Posts Tagged ‘ética’

A responsabilidade da imprensa

23 de maio de 2017

Não é de hoje que os procuradores usam a imprensa para disseminar acusações que, uma vez veiculadas, ganham ares de condenação

EDITORIAL – O Estado de S.Paulo

23 Maio 2017 |

http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-responsabilidade-da-imprensa,70001806429

A tarefa primária da imprensa consiste em fornecer ao leitor informações que lhe permitam formar opinião acerca do mundo em que vive. Da qualidade das informações processadas pelos jornalistas depende, em grande medida, a formação de consensos em torno do que é realmente melhor para o País, muitas vezes a despeito do que querem aqueles que estão no poder ou que lá querem chegar. O jornalismo que, por açodamento, se baseia no que está apenas na superfície e se contenta com o palavrório de autoridades para construir manchetes bombásticas se presta a ser caixa de ressonância de interesses particulares e corporativos, deixando de lado sua missão mais nobre – jogar luz onde os poderosos pretendem que haja sombras.

No dramático episódio das denúncias contra o presidente Michel Temer, feitas pela Procuradoria-Geral da República com base em delação dos empresários Joesley e Wesley Batista, ficou claro, mais uma vez, que o Ministério Público sabe como explorar a ânsia dos jornalistas pela informação de grande impacto.

Não é de hoje que os procuradores usam a imprensa para disseminar acusações que, uma vez veiculadas, ganham ares de condenação. É evidente que a imprensa não pode ignorar denúncias graves emanadas do Ministério Público, ainda mais quando envolvem autoridades de primeiríssimo escalão, mas a história ensina que muitas vezes as acusações não têm fundamento, resultando em danos irreparáveis para os acusados.

Outro sintoma de que a imprensa se deixa levar pela sofreguidão do Ministério Público é que as manchetes e os noticiários estão reproduzindo a própria linguagem dos procuradores e dos delatores, que vêm tratando todo tipo de pagamento de empresários a partidos e políticos como “propina”, quando muitas vezes se trata de mera doação eleitoral. Assim, quase todos os políticos que em algum momento receberam dinheiro de empresas são, por definição, arrolados como corruptos – e então confirma-se a tese do Ministério Público de que o mundo político está podre.

Atribuir as denúncias ao Ministério Público não é o bastante, do ponto de vista ético, para isentar a imprensa de responsabilidade por esses danos, pois são os jornais que decidem dar ou não dar destaque a acusações que ainda carecem de confirmação, especialmente quando o que está em jogo é a estabilidade do País.

No caso específico que envolve Michel Temer, está claro, hoje, que as primeiras manchetes a respeito da delação dos irmãos Batista – segundo as quais o presidente teria dado aval ao pagamento de propina ao deputado cassado Eduardo Cunha para que ele continuasse em silêncio – estavam imprecisas. A interpretação mais danosa a Temer – a de que teria havido “anuência do presidente da República” ao pagamento de suborno a Cunha – foi feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, conforme se lê na avaliação que ele fez do diálogo entre o presidente e Joesley Batista.

Foi essa avaliação que pautou a imprensa. Nenhum jornalista teve acesso às gravações feitas por Joesley senão alguns dias depois. Nesse intervalo de tempo, a pergunta óbvia – é possível confiar cegamente no que diz o Ministério Público? – não foi feita. Tampouco se questionou que objetivos poderiam ter os vazadores do conteúdo de uma delação que deveria estar sob sigilo. Considerou-se que a versão de Janot bastava para incriminar o presidente da República.

Quando a imprensa enfim obteve a íntegra da gravação, os jornalistas puderam constatar que a interpretação de Janot era excessivamente subjetiva. Mas então o estrago político já estava consumado e o maior prejudicado não era Temer, mas o País, que precisava de estabilidade para a recuperação da economia. É um estrago grande e talvez irreversível, em certa medida.

É justamente em momentos tão graves como esses que o País e suas instituições – a imprensa entre elas – devem fazer profundas reflexões sobre a responsabilidade de cada um. Já temos crises em abundância. Não há necessidade de que se fabriquem mais.

