Archive for the ‘Administração Pública’ Category

Amador… Quem?

30 de janeiro de 2015

Dilma bronca DES Graça

Dilma ficou furiosa com o cálculo apresentado indicando a necessidade de dar baixa em R$ 88,6 bilhões em ativos da Petrobrás.

Ela afirmou que o número foi calculado por “amadores” porque teria misturado ativos bons com outros contaminados pela corrupção investigada na Operação Lava Jato.

Circula nos corredores palacianos que Dilma teria passado uma carraspana telefônica em Graça Foster por ter a dirigente da estatal tungada divulgado o valor em questão, na apresentação feita conjuntamente com a diretoria da empresa.

Isso só demonstra que elles sequer sabem o tamanho real do rombo do Petrolão.

Graça Foster, afirmou “ser impraticável” a quantificação destes valores “indevidamente reconhecidos”.

Não é por outra razão que não existe auditoria independente disposta a endossar os números da Petrobrás relativos ao terceiro trimestre.

A fanfarronada de Dilma, de que a Petrobras estaria “passando por um rigoroso processo de aprimoramento de gestão” é pura cascata, conversa mole para boi dormir.

Dilma disse na reunião ministerial, onde por sua vez também levou uma carraspana o operador do teleprompter, que a Petrobrás possui “a mais eficiente estrutura de governança e controle que uma empresa estatal, ou privada já teve no Brasil”.

Pode até ter. Ou já teve.

O fato é que o governo dela e de seu antecessor, de triste memória, mesmo com toda essa estrutura que ela agora quer cantar em prosa e verso, conseguiram causar o maior escândalo de corrupção jamais visto na história da estatal e do Brasil.

O fato incontestável e que deixou a jaguatirica do Planalto furiosa, é que a diretoria da Petrobras desmentiu o discurso lido com tanta dificuldade por Dilma horas antes.

Dilma também afirmou que a Petrobras, “a empresa mais estratégica para o Brasil e a que mais contrata e investe no país”, teria que continuar a apostar no modelo de partilha para o pré-sal, e dar continuidade à vitoriosa política de conteúdo local.

Nossa Senhora!

Além de mandar às favas a obviedade que o custo de extração do pré-sal, com a baixa atual do preço do barril de petróleo, tornou-se mais antieconômico ainda do que sempre foi, ela insistiria em alegar o “conteúdo local” na certa para manter vivas as empresas parceiras locais, muitas delas cujos diretores estão na cadeia!

Horas depois, o balanço da empresa que elles finalmente divulgaram – mesmo não auditado – mostraria que a Petrobras terminou o trimestre com um endividamento líquido de R$ 261,4 bilhões, um aumento de R$ 40 bilhões em relação a 2013.

A versão e os números – repita-se, sem auditoria – apresentados pela diretoria da Petrobrás, estão em completo desacordo com o que diz Dilma.

O governo está completamente tonto e perdido.

E mais uma vez, nós é que vamos pagar o pato.

http://oglobo.globo.com/brasil/dilma-reaparece-entre-afagos-aos-ministros-bronca-no-operador-de-teleprompter-15169476

 

 

Estupidez

28 de janeiro de 2015

Estupidez                                                                                                                                                                                       Correio de Cachoeirinha – 28.01.2015

Muita gente critica as chamadas redes sociais.  Mas bem usadas elas são uma excelente ferramenta de informação.

 

Dias atrás vi uma publicação no Facebook que dizia assim:

 

“Estupidez: conhecer a verdade, ouvir a verdade, ver a verdade e ainda acreditar na mentira”.

 

Não é perfeito? Pois basta ler as manchetes dos veículos de comunicação dos últimos sete dias para constatar o quanto há de verdade na afirmação.  

