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Controle da mídia

12 de novembro de 2014

controle de midia

Na semana passada, dona Dilma deu mais uma uma longa entrevista coletiva. Entre os temas tratados, um grande bode na sala. O controle estatal da mídia.

Num momento em que se avizinha um ano dificílimo em 2015, uma estratégia interessante essa de arrumar um tema bem polêmico para desviar a atenção e, de quebra, se tudo der certo, reduzir as críticas… 

Vamos por partes: alguém dúvida que 2015 será um ano difícil? Bem, então é só dar-se conta que o governo todo o mês bate “recordes de arrecadação” mas continua fechando as contas com déficit.

É mais ou menos como aquele chefe de família que nunca teve uma remuneração tão alta, mas mesmo assim, continua gastando mais do que ganha e devendo cada vez mais. Receita certa para a catástrofe. 

Ainda não concorda? Então por que será que dona Dilma, apenas uma semana após as eleições, já começou a adotar as medidas que alegava, seus os adversários adotariam se eleitos? 

Pois bem. Mas voltando a vaca fria, isto é, a eterna pretensão petista de controlar a mídia de forma muito maior do que a pressão exercida sob forma de publicidade governamental, Sua Excelência disse que em 2015 vai abrir a discussão na internet sobre a regulação econômica dos meios de comunicação no Brasil, principalmente a mídia eletrônica. 

Tentou diferenciar-se da ala dos mais fanáticos de seu partido, mas deixou claro que pretende mexer neste vespeiro. Em seu modo algo confuso de expressar-se, explicou que “regulação econômica diz respeito a processos de monopólio ou oligopólio que podem ocorrer em qualquer setor econômico onde se visa o lucro e não a benemerência. Por que os setores de energia, de petróleo e de transportes têm regulações, mas a mídia não pode ter?”. Hummm… Entendeu?

 

Ora, controlando economicamente a mídia, seja com restrições, impostos, ameaças veladas (ou nem tanto), sanções administrativas, penais, financeiras (multas), o controle do conteúdo pode ser quase total. 

Liberdade de expressão, dentro desta metodologia, seria um luxo com dias contados. O tão sonhado controle estatal da mídia via sanções econômicas, já que a simples concessão de publicidade estatal não vem sendo suficiente para conter o recorde de escândalos. 

“Eu não represento o PT. Eu represento a Presidência da República. A opinião do PT é a opinião de um partido. Não me influencia. Eu represento o País. Sou presidente dos brasileiros. Acho que o PT, como qualquer partido, tem posições de parte e não do todo”. 

Então tá. Para não perder o hábito, neste domingo o jornal Financial Times publicou uma matéria sobre uma investigação criminal que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu sobre um possível envolvimento da Petrobrás e de seus funcionários em um suposto esquema de pagamento de propinas. Sem falar no inquérito civil que já tramitava na “Securities and Exchange Commission” (SEC), que regula o mercado de capitais nas terras de Tio Sam. Claro que a matéria destaca o fato de que muitos dos supostos problemas teriam acontecido quando a atual presidente presidia o Conselho da estatal. 

Ainda bem que com controle governamental ou não, sempre teremos acesso a internet para acessar as matérias sobre nossos problemas publicadas em jornais no exterior. 

Ou não? 

Enio Meneghetti

Impeachment não é golpe

5 de novembro de 2014

Impeachment não é golpe

Dezembro de 1992. O presidente da República, Fernando Collor de Mello, sofreu impeachment e foi removido da presidência pelo Congresso. Ficou inelegível por oito anos.

 

Motivo: indícios de corrupção.

 

O processo teve início a partir de uma entrevista de seu irmão Pedro Collor de Mello a revista Veja, onde Pedro acusava o próprio irmão e Paulo Cesar Farias de agirem em conluio para obter recursos financeiros de empresas privadas. O auge do escândalo foi a revelação através do motorista, que uma camioneta Fiat Elba registrada em nome de Color, havia sido comprada com um cheque de PC Farias.

 

Cabe lembrar que ninguém reclamou da revista.

 

Para que se desencadeie um processo de impeachment, é necessária apenas a suspeita da prática de um crime ou de uma conduta inadequada para o cargo.

 

No último sábado, seis dias após as eleições, aconteceram em várias capitais brasileiras atos públicos, passeatas e manifestações pedindo o impeachment de Dilma.

 

Tais atos foram ridicularizados por setores da imprensa. Taxados por alguns de “golpismo” ou “bobagem”. Os manifestantes, taxados de “fascistas”, pelos adeptos da presidente reeleita.

 

Com amplo domínio político, partidário e financeiro no Congresso, é difícil êxito em um processo de impeachment contra a atual presidente. Mas, de acordo com a Legislação vigente, seria admissível um processo de impeachment. Existe um precedente e motivo. Talvez até três, pelo menos.

