Espionagem e Rede Globo

4 de setembro de 2013

O texto a seguir é do jornalista Bob Sharp* e pela lucidez do mesmo, resolvi colocá-lo aqui.

1) Espionagem. Espionagem?

Esse assunto da espionagem americana pela Agência Nacional de Segurança (NSA) daquele país está dando o que falar. Indignação de todo lado, do governo brasileiro, da presidente Dilma, da imprensa de maneira geral – dá para perceber o estranho tom de ira e indignação no olhar dos jornalistas da TV Globo – e de muita gente. Só que o termo ‘espionagem’ me intrigou. Teria havido realmente espionagem na acepção da palavra, conforme fartamente descrita nos dicionários? Parece-me um tanto impróprio e, inclusive, não acho que tenha havido.

Ninguém se apoderou furtivamente de documentos brasileiros secretos, ninguém fez fotos de instalações militares ou civis estratégicas, não houve invasão de contas bancárias, ninguém teve a residência vasculhada na qual se encontraram provas de se tratar de um espião agindo no país. O que aconteceu, então? Simplesmente “escuta” das comunicações via internet e telefonia celular, numa mega versão do “Big Brother” vaticinado por George Orwell no famoso livro “1984”, de 1947.

É infantil achar que a nação mais poderosa do mundo e que sofreu no dia 11 de setembro de 2001 danos materiais e morais devastadores, juntamente com a perda de 3.000 vidas humanas, não montasse um esquema de inteligência sofisticado para detectar qualquer sinal de terrorismo nos quatro quadrantes do planeta. E é infantil também achar que o Brasil estava fora do rol ameaçador e que por isso não era necessário ver como as coisas andavam por aqui.

Inclusive, o governo americano tem o direito, por lei, de monitorar todo o tráfego da internet e da telefonia naquele que é o país democrático por excelência. Para quê? Segurança nacional. E não vá se pensar que com o avanço da informática os países destacados no cenário mundial não façam como os americanos.

Talvez o Brasil ficasse fora da vasculha plantetária se não houvesse a bajulação castrista-bolivariana de Luiz Inácio e agora Dilma; se não houvesse a bajulação a Mahmoud Ahmadinejad, do Irã (“o holocausto não existiu”); se o assassino e foragido da Justiça italiana Cesare Battisti não tivesse sido acolhido no país; se não houvesse a Comissão da Verdade – unilateral, por que não bilateral? –, para dar alguns exemplos de conduta apontada para o Mal. Talvez.

Nem preciso falar do “aluguel de médicos cubanos”, a imprensa não fala em outra coisa, a maioria reprovando esse formato totalmente desprovido do mais elementar bom senso, pagar o aluguel a Cuba em vez de remunerar diretamente os médicos mediante contrato de trabalho e observando a legislação trabalhista no país. Mais uma justificativa para os EUA monitorarem conversas e mensagens do governo.

O que veio à tona nesse episódio de “espionagem” é que não há mais como escapar da vigilância eletrônica. Mas, como diz o secular ditado, quem não deve não teme. E já que quem não deve não teme, qual seria o motivo de tanta indignação do governo brasileiro?
Será que o que não era para sair das paredes de concreto do Palácio da Alvorada, saiu?

Será que alguém em sã consciência acha mesmo que a soberania do Brasil foi ultrajada, como quer fazer crer o governo, só por causa da interceptação das comunicações, coisa que qualquer hacker de meia-tigela faz hoje em minutos?

Por outro lado, como eu adoraria ver a reação do nosso governo caso fosse descoberto que a Venezuela estava “espionando” o Brasil!

2) O pedido de desculpas de O Globo
Em meio a todo esse redemoinho de espionagem & indignação, eis que o jornal O Globo vem a público dizer que “constituiu um equívoco” o apoio das Organizações Globo o apoio à revolução de 31 de março de 1964. Quem ainda não leu o “equívoco” das Organizações Globo pode lê-lo aqui.

Os dois últimos parágrafos, que transcrevo, mostram que alguma coisa aconteceu ou está acontecendo no âmbito deste vasto complexo editorial: (os grifos são meus)

“Os homens e as instituições que viveram 1964 são, há muito, História, e devem ser entendidos nessa perspectiva. O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país.”
“À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”
Naquele começo turbulento de 1964 a democracia estava ameaçada, só não via quem não queria, e ela foi salva por si mesma através do dever constitucional das forças armadas de garantir a segurança e a ordem internas. Com efeito, pouco depois do restabelecimento da ordem no país saiu matéria na Seleções do Reader’s Digest intitulada “A nação que salvou a si mesma”.