 

“Após ganhar favor milionário do governo, empresário doa R$ 17 milhões para campanha de Dilma – Walter Faria, dono da cervejaria Itaipava, conseguiu renegociar em 24 horas empréstimo camarada com o Banco do Nordeste. Cinco dias depois, depositou R$ 5 milhões na conta do comitê da petista” (Época)

Outra (essa é fantástica):

 

“Ex-ministro Gilberto Carvalho saiu em defesa do ex-ministro José Dirceu; ele afirma que as (novas) acusações contra Dirceu na Lava Jato seriam uma tentativa da oposição de criminalizar o partido e impedir a volta de Lula em 2018: “Eles querem nos levar para as barras dos tribunais. Não vamos subestimar a capacidade deles para nos criminalizar, nos identificar com o roubo, para nos chamar de ladrão, para tentar nos isolar e inviabilizar em 2018 a candidatura do Lula (…)”- 27 DE JANEIRO DE 2015 ÀS 05:13

Ou:

 

 “A Fundação Perseu Abramo do PT, divulgou um boletim  no qual coloca em dúvida os efeitos do “ajuste recessivo” de Dilma A Fundação Perseu Abramo recebe pelo menos 20% dos recursos do Fundo Partidário destinados ao PT.” (O Globo)

 

Chega? Que tal essa? “Presidenta é acusada indiretamente por três executivos presos no esquema de corrupção – Será que a paciência dos brasileiros não tem limite?” – por Juan Arias (El Pais)

 Pois é. Será que não tem? 

 

“Documentos conseguidos pelo Jornal Nacional mostram que a Justiça decretou a quebra dos sigilos fiscal e bancário de José Dirceu  A empresa dele, JD Consultoria, recebeu quase R$ 4 milhões de empresas envolvidas no esquema.” (Globo)

 

Mais:

 

“Apontado pelos investigadores da Operação Lava Jato como coordenador do “clube” de empreiteiras que fraudavam licitações na Petrobras, o empresário Ricardo Pessoa, da UTC-Constran, negocia um acordo de delação premiada com os procuradores que atuam no caso.”  (Folha de S.Paulo)

 

É mole? Então vejam essa:

 

“Amigo íntimo do ex presidente Lula é investigado no petrolão.  Ele tinha acesso livre ao Palácio do Planalto na gestão Lula e até hoje resolve problemas de sua família”.(Revista Veja)

 

Estamos mesmo lá fora. Vejam:

“Reportagem da TV Portuguesa expõeLula envolvido em esquema internacional de corrupção e propinas – Reportagem da ‘TVI 24’diz que Lula estaria sendo investigado por autoridades portuguesas em razão de um suposto suborno de 2 milhões de euros que teriam sido pagos por Miguel Horta e Costa, então presidente da Portugal Telecom para financiar o PT” – (Folha Política)   

 

 Muita gente desgostosa poderia até dizer que isso é invenção contra o atual governo. Mas está em todos os lugares, no mundo inteiro. Inclusive, acho uma graça as reportagens de TV – especialmente do Jornal Nacional –  mostrando o consumo de energia de cada eletrodoméstico, em meio a(s)  crise(s) que atravessamos.  Nem ao menos relembram que Lula incentivou o povo a gastar o que não tinha, via endividamento, no desespero para conter o tsunami econômico de 2008, que insistia em chamar de “marolinha”. Foi uma irresponsabilidade econômica  e a conta chegou. O que ele faz? Tenta fazer descolar de Dilma, claro.

 

Mas é pior ainda. O pouco que já se sabe dos elementos e provas fornecidas por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef , põe por terra qualquer tentativa de amenizar o momento inédito que atravessamos.

Se vai dar cadeia, isso dependerá do judiciário. Existe pressão por transformar em multas o que deveriam ser penas exemplares. O advogado de Alberto Youssef, garante queessa situação foi coordenada e tramada a partir da própria Petrobras. Há claros e fortes indícios de participação dos políticos, que não vou nomear, pois isso deve ficar a cargo da investigação. Meu cliente não é líder de nada. Eles (os políticos) é que vão atrás e criam o sistema para o esquema de manutenção no poder. O esquema na maior estatal do país só pode funcionar com a anuência dos políticos. Isso era fato notório dentro da empresa”.

