Só um milagre salva Dilma Roussef do impeachment. No momento em que este artigo é escrito, não se sabe ainda o desfecho da reunião do PMDB. Não importa. O destino dela está praticamente selado.
Logo essas questões de foro privilegiado serão coisa do passado.
Por volta da metade do mês de abril o pedido de impeachment estará sendo analisado pelo plenário da Câmara. Será muito difícil Dilma conseguir obter os 172 votos para livrar-se do afastamento. Calcula-se que ela não chegará a 100.
Custou uma montanha de dinheiro na forma de mensalão, petrolão e sabe-se lá o que mais, até se desnudar o maior esquema de corrupção nunca antes visto nesse país. E provavelmente, em nenhum lugar do mundo. O que parecia impossível, aconteceu: derreteu-se a base aliada. O dinheiro acabou. Simples assim.
Foram necessários muitos erros e muito dinheiro jogado fora para chegar a este ponto. Com seu ventríloquo João Santana preso, a sucessão de bobagens cometidas por este governo vão muito além daquilo que se ouve a cada vez que a presidente faz um discurso.
Ao mesmo tempo em que ela bate pé, dizendo que não cometeu ilícito algum, uma das principais revistas semanais do país estampa, para todos verem, lista de sete possíveis crimes que teriam sido cometidos por ela: obstrução da Justiça, improbidade administrativa, desobediência, falsidade ideológica, extorsão, abuso de poder, além das pedaladas fiscais que embasam o pedido de impeachment atualmente em tramitação.
Nem vamos falar em Pasadena e nas ações que correm nos Estados Unidos. Não vamos analisar agora a destruição da maior estatal brasileira. Sim, suprema ironia, a esquerda brasileira acabou com a joia da coroa, a Petrobras. Fato.
Os ilícitos cometidos na tentativa de nomear seu antecessor ministro, garantindo-lhe assim o tão almejado foro privilegiado de que necessita para escapar de uma provável e iminente prisão, compõem um erro estratégico que bem demonstra o potencial deste governo de cometer trapalhadas. Em proporções tais capazes de estarrecer não só o Brasil inteiro, mas a quem quer tenha tomado conhecimento destes fatos, mundo afora.
Não satisfeitos com a trapalhada da tentativa de nomeação de Lula, a divulgação das conversas debochadas entre os mais altos próceres petistas acabou por pulverizar qualquer vestígio de vergonha que ainda dispusessem.
Claro que o desfecho ainda não está 100% garantido. Para quem cometeu tantos deslizes pelo desespero em garantir impunidade e pior ainda, a permanência no poder, não é de se duvidar que surja nesse espaço de tempo entre esta publicação e o desfecho final, manobras inimagináveis. A que expediente serão capazes de lançarem-se na tentativa de salvar a pele? Agora chegou a hora em que usarão tudo. Chegou a hora do desespero. E alguém desesperado é capaz de tudo, na maioria das vezes transformando o que já é ruim em muito pior.
Afinal, quem assistiu Delcídio – segundo ele a mando do governo – tentar comprar Cerveró, para depois de preso ele mesmo entregar a todos, sem esquecer que repetindo o erro, o ministro Mercadante tentar comprar Delcídio e ser pego exatamente da mesma forma? Só faltou ser igualmente preso… Conhecem aquela máxima? “Errar é humano. Insistir no erro é …
Não satisfeita, madame ainda tentou, goela abaixo de um país inteiro, nomear Lula para a Casa Civil. Quase conseguiu! Quase Lula vira um super ministro e acaba de vez com as finanças deste país, com as medidas que chegou a antecipar que cometeria.
Não fosse Sergio Moro liberar as fitas comprometedoras, a esta altura o sapo teria sido deglutido a seco por todos os brasileiros.
Portanto, quem já foi capaz de cometer tamanhas asneiras, podemos ter quase certeza que – até a queda – cometerá mais.
Antes de esborracharem-se eles conseguirão piorar ainda mais sua situação.
É esperar para ver.
Enio Meneghetti
publicado no jornal Correio de Cachoeirinha desta terça feira
Ele produziu coisas quase impossíveis. Melhor exemplo foram as sucessivas eleições de seus dois mais famosos “bonecos”, atualmente, como ele, atolados em problemas.
