainda bem que conclui esta artigo com “Aguardemos”. Não foi necessário aguardar quase nada.
Entre a escrita e a publicação já veio mais chumbo quente. Nestor Cerveró trouxe ainda mais novidades. Dilma, Lula, W Torre, etc. A coisa está cada vez mais feia.
Com sua mobilização em 2015, a sociedade conseguiu acuar corruptos e corruptores. As ruas foram tomadas em diversas oportunidades por milhões de manifestantes exigindo o fim do deboche em forma de corrupção.
Corruptos e seus aliados já não conseguem circular livremente pelas ruas ou frequentar lugares públicos, aeroportos, restaurantes ou cinemas, sem sentirem na pele a rejeição explícita da população. Vídeos postados no youtube , essa arma pacífica mas implacável, deixam claro o prejuízo em suas imagens.
Amigos próximos de um ex-presidente foram e estão sendo presos e/ou investigados por atividades para lá de suspeitas.
Até uma classe que parecia inatingível, está deixando de ser. Refiro-me aos fidalgos.
O partido da presidente da República teve decretadas as prisões de seu tesoureiro, do senador líder, de um ex-deputado federal. O ex todo poderoso Chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi preso novamente.
Presidentes das maiores empreiteiras do país foram parar atrás das grades. Acompanhados de diretores da maior estatal brasileira, a Petrobrás, a outrora joia da coroa.
A Lava Jato condenou empreiteiros, lobistas, ex-deputados, doleiros e burocratas à cadeia, naquele que talvez seja o maior escândalo de corrupção já apurado no país. Quem sabe do mundo.
O TCU apontou graves irregularidades nas contas do governo federal, as chamadas pedaladas fiscais, resultando na abertura de um processo de impeachment contra a presidente.
A Zelotes está aí. O BNDES na fila.
Um ex-Presidente da República vem sendo chamado com frequência para prestar depoimentos na Polícia Federal.
A mídia chapa branca não tem como deixar de noticiar as mazelas governamentais, seja lá qual for o tamanho da verba publicitária. A população usa as mídias sociais e aponta as falsidades e tentativas de escamotear fatos.
Continuamos com a carga tributaria asfixiante que penaliza o desenvolvimento. Com a falta de segurança que campeia nas ruas das nossas cidades, enquanto nossas autoridades públicas perdem tempo (e recursos) perseguindo e atrapalhando iniciativas que funcionam e são do gosto da população, como UBER e Whatsapp.
Continuaremos tendo problemas em 2016. Mas a sociedade está mobilizada e cobrará muito mais. Teremos eleições municipais, as primeiras eleições após a revelação dos grandes escândalos que conseguiram esconder até a data do pleito anterior, em 2014. A lógica, a revolta e a indignação dos eleitores sugerem uma grande derrocada daqueles que ocupam o noticiário por malversação do dinheiro público.
Ainda é pouco? É. Mas ninguém pode afirmar que “virou pizza”, ou que nada aconteceu. Está acontecendo agora. E é impossível refrear o movimento gigantesco que está em andamento sejam quais forem as desesperadas manobras legais ou jurídicas para tanto venham de onde vierem ou estejam onde estiverem os manipuladores da legislação.
O destino daqueles criminosos é inexorável.
Será um ano de fortes emoções.
Enio Meneghetti
artigo publicado no Correio de Cachoeirinha 06.01.2016
Mesmo com o fôlego vergonhoso que deram-lhe os semi-deuses do STF, Dilma Rousseff dificilmente terá salvação.
Ela teve a capacidade de agravar a crise. Só pode ser esta a intenção ao colocar Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda.
Se bem que, talvez não houvesse outra opção. Porque qualquer pessoa capacitada e com um mínimo de conhecimento dos métodos com os quais funciona o atual governo, provavelmente rejeitaria o convite.
Ela poderá até não sofrer impeachment. Mas seu governo não tem mais recuperação. Se ela saísse agora, com seu eventual substituto(a) conseguindo acertar a mão logo de cara, precisaríamos uns dois anos de medidas duríssimas para o remédio amargo começar a surtir efeito.