 

Youssef demonstrou ao juiz Sérgio Moro que o esquema de corrupção na Petrobras vinha de cima. Explicou como o sistema remunera políticos com a grana desviada do setor público. Nenhuma novidade. É a mesma mecânica do Mensalão, só que muito maior. A diferença foi colocar o dinheiro de corrupção como doação legal a partidos e campanhas. O sistema funcionou para financiar grupos e partidos políticos e quando migrou para a doação legal a campanhas e partidos atingiu o núcleo da democracia, pois, quando alguns partidos passam a deter o domínio de uma grande verba, há um desequilíbrio no sistema eleitoral. Lembram das palavras de Joaquim Barbosa na sentença do Mensalão?

 

Estamos em meio a um golpe econômico/financeiro nas instituições.  Não enxergá-lo é estupidez.   

http://www.eniomeneghetti.com

 

E a conta vai para… Você!

21 de janeiro de 2015

E a conta vai para.... Você!

Foi a Marta Suplicy que não deixou por menos e botou a boca no trombone:

 – Cada vez que abro um jornal, mais fico estarrecida com os desmandos. É esse o partido que ajudei a criar? – disse.

Ao admitir que foi uma das forças do “Volta Lula” ano passado, ela afirma com todas as letras que Lula está totalmente afastado de sua criatura: Dilma Roussef.  

Apontou como um dos “inimigos” o atual presidente do PT, Rui Falcão:

– O Rui (Falcão) traiu o partido, que  se acovardou ao recusar um debate sobre quem era melhor para o país, mesmo sabendo das limitações da Dilma.

Sobrou para o Mercadante também:

– O  Mercadante é inimigo, Já no primeiro dia, vimos um ministério cujo critério foi a exclusão de todos que eram próximos do Lula.

Marta Suplicy sapateia na superfície, mas não vai ao ponto nevrálgico. No ano passado, os petistas do “Volta, Lula” criticavam Dilma por ela ter admitido que aprovou a compra da refinaria de Pasadena.

Tentando se antecipar à desgraça do Petrolão, Dilma agiu de forma diversa daquela que seu antecessor teria usado.

Lula é adepto daquela antiga estratégia, a de, flagrado em pleno ato, negar sempre, mesmo à frente de todas as evidências.

Dilma, segundo seus adversários internos, foi ingênua e de um amadorismo capaz de então  pôr em risco a permanência do PT no poder. Seus adversários dentro do partido condenaram sua estratégia de responsabilizar a antiga diretoria da Petrobras, nomeada pelo antecessor.

Esse é um preâmbulo interessante para tentar compreender o que Marta Suplicy não disse e o que cerca o novo pacote que o Joaquim Levy,  chamado por Dilma para fazer um rescaldo da massa falida.

Ao tentar salvar o governo em termos econômicos – já que em termos penais a cada dia o futuro parece mais sombrio – já dá perceber quem vai pagar a conta do butim: você mesmo que está ai sentado. 

Basta lembrar que depois de anos segurando a inflação e a economia com estímulo ao endividamento, ao consumo interno e à manutenção dos preços dos combustíveis abaixo do custo  – enquanto a companhia era roubada pela porta dos fundos – agora que o preço do petróleo despenca no mundo inteiro, o Brasil pega a contra mão do planeta, onde a gasolina baixa de preço.

Aqui no Brasil, é no preço dos combustíveis  que o povo brasileiro  vai pagar uma parte da conta do descalabro.  Estão aí as tarifas aumentadas em 30%, a alta dos juros que serviram de palanque eleitoral. A carga tributária asfixiante vai aumentar.  As garantias trabalhistas que eram “imexíveis”… e por aí vai.  

Segurem-se. Está só começando.  

http://www.eniomeneghetti.com

Pacote de maldades

Pois que quebrem!

14 de janeiro de 2015

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“A revista Veja desta semana traz uma matéria com informações do engenheiro baiano Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. Sempre apontado como amigo do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ricardo Pessoa está preso e é considerado coordenador do cartel de empreiteiras envolvidas na Lava Jato.

A reportagem afirma que um manuscrito produzido por Pessoa faz ligação entre os contratos sob suspeita assinados entre as empreiteiras e a Petrobras e o caixa de campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff.