 

Para quem tem memória curta, cabe lembrar que o atual escândalo da Petrobrás teve seu pontapé inicial quando a própria Presidência da República, antecipando-se ao furacão que viria a seguir, soltou uma nota oficial, confirmando que Dilma, quando presidia o conselhão da empresa, aprovou a compra superfaturada da refinaria de Pasadena , com a questionável ressalva de ter sido mal assessorada sobre o assunto. Lula, mais acostumado ao safar-se no olho dos furacões,  chegou a classificar a nota como “um tiro no pé”.

 

Posteriormente vieram as delações premiadas do ex diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef e muitos detalhes escabrosos das maracutaias acontecidas na maior estatal brasileira. Muito mais malcheirosas até, do que a refinaria de Pasadena.

 

Alberto Youssef, em seu depoimento no processo de Delação Premiada afirmou que o “Planalto” teria conhecimento, nas pessoas de  “Lula e Dilma”, dos “malfeitos” na Petrobrás. A informação foi objeto de ampla divulgação na revista Veja. Ora, por analogia ao caso Collor, motivação mais do que justa e legal para abertura de um processo de impeachment.

 

Um segundo motivo, este muito mais forte, óbvio e palpável para abertura de um processo de impeachment é a inobservância clara, flagrante e inequívoca, por parte da presidente Dilma Rousseff,  do disposto no artigo 49, Ítem 1 da Constituição Brasileira.

 

 

O Art. 49 diz claramente: “É da competência exclusiva do Congresso Nacional:

I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;”

 

Pronto. Pergunte a qualquer jurista ou advogado e ele confirmará: presidente da República, de acordo com o Artigo 49 da CF,  NÃO PODE financiar, emprestar ou doar dinheiro dos brasileiros a países estrangeiros sem a anuência do Congresso Nacional. A desculpa esfarrapada de que o financiamento do Porto de Mariel em Cuba – fato: com dinheiro dos brasileiros – deu-se através de financiamento à construtora que realizou a obra, é tão estapafúrdia, quanto a outra absurda novidade no obscuro negócio: foi decretado “sigilo” dos contratos do empréstimo ilegal. Nada se sabe sobre o negócio. Taxas de juros, valores, carência, garantias, prazo, NADA!

 

Outro artigo da Constituição Federal que está sendo violado ainda:  é o de número 37, que define os princípios da Administração Pública, aos quais TODOS os agentes públicos estão subordinados, inclusive a Presidente e o banco estatal BNDES: são os princípios  “Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência”. Pois esse sigilo não é LEGAL e obviamente desrespeitou o princípio da PUBLICIDADE.  A tão decantada transparência que deve, por força de lei, nortear os negócios públicos.

 

As ilegalidades flagrantes cometidas no caso dos empréstimos a países estrangeiros são inclusive motivo mais do que suficiente também para uma  ADIN – Ação Direta de Inconstitucionalidade – no STF – Supremo Tribunal Federal – a instância máxima da Justiça brasileira, a quem cabe julgar o Presidente da República.

 

Uma ADIN é cabível frente a inobservância por parte do Presidente da República da Constituição vigente.

 

No caso específico dos empréstimos aos países estrangeiros, somente as seguintes pessoas ou entidades podem propor a ADIN:  Mesa do Senado Federal;  Mesa da Câmara dos Deputados; Procurador-Geral da República; Conselho Federal da OAB; Partido político com representação no Congresso Nacional; Confederação sindical ou entidade de classe no âmbito nacional.

 

Nós, cidadãos comuns, infelizmente, não podemos.

 

Desde fevereiro de 2014 tramita no STF um mandado de segurança movido pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para receber informações sobre os empréstimos feitos pelo BNDES aos governos cubano e angolano. Antes de recorrer ao STF, já haviam sido pedidos os esclarecimentos por vias administrativas, os quais foram negados sob a alegação de sigilo imposto pelos governos daqueles países. Desculpa absurda e inaceitável essa de submeter a Constituição Brasileira à imposição de outros países. Um disparate. A matéria no STF está para ser relatada pelo Ministro Luiz Fux.

Aguarda-se a manifestação, quem sabe, para breve.

 

A conclusão óbvia é que NÃO são infundados os motivos que poderiam SIM levar a atual presidente a sofrer um processo de impeachment. Se este seria vitorioso ou não, é outra questão. Motivação legal existe. Claramente.

 

Esse assunto vai longe.

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Condolências

29 de outubro de 2014

Condolências

 

publicado no jornal Correio de Cachoeirinha – 29.10.2014

 

Dilma Rousseff venceu com  51,6% dos votos contra 48,4% de  Aécio Neves.  

Foi uma decisão praticamente no olho mecânico.

Em Minas Gerais, Dilma venceu.  Mesmo com Aécio vitorioso em Belo Horizonte, com 64,3% dos votos frente aos 35,7% da petista, no estado como um todo, Dilma  obteve 51,18% dos votos.