Com ela no timão da embarcação avariada por ela mesma, além da situação seguir sendo ainda mais agravada, precisaremos ir além da metade do governo do sucessor para conseguir vislumbrar quantos anos mais levaríamos para minimamente sair do buraco. Mas tenha em mente algo como uma década pelo menos. Podem anotar.
Neste quadro, quem acha que 2015 foi um ano difícil, prepare-se! Nem imagina o que 2016 será. E se ela sobreviver ao próximo ano, conheceremos a Venezuela a partir de 2017 sem sequer precisar viajar. Senão antes…
Mas a esperança é a última que morre. Passado o Natal, começarão as despesas de todo novo ano. Impostos, volta às aulas, contas vencidas e à vencer de uma massa de endividados até a raiz dos cabelos, realimentarão a já iniciada e grave recessão.
Talvez aí os brasileiros comecem a dar-se conta que tem motivos de sobra para revoltarem-se. E consigam, em proporções muito maiores aos presentes nas manifestações levadas à cabo até agora, demonstrar que, apesar da sacanagem explícita e inconstitucional levada à cabo por quem tem como dever guardar a Constituição, mas ao contrário, acaba de invalidá-la interferindo na independência do Legislativo e dando ao Senado poderes que ele não tem, seria a hora de nossos bravos concidadãos deixarem claro que seria prudente que nossos congressistas votassem atendendo o clamor da ampla maioria dos brasileiros. É uma esperança e uma boa possibilidade.
Mas, se mesmo assim nossa população preferir, como sempre, manter-se acomodada, nem tudo é pessimismo: devido a absurda carga de trabalho que terá nosso mais novo personagem histórico, o japonês da Federal, dependendo de sua lista de visitas programadas, quem sabe, ele poderá figurar no centro da foto tão esperada que marcará, de fato, nossa versão da “Queda da Bastilha”.
As cenas destes vídeos aconteceram pouco antes da derrota da chapa preferida pelo Governo para a Comissão do impeachment, quando governistas tentavam impedir a votação secreta que ao final elegeria a Chapa 2.
No primeiro vídeo, aos 10 segundos a deputada Maria do Rosário passa a mão direita no cabelo. Em seguida, aos 12 segundos, ela ajeita o cabelo com a mão esquerda.
O sinal é o ponto de partida para uma verdadeira performance.
Pode-se acompanhar o gestual e ouvir a deputada enxotando o deputado Paulinho da Força, com o dedo em riste.
Acompanhe:
0:13 seg. – Sai prá lá!
0:14 – Sai daqui agora!
0:18 – Sai daqui!
0:22 – Rua!
0:28 – Sai daí! Sai!
0:30 – Sai daqui! Agora!
No segundo vídeo, a cena por outro ângulo. Aos 33 segundos acontecem os movimentos com a mão no cabelo. Primeiro com a mão direita, pouco visível e em seguida ela repete o movimento com a mão esquerda.
A partir dos 38 segundos do vídeo começa a cena transcrita acima. A deputada grita com o colega, ordenando que se retire do local. Ele obedece, enxotado. Como pode?
O que aconteceria se algum deputado se dirigisse a ela desta forma?
O governo e o PT estão preocupados com o recado das ruas, a ponto de Dilma deixar transparecer sua estratégia óbvia.
Ela tem pressa e quer convocação extraordinária de deputados e senadores para votarem logo e livrar-se da ameaça de impeachment com os votos que ainda contabiliza a seu favor.
A oposição, ao contrário, avalia em quatro meses o tempo que levará para o impeachment ser votado na Câmara. Lembrando, o voto será aberto. Detalhe muito importante.
O ano de 2016 será de eleições municipais. Será interessante ver como votarão deputados que serão candidatos a prefeitos em suas regiões. Sem falar nas reeleições de Suas Excelências que votarem contrariamente ao que disser a voz majoritária das ruas. Algo me diz que o tempo do “murismo” está acabando.
Por isso a pressa do Planalto em tentar encerrar o assunto rapidinho.
Das ruas deverá vir o recado. Uma onda de protestos deverá marcar este final de ano e estes deverão seguir até quando necessário.
O primeiro ato está marcado para o próximo final de semana, 13 de dezembro. Promete ser o “aquecimento” de outros que virão. Prestem atenção, inclusive no enfoque da mídia amestrada. Isso dará o tom para os acontecimentos subsequentes.