O texto, aparentemente vazado por Ricardo Pessoa – e por isso mesmo encarado como alguma espécie de “recado” – diz que todas as empreiteiras acusadas no esquema da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma Roussef.

Ricardo Pessoa ainda diz que o volume de dinheiro desviado através de  Paulo Roberto Costa é quase nada frente a outros negócios da Petrobras que também teriam servido à coleta de propina. Ele ressalta ainda estranhar que tenham sido processadas até agora  apenas seis das 16 empreiteiras que fizeram negócios bilionários com a Petrobras.

Enquanto isso, também soube-se nesta semana que a CGU – Controladoria-Geral da União – tentou promover um acordo para evitar que as empreiteiras envolvidas na Lava Jato ficassem impedidas de fechar novos contratos com o governo. A proposta, revelada pelo jornal  O Globo, felizmente foi rejeitada pela força-tarefa do MPF. O acordo foi encarado pelos investigadores como uma tentativa do governo de salvar as empreiteiras. A proposta sugeria a fixação de multas às empreiteiras no âmbito administrativo. Assim, as empresas devolveriam dinheiro aos cofres públicos e se livrariam da declaração de inidoneidade, que as impediria de fechar novos contratos.

A cândida motivação para tal proposta seria que “a declaração de inidoneidade provoca uma grande possibilidade de fechar a empresa”… Senão, “poderiam entrar em crise financeira e não teriam dinheiro nem mesmo para ressarcir parcialmente os prejuízos”.  Foram além na descrição do apocalipse: “a insolvência poderia até contaminar o sistema financeiro, especialmente bancos que abrigam negócios das empresas”.

O raciocínio destes parece ser de que o tamanho do crime é que define a punição! Isto é, se o crime é imenso, não se pode punir conforme a lei, sob pena de o sistema entrar em colapso…

Que eu não seja mal interpretado, mas se é assim, que quebrem.

Espera-se que o MPF e as autoridades encarregadas deste caso mantenham-se firmes. Que sirva de lição para outros tantos “empresários” que só sabem fazer negócios debaixo da saia dos governos. E os bancos que os financiaram, devem arcar com os riscos das operações que contrataram.

Que cumpram-se os contratos. E a lei.”

Enio Meneghetti

Tomaram uma providência…

7 de janeiro de 2015

tomaram uma providencia

Foi na cidade norte-americana de Providence.

Uma providência judicial contra a Petrobrás, duas subsidiárias e membros da diretoria da estatal, a outrora menina dos olhos da esquerda brasileira.

Suprema ironia. Lembro quando no governo FH, alguém que não tinha ideia melhor, ousou sugerir trocar o nome da Petrobrás para “Petrobrax”, para facilitar a pronúncia lá fora no processo de internacionalização da companhia.  Para que! A esquerdalha imediatamente reagiu, classificando até como “entreguismo” a simples troca de uma letra.

Fico até curioso em saber o que tem a dizer estes mesmos nacionalistas de araque agora. Mas eles estão quietos, não dão um pio! Mesmo o governo petralha tendo feito o que está se vendo dia a dia com na principal bandeira do estatismo.

Lá de onde eu venho isso chama-se “hipocrisia”.

Mas voltando ao que interessa, isto é, a tunga a céu aberto promovida na Petrobrás, a ação promovida pelos investidores da capital do estado de Rhode Island, atinge a presidente da estatal, os membros do Conselho, diretores e as subsidiarias internacionais,  Petrobras International Finance Company (PIFCo), sediada no paraíso fiscal de Luxemburgo e a Petrobras Global Finance B.V (PGF), sediada na cidade holandesa de Roterdam, na Holanda. Ambas acusadas pelas vendas de títulos que prejudicaram investidores internacionais.

Os investidores de Providence alegam que a Petrobras levantou US$ 98 bilhões no mercado internacional, em títulos. Pleiteiam ser ressarcidos pelo prejuízo já que, dizem, os papéis da petrolífera foram inflados com contratos superfaturados à base de propina e corrupção. Nossa! Será?

