Posts Tagged ‘Porto Alegre’

NINGUÉM AGUENTA MAIS!

11 de julho de 2017

             Domingo. Passava pouco do meio dia quando subiu um rumor crescente na região da rua Padre Chagas em Porto Alegre. Após alguns segundos pode-se distinguir-se a frase clássica: “Pega ladrão!”.

               Um jovem, cerca de vinte e poucos anos, de bicicleta, arrancou a bolsa de uma senhora que subia a rua e derrubando-a no chão. Depois soube-se que ela vinha do mercadinho. Fora comprar pão para o almoço dominical  com o filho e o pai octogenário. Ao cair e gritar, deu início a reação em cadeia de um povo indignado.

              Descendo o leve declive, o ladrão deu mais impulso a bicicleta. Ao passar pelo mercadinho de onde viera a vítima, tomou o primeiro passa pé que o fez perder o equilíbrio. Passou da esquina e levou o segundo, que o fez cair de cara no chão. Levantou-se, meio atordoado, com testa esfolada. Tentou continuar a fuga, mas encurralado pelos transeuntes, ficou por ali mesmo. “Liga pro 190!” – grita um. “Chama a Brigada!” – berra o outro. “Vagabundo!” – repetem vários. Alguém tem de buscar a senhora, que caminha com dificuldade, pois tem uma prótese. Reconhece o indivíduo.

             Minutos depois, chega a viatura da Brigada. O sargento ouve a vítima, indaga por testemunhas. “Eu vi” – diz um. “Nós também vimos” – diz um casal. Para lavrar o flagrante, é necessário que todos vão ao Plantão Judiciário, no Palácio da Polícia, explica o sargento. Sem testemunhas, não adianta.  – Quem pode nos acompanhar? –ele pergunta.

             De repente se dá um silêncio. Parece que cai a ficha. Não basta prender o ladrão, tem de ser feito o serviço completo. Prestar depoimento. Levará  um certo tempo. É domingo, hora de almoço. O sargento desabafa:

             – O senhor vê, ninguém quer ir. Aquele ali acabou de pegar um táxi. Aquele outro também está indo embora.  Alguém grita:  “Pessoal, não adianta prender se agora ninguém quer ser testemunha! Se ninguém for ao plantão, o vagabundo aqui vai ser solto e à tarde estará de volta!”. Felizmente, um casal apresenta-se para testemunhar e todos dirigem-se ao plantão policial.

             Dias atrás já havia ocorrido episódio semelhante praticamente no mesmo local. Um idoso reagiu a uma tentativa de assalto na saída do banco e o criminoso foi perseguido por populares. Mostrando uma arma (seria de brinquedo?), o ladrão conseguiu tomar o carro de um motorista que passava e escapou por pouco. A lição que fica de ambos os episódios é que o povo está farto, não aguenta mais a criminalidade, seja de que nível for.

             Porém, não basta a indignação. É preciso ir até o fim. Assegurar-se que as leis que garantem a punição dos crimes sejam aplicadas. Com o devido processo legal sendo instruído corretamente. Isso dá trabalho, exige fiscalização e cobrança por parte da população. Chegamos a um ponto que, como diz a frase de autoria desconhecida: “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

              A solução de nossos problemas começa com a escolha certa de nossos representantes.

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PERDIDO O PODER, AGORA A ORDEM É COMETER CRIMES NAS RUAS!

6 de setembro de 2016

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Na promoção de  arruaças, ocupações e depredações do patrimônio público e privado, sob a desculpa de protestar contra Michel Temer, a intenção é óbvia. Buscar o confronto radical e intolerante e conseguir explosões de violência. Um cadáver para chamar de seu e transformá-lo em mártir. Esse é o desejo nem tão secreto dos mentores das ações dos grupos que foram às ruas na última sexta feira, destruindo agências bancárias, lojas, propriedade pública e privada.