Editorial Estadão – terça feira – 23. 05.2017 – grifos do blog

Anúncios

“Eles (o governo) não entenderam nada”

30 de março de 2015

Rogério Chequer, líder do Movimento Vem Pra Rua, declara que  o Governo não entendeu nada em relação aos movimentos de insatisfação que assolam o Brasil.

Assim para a próxima manifestação, do dia 12 de abril de 2015, os  temas que serão defendidos:

– redução imediata do número de ministérios;

– abertura da caixa preta dos empréstimos via BNDES;

– impedimento do Ministro Dias Toffoli, ex advogado do PT, para o julgamento do Petrolão

Excelente a apresentação de Rogério Chequer.

Sucinto, claro e objetivo.

http://www.eniomeneghetti.com 

Déjà vu *

20 de agosto de 2014

deja vu

Nos últimos dias me lembrei de Jânio Quadros. Jânio elegeu-se presidente em 1960 com a bandeira da ética e da moralização. Com um estilo dramático, pairando acima dos partidos, foi definido pelo historiador Thomas Skidmore como um ‘outsider’. Viu-se depois que era igual ou pior a tantos outros.

Conquistou grande maioria do eleitorado prometendo combater a corrupção e a bandalheira. Correu o Brasil em campanha com a musica: varre, varre, varre, varre vassourinha / varre, varre a bandalheira / que o povo já tá cansado / de sofrer dessa maneira / Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado!.

Varrer toda a sujeira da administração pública. Por isso o seu símbolo de campanha era a vassoura. Tomou posse em 31 de janeiro 1961. Proibiu o uso de biquínis e a briga de galos. Brigou com o Congresso, dizendo que com ele não conseguia governar. Pensava possuir um magnetismo pessoal maior do que de fato tinha. Colocando a culpa em “forças terríveis”, Jânio redigiu uma carta de renúncia em agosto. Pretendia voltar nos braços do povo com poderes excepcionais. A trama, cuidadosamente planejada, falhou e ele teve sua renúncia aceita pelo Congresso Nacional, apenas sete meses após tomar posse.

Quem não conhece seu passado não sabe para onde vai.

* Déjà vu é uma sensação que surge ocasionalmente, quando vivemos algo com a sensação de já ter feito ou visto antes, porém isso nunca ocorre. O déjà vu aparece como um “replay” de alguma cena, onde a pessoa sente já ter passado por aquele momento, mas realmente isso não ocorreu.

Sacudiu os meios políticos a pesquisa do Datafolha, feita em cima do momento trágico.

A candidata a vice de Eduardo Campos, Marina Silva deverá ocupar seu lugar na disputa presidencial. Reconhecida como alguém de temperamento complexo, apesar da aparência frágil, conseguiu em um primeiro momento capitalizar os votos brancos e indecisos daqueles que estão cansados de bandalheira.

Os números apresentados tem uma certa lógica. Marina Silva acrescentou aos 8% que Eduardo Campos já tinha outros 13 pontos oriundos de brancos nulos e indecisos o que a levou aos 21% apresentados. Já Dilma e Aécio mantiveram-se praticamente com os mesmos índices.

Não era eleitor do finado, mas me impressionei que tantas de suas qualidades fossem reconhecidas somente post mortem.

Em março Lula foi a um almoço com empresários no Paraná. No encontro, defendeu que Dilma mereceria mais quatro anos para manter as políticas de governo.

Revelou sua grande preocupação naquele momento: “que venha alguém desconhecido,muito jovem, que se apresente muito bem e se repita o que aconteceu em 1989”. Os presentes entenderam a frase como uma comparação entre Eduardo Campos e Fernando Collor de Mello. Saiu na Folha e está na internet, em http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/03/1427517-a-empresarios-lula-compara-eduardo-campos-a-collor.shtml

Mesmo assim, Lula esteve presente no adeus a Eduardo Campos, domingo.

Chorou no velório.

Enio Meneghetti
http://www.eniomeneghetti.com

chorou no velório

Sem tít
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/03/1427517-a-empresarios-lula-compara-eduardo-campos-a-collor.shtml

© 2014 Microsoft Termos Privacidade e cookies Desenvolvedores Português (Brasil)