A ação afeta ainda instituições financeiras do porte de Morgan Stanley, HSBC Securities, e Itaú BBA nos EUA, que atuaram como garantidores dos valores mobiliários emitidos pela companhia.

Trata-se da 11a ação judicial contra a Petrobrás nos EUA.

Já existem estimativas que as ações possam render – só em multas – cerca de US$ 5 bilhões, em caso de condenação.

Imagine-se o desgaste internacional para o Brasil ao longo dos vários anos que decorrerão até a sentença.

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Naturalmente, nos processos nos tribunais americanos, pode sobrar para Dilma, que presidiu o Conselho de Administração da Petrobras no governo Lula.

O Art. 23 do Estatuto Social da Petrobras diz que os membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva responderão, nos termos do art. 158, da Lei nº 6.404, de 1976, individual e solidariamente, pelos atos que praticarem e pelos prejuízos que deles decorram para a Companhia.

O Art. 28 do Estatuto estipula que ao Conselho de Administração compete fiscalizar a gestão dos Diretores, avaliar resultados de desempenho, aprovar a transferência da titularidade de ativos da Companhia, etc.

No Art. 29, o Estatuto determina que “compete  privativamente” ao Conselho de Administração deliberar sobre as participações em sociedades controladas ou coligadas.

Enfim, não há como eximir um(a) ex presidente ou membros do Conselho das responsabilidades constantes do Estatuto da companhia, já que o Conselho concordou ou omitiu-se em evidentes atos lesivos.

Isto sem falar no que pode sobrar para o contribuinte brasileiro pagar, como agora nas contas de luz.

Alguém duvida?

Feliz Ano Novo.

Enio Meneghetti

Para quem gosta de História…

31 de dezembro de 2014

WP_20141231_001Foto ZH – 31/12/2014, pág. 40.

Há exatos 50 anos, Zero Hora publicava em manchete afirmação do governador, em um almoço com os cronistas políticos:

“Nenhuma trama me fará renunciar ao governo”.

O episódio, em toda a sua sordidez, está narrado em

“Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti” – livro que lancei em maio de 2012.

Alguns dos protagonistas da trama depois chegariam ao olimpo no Governo Federal. Outros, virariam a casaca em seguida.

Baile de Cobras

Desmoralizados

17 de dezembro de 2014

Desmoralizados

A poderosa Petrobrás rumo à bacia das almas. Entenda como. 

Nesta segunda-feira, 15 de dezembro, as ações da Petrobrás chegaram à variação negativa de 10% em relação ao preço inicial.

A queda deveu-se às dúvidas geradas pelo adiamento da divulgação do balanço da estatal, aos escândalos expostos nas ações penais que o juiz Sérgio Moro deflagra no Paraná e ainda à cotação internacional do petróleo, que despencou.

Sem falar na demora da presidente para substituir a atual gestora, Graça Foster.

Já há quem teorize que tal demora poderia dever-se ao fato que um(a) eventual novo(a) presidente da estatal tomaria conhecimento de fatos graves que ainda não vieram a público. E que, investido no comando, dadas às investigações em andamento, teria de revelar tais fatos às autoridades competentes, sob pena de conivência. Será?

O fato é que abre-se a brecha para que mega investidores possam adquirir ações ordinárias da estatal na baixa dos últimos dias. Atitude que precederia a compra dos  títulos da dívida da empresa. Nesta situação, o governo poderia ser forçado a abrir mão do controle acionário.

Com uma megadívida em torno de R$ 363 bilhões, a Petrobrás tem cerca de 80% de sua dívida atrelada ao dólar. A capacidade financeira da empresa em pagar seus financiamentos ficou em dúvida a partir do momento em que passou a adiar a publicação do balanço do terceiro trimestre. A auditoria externa se recusou a avalizar os dados contábeis. Sem publicar o balanço, a empresa fica impedida de tomar dinheiro no mercado para rolar a dívida. Se o balanço não for publicado até 31 de janeiro de 2015, parte desta dívida estará vencida.

Se correr o bicho pega. Se ficar, o bicho come.