As coisas entraram em escalada vertiginosa mesmo a partir daquela famosa mensagem encontrada no celular de Marcelo Odebrecht, sobre o risco da “cta suíça chegar campanha dela”.
No despacho onde prorrogou o prazo de prisão temporária do ventríloquo e sua simpática senhora, o juiz Sergio Moro chegou a mencionar que a Odebrecht utilizou “as mesmas contas empregadas para pagar propina aos agentes da Petrobrás para remunerar João Santana e Mônica Moura”.
Enquanto isso, Lula esperneia como pode. Reclama que está sendo atacado, que o MP está sendo parcial, pois ele não é dono de nenhum apartamento no Guarujá ou sítio em Atibaia.
Vem criticando a decisão do STF, que aprovou a prisão de condenados em segunda instância, mesmo que possam recorrer à instância superior. Seria tudo um complô contra o primeiro boneco.
Ele tem motivos mais do que suficientes para estar preocupado.
A jornalista Monica Bergamo publicou na Folha que representantes de Lula teriam se reunido com a área jurídica da Odebrecht para combinar as explicações que a empresa daria na Justiça sobre a reforma do sítio. O engenheiro Frederico Barbosa disse que não pouparia ninguém. Em seu depoimento disse que fez a reforma do sítio de Lula a mando da empreiteira. Sem outra saída, a Odebrecht confirmou.
O caldo entornou e Emílio Odebrecht se convenceu de que a delação premiada é o melhor caminho para o grupo. Márcio Faria e Rogério Araújo já estariam acertados, com a concordância do patrão. Que inclusive corre o risco de fazer companhia ao filho no cárcere.
Com tudo isso em jogo, Lula, por sua defesa, comunicou ao promotor Cássio Conserino que não comparecerá ao depoimento marcado para a próxima quinta feira no Fórum da Barra Funda por não reconhecer sua autoridade frente ao caso do triplex do Guarujá. Também deveriam depor sua esposa e filho. Tomou esta atitude de confronto antes mesmo da análise do habeas corpus preventivo que impetrou. Será interessante ver qual será a atitude do promotor ante a desobediência dos intimados.
Além das investigações sobre o sítio e o triplex, a Força Tarefa da Lava Jato está intimando empresas, bancos e entidades de classe que fizeram pagamentos a empresa de palestras de Lula para que apresentem os documentos relativos aos pagamentos efetuados e comprovem a efetiva realização das palestras. O COAF identificou R$ 27 milhões em pagamentos à empresa de Lula, de abril de 2011 a maio de 2015. Tais eventos serão dissecados. Será que alguém os registrou em vídeo?
O procurador Deltan Dallagnol declarou à Folha de São Paulo:
“Existem dois modos de responder uma acusação. O primeiro modo é mostrar que aquilo que a pessoa disse é mentira e está errado. O segundo é desacreditar e tirar a credibilidade das pessoas que te acusam. O que vários acusados têm feito diante da robustez das provas é buscar agredir o acusador, tentando tirar desse modo a credibilidade. Mas isso é criar uma espécie de teoria da conspiração.”
Temos várias implosões em gestação. Com o ventríloquo construtor de versões em cana, a gestão do desastre está acéfala. Bom motivo para prolongar sua estada em Curitiba.
O Brasil segue atônito assistindo as evidentes lorotas dos defensores de Lula para tentar aliviá-lo na vexatória situação de delito no caso do apartamento tríplex do Guarujá.
Não adianta negar, porque a cada dia surgem mais evidências e provas do que já se sabia: o apartamento do Edifício Solaris, empreendimento da cooperativa habitacional dos bancários, BANCOOP, investigada e denunciada pelo Ministério Público por desvio de dinheiro em benefício do PT, é mesmo de Lula & família.
Além de tudo o que já foi dito e mostrado, os termos de adesão ao empreendimento comprovam que Marisa Letícia sabia qual era a unidade residencial que estava comprando. Ao contrário do que o advogado de Lula disse, o número de cada apartamento consta dos registros de comercialização. A cada novo detalhe descoberto, seus excelentes defensores “ajeitam” a versão para tentar cobrir os flancos abertos.