 

Espera-se que as autoridades legalmente constituídas estejam acompanhando os movimentos desses grupos extremistas que apoiam o governo Dilma e agora escolheram o “Fora Temer” – vice escolhido e eleito por eles – como o inimigo a ser combatido.

 

A população sabe que o processo de impeachment foi legitimo, a não ser pela vigarice do fatiamento.

As hordas que provocaram quebra-quebra e ocupações, como a do eterno braço armado do PT, o exército do Stedile, que ocupou o prédio da Receita Federal em Porto Alegre, sabem disso.

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Afinal, o que tem a ver Receita Federal com MST? É  ato de pura provocação.

A esquerda brasileira não sepultou  prática do emprego da mentira e da violência política.

O que desejam, no fundo de suas mentes deturpadas, é um banho de sangue. Como não conseguirão, um cadáver já serve. Esse seria o grande prazer estético buscado por essa turma que usa da depredação e do confronto provocado contra a polícia.

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Pulso firme é o único remédio contra abusos. Justiça e polícia neles.

Felizmente, Dilma Rousseff corre sério risco de ser logo processada criminalmente por tráfico de influência e tentativa de obstrução de Justiça na maracutaia de fazer Lula ministro para ajudá-lo a escapar da Justiça de I grau. Dilma sabe que também incorre em crime de responsabilidade, pela mesma razão.

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As coisas estão andando. Na manhã desta segunda feira, 600 policiais federais saíram as para cumprir mandados referentes a atos ilícitos cometidos em fundos de pensão. Trata- se da operação Greenfield.

Os investigadores apuram fraudes contra FUNCEF, PETROS, PREVI e POSTALIS. São 127 mandados. Um dos alvos da PF é o ex-presidente do FUNCEF.Carlos Alberto Caser, ligado a Ricardo Berzoini e João Vaccari Neto.

Os mandados judiciais foram expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília.  São sete de prisão temporária, 106 de busca e apreensão e 34 de condução coercitiva nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, além do Distrito Federal. Foi determinado também o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias de 103 pessoas,  no valor aproximado de R$ 8 bilhões. Dilma deverá dizer que não sabia de nada. Nem Lula.

Operação Greenfield da Polícia Federal investiga fraudes do PT de R$ 8 bilhões em fundos de pensão

Para não parar por aí, Delcídio Amaral prestou depoimento à força-tarefa da Lava Jato na quinta-feira passada e declarou que Lula comandava o esquema de corrupção na Petrobras.

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Delcídio afirmou que Lula cuidou pessoalmente do rateio político de diretorias da Petrobras. Envolvia-se na divisão dos postos e na escolha dos nomes indicados pelos partidos. Disse ainda que Lula tinha pleno conhecimento de que os partidos aliados a seu governo usavam as diretorias da estatal para cobrar propinas de empreiteiras e fornecedores da Petrobras. Tratava-se, na definição do delator, de uma ação de governo voltada à compra de apoio parlamentar no Congresso.

As informações que prestou em Curitiba devem ser usadas em inquéritos que correm contra Lula, também submetido à Justiça de primeiro grau.

Espera-se que tudo isso ande rápido, antes que seus apoiadores toquem fogo no país em ações diárias.

Enio Meneghetti

O peso do sobrenome…

27 de setembro de 2012

Outro dia li uma reportagem retratando candidatos filhos ou netos de políticos ilustres nesta eleição. O texto não retratava meu nome.

Embora tenha muito orgulho e conhecimento acerca da trajetória de meu avô – que permanece sendo o único a ser eleito por duas vezes em eleições livres e diretas nosso governador – evito utilizar foto-montagens dele comigo, embora tenhamos tido uma boa e longa convivência.

Tinha eu 23 anos de idade quando de seu falecimento. Faz parte de minha trajetória pessoal inclusive ter escrito sua biografia, “Baile de Cobras”.

Tenho procurado ser sutil em relação ao uso do nome de meu avô. Evito abusar da boa fé dos eleitores pedindo votos por apenas ter nascido neto do Ildo Meneghetti. Em meus materiais, conforme se poderá constatar abaixo, procuro mostrar minha própria trajetória e as razões que me levam a postular uma vaga na Câmara de Vereadores.