Este quadro agonizante é resultado das ações do crime organizado infiltrado no governo do país que, se fizessem parte de um filme, passaria por devaneio de roteirista hollywoodiano.

 Conforme não deixam dúvida as ações penais em curso, a organização criminosa operou um sistema de corrupção impune durante anos.  O modelo implantado no Brasil pelo atual governo inviabiliza a democracia, no momento em que subordina a maioria venal do Congresso ao Executivo, através da aquisição da maioria por meio de práticas como as agora reveladas.

O atual governo só se mantém de pé porque o povo não compreende o que está acontecendo.

As revelações da geóloga da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, colocaram mais combustível na fogueira que fustiga o governo. Ela revelou ao jornal Valor Econômico  velhos e-mails enviados para Graça Foster e à toda a diretoria da empresa sobre a corrupção que a Lava Jato posteriormente revelou.

Há mais: por trás de um suspeito movimento de que o país não pode parar e uma suspeita defesa contra o “desemprego” que se seguiria a paralização de obras em andamento, devido à uma inevitável inabilitação das maiores empreiteiras de atuarem devido ao envolvimento de alguns de seus integrantes em trapaças que as levaram a conquistar as obras, já há detecção de movimentos de interessados em herdar tais empreendimentos no ramo lucrativo da construção pesada. É bom ficarmos atentos…

Uma coisa é certa: talvez estejamos próximos de uma revolução no sistema prisional. Não é exagero supor que em breve, as próprias empreiteiras terão interesse em melhorar os projetos das cadeias. Quem sabe, até mesmo incorporando as melhores soluções encontradas nos condomínios fechados à beira mar.  

 

Enio Meneghetti

http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/valor-do-titulo-da-divida-da-petrobras-despenca

Que venha 2015

10 de dezembro de 2014

Que venha 2015

Depois de quase 20 dias fora do país, a primeira notícia que leio ao desembarcar, foi que entre 2010 e 2011, a Construtora Camargo Corrêa pagou R$ 886 mil por uma consultoria à empresa do hoje apenado José Dirceu, um dos condenados pelo mensalão.

Entre outros, um dos itens para os quais a empresa precisou dos conselhos de José Dirceu, foi receber uma “análise dos aspectos sociológicos e políticos do Brasil”.

Que azar de ambos! No mesmo mês de abril de 2011, em que topou pagar pelos conselhos do “mago  Dirceu”, a construtora celebrou contratos com a Petrobras para prestar serviços na refinaria pernambucana de Abreu e Lima no valor de R$ 4,7 bilhões.

Chamo de azar, porque sempre poderá surgir um mal intencionado que relacione a contratação de Dirceu com a assinatura de tais contratos com a Petrobrás. Imagine!

Pois bem, como a vida não para, no sábado 13 de dezembro, Moçambique vai inaugurar seu novo aeroporto. Obra financiada com R$ 144 milhões do BNDES brasileiro.

A construção é da Odebrecht e o projeto é do Escritório Fernandes Arquitetos Associados, o mesmo que  projetou o novo Maracanã.

Pergunta-se: como foi a autorização do Congresso brasileiro para o investimento em Moçambique, conforme dispõe o artigo 49, item 1, da Constituição federal para investimentos do governo brasileiro no exterior?

Enquanto esta pergunta fica sem resposta, a reportagem de capa da revista IstoÉ, menciona a existência de um “esquema” para tentar arrefecer os efeitos da operação Lava Jato.

A publicação menciona que que Rodrigo Janot teria se reunido com empreiteiras e teria proposto um plano para impedir que Planalto fosse investigado no escândalo. De acordo com a revista Isto É, pelo tal acordo, as empreiteiras admitiriam alguns crimes, e em troca poderiam continuar realizando obras públicas e seus executivos cumpririam pena em regime domiciliar.

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, negou que tivesse proposto qualquer acordo. Em nota oficial disse:

“Em respeito à função institucional de defender a sociedade e combater o crime e a corrupção, o Ministério Público Federal cumprirá seu dever constitucional e conduzirá a apuração nos termos da lei, com o rigor necessário. O procurador-geral da República não permitirá que prosperem tentativas de desacreditar as investigações e os membros desta instituição”.