Antes das eleições, estimava-se que Aécio poderia abrir uma grande diferença em Minas, com até cerca dos 70% dos votos válidos. Um número que, se tivesse acontecido, teria ajudado o tucano a inverter o resultado da disputa ao Planalto. 

E por que isso não ocorreu? Devido às calúnias, mentiras e agressões baixas que sofreu, tanto nos comerciais da adversária como pela ação da guerrilha petista, amestrada para atuar nas redes sociais.

Sem a máquina de pressão do governo esta senhora jamais teria sido eleita. Esta é uma desgraça com a qual teremos que conviver durante os próximos 4 anos.

 

Mesmo as bobagens cometidas pelos petistas, como o ataque à sede de Veja, não foram suficientes para derrotá-los.

 

A reportagem com as  revelações de Alberto Youssef, de que Lula e Dilma sabiam de tudo na Petrobras, também não foram suficientes para convencer o eleitorado da responsabilidade do governo com o descalabro na estatal.

 

A consequência é que a economia deve piorar já. Nenhum investidor que se preze apostará em um governo acusado frontalmente de responsabilidade em um escândalo das proporções do que foi mostrado na revista editada pela Abril. 

E todo o apoio à revista Veja, um dos únicos veículos de imprensa independentes e corajosos frente aos absurdos que ocorrem neste país.

Possivelmente sofrerá o combate do governo. Estejamos atentos, em defesa da liberdade de informação. A imprensa que se cuide, porque Dilma poderá vir com mão pesada para perseguir opositores.

Afinal, ela não terá condições de governabilidade se for tragada pelos escândalos na Petrobras. Desta forma, o governo não poupará esforços para arrefecer o andamento e os efeitos da investigação em andamento e sua divulgação. 

Atualmente, dos 11 ministros do STF –  a última instância da Justiça brasileira cuja função é 

resguardar a Constituição – os governos Lula/Dilma já nomearam sete. Dilma logo nomeará o substituto de Joaquim Barbosa e ao longo dos quatro anos do próximo mandato, até seis ministros deverão entrar em aposentadoria.

Será que a população brasileira se dá conta dos perigos que isso representa, em matéria de interferência do Poder Executivo no Poder Judiciário, no momento gravíssimo que vivemos?

Duvido muito.

Aécio – e todos nós, por consequência – foi de um azar fatal por ter perdido a eleição em Minas Gerais, na Bahia, no Rio de Janeiro e em Pernambuco.

 

Caberá a ele agora um papel de referência.  Terá de ser firme na oposição. Encarando o fato de que os petistas teriam feito de tudo para sabotar um eventual governo seu.

 

Espera-se que como oposição, o senador Aécio Neves não caia em conversas falsamente conciliatórias do petismo, que apresentou a campanha mais baixa de nossa História. Tentarão um arrefecimento da oposição, da mesma forma como fez Lula para evitar um pedido de impeachment em seu primeiro mandato, logo após Duda Mendonça ter revelado pagamento com caixa 2 no exterior.

 

Para livrar os corruptos envolvidos na operação Lava Jato – alguns de alto coturno – farão qualquer coisa.

 

Espera-se que Alberto Youssef aguente firme, para que tudo caminhe de forma célere, enquanto o Supremo Tribunal Federal ainda tem remanescentes de tempos mais saudáveis, pois muitos dos envolvidos tem foro privilegiado.  

 

No poder, Dilma, Lula e os petistas, têm todos os motivos para sentirem-se aliviados. Mas sua situação no aspecto legal ainda não é confortável. Embora mantendo-se no poder, tenham muito mais capacidade de manobra. Mas já se veem no horizonte possibilidades concretas de ajuizamento de processos nos Estados Unidos, já que a Bolsa de Nova York não costuma ser tolerante com manipulações como as que derrubaram o preço das ações da Petrobras comercializadas lá, causando enormes prejuízos a investidores. Nos EUA isto é considerado gravíssimo e dá cadeia das brabas.

 

Não é como aqui, onde o símbolo dos mensaleiros, José Dirceu, já deverá começar a cumprir sua pena em casa. Um deboche, lembrando ainda que a presidente reeleita recusa-se a classificá-lo como criminoso. É o “herói brasileiro”, aclamado pela bandalha. O sentimento de indignação deverá aumentar, a não ser que a mídia seja calada. O modelo de propaganda baseado na negação mentirosa dos crimes cometidos vem dando certo. Não se sabe até quando.  

 

É possível que a vitória apertada leve à radicalização do processo político. 

O Decreto totalitário n.o 8243 segue em vigor, para enfraquecer o Congresso e às Instituições democráticas.  (E.T.: este artigo foi enviado para o jornal antes da votação de ontem na Câmara Federal)

 

O Brasil sofrerá para aguentar quatro anos de desperdício, ineficiência, clientelismo e a corrupção endêmica para manutenção do poder.  