Isso sem entrar na história do sítio suspeito, transformado com uma mega reforma feita pela Odebrecht em uma ilha da fantasia para Lula. Durante longo tempo o sítio foi referido na imprensa como de propriedade do ex-presidente. Agora até Nota Fiscal de um barco de pesca, comprado por Marisa Letícia e entregue no sítio, apareceu. Mas o sítio “não é dele”, embora seus seguranças tenham consumido mais de mil diárias pagas pelo Planalto para pernoitar no local.
Dona Dilma também tem motivos para preocupar-se. E não é só com a economia. Se Lula for preso, a situação dela ficará muito mais complicada.
Em meio a esse desespero, ela pretende atolar ainda mais o país, em sua tentativa de manter-se de pé, mesmo que com isso arrase de vez com nossas finanças.
Dilma reuniu seu Conselhão. Mera jogada de marketing e tentativa de jogar uma cortina de fumaça, enquanto seu ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, anuncia um “plano” que vai endividar ainda mais a população. A solução desses gênios para tirar o Brasil da recessão é emprestar mais dinheiro a uma massa de endividados, usando para isso recursos de R$ 83 bilhões como “estímulo ao crédito”. Pior: dinheiro que não pertence ao governo.
O plano mirabolante pretende usar quase R$ 50 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. A poupança do trabalhador para o caso de perda do emprego.
Sonham em atingir a meta de 4,5% ao ano com esta solução absurda. Mas isso não é tudo. Dilma Rousseff pediu ajuda do Conselhão para a aprovar a CPMF. Resumindo: ela quer emprestar a juros altíssimos, aumentando o endividamento e de quebra, ainda insiste em criar mais impostos, que já estão em níveis asfixiantes.
Lembram da “marolinha” do Lula? Pois é. O atual estado de coisas é resultado daquela receita econômica do Barão de São Bernardo. E sua criatura pretende afundar-nos ainda mais numa receita similar, mais do que equivocada. Governos desesperados agem assim.
Diariamente ouvimos o noticiário sobre corrupção e ao final aquela notinha do Instituto dele dizendo: “Lula não está sendo investigado por nada”. E de quebra, ele vem ameaçando processar a quem diga o que não lhe agrade.
Estamos em 2016. Será o ano da Lava Jato. 2016 começara de fato no dia 13 de março.
Será um ano de muitas provas e muitas delações premiadas.
Ano de eleições municipais, que irão expor exaustivamente as falcatruas que nunca antes na história deste país foram tão evidentes e descaradas.
Estão aí as recentes tentativas de desaparelhar a Polícia Federal. De melar, via legislação, os acordos de leniência. O tremendo “fora”, flagrado, do ministro Barroso, simplesmente pulando um trecho do Regimento Interno da Câmara para justificar um voto a favor do governo.
O fim da era Lula/Dilma se aproxima. E do PT, consequentemente.
Acabará onde começou: nas ruas. A mesma massa que hoje sente orgulho do juiz Sérgio Moro, foi a massa traída que um dia decidiu eleições em favor da turma de empoderados de hoje. E não há nada pior que a mágoa para alimentar ressentimentos. Essa massa de ressentidos que constatou ter sido sordidamente enganada pelo PT, o partido que durante tantos anos arvorou-se no papel de virgens no templo da perdição.
Aqueles que foram enganados vibram com o trabalho desenvolvido pelos procuradores federais, por um magistrado de Curitiba e pelo trabalho da Polícia Federal. A figura mais recentemente festejada do “japonês da Federal” é a prova viva deste sentimento.
Mas isso não basta. A ninguém pode ser dado o direito de restringir-se ao papel de torcedor silencioso nesta hora tão importante. São milhões de pessoas indignadas de um lado e de outro meia dúzia de bandidos e alguns poucos fanáticos ou cúmplices que ainda se atrevem a defendê-los em meio a provas e evidências desconcertantes. Estes poucos e aqueles a quem defendem estão acuados. Quando reconhecidos são vaiados nas ruas. Logo precisarão de óculos escuros, capas e chapéus para circularem sem sofrer as consequências da ira da população.