Segue: “ (…) a investigação revelou a ocorrência de graves ilícitos envolvendo a Petrobrás, empreiteiras e outros agentes que concorreram para os delitos, o que já possibilitou ao Ministério Público Federal adotar as primeiras medidas judiciais. A utilização do instrumento da colaboração premiada tem permitido conferir agilidade e eficiência à coleta de provas, de modo a elucidar todo o esquema criminoso” .

Pelo andar da carruagem, as denúncias do MPF à Justiça não devem passar de meados de  fevereiro de 2015.

É aí o momento em que será dado o tom. Vamos ver quem será denunciado e qual será o teor da peça acusatória. Espero não sentir saudades de Roberto Gurgel.

Se ficar evidenciado que a corrupção financiou campanhas, a coisa poderá ficar bem complicada…

Até lá, teremos que ficar na expectativa.

Enio Meneghetti

Operação Limpa Fossa

19 de novembro de 2014

artigo operação limpa fossa

A Polícia Federal prendeu sexta feira passada cerca de duas dúzias de pessoas, entre donos e executivos das principais empreiteiras do país, que formavam  um “clube” para operar o esquema do Petrolão.

 

Foram 85 mandados judiciais de prisão ou coerção temporária, 123 ordens de busca e apreensão de documentos em grandes empreiteiras.

 

O maior escândalo de corrupção do Brasil, que desviou 10 bilhões de reais da Petrobras.  A nova etapa da Lava Jato arrasta  a república petista ao maior descrédito.  Estamos no ocaso de um governo recém  reeleito, que ainda nem sequer tomou posse para o segundo período.

 

Já se sabe que as empreiteiras estão dispostas a fazer acordos para livrar seus executivos.  O exemplo da Ação Penal 470, do Mensalão, está bem vivo. Safaram-se os políticos para cumprir as penas domiciliares e os operadores seguem atrás das grades. O resultado acaba como símbolo de impunidade, com Marcos Valério como grande bode expiatório.

 

Agora as empreiteiras deverão fazer um acordo onde em troca das delações dos políticos, deverá vir um alívio nas penas de seus dirigentes. Às empreiteiras caberão também pesadas multas, na casa dos bilhões.

 

Entre os figurões  presos na sexta feira,  há  um homem de confiança de  José Dirceu,   Renato Duque. Se, como muitos já apostam,  Duque e alguns diretores de grandes empreiteiras envolvidas nas falcatruas bilionárias, abrirem o bico, tem gente de sobra com motivos para perder o sono.

 

Enfim, entre tantas hipóteses baseadas em comentários de quem sabe o que diz, em breve o escândalo poderá bater nas até mesmo nas barbas onde nunca antes na história deste país, conseguiu chegar. Documentação oriunda da Suíça e da Holanda  será decisiva para isto.

 

A série de prisões pegou Dilma na Austrália, na Reunião do G20.  Inicialmente, ela  não se manifestou. Mas recebeu “nas internas” duas recomendações:  um discurso elogiando as ações da Polícia Federal e mostrando luta contra corrupção; e que tentasse estabelecer uma diferença entre seu governo e do antecessor, Lula.

 

Ela bem que tentou (o discurso), mas daquele seu jeito de sempre… Disse que seu governo é o ‘primeiro na História’ a investigar corrupção. Sempre essa mania irritante  de dizer que seu governo é que investiga. Não! O Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal que investigam. O governo é o alvo, Dona Dilma.

 

Recitou a ladainha direitinho, seguiu à risca a recomendação. Culpou o governo passado pela corrupção que está acontecendo hoje na empresa, afirmando que ninguém fez nada antes dela para combater.

 

“Eu acho, de fato, que isso pode mudar o país para sempre. Em que sentido? No sentido de que se vai acabar com a impunidade. Este é, para mim, a característica principal desta investigação.”