 

Os brasileiros conscientes estão de luto.  

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Associação criminosa

1 de outubro de 2014

Assoc criminosa

texto publicado na edição de hoje do Diário de Cachoeirinha

“Há duas semanas neste mesmo espaço, no artigo “Delação de Youssef” prevíamos a capitulação do doleiro preso.

Naquela ocasião lembrávamos que a grande dificuldade para que Alberto Youssef tentasse o instituto da delação premiada encontrava-se na resistência de seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Porque o número estimado de clientes de Kakay engolidos pelo escândalo é estimado em mais de vinte. Foi exatamente o que aconteceu. Youssef trocou de advogado e partiu para a negociação do benefício em troca da suavização da pena.

Era lógico que assim ocorresse por dois motivos: o primeiro é que com a delação de seu companheiro de trapaças Paulo Roberto Costa – o “Paulinho” – como o tratava Lula, a situação de Yousef ficaria ainda pior. O segundo motivo, é que, na terra em que Celso Daniel foi morto, sua vida – a de Youssef – passaria a valer bem pouco, como arquivo vivo que é. Falando, cessa qualquer motivação para que essa remota possibilidade pudesse ocorrer.

Avançando no raciocínio, podemos refletir mais um pouco: ora, “Paulinho” já negociou sua delação premiada. Fez revelações cuja pequena parte vazada na imprensa já mostrou o poder arrasa quarteirão do escândalo da Petrobrás. Com tais revelações, Costa já obteve inclusive o benefício de cumprir a pena em casa, com a prisão domiciliar. Indício do tamanho e gravidade das revelações.

Pois bem, para Youssef receber o benefício também, obviamente irá muito além do que Costa já revelou. É um caso colossal de corrupção nas entranhas da maior estatal brasileira.

E assim chegamos ao I turno das eleições. Sabe-se que as revelações dos dois criminosos que faziam parte de uma grande associação criminosa fraudou enormemente a Petrobrás. A ex ministra de Minas e Energia, ex presidente do Conselho da estatal, expert na área, ex Chefe da Casa Civil e atual postulante a um segundo mandato presidencial, sem dúvida, por ação ou omissão, certamente deverá estar mencionada nessas revelações. No mínimo como uma pessoa bem desatenta… E o Brasil vai às urnas sem conhecer o teor das graves revelações. É surreal.

Em qualquer país medianamente sério ou politizado, uma situação como a descrita, imediatamente inviabilizaria qualquer possibilidade de êxito da atual mandatária na corrida eleitoral.

E o que chega a ser cogitado por alguns é a possibilidade de êxito – remota – dela já no primeiro turno!

A previsão dos procuradores encarregados do caso é que o doleiro Youssef tem revelações de muito maior impacto do que as denúncias de Paulo Roberto Costa – que Lula chamava, carinhosamente, de “Paulinho”. No entanto, a cúpula de marqueteiros da campanha petista acha que as revelações da operação Lava Jato não afetarão o desempenho de Dilma no curto prazo, seja no primeiro ou no segundo turno eleitoral.

Se isso ocorrer mesmo, teremos provavelmente durante os próximos quatro anos alguém no poder repetindo o mantra “eu não sabia”, enquanto o país tem ainda a possibilidade entrar o ano seguinte em uma grave recessão.

Merecemos isso?”

Enio Meneghetti

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Delação de Youssef

17 de setembro de 2014

Delação de Youssef

O fato da semana anterior, inclusive com reflexos na corrida presidencial, foram as revelações de Paulo Roberto Costa em sua negociada delação premiada.

Agora, para supremo pavor de alguns, aventa-se a possibilidade do doleiro Alberto Youssef também aderir ao benefício.

A grande dificuldade para isso ocorrer de fato, encontra-se na resistência do advogado de Youssef, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Se Youssef decidir pela delação, o número de clientes de Kakay engolidos pelo escândalo é avaliado em mais de vinte.

Por essa razão, quando Youssef, consultou Kakay sobre a hipótese de negociar para contar tudo, o advogado disse-lhe considerar desaconselhável a delação premiada. E advertiu-o que, em caso de delação premiada, ele teria de abandonar sua defesa. A razão é muito simples: muitos dos alvos atingidos pelo delator Paulo Roberto costa são clientes de Kakay, segundo revelou o jornalista Josias de Souza.

Kakay é um festejado advogado de Brasília, que tem nove entre dez estrelas com problemas na área penal, um grande número de políticos e empresários, na condição de clientes. Com uma capitulação de Youssef, a situação de muitos de seus clientes poderia complicar-se. Então, se depender do seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Youssef nunca topará uma delação premiada. E compreende-se: dificilmente um criminalista com o perfil de atuação deste prestigiado advogado seria adepto do instituto da delação. Seria uma tática conflitante com a defesa de outros clientes seus.