No próprio texto do “arrependimento” das Organizações Globo é citada a invasão da redação do jornal por fuzileiros navais sob comando do almirante Aragão, apoiador de João Goulart. Que me conste, invasão de qualquer coisa sem mandato judicial não é coisa de democracia. Portanto, salvo melhor juízo, não havia outra saída senão a ação militar de 31 de março e que foi maciçamente aprovada pela população.

Permito-me, como cidadão e observador, comentar que há um estranho quê de simpatia das Organizações Globo pelo governo atual, como que querendo fazer média – falei antes em “tom de ira e indignação”, não falei?

Ao dizer que a democracia é um valor absoluto o texto de arrependimento acertou. Como o é o ser humano.

Que também se suicida.

*publicado originalmente no blog WWW.autoentusiastas.blogspot.com.br

Pulhas

2 de setembro de 2013

De acordo com o dicionário Aulete, “pulha” é aquele que “não tem caráter, dignidade; patife; calhorda”. Ou apresenta “comportamento ou ato de mau-caráter; canalhice”. E ainda “faz afirmação mentirosa; lorota”.

Pois que semana terrível tivemos! Assistimos a presidenta batendo boca com um diplomata porque não deseja desagradar Evo Morales, sendo que num passado recente até refinarias da atualmente capenga Petrobrás foram deixadas de presente para ele.

Esse caso do senador boliviano, cujo principal crime, ao que parece, foi denunciar autoridades bolivianas envolvidas com o narcotráfico, chega as raias do ridículo.

Episódio que não pode deixar de ser confrontado com outras trapalhadas diplomáticas cometidas por ocasião do caso Battisti e daqueles boxeadores cubanos (sem falar no suspeitíssimo acordo dos médicos cubanos). Em comum nos dois primeiros casos, o dedo do então ministro Tarso Genro.

Quando parecia que nada mais poderia acontecer na semaninha fatídica que passou, veio outro escárnio: a não cassação do deputado Natan Donadon, criminoso condenado. A ausência injustificável de 14 deputados federais gaúchos, sendo que os 14 pertencem a legendas que apoiam o governo Dilma, embora quando aqui nos pagos costumem fazer de conta que são adversários do PT.

Sim, o PT. Por que, alguém duvida que a manobra de não cassação do deputado condenado Donadon, não é um “avant première” do que tentarão fazer para evitar a cassação dos deputados mensaleiros logo ali adiante? Quem assistiu o discurso patético do ministro Barroso, (ex advogado de Cesare Battisti) exaltando a pureza do pobrezinho José Genoíno, entenderá muito bem a que me refiro.

Bem, se tudo isso era pouco, agora tomamos conhecimento da enorme dívida particular de outro ministro do STF, Dias Toffoli (ex advogado do PT), para com o Banco mineiro BMG, do qual ele é relator de vários processos. Para quem tem memória curta, o banco mineiro BMG, juntamente com o Rural, são aquelas instituições financeiras envolvidos até o pescoço com os empréstimos fictícios ao PT no caso da ação penal 470, o caso mensalão.

Pelo amor de Deus, será que ninguém vai somar dois mais dois nesta aberração?

Acabou a dissimulação, o disfarce, o “faz de conta” que “não é comigo”. Aqui no Rio Grande do Sul, certos parlamentares de partidos autoproclamados adversários políticos do PT descem do avião em Brasília e tentam (e muitos conseguem) uma vaga debaixo da saia de dona Dilma. Seja com a liberação das verbas de suas emendas parlamentares, um ministério, quem sabe… Essas benesses tem preço! Depois eles vem com o discurso crítico fazendo de conta que são oposição aos atuais detentores do poder, lá e cá. Analise-se o comportamento passado de suas siglas! Como alguém pode mudar de senhor – ou senhora – em tão pouco tempo em plena vida adulta?

Parece bastante. Mas nem falei ainda no estuprador de incapazes, assessor petista lotado na Casa Civil. A deputada ministra Maria do Rosário, que costuma ser tão saliente em casos do gênero, ainda não referiu-se à respeito. Está esperando o que?