E, é claro, faz parte de meu histórico o fato de ter escrito esse livro, no qual procuro trazer à luz fatos históricos desconhecidos de muita gente.

Afora isso, dedico-me a demonstrar o que penso ser possível para melhorar nossa Porto Alegre.

É só por essa razão – respeito ao eleitor – é que não se vêem nos canteiros das avenidas fotos-montagens minhas com meu avô nem alusões à minha ascendência no horário eleitoral da televisão.

FOLDER DE CAMPANHA (clique na imagem para ver o arquivo em tamanho original):

 

 

A Desistência de Pont

1 de dezembro de 2011

O fato político do dia aqui na aldeia foi a desistência do deputado Raul Pont em disputar a indicação para concorrer a prefeito de Porto Alegre.

A coluna da jornalista Rosane Oliveira hoje destaca que seu objetivo principal foi atingido. Era impedir o PT de abrir mão da candidatura própria “como queria a direção nacional”. Diz mais: “Sua candidatura nasceu para contestar quem dizia que o PT deveria indicar o vice de Manuela D’Avila ou José Fortunatti”.

 

Aí é que está o ponto. Estamos então perto da situação de partido único. Fortunatti e Manuela estavam ávidos por conquistar o apoio petista, defendido pela direção nacional. O famoso José Dirceu chegou a vir a Porto Alegre para encontrar-se discretamente com o governador Tarso Genro para advogar o apoio a Fortunatti. Reuniu-se também com o atual prefeito. E ninguém fala nada! Onde está a oposição? O PMDB local, que faz um discreto barulhinho em contraponto a Tarso Genro, ocupa com o deputado Mendes Ribeiro Filho importante pasta no ministério, nada fala.

A tal “base aliada” de Fortunatti na Câmara de Vereadores, composta de ferrenhos adversários dos petistas, faz cara de paisagem. O PP não deveria se manifestar sobre o flerte do Prefeito com o PT? Mas o que é isso? Onde está a tão proclamada “politização” dos gaúchos nessa hora, onde o adesismo e a disputa por cargos falam mais alto que a coerência e o histórico? Como esperar que com um quadro fisiológico destes o eleitor, o contribuinte, o cidadão, seja representado dignamente?

Era Só o Que Faltava!

19 de setembro de 2011
O prefeito de Porto Alegre pretende enviar para a Câmara Municipal projeto para criar mais uma Secretaria Municipal, que deverá abrigar correligionário descontente.

As atribuições da nova secretaria estariam entre as tarefas atendidas pelas atuais. O secretário que está na iminência de ter sua pasta diminuída em suas tarefas diz que seu partido está negociando uma “compensação”…

Quer dizer, para dar título de autoridade ao correligionário, vão criar toda a estrutura, paga com dinheiro público, para atender demandas que já estão sendo atendidas.
Mas em que mundo esses caras vivem?
Ainda na semana passada pesquisa do Ibope apontava a saúde como o ítem mais reclamado pelos portoalegreses. Agora o  prefeito resolve criar a nova pasta para abrigar o companheiro insatisfeito, porque isso inclusive teria influência em disputas internas de seu partido.
Mas e o que temos com isso?
Vão então criar mais custo, cargos, CCs e despesas para resolver problema político-partidário e nós é que pagamos a conta?
Como diziam nossas avós: “Mas era só o que faltava!”

E falam sobre isso assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo.Enquanto isso,  a prefeitura faz horrores em uma busca desenfreada para aumentar a arrecadação. Vejam o post  “Disputa entre Prefeitura e Estado por Imposto” https://eniomeneghetti.com/2011/05/19/disputa-entre-prefeitura-e-estado-por-imposto/ por exemplo.