Porém, no caso presente, há um precedente: Yousseff na década passada já fez uma delação premiada. Então, embora Kakay seja contra, cabe lembrar que o advogado Nélio Machado, que era o defensor do ex diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, também era contrário, provavelmente por razões similares.

Incentivado pela esposa, que já vinha se desentendendo com o advogado justamente por causa disso, Costa resolveu abrir a boca. Decidiu falar e Machado deixou o cliente. Ou seja, o advogado ser contra não necessariamente impede a delação.

Para isso, Paulo Roberto contratou uma advogada especialista em delação premiada, Beatriz Catta Pretta. Sim, já há especialização em delação premiada, vejam só. Foi assim que as coisas foram em frente.

Ora, como as revelações de Costa pioram também a irremediável situação de Youssef, seu caminho mais lógico seria optar por abrir logo o bico e contar tudo o que sabe. É de se imaginar a pressão que deve estar sofrendo de parte daqueles que tem o rabo preso. Até mesmo para sua própria proteção, seria bastante lógico esperar pela negociação da delação. Certamente ele tem muitos detalhes a acrescentar às já bombásticas revelações feitas por PRC, cuja publicação parcial pela revista Veja já provocou um terremoto. Desta forma, Youssef, só tem a perder ao ficar em silêncio.

Paulo Roberto já havia mencionado que – “Se eu falar, não vai ter eleição”. Talvez força de expressão, pelo sigilo do teor de seus depoimentos, viu-se que foi revelada apenas uma pequena parte do que o criminoso sabe. Mesmo assim, provocou tremores em muitas cabeças coroadas. Imagine-se então o que Youssef teria a acrescentar. Não custa lembrar que recentemente sua ex-contadora, Meire Poza, já falou à VEJA sobre os esquemas envolvendo o doleiro e seus amigos da classe política e o frisson foi grande.

Compreende-se então o pânico criado entre alguns políticos, algumas empreiteiras e prestadoras de serviços da Petrobras. O medo de que Alberto Youssef, assim como Paulo Roberto Costa, opte pela delação premiada.

E ao lembrarmos da fala recente de Lula:

“Eles não sabem do que nós seremos capazes de fazer para que você seja a nossa presidenta por mais 4 anos neste país”

Tem-se então uma pequena ideia do tamanho da bomba sobre a qual o país está assentado.

Enio Meneghetti
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O passarinho

10 de setembro de 2014

“Só mesmo como piada cabe a versão de ela poderia não saber do que ocorria por debaixo do tapete.”

O Passarinho

Finalmente, depois de avanços e recuos, o ex diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, abriu o bico e contou com palavras o que quase todo o mundo já sabia mas não podia falar ainda, com todas as letras.

Para tentar escapar da mesma situação de Marcos Valério, que pegou 40 anos de cadeia enquanto seus companheiros de gatunagem e mandantes já estão contando os dias para verem-se livres das grades, o ex-diretor da Petrobrás resolveu tentar salvar – ao menos em parte – a si e familiares, os quais parece ter utilizado para ocultar sua parte no butim roubado.

Paulo Roberto Costa apresentou nomes e explicou como ele e seus cúmplices nos crimes de lavagem de mais de R$ 10 bilhões sob investigação da Operação Lava Jato operavam, além de detalhes sobre a malfadada compra superfaturada da refinaria bichada de Pasadena, nos Estados Unidos.

Pode ser que agora o doleiro Alberto Youssef crie coragem e resolva tentar salvar a própria pele também. E como sonhar é de graça, não custa torcer para a excelente possibilidade de que Henrique Pizzolato, o foragido do Mensalão atualmente preso na Itália que tenta desesperadamente evitar ser mandado para cá onde amargará em um dos presídios brasileiros, possa também fazer um acordo para evitar a extradição (ele é cidadão italiano) e contar tudo o que sabe. Tomara. Se isso acontecer seria uma glória nos tribunais…

Políticos do PT e da base aliada do governo, principalmente PP e PMDB junto com governadores, senadores, deputados. E, é claro, sobrou para Dilma. Afinal, ex ministra de Minas e Energia, ex presidente do Conselho da Petrobrás, ex-Chefa da Casa Civil, centralizadora como é, só mesmo como piada cabe a versão de ela poderia não saber do que ocorria por debaixo do tapete.

Também acabou respingando em Marina Silva. A menção do falecido ex-governador Eduardo Campos não pegou bem para ela. Não poderia deixar de estar no embrulho o sucessor de Delúbio Soares, o atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. Sim, Paulo Roberto Costa afirmou que o atual tesoureiro Vaccari Neto, era o encarregado de fazer a ponte entre os esquemas e o partido.

Se a investigação for levada em frente, mexe com gente muito poderosa. O risco de que tentem abafa-la é real e concreto, pois a coisa é muitíssimo grave.