Ano que vem teremos eleições. Não vai dar para esquecer daqueles que comportar-se-ão de acordo com o título acima. E não estou falando em simplesmente deixar de votar nestes. E sim de LEMBRAR diariamente quem é digno de engrossar a lista daqueles que possam ser merecedores de classificação equivalente ao título deste comentário.

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Made in Brazil

10 de julho de 2013

Tenho um amigo que é o feliz proprietário de um carro sueco Volvo. Marca excelente, considerado o carro mais seguro do mundo.
Mas como todo o automóvel, eventualmente apresenta algum problema. Neste caso foi uma pequena irregularidade no funcionamento do motor. Como o proprietário é engenheiro e gosta do assunto, dedicou-se a pesquisar pessoalmente o que estava ocorrendo. Contatou-se que um dos bicos injetores dos cinco cilindros estava enviando uma quantidade maior de combustível que os demais, o que ocasionava o funcionamento irregular. Bastaria portanto, substituir o bico avariado. Uma peça do tamanho de um isqueiro BIC. Melhor seria a substituição dos cinco bicos. Segundo cotação realizada na Volvo do Brasil, os bicos, no mercado brasileiro, custavam aproximadamente R$ 700/cada – ou seja, R$ 3.500,00 os cinco. 

Para tirar a dúvida, nosso amigo resolveu consultar o site internacional de compras E-Bay. E lá encontrou os cinco bicos por apenas US$ 260, mais US$ 34 de frete. Uma diferença absurda,  favor do consumidor, onde pagando um, ele levaria os cinco bicos…

NOTA E-BAY
Até aqui, nenhuma novidade. Todo o mundo sabe a taxação estratosférica que qualquer produto “importado” para o Brasil paga.
A surpresa veio 15 dias depois, quando o produto chegou. Veja a foto. O produto tinha na embalagem a inscrição MADE IN BRAZIL. Fabricado pela BOSCH brasileira.
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É aquela política terrível de, como brasileiros, não termos acesso a certos produtos. São apenas “for export”. Ridícula intervenção do Estado na Economia.

Num momento em que o país é sacudido de Norte a Sul com o grito de “NÃO AGUENTO MAIS!” , trago mais este ingrediente a pauta de cretinices a que os brasileiros são submetidos diariamente.
Em plena era da globalização somos uma ilha de explorados economicamente como se tivéssemos os portos (ou os olhos) fechados a produtos das “nações amigas”, como se dizia muito antigamente. E o pior, é que o produto é fabricado aqui, mas não está à disposição dos nativos, nós. Isso é coisa de governos de países TOTALITÁRIOS.

Esta é mais uma entre as várias formas pelas quais somos roubados pelo governo. Uma vergonha.

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Crime Impossível

26 de abril de 2013

O texto a seguir, de minha autoria, foi publicado na página 15 do jornal Zero Hora de 26/04/2013.

Trata de um assunto polêmico de nossa História recente, extremamente romantizado e mal contado.

Uma pequena amostra do que pode ser melhor esclarecido está resumido abaixo.

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Entrevista TVE – Baile de Cobras

10 de dezembro de 2012

Entrevistado por Ivete Brandalise no programa “Primeira Pessoa” da TVE em novembro último, falei sobre o  “Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti”, lançado pela Editora AGE. Brilhantemente  conduzida pela Ivete, creio que a entrevista ficou constituindo um bom resumo do conteúdo do livro,  onde estão fatos  da História recente do RS e do Brasil. Confira a seguir.

Na primeira parte,  inquirido,  descrevo  Ildo Meneghetti e as razões e as origens de seu ingresso tardio na vida pública. Abordado, respondi sobre o desafio de debater com Leonel Brizola no primeiro debate político da TV brasileira. O RS era um barril de pólvora. E citei Jacob Gorender, que descreveu aqueles momentos: “o auge da luta de classes no Brasil”.

Parte 1

No segundo bloco, abordou-se a queda de Jango,  os desencontros do governador Meneghetti com Paulo Brossard e seu PL – um episódio muito desagradável.

Parte 2

Na terceira parte, a vida pessoal de  Meneghetti: uma pessoa absolutamente despretenciosa, levava uma vida comum e mesmo quando governante, evitava o uso de formalidades ou grandes aparatos.

Parte 3

No quarto bloco, foi abordada  a situação em que se encontrava o Internacional quando Meneghetti assumiu a presidência, em vias de ser liquidado. E poucos anos depois, o ambicionado Estádio dos Eucaliptos.