Será interessente ver como se manifestará a oposição na Câmara Municipal à respeito da descabida proposição do prefeito. Porque a oposição de Porto Alegre ocupa o Piratini e o Palácio do Planalto, onde se age da mesma forma: criam secretarias de Estado e ministérios em abundância, como se isto não custasse monte de dinheiro.

E em meio a esse desperdício, nós, o povo, pagamos a conta.
Confiram:
ZH – 17/09/2011 – pág 10 – Rosane Oliveira
Pompeo Será Secretário
A Câmara de Porto Alegre deve aprovar na quarta-feira o projeto do Executivo que cria a Secretaria do Trabalho.
O titular será o ex-deputado Pompeo de Mattos(PDT), funcionário de carreira do Banco do Brasil, que está no ostracismo desde o início do ano.
Cotado para o cargo, Cláudio Janta foi preterido.
A indicação também é uma forma de afastar Pompeo da deputada Juliana Brizola, que pleiteia  a presidência do PDT na Capital
e briga para que a escolha seja feita por eleição direta.
A tendência é de o deputado Vieira da Cunha ser escolhido para presidir o partido na Capital. Pela via indireta.
Disputa por espaço
A criação da Secretaria do Trabalho deve retirar cerca de 30% das atribuições da Secretaria Municipal da Indústria e Comércio, de acordo com
os cálculos do Secretário Valter Negelstein.
Para que a atual correlação de forças seja mantida, Nagelstein diz que está sendo discutida
uma compensação ao PMDB.
Uma das idéias, defendida também pelo presidente do PMDB, Sebastião Melo, é mudar o perfil da SMIC,
redirecionando o foco da fiscalização para o desenvolvimento.

Aeromóvel

17 de agosto de 2011

Em 10 de maio passado publiquei um post intitulado “Nosso Sonho do Metrô”, https://eniomeneghetti.com/2011/05/10/nosso-sonho-do-metro/ onde sugeria nossas autoridades a estudarem uma ligação entre a estação Anchieta do atual Trensurb ao extremo da Zona Norte, junto a FIERGS.

Leio agora reportagens sobre a implantação do Aeromóvel entre a linha do Trensurb e o Aeroporto. Orçada em R$ 29,9 milhões para um trecho de 998 metros, transportará 300 passageiros em 90 segundos.

Mencionam uma pesquisa que dá como embarque e desembarque no Salgado Filho  7.000 pessoas por dia. A pergunta é: essas pessoas utilizarão o Trensurb? Alguém vai voltar de viagem, pegar as malas e entrar no trensurb para ir a Esteio, por exemplo? Desse numero de 7.000, provavelmente somente os funcionários do aeroporto poderiam utilizar e mesmo assim, os que moram em áreas próximas ao trem ou nas cidades satélites servidas.  Não estariam forçando a barra com pesquisas para justificar um gasto que seria melhor aproveitado noutras áreas?

Por que nossas autoridades não ousam e vão um pouquinho mais adiante? Cerca de mais quatro quilômetros apenas! Com a vantagem de sequer precisar dos “52 pilares de sustentação que já estão sendo fabricados” – como revela a reportagem de Zero Hora (abaixo).

Sim, porque correndo paralela à Fre-Way, uma nova via poderia ser assentada perfeitamente onde hoje é praticamente só mato e atender a demanda dos mais de 150.000 moradores dos bairros Sarandi e Rubem Berta. E desafogar o trânsito de ônibus e automóveis da Sertório, Assis Brasil, Farrapos, Voluntários da Pátria, etc. e até da BR 116! Com um sistema moderno, econômico, confortável, limpo e ecológico.

Parece que não tem imaginação. Ou não querem. Ou ambos. Por que será?

Jornal Zero Hora – 16/08/2011 – pg 28
Ministro anuncia início de obras do aeromóvel que ligará estação da Trensurb ao aeroporto
Com novo transporte, passageiros poderão chegar ao aeroporto em 90 segundos
Juliana Bublitz | juliana.bublitz@zerohora.com.br

Em cerimônia realizada nesta segunda-feira na Capital, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, anunciou o início das obras do aeromóvel, em Porto Alegre. O sistema funcionará em uma via elevada de 998 metros de extensão será construída para ligar a Estação Aeroporto, da Trensurb, ao Terminal 1 do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

— Esse é um momento histórico para o transporte urbano brasileiro. E o que é melhor: com tecnologia gaúcha — disse Negromonte.