A reportagem que Veja traz esta semana é apenas a pontinha do iceberg de uma roubalheira que pode fazer o esquema do Mensalão ficar no chinelo. Na lista inicial de nomes apontados, com envolvimento na Lava Jato: “Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo. Mais os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado por Paulo Roberto como destinatário da propina”.

A lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor da Petrobrás são: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), governadora do Maranhão. Com as mega suspeitas em relação a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, sobrou para o ex-companheiro de chapa de Marina Silva, o falecido presidenciável Eduardo Campos (PSB).

Este furdunço ainda deve feder bastante.

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Uma análise psiquiátrica da atual condição mental de Lula

28 de agosto de 2014

Publicado no Diário da Manhã
artigo de autoria do médico psiquiatra Marcelo Caixeta

Lula velho

“Com mais de 50% de intenções de voto, muitos se perguntam por que Lula não concorre à Presidência?

Do ponto de vista médico, há possíveis sinais de alguma encefalopatia hipertensiva – o paciente teve “desmaios” hipertensivos há alguns meses, sobrepeso, descontrole dietético ( hiper-dis-lipidemia ), mostra crescente irritabilidade, episódios de boca-rota e boca-suja, instabilidade e inquietação, tem inequívoca aterosclerose pós-tabágica, indícios de aumento da ansiedade. Além disto, depressão e apatia são comuns sinais de comprometimento cerebrovascular subcortical, por acometimento leucoencefalopático do centro oval. Etilismo sub-clínico pode vir a piorar isto tudo aí acima.

A mente de Lula vive também grandes conflitos psicológico-familiares. Vejamos:

Lula valoriza o caráter de sua mãe, que nordestina retirante, cuidou sozinha de muitos filhos; enquanto o pai de Lula, “homem sem escrúpulos afetivos”, mulherengo, abandonou a família e foi correr atrás de outros rabos-de-saia). A mãe, segundo Lula, era um exemplo e uma influência virtuosa, pregando sempre a honestidade, justiça, retidão de caráter. A mãe de Lula, mulher, pobre, sozinha, trabalhadora, nordestina, analfabeta, representa o nicho de “marginalidade”, “minorias oprimidas”, que ele optou por “defender”.

O “esquerdismo” é, além de coitadista, feminino – não é difícil entender. E esta política, hoje em dia, nestes tempos de anti-autoridade, é a política vencedora, não só no Brasil, mas no mundo todo. O pai de Lula já representa toda a “maldade” do “homem capitalista”, opressivo, “patrão”, frio, distante, egoísta, auto-provedor (“nunca se preocupou em colocar uma rapadura dentro de casa”), materialista, “violento”, antiassistencialista (“nos deixou passando fome”).

A “luta de Lula” é uma analogia da “vingança de sua mãe contra seu pai”.

Quando entrou na “selva” da luta política, é claro, Lula foi-se transformando cada vez mais no que era o pai dele, inclusive com amantes. No entanto, ele sempre tinha uma “justificativa materna” na cabeça que aplacava sua consciência: “não é que estou virando um “tubarão capitalista frio” (como meu pai), é que tenho de lutar com tubarões, como um tubarão, tudo para melhorar a vida deste povo sofrido (a “vida desta minha mãe sofrida”)”. Com o tempo, no entanto, a consciência foi pesando e ele foi vendo, com certo horror, que, de fato, sem subterfúgios, estava mesmo é se afastando da mãe e se aproximando cada vez mais do que o pai fora.

Não bastassem esses motivos médicos, psicológicos, para sua desistência, há também motivos psicossociais: há o medo de perder as eleições, e com isto o enorme capital narcísico que amealhou como um “grande presidente do Brasil”. A mãe, como toda boa mãe, aliás, insuflou-lhe um molde de moralidade (que ele conspurcou, como vimos), mas também uma dose de narcisismo: “você não deve ser como os demais”, “você é queridinho da mamãe”. Este narcisismo faz com que Lula tenha medo de entrar na “canoa furada” em que ele e o PT colocaram o Brasil. O modelo petista esgotou-se:

a) falta de composição com a Sociedade Civil. A sociedade civil, hoje, quer, mais que nunca, participar dos processos decisórios-governamentais, e o PT totalitarista-estatizante vai no sentido contrário a isto. O PT não só não acredita na Sociedade Civil, ele é contra ela, nomeia-a de “elite”.

b) O modelo estatizante, que paralisa o país, enferruja a máquina administrativa. Os 12 anos do poder encastelaram o comunismo estatizante no poder, paralisando a máquina.

c) o modelo assistencialista esgotou-se por vários motivos:

c.1 – A sociedade já vislumbrou que o PT suga seu trabalho para angariar votos (bolsas, cotas, benesses, casas, tablets, móveis, etc)

c.2. A sociedade já não suporta mais aumentos de impostos.