Parte 4

No último bloco uma curiosidade:  a participação do prefeito Ildo Meneghetti na solução da saída do Grêmio da Baixada dos Moinhos de Vento para a Azenha, onde o clube construiu o Estádio Olímpico.

Parte 5,

Mensalão Difere de Golpe de Estado?

25 de outubro de 2012

Trechos da manifestação desta tarde do Ministro Joaquim Barbosa por ocasião da definição das penas de um dos principais réus do Mensalão, no capítulo referente à Corrupção Ativa:

Joaquim Barbosa:   (…) Não se tratou de um crime de corrupção ativa comum, tendo réu Valério aderido à empreitada criminosa voltada à compra do apoio político e manteve intensa atuação durante todo o curso do delito criminoso ao lado do réu Delúbio Soares. Os milionários empréstimos puderam ser distribuídos aos deputados federais escolhidos por José Dirceu e a conduta de Valério foi extremamente reprovável devendo ser exacerbada a sua intensa culpabilidade.

(…) Valerio aceitou a empreitada criminosa executando os pagamentos combinados a outros parlamentares de outras legendas para os propósitos reprováveis e os motivos da prática criminosa demonstram o desprezo pelou demais, minando para propósitos privados as bases para uma sociedade livre que todos nós almejamos construir.

(…) Pois dele decorrem lesões que atingem bens jurídicos, mas igualmente o regime democrático, o pluripartidarismo, (…).  Por tudo o que foi dito, fixo a pena base em 4 anos de reclusão.

Significa o óbvio: ao comprar maioria no Legislativo, o Executivo subverte os fundamentos da democracia ao obter de forma ilegítima o poder de aprovar tudo o que for de seu interesse. Qual a diferença prática entre uma atitude dessas com a de simplesmente FECHAR o Congresso através de um Golpe de Estado? Será que esses réus condenados e a própria sociedade brasileira tem a exata noção do que foi (in)tentado? E se não fosse o acaso, a sorte, de um desacerto entre o ex-deputado Roberto Jeferson e a quadrilha agora condenada, ter trazido à tona a história toda, hoje talvez estivéssemos sob a presidência (quem sabe?) do Sr. José Dirceu.

Felizmente, parece, que nós, a sociedade brasileira, tivemos mais sorte que juízo.

Por fim, uma curiosidade: Embora as penas somadas do Sr. Valério devam ultrapassar os 40 anos, crime a crime ele ficou abaixo da pena máxima a cada uma das imputações. Embora, como no caso da “Lavagem de Dinheiro”, tenha sido condenado pela prática de 46 vezes (!!!) o delito. Minha dúvida é:  o que ele precisaria ter feito mais para receber a pena máxima prevista no Código Penal?

Por fim, felizmente o excelente e zeloso Ministro relator foi indicado e nomeado pelo ex-presidente Lula. Já pensaram se o relator fosse algum dos demais ministros nomeados pelos governos anteriores? A ladainha dos companheiros seria insuportável.

A Verdade das Urnas

17 de outubro de 2012

Passada a eleição de 07 de outubro, onde concorri a vereador, termino o mapeamento dos votos obtidos. Tarefa nada fácil, trabalhosa, enfadonha e relativamente triste para quem não foi eleito, como é meu caso, mas necessária para avaliação dos erros e acertos.

A falta de parâmetros que só poderiamos ter se tivessemos concorrido em eleições anteriores é cruel, pois nos fez trabalhar no escuro, sem saber se as estratégias utilizadas eram ou não acertadas, fato que só pode ser constatado tarde demais, com a “verdade das urnas”.

Dificuldade ainda maior devido aos poucos recursos financeiros à disposição de nossa campanha na eleição que passou.

Mas sobraram algumas alegrias. Nos bairros em que nasci, vivi, moro – ou  morei – e circulo diariamente, o resultado esteve presente, fruto da ajuda e do esforço dos bons e leais amigos, a quem conhecemos desde sempre.

Assim, embora o resultado final tenha sido um tanto frustrante, com os apenas 1.121 votos obtidos, é consolador constatar que aqueles que nos conhecem não se fizeram ausentes, honrando-me com seus votos.

O desempenho comparativo com meus diretos concorrentes da aliança DEM-PPS-PMN – que elegeu dois vereadores –  nos bairros Moinhos de Vento, Auxiliadora, Bela Vista, Mont Serrat, Tres Figueiras, Boa Vista, parte de Petrópolis e adjacências serve como pequeno momento de alegria após tanto trabalho ao longo de três meses exaustivos.