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Foto: Divulgação, Prefeitura de Porto Alegre

O ministro garantiu que a obra, com valor estimado de R$ 29,9 milhões, estará pronta até dezembro. A intenção é que no início de 2012 comecem os testes e que, até o fim do ano, os veículos entrem em operação.

Segundo pesquisa encomendada pela Trensurb à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cerca de 7 mil pessoas embarcam e desembarcam no aeroporto por dia.

Para atender à demanda, haverá dois veículos, um com capacidade de 150 usuários, e outro, de 300. Eles deverão operar de forma intercalada de acordo com os horários de maior exigência, como o início da manhã e o final da tarde, e farão o percurso em 90 segundos.

O aeromóvel será conectado ao andar de embarque do aeroporto e à área de transportes da estação. Com isso, o passageiro pagará apenas o valor da passagem unitária e utilizará o veículo de forma gratuita. Hoje, o trajeto pode ser feito a pé, de táxi ou por sete linhas de ônibus.

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Foto: Divulgação, Prefeitura de Porto Alegre
ZERO HORA

Um Funil a Céu Aberto

29 de junho de 2011

Os Nós do Trânsito (01)

A cada dia mais as pessoas que moram em Porto Alegre tem reclamado dos crescentes problemas de trânsito.
 
E o que se vê é muito discurso e pouca ação das autoridades encarregadas de gerenciar o problema.
 
Para começar, abusando do marketing, trânsito virou “Mobilidade Urbana”.
 
Ora, trânsito é TRÂNSITO! Onde andam todos, sejam pobres ou ricos, pedestres ou motorizados, carros, ônibus, caminhões ou motocicletas. 
 
Muitos dos nós existentes poderiam ser resolvidos com intervenções bem simples.

Por exemplo, o problema de fechar os cruzamentos, quando muda o sinal. Especialmente quando o trânsito está engarrafado, os motoristas, levados ao desespero, param ou deixam o “rabo” do carro na área do cruzamento de vias, quando o sinal fecha, impedindo que o tráfego da outra rua avance e aí tudo pára, agravando o problema. A prefeitura se faz de cega e não age. E a solução seria simples. 
 
Em vez de gastar uma fortuna em publicidade de “um novo sinal”  (o sinal da mão que por sinal não deu certo)a prefeitura podia ter melhor empregado estes recursos com um bom programa de educação para o trânsito. No entanto, só confundiram a cabeça de motoristas e pedestres para criar algo que já está na legislação de trânsito (e que é privativa do CONTRAN!). Preferiram jogar pedestres x motoristas e ficar assistindo mais um capítulo do caos.

 
Ora, e por que não deu certo? Se alguns motoristas,  que são habilitados, não conhecem direito as regras de trânsito e confundem-se com o “novo sinal”, imagine o pedestre! Sim, porque com essa medida, a ação de nossas autoridades foi delegar ao pedestre – que não estudou necessariamente a legislação de trânsito e não tem obrigação de saber que o sinal só vale nas esquinas onde não tem sinaleiras – a tarefa de sinalizar o tráfego!  A confusão está instalada.
 
Pensando estrategicamente, educação para o trânsito deveria ser matéria do currículo escolar. Crianças com 10 ou 14 anos, em pouco tempo serão os futuros motoristas. Aulas atrativas e interessantes poderiam mudar o quadro de (maus) motoristas que temos hoje, preservando vidas e com um trânsito fluindo melhor.
 