Não é fácil a tarefa de combatê-los dentro do devido processo legal. O juiz Sérgio Moro já sofreu tentativas de tolhimento de sua atuação, com o redirecionamento de processos outrora sob sua jurisdição. A PF já sofre com a redução em seu orçamento. Os inimigos já deixaram a elegância de lado há muito tempo – se é que sabem o que é isso ou algum dia tiveram.
Reparem: sempre que a situação fica ameaçadora para eles, tentam jogar areia no ventilador e desviar a atenção da mídia. Ou é arrastão na praia ou em algum shopping de luxo. Ou estouros de vandalismo em manifestações públicas, como no recente e despropositado caso do aumento das passagens de ônibus em São Paulo.
Não é à toa que em passado recente já houve um demente referindo-se ao “exército do Stédile”. Outro dizendo que iria “pegar em armas”. Só falta ameaçar o povo com o Francisco Julião.
E ao lado da crise de confiança, ocorre o óbvio. Fechamento ou falência de empresas, desemprego, alta do custo de vida. A velha inflação.
Dia 13 de março será uma excelente ocasião para a população deixar clara sua desconformidade. Para demonstrar seu apoio ao trabalho dos procuradores federais da Lava Jato, do juiz Sergio Moro e ao trabalho correto da Polícia Federal.
Será o momento de mostrar que o Brasil tem dono. E o dono é a população. Que terá uma grande oportunidade de mostrar isso a uns e outros que tentam criminosamente apropriar-se deste país.
Quem deverá entrar na berlinda agora é o Ministro Chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. Quem o colocou na marca do pênalti foi Nestor Cerveró.
Segundo ele, José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, teria desviado dinheiro da estatal para a campanha de Jacques Wagner ao governo da Bahia, em 2006.
Coincidentemente, Gabrielli transferiu para a Bahia o setor financeiro da Petrobras, construindo um prédio em Salvador para tanto.
– Gabrielli decidiu realocar a parte financeira para Salvador sem haver nenhuma justificativa – afirmou Cerveró.
Depois de deixar a presidência da Petrobrás, José Sergio Gabrielli foi justamente ser Secretário de governo de Wagner na Bahia. Outra coincidência, é claro.
Teria havido também um pedido a Wagner pelo ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro para a liberação de verbas pelo Ministério dos Transportes.
Também foram divulgadas mensagens de celular que apontam atuação de Jacques Wagner junto a FUNCEF para favorecimento da OAS.
Segundo o presidente da CPI dos Fundos de Pensão, deputado Efraim Filho, Jaques Wagner deverá ser convocado para prestar esclarecimentos.
– Já estão configurados os indícios de tráfico de influência e direcionamento dos negócios para interesses políticos partidários”,afirmou.
As conversas obtidas por investigadores da Operação Lava Jato no celular do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho (Léo Pinheiro), indicam que Wagner teria facilitado negócios em benefício da empreiteira.
Pinheiro afirmou em mensagens que precisaria de “JW na aprovação final” de um negócio. Em seguida a diretoria da FUNCEF aprovou a compra de cotas de até R$ 500 milhões em um fundo da OAS.
A OAS, muito endividada, está em recuperação judicial.
A Casa Civil está provando ser uma maldição em tempos petistas.
Que o digam José Dirceu, Antônio Palocci, Erenice Guerra, Gleisi Hoffmann, Aloísio Mercadante e … Dilma.
Aguardemos.
Enio Meneghetti
P.S.: Ainda bem que conclui esta artigo com “Aguardemos”. Não foi necessário aguardar quase nada.
Entre a escrita e a publicação já veio mais chumbo quente. Nestor Cerveró trouxe ainda mais novidades. Dilma, Lula, W Torre, etc. A coisa está cada vez mais feia.
Com sua mobilização em 2015, a sociedade conseguiu acuar corruptos e corruptores. As ruas foram tomadas em diversas oportunidades por milhões de manifestantes exigindo o fim do deboche em forma de corrupção.
Corruptos e seus aliados já não conseguem circular livremente pelas ruas ou frequentar lugares públicos, aeroportos, restaurantes ou cinemas, sem sentirem na pele a rejeição explícita da população. Vídeos postados no youtube , essa arma pacífica mas implacável, deixam claro o prejuízo em suas imagens.