Dilma tenta demonstrar que está segura de que não cairá, mas é visível sua preocupação. E nem poderia ser diferente.
Enquanto isso, a crise paralisa o Brasil. O eleitor contribuinte está farto, tenso e preocupado com a crise moral, política e econômica.
Mas que ninguém imagine que qualquer resultado são favas contadas. A decisão do processo é incerta. Depende, mais do que nunca, da mobilização popular, que será intensa nas mídias sociais e na rua. Esta será o fator decisivo para definir o comportamento de uns e outros que só estão preocupados em ver para que lado o vento sopra e assim definirem de que lado estarão. Estes são os piores. Cuidado com eles.
Mas o PT, se sentir a coisa ficar feia, vai partir com tudo para cima dos atuais “aliados” para evitar uma debandada. Valerá tudo. Desde dossiês até ameaças explícitas. Que ninguém se surpreenda que nomes importantes para a sucessão dos fatos que atuem contra os interesses do Partido sejam surpreendidos com denúncias na mídia chapa branca, blogs suspeitos e por aí vai.
Porém, uma coisa é certa: desta vez, quem dará o tom não serão os conchavos. Quem decidirá a parada será a voz que virá predominante das ruas. Se o povo deixar claro o que deseja, ninguém se atreverá a votar contra.
Esta frase do título esteve em voga nos anos setenta.
A semana passada marcou uma mobilização majoritária da sociedade em favor do UBER através das redes sociais.
A Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou uma lei – ao que tudo indica inconstitucional – para regulamentar o serviço do aplicativo UBER.
Segundo entendimentos como o da Ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi, “não cabe aos municípios ou estados legislar se o UBER pode ou não funcionar”. Segundo ela, o “UBER faz apenas intermediação do contrato de transportes”. Destacou que o Código Civil prevê esse tipo de contrato e “a proibição de aplicativos de intermediação de transporte não pode ser pautada por pressão política de categorias, mas sim pelo interesse dos consumidores.
O prefeito afirmou que “O Uber mostrou a sua prepotência, seu autoritarismo. Achou que Porto Alegre era terra de ninguém. Não é. Aqui tem prefeito, tem Câmara de Vereadores e tem leis”.
A EPTC avisou que pediria carros pelo aplicativo para multar motoristas e apreender veículos em flagrante.
O Código de Processo Penal explica que Flagrante Preparado é aquele onde a autoridade instiga ou de alguma forma auxilia a prática de um crime. Sabendo que a conduta delituosa irá ocorrer, apenas aguarda a possível pratica, configurando o flagrante. São inúmeros os debates sobre a legalidade desses tipos de flagrante. A súmula 145 do STF dispõe que não há crime nesses casos.
A analogia poderia ser usada em defesa dos motoristas parceiros do UBER que caiam em uma cilada. A autuação pode ser tranquilamente contestada.
O UBER é uma empresa de tecnologia. Criou um aplicativo que intermedia serviços de transporte entre usuário e prestador. Se você negociar com vizinhos de prédio transporte remunerado utilizando seu automóvel, estará prestando o mesmo serviço que os colaboradores/motoristas do UBER. A diferença é o uso do aplicativo. Se abrir uma loja virtual para vender tênis, a prefeitura irá regulamentá-la? Se você contrata uma diarista para fazer a limpeza de seu apartamento, está realizando um contrato entre duas partes. Como o de transporte. Aliás, o UBER, ou você leitor, poderia criar um aplicativo para isso.
Os usuários avaliam do serviço via aplicativo, a única forma de contato. Se o serviço não for de acordo, o motorista é excluído. Os pagamentos são eletrônicos, não circula papel moeda.
Claro que a fiscalização deve acontecer. Quem já teve o dissabor de envolver-se em algum incidente de trânsito com um taxista, já viu surgir de pronto um enxame à postos para a intimidação ou o confronto físico. Como ocorre também com moto-boys. Isso deveria ser fiscalizado. A forma de dirigir dos profissionais do volante também. Nos lotações, cada freada ou troca de marchas produz um coice digno de um campeonato de derrubar senhoras. E principalmente, prestador de serviço que discutir, xingar ou brigar no trânsito, deveria ser excluído. Façam o banimento dos maus profissionais dados à violência, como esses criminosos agressores que quase mataram uma pessoa cujo pecado foi tentar ganhar seu sustento sem prejudicar ninguém.