Mas justiça seja feita, essa má prática de fazer marketing com trânsito não foi iniciada na atual gestão. Isso foi lançado entre nós pela auto proclamada “Administração Popular”.  Eles  cunharam e abusaram da frase:
 
“Não vamos privilegiar o transporte individual”. chegando ao ponto de Raul Pont culpar FHC pelo já caótico trânsito de Porto Alegre, porque facilitava a compra de automóveis – isso há mais de 10 anos. 
 
E fizeram de tudo para dificultar a vida dos pobres coitados que podiam se dar ao luxo (?) de andar de automóvel. Como se os ônibus também não andassem no trânsito, ou se automóvel fosse luxo de ricos e para poucos, como se não existissem milhares de profissionais autônomos ou não, que dependem de um automóvel para deslocar-se para trabalhar. Ou como se pessoas de menor poder aquisitivo não tivessem carro e as frotas de empresas não se deslocassem para ajudar a engordar o PIB e gerar impostos e riqueza para ser desperdiçada em más políticas de toda ordem.
 
 Para começar, afunilaram os cruzamentos, com aquelas tartarugas refletivas pregadas no chão que existem nas esquinas e fazem com que um só carro atravesse por vez. Aquilo foi feito para criar engarrafamentos e o tráfego fica realmente com a rapidez de tartarugas. 
 
Conduziram também obras intermináveis como a III Perimetral, onde o viaduto da Carlos Gomes x Nilo Peçanha chegou a ficar paralizado mais de 6 meses após levarem à falência a empreiteira encarregada da obra. Porto Alegre ainda aguarda por obras planejadas no governo  Vilella. A III Perimetral é ainda de antes daquele tempo. Aliás foi o último prefeito digno de ser assim chamado, pois pensou e planejou a cidade. Os outros foram meros remendões.
 
Igualmente a passo de tartaruga foi a reforma do viaduto da João Pessoa, junto a Faculdade de Direito da UFRGS.
 
E aquele túnel com “rotatória aérea”, na Protásio com Carlos Gomes, obra faraônica da Administração Popular, (aliás, nem dá para chamar de faraônica, porque as obras dos faraós funcionavam e, principalmente, duravam) que poderia, sozinha, ter suprido os recursos para construir os viadutos que ficaram faltando.
 
A Sertório, que nunca havia engarrafado até o dia em que botaram lá aquele corredor tão ocioso como é o da mencionada – e permanentemente engarrafada – III Perimetral –  a obra que nasceu velha e ultrapassada.
 
Então,  como o assunto é amplo, vamos abordá-lo um-a-um, nos próximos posts:


O novo sinal; o hábito de fechar cruzamentos; os nós localizados; o estreitamento de vias; a necessidade de mais espaços de estacionamento; a praga que são alguns serviços de manobristas ou ‘valet’, que atuam no meio da rua; os “tranca-rua” e aí por diante.
 
Sugestões ou críticas, serão muito bem vindas.

Um Sistema de Recolhimento de Lixo Sensacional

6 de junho de 2011

O Beto Becker envia um vídeo que dá o que pensar. Mostra um sistema adotado em Barcelona que acaba com as latas de lixo, a sujeira nas ruas, o barulho e a bagunça da coleta por caminhões.

Parece mágica, mas não é.

Imaginar sua implantação em cidades brasileiras seria uma visão tentadora. Mas não dá para deixar de exercitar a mente visualizando os empecilhos que algumas mentalidades míopes e tacanhas (ou mal intencionadas) causariam só de pensar em adotá-lo, antes mesmo de se começar a falar em custos.

Veja:

 

 

O sistema, como se pode ver, é sensacional. Confesso que não sei quanto custaria para implementá-lo em uma cidade como Porto Alegre. Como diz a reportagem, a longo prazo torna-se vantajoso.

Mas e os grupos que gravitam em torno do recolhimento de lixo, com as histórias que se contam Brasil afora, como reagiriam à idéia?

E aqui em nossa aldeia,  se  para tirar as carroças das ruas, já dá uma tremenda discussão pela perda da atividade econômica de seus condutores, imagina não ter mais a matéria-prima para recolher!

E os garis desempregados?