Amigos próximos de um ex-presidente foram e estão sendo presos e/ou investigados por atividades para lá de suspeitas.
Até uma classe que parecia inatingível, está deixando de ser. Refiro-me aos fidalgos.
O partido da presidente da República teve decretadas as prisões de seu tesoureiro, do senador líder, de um ex-deputado federal. O ex todo poderoso Chefe da Casa Civil, José Dirceu, foi preso novamente.
Presidentes das maiores empreiteiras do país foram parar atrás das grades. Acompanhados de diretores da maior estatal brasileira, a Petrobrás, a outrora joia da coroa.
A Lava Jato condenou empreiteiros, lobistas, ex-deputados, doleiros e burocratas à cadeia, naquele que talvez seja o maior escândalo de corrupção já apurado no país. Quem sabe do mundo.
O TCU apontou graves irregularidades nas contas do governo federal, as chamadas pedaladas fiscais, resultando na abertura de um processo de impeachment contra a presidente.
A Zelotes está aí. O BNDES na fila.
Um ex-Presidente da República vem sendo chamado com frequência para prestar depoimentos na Polícia Federal.
A mídia chapa branca não tem como deixar de noticiar as mazelas governamentais, seja lá qual for o tamanho da verba publicitária. A população usa as mídias sociais e aponta as falsidades e tentativas de escamotear fatos.
Continuamos com a carga tributaria asfixiante que penaliza o desenvolvimento. Com a falta de segurança que campeia nas ruas das nossas cidades, enquanto nossas autoridades públicas perdem tempo (e recursos) perseguindo e atrapalhando iniciativas que funcionam e são do gosto da população, como UBER e Whatsapp.
Continuaremos tendo problemas em 2016. Mas a sociedade está mobilizada e cobrará muito mais. Teremos eleições municipais, as primeiras eleições após a revelação dos grandes escândalos que conseguiram esconder até a data do pleito anterior, em 2014. A lógica, a revolta e a indignação dos eleitores sugerem uma grande derrocada daqueles que ocupam o noticiário por malversação do dinheiro público.
Ainda é pouco? É. Mas ninguém pode afirmar que “virou pizza”, ou que nada aconteceu. Está acontecendo agora. E é impossível refrear o movimento gigantesco que está em andamento sejam quais forem as desesperadas manobras legais ou jurídicas para tanto venham de onde vierem ou estejam onde estiverem os manipuladores da legislação.
O destino daqueles criminosos é inexorável.
Será um ano de fortes emoções.
Enio Meneghetti
artigo publicado no Correio de Cachoeirinha 06.01.2016
Mesmo com o fôlego vergonhoso que deram-lhe os semi-deuses do STF, Dilma Rousseff dificilmente terá salvação.
Ela teve a capacidade de agravar a crise. Só pode ser esta a intenção ao colocar Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda.
Se bem que, talvez não houvesse outra opção. Porque qualquer pessoa capacitada e com um mínimo de conhecimento dos métodos com os quais funciona o atual governo, provavelmente rejeitaria o convite.
Ela poderá até não sofrer impeachment. Mas seu governo não tem mais recuperação. Se ela saísse agora, com seu eventual substituto(a) conseguindo acertar a mão logo de cara, precisaríamos uns dois anos de medidas duríssimas para o remédio amargo começar a surtir efeito.
Com ela no timão da embarcação avariada por ela mesma, além da situação seguir sendo ainda mais agravada, precisaremos ir além da metade do governo do sucessor para conseguir vislumbrar quantos anos mais levaríamos para minimamente sair do buraco. Mas tenha em mente algo como uma década pelo menos. Podem anotar.
Neste quadro, quem acha que 2015 foi um ano difícil, prepare-se! Nem imagina o que 2016 será. E se ela sobreviver ao próximo ano, conheceremos a Venezuela a partir de 2017 sem sequer precisar viajar. Senão antes…
Mas a esperança é a última que morre. Passado o Natal, começarão as despesas de todo novo ano. Impostos, volta às aulas, contas vencidas e à vencer de uma massa de endividados até a raiz dos cabelos, realimentarão a já iniciada e grave recessão.