A tabela abaixo é um espelho representativo dos resultados em pontos de votação conhecidos da cidade. Reflete o desempenho nestes bairros comparativamente a alguns dos principais candidatos de nossa aliança, inclusive dos dois eleitos, Any Ortiz e Reginaldo Pujol.

Infelizmente, em nosso caso,  não foi possível obter os recursos necessários para “abraçar” a cidade inteira. O custo de uma eleição é atualmente proibitivo e absolutamente fora do razoável, como é do conhecimento geral (aliás, um parentese: cada vez mais me convenço que a única solução razoável para a moralização dos custos indecentes das campanhas eleitorais, é o voto distrital. Mas esse é um assunto para uma próxima oportunidade).

Assim, ofereço aos amigos esse mapa resumo de meus resultados como uma prestação de contas pelo apoio. Meus agradecimentos a quem me honrou com seus votos e podem ter a certeza que iremos muito melhor na próxima, agora com os parâmetros obtidos e os muitos ensinamentos assimilados.

Muito obrigado!

LOCAL DE VOTAÇÃO ENIO

MENE

GHETTI

ANY ORTIZ

(eleita)

PUJOL (eleito) DINHO MARIO BERND LF MORAES
Ass.   Leop. Juvenil

R.  Mq Herval,280

39

27 26 8 17

17

Colégio Bom Conselho – Rua Ramiro   Barcelos, 996

78

44 52 30 64

57

Escola Uruguai – Tv. Angustura(Parcão   Moinhos de Vento)

43

26 26 22 51

17

GN UNIÃO – Quintino Bocaiúva, 500

13

14 7 5 7

7

Colégio IPA – Rua Joaquim Pedro   Salgado, 80

64

48 40 19 57

35

Instituto Piratini – R. Eudoro   Berlink, 632

38

44 26 14 30

23

Colégio Anchieta – Av. Nilo Peçanha,   1521

45

43 38 28 48

22

SMAM –Av.  Carlos Gomes, 2120

31

17 11 12 19

11

Esc. Visconde de Pelotas – R. Artur   Rocha, 200

28

40 26 8 20

7

Esc Florinda Tubino Sampaio – Rua   Montenegro, 269

13

15 18 8 15

18

 

Antigo  Col. Vera    Cruz – R. João Obino, 110

23

26 20 18 20

14

Igreja Mont Serrat-  R Anita Garibaldi, 1121

7

7 6 1 3

6

Esc Maria Tereza Silveira – R Furriel   Luiz A Vargas, 135

16

18 17 4 7

4

O peso do sobrenome…

27 de setembro de 2012

Outro dia li uma reportagem retratando candidatos filhos ou netos de políticos ilustres nesta eleição. O texto não retratava meu nome.

Embora tenha muito orgulho e conhecimento acerca da trajetória de meu avô – que permanece sendo o único a ser eleito por duas vezes em eleições livres e diretas nosso governador – evito utilizar foto-montagens dele comigo, embora tenhamos tido uma boa e longa convivência.

Tinha eu 23 anos de idade quando de seu falecimento. Faz parte de minha trajetória pessoal inclusive ter escrito sua biografia, “Baile de Cobras”.

Tenho procurado ser sutil em relação ao uso do nome de meu avô. Evito abusar da boa fé dos eleitores pedindo votos por apenas ter nascido neto do Ildo Meneghetti. Em meus materiais, conforme se poderá constatar abaixo, procuro mostrar minha própria trajetória e as razões que me levam a postular uma vaga na Câmara de Vereadores.

E, é claro, faz parte de meu histórico o fato de ter escrito esse livro, no qual procuro trazer à luz fatos históricos desconhecidos de muita gente.

Afora isso, dedico-me a demonstrar o que penso ser possível para melhorar nossa Porto Alegre.

É só por essa razão – respeito ao eleitor – é que não se vêem nos canteiros das avenidas fotos-montagens minhas com meu avô nem alusões à minha ascendência no horário eleitoral da televisão.

FOLDER DE CAMPANHA (clique na imagem para ver o arquivo em tamanho original):

 

 

Querem aumentar o número de flanelinhas

28 de junho de 2012

“(…) Emenda aprovada que prevê que o Executivo deverá incentivar o ingresso de carroceiros e moradores de rua nesta atividade. (…)”.

A Câmara Municipal aprovou nesta quarta-feira (27/6) projeto alterando a legislação que regulamenta a atividade de guardadores de automóveis em Porto Alegre.