 

É quase impossível tarefa de estabelecer uma separação entre as administrações na Petrobras no “período Lula” e no “período Dilma”. Na verdade, tal recomendação pode ser vista como uma piada: no governo Lula, sob a administração Gabrielli, quando todos esses problemas ocorreram, Dilma era nada mais nada menos que “Presidente do Conselho de Administração da Petrobras”, Ministra das Minas e Energia, tida e havida como especialista na área energética. Depois, Chefe da Casa Civil.

 

Quero ver as declarações que ela dará sobre os processos civis e criminais que já correm nos Estados Unidos. Afinal, quem mandou bulir com dinheiro de empresas com ações na bolsa de Nova York? Vai doer…

 

De uma coisa podem estar certos: as belíssimas  manifestações como as deste 15 de novembro, pró-impeachment, vão ganhar impulso.

passeata 15 nov 14

Controle da mídia

12 de novembro de 2014

controle de midia

Na semana passada, dona Dilma deu mais uma uma longa entrevista coletiva. Entre os temas tratados, um grande bode na sala. O controle estatal da mídia.

Num momento em que se avizinha um ano dificílimo em 2015, uma estratégia interessante essa de arrumar um tema bem polêmico para desviar a atenção e, de quebra, se tudo der certo, reduzir as críticas… 

Vamos por partes: alguém dúvida que 2015 será um ano difícil? Bem, então é só dar-se conta que o governo todo o mês bate “recordes de arrecadação” mas continua fechando as contas com déficit.

É mais ou menos como aquele chefe de família que nunca teve uma remuneração tão alta, mas mesmo assim, continua gastando mais do que ganha e devendo cada vez mais. Receita certa para a catástrofe. 

Ainda não concorda? Então por que será que dona Dilma, apenas uma semana após as eleições, já começou a adotar as medidas que alegava, seus os adversários adotariam se eleitos? 

Pois bem. Mas voltando a vaca fria, isto é, a eterna pretensão petista de controlar a mídia de forma muito maior do que a pressão exercida sob forma de publicidade governamental, Sua Excelência disse que em 2015 vai abrir a discussão na internet sobre a regulação econômica dos meios de comunicação no Brasil, principalmente a mídia eletrônica. 

Tentou diferenciar-se da ala dos mais fanáticos de seu partido, mas deixou claro que pretende mexer neste vespeiro. Em seu modo algo confuso de expressar-se, explicou que “regulação econômica diz respeito a processos de monopólio ou oligopólio que podem ocorrer em qualquer setor econômico onde se visa o lucro e não a benemerência. Por que os setores de energia, de petróleo e de transportes têm regulações, mas a mídia não pode ter?”. Hummm… Entendeu?

 

Ora, controlando economicamente a mídia, seja com restrições, impostos, ameaças veladas (ou nem tanto), sanções administrativas, penais, financeiras (multas), o controle do conteúdo pode ser quase total. 

Liberdade de expressão, dentro desta metodologia, seria um luxo com dias contados. O tão sonhado controle estatal da mídia via sanções econômicas, já que a simples concessão de publicidade estatal não vem sendo suficiente para conter o recorde de escândalos. 

“Eu não represento o PT. Eu represento a Presidência da República. A opinião do PT é a opinião de um partido. Não me influencia. Eu represento o País. Sou presidente dos brasileiros. Acho que o PT, como qualquer partido, tem posições de parte e não do todo”. 

Então tá. Para não perder o hábito, neste domingo o jornal Financial Times publicou uma matéria sobre uma investigação criminal que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu sobre um possível envolvimento da Petrobrás e de seus funcionários em um suposto esquema de pagamento de propinas. Sem falar no inquérito civil que já tramitava na “Securities and Exchange Commission” (SEC), que regula o mercado de capitais nas terras de Tio Sam. Claro que a matéria destaca o fato de que muitos dos supostos problemas teriam acontecido quando a atual presidente presidia o Conselho da estatal. 

Ainda bem que com controle governamental ou não, sempre teremos acesso a internet para acessar as matérias sobre nossos problemas publicadas em jornais no exterior. 

Ou não? 

Enio Meneghetti