Talvez aí os brasileiros comecem a dar-se conta que tem motivos de sobra para revoltarem-se. E consigam, em proporções muito maiores aos presentes nas manifestações levadas à cabo até agora, demonstrar que, apesar da sacanagem explícita e inconstitucional levada à cabo por quem tem como dever guardar a Constituição, mas ao contrário, acaba de invalidá-la interferindo na independência do Legislativo e dando ao Senado poderes que ele não tem, seria a hora de nossos bravos concidadãos deixarem claro que seria prudente que nossos congressistas votassem atendendo o clamor da ampla maioria dos brasileiros. É uma esperança e uma boa possibilidade.
Mas, se mesmo assim nossa população preferir, como sempre, manter-se acomodada, nem tudo é pessimismo: devido a absurda carga de trabalho que terá nosso mais novo personagem histórico, o japonês da Federal, dependendo de sua lista de visitas programadas, quem sabe, ele poderá figurar no centro da foto tão esperada que marcará, de fato, nossa versão da “Queda da Bastilha”.
As cenas destes vídeos aconteceram pouco antes da derrota da chapa preferida pelo Governo para a Comissão do impeachment, quando governistas tentavam impedir a votação secreta que ao final elegeria a Chapa 2.
No primeiro vídeo, aos 10 segundos a deputada Maria do Rosário passa a mão direita no cabelo. Em seguida, aos 12 segundos, ela ajeita o cabelo com a mão esquerda.
O sinal é o ponto de partida para uma verdadeira performance.
Pode-se acompanhar o gestual e ouvir a deputada enxotando o deputado Paulinho da Força, com o dedo em riste.
Acompanhe:
0:13 seg. – Sai prá lá!
0:14 – Sai daqui agora!
0:18 – Sai daqui!
0:22 – Rua!
0:28 – Sai daí! Sai!
0:30 – Sai daqui! Agora!
No segundo vídeo, a cena por outro ângulo. Aos 33 segundos acontecem os movimentos com a mão no cabelo. Primeiro com a mão direita, pouco visível e em seguida ela repete o movimento com a mão esquerda.
A partir dos 38 segundos do vídeo começa a cena transcrita acima. A deputada grita com o colega, ordenando que se retire do local. Ele obedece, enxotado. Como pode?
O que aconteceria se algum deputado se dirigisse a ela desta forma?
O governo e o PT estão preocupados com o recado das ruas, a ponto de Dilma deixar transparecer sua estratégia óbvia.
Ela tem pressa e quer convocação extraordinária de deputados e senadores para votarem logo e livrar-se da ameaça de impeachment com os votos que ainda contabiliza a seu favor.
A oposição, ao contrário, avalia em quatro meses o tempo que levará para o impeachment ser votado na Câmara. Lembrando, o voto será aberto. Detalhe muito importante.
O ano de 2016 será de eleições municipais. Será interessante ver como votarão deputados que serão candidatos a prefeitos em suas regiões. Sem falar nas reeleições de Suas Excelências que votarem contrariamente ao que disser a voz majoritária das ruas. Algo me diz que o tempo do “murismo” está acabando.
Por isso a pressa do Planalto em tentar encerrar o assunto rapidinho.
Das ruas deverá vir o recado. Uma onda de protestos deverá marcar este final de ano e estes deverão seguir até quando necessário.
O primeiro ato está marcado para o próximo final de semana, 13 de dezembro. Promete ser o “aquecimento” de outros que virão. Prestem atenção, inclusive no enfoque da mídia amestrada. Isso dará o tom para os acontecimentos subsequentes.
Dilma tenta demonstrar que está segura de que não cairá, mas é visível sua preocupação. E nem poderia ser diferente.
Enquanto isso, a crise paralisa o Brasil. O eleitor contribuinte está farto, tenso e preocupado com a crise moral, política e econômica.
Mas que ninguém imagine que qualquer resultado são favas contadas. A decisão do processo é incerta. Depende, mais do que nunca, da mobilização popular, que será intensa nas mídias sociais e na rua. Esta será o fator decisivo para definir o comportamento de uns e outros que só estão preocupados em ver para que lado o vento sopra e assim definirem de que lado estarão. Estes são os piores. Cuidado com eles.