c.3. Os altos índices de inadimplência.

d) o que é pior para o PT e Lula: os assistidos agora, ingratos, se insuflam contra eles: querem mais.

e) Querem mais e o governo não tem como lhes dar, pois não criou empregos, não ensinou-lhes que é o trabalho que gera riqueza, desacostumou-os a trabalhar, açulou-os para só pedir e reivindicar, não melhorou o nível educacional, não melhorou a produtividade, vem acabando com a indústria, vem acabando pouco-a-pouca com o espírito da Iniciativa Privada.

f) então, o PT/Lula estão com insatisfeitos dos dois lados: dos assistidos (os coitadinhos) e dos assistentes (os tubarões). g) por conta de sua política comunista, ou seja, anti-iniciativa-privada, a economia vem estagnando-se, ninguém quer investir, ninguém quer empreender. O único ambiente de segurança é para o funcionário público. A massa crítica que poderia mudar o país só pensa em fazer concurso e virar funcionário público. O país perde a juventude empreendedora. Neste ambiente inseguro, os mais equilibrados querem virar funcionários públicos e só vão se lançar no empreendimento os picaretas e os aventureiros. Isto não constrói um país. Lula, como gênio político que é, já vislumbrou este beco sem saída em que se meteu e, nestas circunstâncias, que perca a Dilma mesmo.”

(Marcelo Caixeta, médico psiquiatra)

Lula figa

Déjà vu *

20 de agosto de 2014

deja vu

Nos últimos dias me lembrei de Jânio Quadros. Jânio elegeu-se presidente em 1960 com a bandeira da ética e da moralização. Com um estilo dramático, pairando acima dos partidos, foi definido pelo historiador Thomas Skidmore como um ‘outsider’. Viu-se depois que era igual ou pior a tantos outros.

Conquistou grande maioria do eleitorado prometendo combater a corrupção e a bandalheira. Correu o Brasil em campanha com a musica: varre, varre, varre, varre vassourinha / varre, varre a bandalheira / que o povo já tá cansado / de sofrer dessa maneira / Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado!.

Varrer toda a sujeira da administração pública. Por isso o seu símbolo de campanha era a vassoura. Tomou posse em 31 de janeiro 1961. Proibiu o uso de biquínis e a briga de galos. Brigou com o Congresso, dizendo que com ele não conseguia governar. Pensava possuir um magnetismo pessoal maior do que de fato tinha. Colocando a culpa em “forças terríveis”, Jânio redigiu uma carta de renúncia em agosto. Pretendia voltar nos braços do povo com poderes excepcionais. A trama, cuidadosamente planejada, falhou e ele teve sua renúncia aceita pelo Congresso Nacional, apenas sete meses após tomar posse.

Quem não conhece seu passado não sabe para onde vai.

* Déjà vu é uma sensação que surge ocasionalmente, quando vivemos algo com a sensação de já ter feito ou visto antes, porém isso nunca ocorre. O déjà vu aparece como um “replay” de alguma cena, onde a pessoa sente já ter passado por aquele momento, mas realmente isso não ocorreu.

Sacudiu os meios políticos a pesquisa do Datafolha, feita em cima do momento trágico.

A candidata a vice de Eduardo Campos, Marina Silva deverá ocupar seu lugar na disputa presidencial. Reconhecida como alguém de temperamento complexo, apesar da aparência frágil, conseguiu em um primeiro momento capitalizar os votos brancos e indecisos daqueles que estão cansados de bandalheira.

Os números apresentados tem uma certa lógica. Marina Silva acrescentou aos 8% que Eduardo Campos já tinha outros 13 pontos oriundos de brancos nulos e indecisos o que a levou aos 21% apresentados. Já Dilma e Aécio mantiveram-se praticamente com os mesmos índices.

Não era eleitor do finado, mas me impressionei que tantas de suas qualidades fossem reconhecidas somente post mortem.

Em março Lula foi a um almoço com empresários no Paraná. No encontro, defendeu que Dilma mereceria mais quatro anos para manter as políticas de governo.

Revelou sua grande preocupação naquele momento: “que venha alguém desconhecido,muito jovem, que se apresente muito bem e se repita o que aconteceu em 1989”. Os presentes entenderam a frase como uma comparação entre Eduardo Campos e Fernando Collor de Mello. Saiu na Folha e está na internet, em http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/03/1427517-a-empresarios-lula-compara-eduardo-campos-a-collor.shtml

Mesmo assim, Lula esteve presente no adeus a Eduardo Campos, domingo.

Chorou no velório.

Enio Meneghetti
http://www.eniomeneghetti.com

chorou no velório

Sem tít
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O mico da semana

30 de julho de 2014

O mico da semana

Foi amplamente noticiado o fato de que o Banco Santander enviou a seus melhores correntistas uma avaliação da relação entre o desempenho da atual presidente em pesquisas eleitorais com os números dos indicadores econômicos.

