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A festa de St. Patrick’Day  

23 de março de 2017

           Na ultima sexta feira 17, a rua Padre Chagas foi fechada para a comemoração do dia do Santo padroeiro da Irlanda.

           Regado a muita cerveja, o evento saiu de controle na edição anterior. Agora a prefeitura interviu, regulamentando a festa, que reuniu mais de 30 mil pessoas no espaço de pouco mais de três quadras.

           A rua foi fechada às 12:30 de um dia útil. Trânsito engarrafado refletiu-se em toda a região. Consultas canceladas, comércio prejudicado, locomoção dos moradores dificultada.

           A prefeitura impôs o término para às 22:00. Mas os jovens chegaram portando sua bebida. Coolers, caixas de isopor, até barris de chope.

          O horário determinado pelo poder público de nada serviu. Os bares continuaram funcionando.

          Garrafas quebradas representavam um perigo adicional. As filas nos banheiros, instalados junto às janelas de prédios residenciais, não deram conta. Qualquer dobra de parede servia.  O odor foi testemunha até o final da manhã seguinte.

          O espaço das áreas privadas dos prédios foi invadido. Canteiros pisoteados. Não era possível ver o chão ao caminhar, tal a massa humana. Felizmente não houve situação de pânico e correria.

          Um traficante foi preso, houve pequenos roubos e um rastro de sangue entre as ruas Luciana de Abreu e Hilário Ribeiro confirmava os relatos de briga à faca.

          Situações desse tipo podem levar ao caos. Exemplos como o da boate Kiss nos ensinam que muita gente feriu-se pisoteada antes de conseguir escapar.

          O evento atravessou a madrugada, até muito depois da reabertura do tráfego.

          O caminhão pipa que lavaria a rua e as calçadas só chegou depois das onze horas do sábado, quando os moradores e comerciantes já haviam providenciado por si mesmos a lavagem. Tudo está documentado.

          Ninguém é contra confraternização, lazer ou festas. Mas devem acontecer em locais que garantam o direito e a segurança de todos os envolvidos. Isso não aconteceu na sexta feira.

Entre mais de 300 fotos e alguns vídeos, selecionamos algumas mostrando o estado em que ficou o local.

A quantidade excessiva de pessoas em um espaço restrito, comércio de ambulantes que colocou por terra a ideia dos organizadores de ter qualquer controle sobre o horário de término do evento, sem falar no fato de que a maioria dos presentes levou sua bebida de casa.

Há também registros de pessoas fazendo suas necessidades fisiológicas na via pública.

 

Xixi no portão do prédio. Padre Chagas, 174.  

  

   Xixi coletivo em jardim privado.        

 

Sol alto, a lavagem e escovação ficou por conta dos comerciantes, zeladores e moradores, pois o caminhão pipa prometido para a madrugada, só chegou após às 11:30. Não foi possível aguardar tanto tempo o mau odor de cerveja choca e urina.  

Rua Padre Chagas, 185, cerca de 5 horas da madrugada de sábado. Fim de festa, trânsito de veículos recém liberado.

A lavagem da calçada e do recuo invadido acabou ficando à cargo do pessoal do prédio, com o uso de mangueiras e aparelho lava-jato. Sol já estava alto e o caminhão pipa ainda não havia aparecido. A promessa era que a lavagem seria na madrugada.   

Comércio de ambulantes na calçada. Estoque farto.

 

    

Cacos de vidro por vários dias. Senhoras, crianças, caminhar de sandálias, ou sapatos abertos, nem pensar. 

 

 

A certa altura da festa, não era possível enxergar o piso quando se andava. Se houvesse situação de pânico, gente teria sido pisoteada.

 

Aspectos da porquice. 

 

 

Bebidas foram levadas por populares. A oficialidade achou que iria conseguir limitar o horário da festa.

Canteiros do prédio esquina rua Luciana de Abreu. 

Pois que quebrem!

14 de janeiro de 2015

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“A revista Veja desta semana traz uma matéria com informações do engenheiro baiano Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. Sempre apontado como amigo do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ricardo Pessoa está preso e é considerado coordenador do cartel de empreiteiras envolvidas na Lava Jato.

A reportagem afirma que um manuscrito produzido por Pessoa faz ligação entre os contratos sob suspeita assinados entre as empreiteiras e a Petrobras e o caixa de campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff.

O texto, aparentemente vazado por Ricardo Pessoa – e por isso mesmo encarado como alguma espécie de “recado” – diz que todas as empreiteiras acusadas no esquema da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma Roussef.

Ricardo Pessoa ainda diz que o volume de dinheiro desviado através de  Paulo Roberto Costa é quase nada frente a outros negócios da Petrobras que também teriam servido à coleta de propina. Ele ressalta ainda estranhar que tenham sido processadas até agora  apenas seis das 16 empreiteiras que fizeram negócios bilionários com a Petrobras.

Enquanto isso, também soube-se nesta semana que a CGU – Controladoria-Geral da União – tentou promover um acordo para evitar que as empreiteiras envolvidas na Lava Jato ficassem impedidas de fechar novos contratos com o governo. A proposta, revelada pelo jornal  O Globo, felizmente foi rejeitada pela força-tarefa do MPF. O acordo foi encarado pelos investigadores como uma tentativa do governo de salvar as empreiteiras. A proposta sugeria a fixação de multas às empreiteiras no âmbito administrativo. Assim, as empresas devolveriam dinheiro aos cofres públicos e se livrariam da declaração de inidoneidade, que as impediria de fechar novos contratos.

A cândida motivação para tal proposta seria que “a declaração de inidoneidade provoca uma grande possibilidade de fechar a empresa”… Senão, “poderiam entrar em crise financeira e não teriam dinheiro nem mesmo para ressarcir parcialmente os prejuízos”.  Foram além na descrição do apocalipse: “a insolvência poderia até contaminar o sistema financeiro, especialmente bancos que abrigam negócios das empresas”.

O raciocínio destes parece ser de que o tamanho do crime é que define a punição! Isto é, se o crime é imenso, não se pode punir conforme a lei, sob pena de o sistema entrar em colapso…

Que eu não seja mal interpretado, mas se é assim, que quebrem.

Espera-se que o MPF e as autoridades encarregadas deste caso mantenham-se firmes. Que sirva de lição para outros tantos “empresários” que só sabem fazer negócios debaixo da saia dos governos. E os bancos que os financiaram, devem arcar com os riscos das operações que contrataram.

Que cumpram-se os contratos. E a lei.”

Enio Meneghetti