Finalmente o jogo ficou claro. Enquanto o Planalto ajudar a protelar a degola de Eduardo Cunha, este protelará o andamento do processo de impeachment de Dilma.
E enquanto a imprensa continuar diariamente entretida com Eduardo Cunha, deixará Dilma e as mazelas do governo em segundo plano.
Só que o Planalto parece ter esquecido da lição que Garrinha deu em Vicente Feola, quando o técnico afirmara com convicção que o craque venceria facilmente seu marcador na corrida e com a bola dominada iria fazer isso e aquilo.
“Tá legal, seu Feola… mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?”
A tática do Planalto não está agradando a bancada do PT, cujos deputados deverão pagar o preço já nas eleições de 2016, que escolherão prefeitos e vereadores indispensáveis nos planos de reeleição de cada um.
Eduardo Cunha, que de bobo não tem nada, já anda dizendo que não cai antes da decisão sobre o pedido de abertura do processo de impeachment contra Dilma. Ele, que havia prometido sua decisão “técnica” até o final da segunda quinzena de novembro, agora fala que decidirá antes do recesso parlamentar, que começará em 22 de dezembro.
Deu para sentir: empurrará a decisão enquanto puder, com o beneplácito do Planalto.
Enfim, com a overdose de Eduardo Cunha no noticiário, o governo conseguiu o que antes parecia impossível: arrefecer o clima para o impeachment.
Agora só é preciso que o governo administre a pressão da bancada federal do PT, que cobra uma posição clara da direção do partido. Podem esperar sentados.
O Planalto jamais admitirá que se esconde dos problemas atrás das manchetes de Cunha e muito menos abrirá mão desta cobertura, que lhe caiu no colo.
Talvez tenha sido a tática petista mais perfeita desde que a atual hecatombe de escândalos caiu sobre o partido. Obra que se pode atribuir muito mais à sorte do que ao planejamento de algum estrategista estrelado.
O problema é que toda essa trama não muda o fato de que nossa economia vai entrar em colapso ano que vem. Que Palocci, Bumlai, Lulinha II e sabe-se lá quem mais, poderão ser denunciados. Que novas prisões deverão acontecer e outros delatores deverão entregar mais “malfeitos”. O partido deverá ser cobrado pelos muitos milhões desviados. Tudo isso em ano eleitoral.
E Gilmar Mendes tomará posse como o próximo presidente do TSE.
A justiça tarda, mas não falha.
Enio Meneghetti
N.A.: Este artigo, publicado na edição de hoje (25) do “Correio de Cachoeirinha”, foi escrito na noite de segunda feira, horas antes da prisão do pecuarista José Carlos Bumlai.
Não vou entrar na análise dos acontecimentos da última sexta feira em Paris. Isso já vem sendo feito exaustivamente por especialistas desde então.
Vou ater-me a uma incômoda contradição que aflorou junto com o atentado.
Em nome do Brasil, onde certos governantes e alguns arautos do “politicamente correto” vivem sempre amenizando atos de bandidos e terroristas, onde sentimos nas ruas a guerra civil não declarada promovida pelo crime organizado em todo o território nacional, dona Dilma veio a público na manhã de domingo, logo depois dos atentados em Paris, por ocasião da realização do grupo dos Brics, na Turquia, para condenar os atentados terroristas lá ocorridos.
“Expresso o meu mais veemente repúdio, que é também o de todo o povo brasileiro, aos atos de barbárie praticados pela organização terrorista ‘Estado Islâmico’ que levaram mortes e sofrimento a centenas de pessoas de várias nacionalidades em Paris”, disse, no encontro que antecedeu a reunião da cúpula do G20. “Essas atrocidades tornam ainda mais urgente uma ação conjunta de toda a comunidade internacional no combate sem tréguas ao terrorismo.” – completou magistralmente.
Quem disse isso foi a mesma Dilma que em 24 de setembro de 2014 criticou a ação dos Estados Unidos e países aliados contra o ISIS, grupo militante do mesmo Estado Islâmico que agora, ela tardiamente, condena.