Foi o que bastou para o presidente do partido do governo, Rui Falcão, apressar-se em classificar a atitude do banco – ao dizer o que todos já sabiam – como ‘terrorismo eleitoral’.

O que chamou a atenção foi o fato do próprio governo ter impulsionado a notícia, reclamando publicamente. Ora, algo que passaria relativamente despercebido teve sua dimensão aumentada, chegando a uma muito maior quantidade de ouvidos e mentes, do que se o atual detentor do cargo que um dia foi de José Genoíno tivesse ficado quieto.

A razão para o berro governamental é elementar. Ora, a análise enviada está correta.

Embora a maioria das pessoas fiquem reticentes em aceitar os fatos, subestimando a crise que se aproxima, os sinais dela são evidentes. E não falo apenas da obviedade de que o total das despesas do governo supera as receitas. Há uma política deliberada de aumento dos gastos públicos.

Desde a crise de 2008 o Brasil abandonou o bom senso econômico para passar a implementar intervenção na Economia, pautando-se pelo assistencialismo e estímulo irresponsável ao consumo. Isso inevitavelmente nos trouxe ao ponto atual, quando estamos à beira da falência das contas públicas e da recessão ante o fato da impossibilidade das famílias continuarem aumentando o consumo na velocidade necessária. Os investidores não confiam mais no Brasil e, sem confiança, simplesmente não investem. Afinal, o Brasil terá em 2014 o pior resultado de crescimento do PIB desde o governo Collor.

O Banco Santander estimou um crescimento de apenas 0,9% neste ano. E este não é o único problema. O próprio Banco Central, com base em seus Relatórios Trimestrais de Inflação, projeta em 6,40% o índice para este ano.

Porém, a rigor, já estamos acima disso. Não fosse o controle de preços maquiando a inflação, já estaríamos muito além. Ao represar os preços de energia e combustíveis – fato admitido pelo governo – especialistas estimam que a inflação já estaria ao redor dos 8,5% ao ano. O represamento de preços por si só tem consequências desastrosas. Sugerem maior inflação futura, desalinhamento de preços e destruição de determinados setores. São esses ingredientes – devidamente interpretados pelos melhores especialistas no mundo inteiro – que apontam para um quadro catastrófico para um futuro próximo, com uma inflação que poderá beirar os 15% ao ano.

As consequências de um número desta magnitude são plenamente conhecidas por quem viveu um passado recente, anterior ao Plano Real: aumento de desemprego, interrupção súbita do crédito e consequente dificuldade das pessoas de honrar seus compromissos financeiros.

O desajuste de nossas contas públicas fatalmente nos levará ao aumento das taxas de juros. Enquanto o resto do mundo estiver mantendo as taxas de juros baixas, menos mal. Mas com a expectativa de que o Federal Reserve – o Banco Central americano – eleve suas taxas de juro a partir de 2015, vai faltar dólar no Brasil.

Nosso mercado de trabalho já enfraquece a nível assustador. A indústria está estagnada. A recessão mostra a cara. Os índices de desemprego são medidos de forma errada, pois consideram apenas quem está procurando trabalho e não encontra, desconsiderando a parcela daqueles que já desistiram de procurar. O índice de criação de novos postos de trabalho há muito tempo vem decaindo continuamente. Portanto, é uma falácia creditar “pleno emprego” à competência da gestão pública.

Por isso tudo, em rápida análise, se compreende o porquê do governo apressar-se em “fechar a porteira” para a críticas vindas dos analistas do Banco Santander. A aceitação tácita das mesmas poderia trazer uma avalanche de outras do mesmo teor e sentido.

E por fim, não surpreende que um governo cujo partido chegou a publicar em seu site uma “lista negra” de jornalistas a serem perseguidos pelo Estado, tenha festejado a demissão dos analistas econômicos de um banco, pela ‘grave’ falta de terem feito previsões acertadas.

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Santander charge

PT financia PMDB?

22 de julho de 2014

Sabe aquele deputado do PMDB que você conhece?

Talvez ele seja agraciado com uma ajudinha financeira do PT para sua campanha…

É a possibilidade revelada pela nota na coluna RADAR, em Veja desta semana, que conta porque o vice da Dilma, Michel Temer, reassumiu a presidência do PMDB.

Ele quer gerir um “caixinha” de R$ 40 milhões (!!!) que Renan Calheiros conseguiu com o presidente do PT, Rui Falcão.

Temer quer “dividir parte deste butim com os deputados do partido (PMDB) candidatos à reeleição”.

Essa é a razão porque é importante NÃO VOTAR NOS PARTIDOS DA BASE ALIADA.

‪#‎nãovotenabasealiada‬PT PMDB

Página 46 – VEJA – 23/07/2014

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