É claro que seria uma mão de obra perfeitamente alocada em outros setores, após treinada, como a construção civil, sem falar nos que seriam aproveitados na operação do novo processo.  Até porque,  um projeto como o mostrado no vídeo não se implanta do dia para a noite. Levaria bem mais de uma década, caso fosse adotado.

Mas o que haveria de discurso demagógico e desvio de foco em torno do assunto, dá bem para prever.

Lembro da piada do sindicalista que andava por uma estrada e viu uma retroescavadeira em operação. Parou a viatura  e dirigiu-se ao engenheiro que supervisionava o trabalho:

– Isso é uma vergonha! Essa máquina está tirando o trabalho de 10 homens que poderiam estar trabalhando de pá e carrinho de mão!

O engenheiro respondeu:

– Bem, na verdade, ela tira o trabalho de 100 homens, se trabalharem com uma colher e um balde cada um.

Piada? Mas eu lembro da gritaria que houve há apenas uns dez anos, quando pretenderam oferecer a opção do sistema self-service (perdoe-me pelo anglicismo, deputado Carrion!) nos postos de gasolina, pela diminuição de empregos que causaria aos frentistas. Claro que, no caso, era um problema a ser resolvido. Mas naquele caso, merecia ser estudada como uma opção a ser oferecida, desde que a um custo menor para os consumidores.

Evidentemente que não se pretende tirar o emprego ou sustento de ninguém. Mas existem formas racionais de encarar as novas idéias e resolver os problemas que elas trazem sem descartá-las de pronto. Todo novo processo sempre abre uma nova gama de atividades a serem exercidas. O que não se pode é parar de ousar.

Agora, quem matou a questão foi meu amigo Jackson:

“No Brasil, o sugador iria estragar por falta de manutenção; as pessoas colocariam sacos maiores que as bocas das lixeiras; algum cidadão com excesso de peso poderia tentar o suicídio e entalar, paralisando todo o sistema; a prefeitura faria uma taxa adicional de emergência e o sistema antigo de coleta seria reativado com o dobro do custo; o sistema seria invadido por sem-tetos que passariam a residir no interior dos tubos. Esquece.”

Definitivamente, seria difícil.

Disputa Entre Prefeitura e Estado por Imposto

19 de maio de 2011

Há alguns dias, ao comentar o post sobre a Inspeção Veicular, o José Antônio Freitas perguntou por uma questão que dirigi ao prefeito José Fortunatti, durante palestra deste no tradicional Tá Na Mesa da Federasul, ocorrida em 23 de março.
  
Ao final
do encontro, dirigi a seguinte pergunta ao Prefeito:

“Até 2010 a Prefeitura de Porto Alegre taxou com ISSQN mais de 400 empresas que recolhiam ICMS.
A Constituição brasileira deixa claro que quando incide ICMS não pode incidir ISSQN.

Apenas uma pequena empresa, que sempre esteve em dia com o fisco, foi autuada em R$ 1,5 milhão pela prefeitura, conforme matéria do Jornal do Comércio de 12 de abril de 2010.


Por que nossos agentes públicos insistem em asfixiar o setor produtivo?”
 
Para que se entenda melhor a questão, vejam a matéria do Jornal do Comércio abaixo:

 

fonte: Jornal do Comércio – 12/04/2010



Ao responder, Fortunati demonstrou visível irritação.
 
De cara disse que não era verdade que os “agentes públicos” quisessem asfixiar o setor produtivo. E ainda:

“até, quando os empresários precisam, nos encaminham demandas, como em relação à mobilidade urbana…” – (imaginem, como se isso não fosse obrigação).

E depois tangenciou a questão em si, dizendo: “Isso é um tema polêmico… as empresas estão recorrendo à justiça…” – e mais não disse. Ou seja, ele sabe muito bem do que se trata, não negou e é óbvio que não arredará o pé.

Parece incrível a falta de empatia que muitos de nossos administradores públicos tem por quem empreende e corre riscos no mercado.
 