Numa entrevista coletiva em Nova York, onde fez o discurso de abertura da 69.a. Assembléia Geral da ONU, Dilma condenou as ações militares realizadas “sem o consentimento da ONU” e ainda comentou em tom de pergunta:
“Vocês acham que bombardear o Isis resolve o problema? Se resolvesse eu acho que estaria resolvido no Iraque”, chegou a disparar ela, na ocasião.
Ok, errar é humano. Mas não foi bem o caso. Dona Dilma, no mínimo, poderia ter se referido ao equívoco de sua posição anterior antes de externar a nova. Sobre aquela posição anterior, só mesmo uma política externa completamente míope não enxergaria que algo como o atendado da última sexta feira poderia ser cometido pelos fanáticos a quem defendeu em um passado recentíssimo.
Contou com a memória curta da população brasileira.
Porém, quem esqueceu de algo foi ela. Da realidade que não se cansa de demonstrar que todos os fanáticos movidos por religião ou ideologia estão sempre condenando o“imperialismo” por todos os seus males. E sempre encontrarão algo, alguém ou alguma coisa para justificar o uso de sua natureza violenta e doentia que sacrifica inocentes como método de luta.
“Confesso que vejo com muita desconfiança o espaço que a imprensa vem dedicando ao caso Eduardo Cunha.”
Esta frase era o ponto central deste artigo, que escrevi e foi publicado há duas semanas pelo “Correio de Cachoeirinha” e contém nada mais do que o óbvio.
Pois veja o que registra publica hoje “O Antagonista”:
“Dilma Rousseff sabe que Eduardo Cunha é a melhor arma contra o impeachment.
Um “auxiliar presidencial” disse à coluna Painel, da Folha de S. Paulo:
“Enquanto a pauta for ele, estamos bem”.
O jornal acrescenta que “gente graúda do governo já admite que o melhor para Dilma é Cunha permanecer onde está. Quanto mais moribundo, melhor”.
Segue a singela postagem original:
Depois da declaração de Lula semana passada de que “não tem medo de ser preso”, o país parece ter entrado em estado de letargia. Nem mesmo a recém iniciada greve dos caminhoneiros pelo impeachment da presidente da República parece ter agitado o ambiente.
São três os temas explosivos do momento: a expectativa em relação a uma hipotética prisão de Lula, possibilidade que apavora a muitos e é ardorosamente desejada por outros tantos (bota “tantos” nisso), o processo de impeachment de Dilma, cujo andamento está nas mãos de Eduardo Cunha e a pressão para que o mesmo Eduardo Cunha renuncie a presidência da Câmara dos Deputados.
Confesso que vejo com muita desconfiança o espaço que a imprensa vem dedicando ao caso Eduardo Cunha. Claro que é um assunto gravíssimo, mas muito mais grave é a decisão que está nas mãos dele. O destino de Cunha está selado. Estão reservadas para ele as consequências do que vem sendo apurado de irregularidades. Ele não tem como escapar delas. Porém, constato como fato que, desde que Cunha passou a dominar o noticiário, o tema impeachment arrefeceu. A exceção são os caminhoneiros, em uma greve que o Planalto apressou-se a classificar de “fracasso”.
Porém, o assunto realmente importante é o pedido de impeachment, sem dúvida nenhuma. Por que está no ar uma sensação coletiva de que o momento passou? Claro que para o Planalto seria excelente a oportunidade de emplacar no lugar de Cunha, um governista, a quem caberia, nos sonhos dos dilmistas, analisar o acolhimento do pedido.
Eduardo Cunha declarou ao Estadão que sua decisão sairá na segunda quinzena deste mês de novembro, baseada em critérios técnicos.
E se formos falar em técnica, o ex presidente do STF, Ministro Carlos Velloso deu ao Correio Brasiliense uma opinião alentadora: “Fui dos primeiros a afirmar, quando se falava nesse tema, que não havia, até então, motivo, mas mudei o entendimento depois da decisão do TCU de rejeitar as contas da presidente”, disse.