A proposta trata de detalhes como identificação, uniforme a ser usado, etc., mas o ponto que promete polêmica é uma emenda aprovada que prevê que o Executivo deverá incentivar o ingresso de carroceiros e moradores de rua nesta atividade.

Segundo o vereador proponente, “em face das recentes notícias de crescimento dos casos de furtos de veículos na Capital, bem como do aumento da frota veicular, a atividade do guardador de veículos torna-se cada vez mais importante, o que requer sua melhor organização”.
Parece brincadeira, mas o vereador sugere que uma atividade típica de Estado , como a segurança pública, aliás, a mais necessária e deficiente entre todas, seja exercida por pessoas sem nenhuma competência ou treinamento em complemento a ineficiência deste mesmo Estado nas suas prerrogativas.

Mas afinal, qual o objetivo, o que querem? Uniformizar os moradores de rua? Pessoas que normalmente sofrem com graves males como drogadição e alcoolismo, vão simplesmente fardá-los e torná-los guardadores? Isso não parece uma solução adequada.

Inicialmente, podem aparecer ângulos positivos, dentro do seguinte raciocínio: é melhor ter guardadores de carro do que carroceiros ou moradores de rua. Mas há algum estudo que prove ou indique que guardadores são eficazes na diminuição de roubos de carros?

É uma medida que não resolve nenhum problema. Não resolve o problema dos roubos de automóveis porque nenhum bandido armado vai se intimidar pela presença de um ex morador de rua fantasiado em um uniforme de cooperativa. É um problema de polícia e justiça. O morador de rua vai continuar exposto aos mesmos problemas que o colocaram ali. Não dá nenhuma segurança nem garantia de tratamento. O morador de rua não é apenas um desempregado, mas, em sua maioria, uma pessoa que desajustou-se do sistema por algum motivo.
Para quem sai à noite é muito comum voltar e não encontrar mais o guardador. Eles terão horário de trabalho? E se não cumprirem com suas obrigações serão penalizados? Como? Por quem? Vão tirar o uniforme deles?

Alguém lembrou-se de perguntar a “clientela”, à população em geral, o que acha disso? Em geral, a população não sente nenhum prazer adicional em ser extorquida por alguém com ou sem uniforme.
Não se trata de discriminar os flanelinhas, muito menos às pessoas que tem de recorrer aos mais variados expedientes (lícitos) para sua sobrevivência, mas aparentemente é mais uma transferência de um problema social para o contribuinte, a quem caberá o ônus de pagar por um serviço que ele não solicitou.

O resto é a mais pura demagogia eleitoreira. A medida só vai dar fumos de legalidade a uma atividade que simplesmente não faz sentido do ponto de vista legal. A obrigação de dar segurança é do Estado. Legitimar a extorsão ao proprietário de veículo é o único resultado palpável da lei.

Matéria sobre o assunto no jornal Zero Hora de hoje, 28/6, página 33.
 E abaixo, matéria do site da Câmara Municipal de Porto Alegre http://www.camarapoa.rs.gov.br/ .  

Guardador de carro terá de vestir uniforme padrão

A Câmara Municipal aprovou, nesta quarta-feira (27/6), o projeto do vereador Airto Ferronato (PSB) alterando a legislação atual que regulamenta a atividade de guardadores de automóveis em Porto Alegre. Pela proposta aprovada, torna-se obrigatório o uso de uniforme por parte dos guardadores de veículos. Eles deverão vestir jaleco de cor preta, com detalhes em amarelo nas mangas e nos ombros, contendo o logotipo da entidade à qual estão vinculados, o respectivo número de registro e a sigla da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-RS). Além disso, nas costas, deverão constar o telefone da entidade referida e os dizeres “Guardador de Automóveis de Porto Alegre”. Na frente e nas costas, o jaleco também deverá conter faixas reflexivas. 
 
Emenda aprovada também prevê que o Executivo deverá incentivar o ingresso de carroceiros e moradores de rua nesta atividade. Outras emendas aprovadas preveem que o guardador poderá utilizar bracelete, no braço esquerdo, com o nome da entidade a que está vinculado, bem como caberá à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) a fiscalização da aplicação da lei.
Segundo o vereador, “em face das recentes notícias de crescimento dos casos de furtos de veículos na Capital, bem como do aumento da frota veicular, a atividade do guardador de veículos torna-se cada vez mais importante, o que requer sua melhor organização”. Conforme Ferronato, as medidas aprovadas irão coibir “o abuso por pessoas não autorizadas e irregulares, conhecidas como flanelinhas, proporcionando maior segurança e um atendimento mais qualificado àqueles que utilizam esse serviço”.