Você está em dia com seus tributos e um dia recebe a visita do Fisco. E termina autuado em R$ 1,5 milhão.
 
 
 
Não se trata simplesmente de esperar “a justiça decidir”. Além de perder horas de sono, de reuniões com advogados, da preocupação, das despesas, um tempo precioso que estaria sendo melhor usado pensando em formas de melhorar o negócio e o produto, de expandir, de ganhar mercado e produzir ARRECADAÇÃO é desperdiçado enquanto alguns pretendem que se deixe de recolher algo que iria para o CAIXA A e querem que vá para o CAIXA B.

Só há duas maneiras de aumentar a arrecadação. A mais fácil e preferida da maior parte de nossos  governantes é aumentando impostos. Seja pelo simples aumento das alíquotas ou, mais discretamente, pela mudança compulsória dos métodos de cálculo – caso da Substituição Tributária (assunto obrigatório de um dos próximos posts). Ou ainda  criando novos tributos, como o caso da taxa da Inspeção Veicular. Usando e abusando dessa prática, chegou-se ao absurdo atual de, ao redor de 50% de tudo o que ganhamos ou produzimos, direta ou indiretamente, vai para as mãos dos governos via impostos.

A segunda maneira de arrecadar, muito mais racional, justa e inteligente, seria aumentando a produção.  Reduzindo impostos. E assim barateando os produtos. Vendendo mais e com isso arrecadando mais pelo maior volume. Opção já testada e comprovada em várias oportunidades.
 
Do jeito que vamos, em pouco tempo, as receitas (Municipais, Estaduais, Federais) públicas estarão brigando por um corpo inerte e sem vida, que será o da empresa nacional. Usam de toda a sua expertise, eficiência e voracidade na cobrança de tributos para desperdiçar na sua irrefutável prodigalidade irresponsável, sempre com o fim único de manter o poder a qualquer custo, desde que seja dos outros. É duro constatar que a única parte do governo que funciona, e com rapidez, é a arrecadação. Até demais. Todas as outras são deficientes ou inexistentes.

 

Um grande lago entre a Protásio e a Bento

14 de maio de 2011

As reproduções abaixo constam do “Plano de Urbanização” de Loureiro da Silva, de 1943.

Nelas pode-se ver o projeto de construção de uma barragem nas imediações de onde está hoje a Av. Cristiano Fischer e a Avenida Ipiranga. A consequência seria a criação de um grande lago artificial.

A discussão era sobre a extenção da “Cidade Universitária”.

Depois de descartar a proposta de estendê-la pelo “Campo da Redenção”, a alternativa estudada era, conforme pág 52 da publicação,

“Verificamos que, na periferia urbana não existe nenhum local enquadrado (…). Por isso, fomos forçados a escolher um local excêntrico, fora da periferia, no limite Leste do vale do Riacho (nosso hoje conhecido Arroio Dilúvio) , entre as Avenidas Bento Gonçalves e Protásio Alves, lindeiro às propriedades da Escola de Agronomia.”

lago artificial porto alegre

Segue o texto original de 1943:

“Num determinado ponto da estrada do Salso (atual Av. Cristiano Fischer), encontramos uma garganta favorável à execução desta barragem, com a qual colocaremos o lago na cota permanente de 25 metros (…).”

“O setor dedicado aos esporte náuticos e aquáticos deverá ficar situado no vale próximo ao lago. O Jardim Botânico será colocado logo à entrada da Cidade Universitária, num local a coberto dos ventos (…).”

Mapa localização Cidade Universitária Porto Alegre

Analizando as reproduções da publicação, pode-se ver a área assinalada da Cidade Universitária e do lago, que iria da atual avenida Cristiano Fischer até próximidades da Antonio de Carvalho. Limitando-se ao norte pela Protásio Alves e ao Sul pela avenida Bento Gonçalves. A área prevista seria de 500 hectares. Onde estão hoje parte dos bairros Jardim do Salso, Bom Jesus e Intercap.

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