Mas o PT, se sentir a coisa ficar feia, vai partir com tudo para cima dos atuais “aliados” para evitar uma debandada. Valerá tudo. Desde dossiês até ameaças explícitas. Que ninguém se surpreenda que nomes importantes para a sucessão dos fatos que atuem contra os interesses do Partido sejam surpreendidos com denúncias na mídia chapa branca, blogs suspeitos e por aí vai.
Porém, uma coisa é certa: desta vez, quem dará o tom não serão os conchavos. Quem decidirá a parada será a voz que virá predominante das ruas. Se o povo deixar claro o que deseja, ninguém se atreverá a votar contra.
Finalmente o jogo ficou claro. Enquanto o Planalto ajudar a protelar a degola de Eduardo Cunha, este protelará o andamento do processo de impeachment de Dilma.
E enquanto a imprensa continuar diariamente entretida com Eduardo Cunha, deixará Dilma e as mazelas do governo em segundo plano.
Só que o Planalto parece ter esquecido da lição que Garrinha deu em Vicente Feola, quando o técnico afirmara com convicção que o craque venceria facilmente seu marcador na corrida e com a bola dominada iria fazer isso e aquilo.
“Tá legal, seu Feola… mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?”
A tática do Planalto não está agradando a bancada do PT, cujos deputados deverão pagar o preço já nas eleições de 2016, que escolherão prefeitos e vereadores indispensáveis nos planos de reeleição de cada um.
Eduardo Cunha, que de bobo não tem nada, já anda dizendo que não cai antes da decisão sobre o pedido de abertura do processo de impeachment contra Dilma. Ele, que havia prometido sua decisão “técnica” até o final da segunda quinzena de novembro, agora fala que decidirá antes do recesso parlamentar, que começará em 22 de dezembro.
Deu para sentir: empurrará a decisão enquanto puder, com o beneplácito do Planalto.
Enfim, com a overdose de Eduardo Cunha no noticiário, o governo conseguiu o que antes parecia impossível: arrefecer o clima para o impeachment.
Agora só é preciso que o governo administre a pressão da bancada federal do PT, que cobra uma posição clara da direção do partido. Podem esperar sentados.
O Planalto jamais admitirá que se esconde dos problemas atrás das manchetes de Cunha e muito menos abrirá mão desta cobertura, que lhe caiu no colo.
Talvez tenha sido a tática petista mais perfeita desde que a atual hecatombe de escândalos caiu sobre o partido. Obra que se pode atribuir muito mais à sorte do que ao planejamento de algum estrategista estrelado.
O problema é que toda essa trama não muda o fato de que nossa economia vai entrar em colapso ano que vem. Que Palocci, Bumlai, Lulinha II e sabe-se lá quem mais, poderão ser denunciados. Que novas prisões deverão acontecer e outros delatores deverão entregar mais “malfeitos”. O partido deverá ser cobrado pelos muitos milhões desviados. Tudo isso em ano eleitoral.
E Gilmar Mendes tomará posse como o próximo presidente do TSE.
A justiça tarda, mas não falha.
Enio Meneghetti
N.A.: Este artigo, publicado na edição de hoje (25) do “Correio de Cachoeirinha”, foi escrito na noite de segunda feira, horas antes da prisão do pecuarista José Carlos Bumlai.
Enio José Hörlle Meneghetti, 67 anos, é administrador de empresas. Tem cursos de especialização em marketing e mercado de capitais. Conservador, já atuou nas esferas pública e privada. Foi Gerente de Governança, Riscos e Conformidade do GHC - Grupo Hospitalar Conceição, Gerente Estadual da GEAP, Diretor de Incentivo ao Desenvolvimento da METROPLAN além de3 outras atividades. Assessorou o deputado Onyx Lorenzoni, foi Chefe de Gabinete do Vice-Governador (RS) Paulo Afonso Feijó. Autor do livro "Baile de Cobras", biografia do ex-prefeito de Porto Alegre e ex-governador do Rio Grande do Sul, Ildo Meneghetti, seu avô.