Simplificando o Economês

Jornais noticiam hoje em tom de festa o anúncio por parte do governo da redução da taxa de juros.

Só que a chamada taxa Selic somente tem influência direta no custo que o governo PAGA ao tomar dinheiro emprestado formando assim a (nossa) dívida interna  (sim, nossa, porque o governo toma emprestado, mas é o contribuinte quem paga).

Quanto aos juros que os contribuintes, consumidores, aposentados, pagam no cartão de crédito, no cheque especial, no empréstimo consignado em folha de pagamento, a taxas cavalares, estes são definidos pelos bancos e administradoras de cartões a partir da baliza das taxas  praticadas pelos bancos do próprio governo – Banco do Brasil e Caixa Federal – e não tem relação imediata e direta com a variação da taxa Selic, como já cansamos de ver comprovado.

Por isso o ministro Mantega “brinca” em público com o presidente da Caixa Econômica Federal, dizendo: “Anota aí, aumentar o crédito com redução da taxa de juros.” – conforme está nos jornais de hoje.

Afinal, por que os donos do Itaú, do Bradesco ou do Santander praticariam taxas menores, se o  Banco do Brasil e a Caixa Federal estão com seus juros na lua? – veja o post “Um Grande Negócio”.

Aí  o ministro vem a público mandar esse “recado” (que, creio,  dificilmente será ouvido) aos comandantes dos bancos estatais para reduzirem os juros, estimulando assim o crescimento do PIB pelo consumo, para reduzir a entrada de dólares e euros, o tal “tsunami monetário” referido pela presidente Dilma.

Portanto não há nenhum acesso de bondade nas declarações de Mantega. Mas acho difícil que a anomalia no spread bancário seja sanada tão cedo. 

Veja a matéria do Estadão abaixo:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,bancos-publicos-lideram-alta-dos-juros,10053,0.htm
Bancos públicos lideram alta dos juros
Levantamento feito com dados do BC mostram que taxas médias do BB e Caixa subiram mais que as do Itaú, Bradesco e Santander
20 de março de 2010 | 23h 00
Fernando Nakagawa, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA – Os bancos públicos lideram a alta dos juros nos empréstimos ao consumidor em 2010. Levantamento feito pelo Estado com dados do Banco Central mostra que a taxa do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal subiu este ano mais do que no Itaú, Bradesco e Santander. Os bancos federais lideram a alta nas quatro operações para pessoas físicas acompanhadas pelo BC: crédito pessoal, financiamento de veículos, aquisição de bens e cheque especial.
Analistas dizem que a alta pode ser fruto da recomposição da margem de lucro ou de mudança no perfil dos clientes.
Após meses de atuação agressiva, com corte dos juros entre 2008 e 2009, o comportamento dos bancos públicos parece mudar. Números do BC mostram que o juro médio praticado pelo BB e pela Caixa sobe gradualmente desde o fim de 2009.
Na modalidade mais tradicional de empréstimo, o crédito pessoal, a Caixa lidera o aumento. Entre o fim de 2009 e 18 de março, a taxa subiu 2,9 pontos porcentuais e atingiu 30,9% ao ano.
Proporcionalmente, essa foi a maior alta de juros – cerca de 10% no período – entre os cinco maiores bancos. O BB foi o segundo que mais elevou a taxa. No Itaú, oscilou ligeiramente e o Bradesco reduziu em 4 pontos.
Carros
No financiamento de veículos, operação apoiada pelo governo, foi a vez de o BB liderar. No ano, a taxa média do banco subiu 3 pontos e está em 22,9%.
Na média, o BB empresta hoje com um juro 15% maior que o do fim de 2009. Em segundo na lista, a Caixa teve aumento de 1,7 ponto. A taxa do Bradesco subiu 1,2 ponto e o Itaú reduziu os juros em quase 2 pontos.
Ainda que esses bancos não tenham anunciado a alta do custo dessas operações, a taxa cobrada pode subir.
Isso acontece porque as instituições estabelecem juros mínimos e máximos e a taxa praticada oscila dentro desse intervalo, conforme o perfil do cliente. Se o banco avaliar que o tomador do empréstimo tem mais risco, cobra mais juro. Desde o início do ano, é esse movimento que tem acontecido.
Queda da inadimplência
“Os bancos públicos podem estar aproveitando o aumento da demanda para recompor margens. Essa é a explicação mais razoável, até porque o risco de crédito não aumentou nos últimos meses. Pelo contrário, a inadimplência caiu e diminuiu a chance de calote, o que deveria gerar um alívio nos juros”, diz o diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad, Alberto Borges Matias.
O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, fez uma avaliação parecida. “Podemos ter milhares de explicações, mas há alguns motivos mais comuns. No caso dos públicos, eles fizeram um movimento muito forte de corte da taxa na crise e, agora, podem estar recompondo margem. É possível também que,para manter o ritmo de crescimento, estejam operando com novos clientes, o que eleva a taxa final.”
Vale lembrar que, mesmo com a alta recente, os bancos públicos ainda praticam taxas competitivas. No cheque especial e no crédito pessoal, Caixa e BB emprestam com as taxas mais baixas entre os cinco grandes. No financiamento de veículos, estão na média do mercado. A exceção fica com a aquisição de bens, segmento em que a Caixa empresta com o maior juro dos cinco maiores bancos: 71,9% ao ano.

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