Para o vereador, o aprimoramento da lei reorganiza a atividade de guardador de automóveis e cria mecanismos que conferem maior responsabilidade e comprometimento da categoria profissional. Ferronato reforça que, por conta da aprovação de lei, os cidadãos receberão o retorno tranquilo até seus veículos, sob a garantia das normas de conduta desses profissionais, o que contribui para o desenvolvimento da cidade.
Fernando Cibelli de Castro (reg. prof 6881)
Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)

O Velho Meneghetti

14 de maio de 2012

Jornalista Rogério Mendelski faz uma bela referência ao livro “Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti” em sua coluna no Correio do Povo deste domingo, 13.05.2012.

 

A transcrição é a seguinte:

O Velho Meneghetti

Assim era tratado o ex-governador Ildo Meneghetti por todos os gaúchos que privaram com ele, especialmente depois que ele deixou o governo, em janeiro de 1967. “O velho Meneghetti”, quando era citado desta maneira, trazia uma entonação vocal como nós damos ao “velho”, quando nos referimos aos nossos pais. “O velho Oswaldo”, diria o colunista, “era um excelente cozinheiro e nunca estava com mau humor”. Pois o livro “Baile de Cobras”, escrito pelo seu neto Enio Meneghetti, lançado na última segunda-feira, é um perfil do ex-governador que os gaúchos estavam esperando já faz algum tempo. Não se trata de uma ode na qual o neto elogia o avô, mas de um depoimento pleno de fatos importantes da vida política do RS da metade do século passado. O que enriquece “Baile de Cobras” não é somente a farta documentação da época com reproduções dos jornais (destaque para os jornais da Caldas Júnior), mas os detalhes do dia a dia de um homem cuja simplicidade o fazia dirigir o próprio carro quando era prefeito, refletindo uma honestidade nata que, nos dias de hoje, poderia ser considerada de ingênua diante do oceano de patifarias e de roubalheiras que se tornaram “métodos” e “programas” de governo. Um pequeno trecho narrado logo no início do livro provoca no leitor aquela vontade de não parar mais de lê-lo. Prefeito de Porto Alegre em seu segundo mandato, Meneghetti inaugurou, ao lado do presidente Getúlio Vargas, um conjunto habitacional no bairro Sarandi. Após o ato, Meneghetti entregou a Getúlio um cheque. “O que é isso, Meneghetti?”, perguntou o presidente. “É o dinheiro que sobrou da construção das casas”, respondeu. E o presidente, então, não resistiu: “Ora, é a primeira vez que vejo sobrar dinheiro de obras públicas”. Meneghetti: “É que aqui nós aplicamos as verbas na obra mesmo…”.

 
Reclama ao Menega (1)


Como prefeito, Meneghetti dirigia o seu automóvel particular, um Nash Rambler. Na estrada para Belém Novo, na companhia do vereador Braga Gastal, foi apertado por um ônibus da então DATC, autarquia municipal. Meneghetti ultrapassou, “fechou” o coletivo e saiu advertindo o motorista: “Seu mal-educado, onde já se viu dirigir assim? Poderia ter causado um acidente”. “Olha aqui, velhinho, se não tá satisfeito, vai reclamar com o Menega”, retrucou o motorista. “Mas o Meneghetti sou eu!”. “Brincadeira tem hora, velhinho. Tira o carro da frente que eu quero passar”.

Reclama ao Menega (2)


O vereador Braga Gastal aproximou-se e mostrou ao motorista quem era o cidadão. Meneghetti tirou o chapéu, foi reconhecido pelo motorista que ficou branco de susto. O prefeito, então, deu-lhe uma ordem: “O senhor, por favor, apresente-se amanhã na prefeitura, às 10 h”. No dia seguinte, lá estava o motorista. Meneghetti, que já tinha esquecido o incidente, recebeu o funcionário, perguntou-lhe sobre sua família (“mulher e quatro filhos”, informou o motorista). “Menega abriu a carteira, tirou algumas notas de cruzeiros, e fez-lhe uma recomendação: “Dê este presente aos meninos que eu mando, mas nunca mais faça aquilo, está bem?”.