“O TCU reconheceu aquilo que foi apelidado de ‘pedalada’ — aquelas operações que consistiam, em síntese, no fato de a Presidência ter obrigado e submetido um banco estatal a pagar dívidas do governo do Estado, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Então, a partir daquele momento, penso que surgiu um motivo determinado para o impeachment”, explicou o ex-ministro.
Com a palavra, ou melhor a caneta, Eduardo Cunha.
Pela ordem, depois viria Lula. E depois o próprio Cunha.
Neste momento a principal preocupação de Luis Inácio Lula da Silva é tentar evitar a convocação de amigos e parentes em duas CPIs: a do BNDES, que funciona na Câmara e a do CARF, que opera no Senado.
O depoente mais desejado agora é Luiz Cláudio Lula da Silva. Seguido pelo amigo José Carlos Bumlai. Lula já mandou um recado a Bumlai: que fique quieto. Pare de dar entrevistas.
Lula foi mencionado no Relatório 18.340 do COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras – revelado pela revista ÉPOCA, que foi enviado à CPI do BNDES com uma movimentação financeira com indícios de irregularidades.
O Instituto Lula reclamou que os documentos do COAF não poderiam ter ido parar nas mãos da revista: “são apenas redatores sensacionalistas, operando documentos vazados ilegalmente. Não apresenta fatos, quer apenas especular e fazer barulho em cima de tais documentos, tentando criar factoides políticos, vender mais revistas e fazer audiência em redes sociais”.Esqueceram de questionar a veracidade das informações…
A movimentação foi de R$ 52,3 milhões, R$ 27 milhões em recebimentos e R$ 25,3 milhões em transferências da empresa L.I.L.S Palestras, Eventos e Publicações.
Lula e pessoas próximas a ele são cada vez mais frequentes em relatos de tráfico de influência, desvios de verbas públicas e recebimento de propina.
Alberto Youssef disse que Lula e Dilma sabiam da existência do Petrolão;
Ricardo Pessoa declarou que doou dinheiro superfaturado da Petrobras à campanha de Lula à reeleição, em 2006;
Fernando Baiano afirmou que repassou 2 milhões de reais do petrolão a José Carlos Bumlai. Baiano contou aos procuradores que a propina era para uma nora do ex-presidente. Depois Bumlai disse em entrevista que eram “apenas” 1,5 milhão e o dinheiro era para ele;
Bumlai recebeu do BNDES de R$ 101,5 milhões em empréstimos. Contrariando as normas do banco, o empréstimo foi concedido quando as empresas de Bumlai já se encontravam em situação pré falimentar.
O mito Lula escapou do mensalão. Bateu recordes de popularidade, vendeu lá fora uma imagem de que “acabara com a pobreza”, que estávamos a caminho do primeiro mundo. Auto suficientes em petróleo e … ricos! Ele conseguiu emplacar uma desconhecida como sua sucessora.
O líder messiânico encontra-se agora acossado por toneladas de evidências que colocam por terra qualquer biografia.
Está com medo de ser preso. Até pesquisas de opinião sobre isso já chegaram a suas mãos.
– Qual seria a reação popular se isto acontecesse?
Nenhuma, concluiu a pesquisa. Muitos até comemorariam.
De ser inatingível ele passou a alguém que vê perigo e conspirações por todo o lado.
O ápice do desespero veio com a operação da PF no escritório de seu filho.
Tudo indica que o cerco aos familiares e pessoas próximas de Luiz Inácio Lula da Silva, para desestabilizá-lo emocionalmente e induzi-lo a cometer erros está apenas começando.
Enio José Hörlle Meneghetti, 67 anos, é administrador de empresas. Tem cursos de especialização em marketing e mercado de capitais. Conservador, já atuou nas esferas pública e privada. Foi Gerente de Governança, Riscos e Conformidade do GHC - Grupo Hospitalar Conceição, Gerente Estadual da GEAP, Diretor de Incentivo ao Desenvolvimento da METROPLAN além de3 outras atividades. Assessorou o deputado Onyx Lorenzoni, foi Chefe de Gabinete do Vice-Governador (RS) Paulo Afonso Feijó. Autor do livro "Baile de Cobras", biografia do ex-prefeito de Porto Alegre e ex-governador do Rio Grande do Sul, Ildo Meneghetti, seu avô.