O passarinho

“Só mesmo como piada cabe a versão de ela poderia não saber do que ocorria por debaixo do tapete.”

O Passarinho

Finalmente, depois de avanços e recuos, o ex diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, abriu o bico e contou com palavras o que quase todo o mundo já sabia mas não podia falar ainda, com todas as letras.

Para tentar escapar da mesma situação de Marcos Valério, que pegou 40 anos de cadeia enquanto seus companheiros de gatunagem e mandantes já estão contando os dias para verem-se livres das grades, o ex-diretor da Petrobrás resolveu tentar salvar – ao menos em parte – a si e familiares, os quais parece ter utilizado para ocultar sua parte no butim roubado.

Paulo Roberto Costa apresentou nomes e explicou como ele e seus cúmplices nos crimes de lavagem de mais de R$ 10 bilhões sob investigação da Operação Lava Jato operavam, além de detalhes sobre a malfadada compra superfaturada da refinaria bichada de Pasadena, nos Estados Unidos.

Pode ser que agora o doleiro Alberto Youssef crie coragem e resolva tentar salvar a própria pele também. E como sonhar é de graça, não custa torcer para a excelente possibilidade de que Henrique Pizzolato, o foragido do Mensalão atualmente preso na Itália que tenta desesperadamente evitar ser mandado para cá onde amargará em um dos presídios brasileiros, possa também fazer um acordo para evitar a extradição (ele é cidadão italiano) e contar tudo o que sabe. Tomara. Se isso acontecer seria uma glória nos tribunais…

Políticos do PT e da base aliada do governo, principalmente PP e PMDB junto com governadores, senadores, deputados. E, é claro, sobrou para Dilma. Afinal, ex ministra de Minas e Energia, ex presidente do Conselho da Petrobrás, ex-Chefa da Casa Civil, centralizadora como é, só mesmo como piada cabe a versão de ela poderia não saber do que ocorria por debaixo do tapete.

Também acabou respingando em Marina Silva. A menção do falecido ex-governador Eduardo Campos não pegou bem para ela. Não poderia deixar de estar no embrulho o sucessor de Delúbio Soares, o atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. Sim, Paulo Roberto Costa afirmou que o atual tesoureiro Vaccari Neto, era o encarregado de fazer a ponte entre os esquemas e o partido.

Se a investigação for levada em frente, mexe com gente muito poderosa. O risco de que tentem abafa-la é real e concreto, pois a coisa é muitíssimo grave.

A reportagem que Veja traz esta semana é apenas a pontinha do iceberg de uma roubalheira que pode fazer o esquema do Mensalão ficar no chinelo. Na lista inicial de nomes apontados, com envolvimento na Lava Jato: “Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo. Mais os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado por Paulo Roberto como destinatário da propina”.

A lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor da Petrobrás são: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), governadora do Maranhão. Com as mega suspeitas em relação a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, sobrou para o ex-companheiro de chapa de Marina Silva, o falecido presidenciável Eduardo Campos (PSB).

Este furdunço ainda deve feder bastante.

http://www.eniomeneghetti.com

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