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O APOCALIPSE DOS DETENTORES DO PODER 

2 de julho de 2015

 

 

O apocalipse dos

A lama do petrolão chegou ao gabinete presidencial.

A sequência interminável de notícias tenebrosas chegou ao ápice no sábado, quando veio a público a lista de Ricardo Pessoa daqueles favorecidos com dinheiro desviado da Petrobras. A lista é encabeçada por Lula e Dilma Rousseff.

Dilma atrasou sua partida para os Estados Unidos para discutir a crise que a revelação da revista Veja trouxe ao Planalto. O plano apressado consiste em tentar bloquear o estrago usando Edinho Silva, tesoureiro da campanha dilmista e atual ministro de Comunicação Social da Presidência como dique. Vai ser meio difícil. O mais provável é que a enxurrada leve Edinho de roldão.

A informação de Ricardo Pessoa de que destinou R$ 7,5 milhões do dinheiro roubado da Petrobras para a campanha presidencial de Dilma em 2014, cria uma situação em que, como ex presidente do Conselho da Petrobras ela nada viu e como candidata usufruiu do produto do roubo em sua campanha eleitoral. Nada poderia ser mais patético.

Dilma continuará tentando fazer de conta que apoia investigações. Dirá que não se envolvia com o caixa de sua campanha e tudo era tratado pelo tesoureiro. Só mesmo quem acreditasse que Dilma, justamente neste assunto, teria deixado de ser a centralizadora que sempre foi. A desculpa só cola com quiser acreditar.

Ricardo Pessoa disse ter usado dinheiro roubado da Petrobrás também na campanha de Lula, em 2006.

Agora, absurdo mesmo foi a decisão da companheirada, de convocar o Ministro da Justiça para interpelá-lo acerca da atuação da Polícia Federal. Eles querem cobrar de José Eduardo Cardozo que tenha controle sobre a PF! Era só o que faltava para sucumbirmos ao bolivarianismo. 

Parece até aquela história do marido traído, que tenta resolver seu problema tirando o sofá da sala.    

Se fosse piada ainda dava para esboçar um sorriso. Mas pelo visto, parece que eles sonham mesmo em ter uma polícia para chamar de sua.   

 

Enio Meneghetti

 

 

 

ARMAGEDON “PT em pânico: Marcelo Odebrecht ameaça revelar esquema de campanhas; e delação de Ricardo Pessoa deve sair “

22 de junho de 2015

do blog de Felipe Moura Brasil – Veja

A coluna Painel, da Folha, traz duas ótimas notícias:

1) “A prisão de Marcelo Odebrecht levou pânico ao mundo político pelo grau de conhecimento que o presidente da empreiteira tem dos pormenores da engrenagem do financiamento eleitoral ao PT nos últimos anos. Mesmo negando participação de sua empresa no escândalo de corrupção na Petrobras, o executivo teria feito relatos de como o esquema abasteceu campanhas petistas em 2010 e 2014. O temor é que, se ficar preso por muito tempo, Marcelo resolva desfiar esse novelo.”

Quem deve teme. O temor do PT é sempre a confissão possível da sua própria culpa.

Neste caso, ele indica que Dilma Rousseff – hoje reprovada por 65% dos brasileiros, segundo o Datafolha – é mesmo uma presidente ilegítima, eleita com dinheiro de propina.

2) “Atônitos com as prisões, políticos lembravam no fim da semana que ainda está por ser conhecido o teor da delação de Ricardo Pessoa, da UTC, que deve ser homologada nos próximos dias pelo relator Teori Zavascki.”

Finalmente, Zavascki.

A quem já esqueceu, relembro: Ricardo Pessoa, homem-bomba para o PT, declarou aos procuradores da Operação Lava Jato que pagou:

– 7,5 milhões de reais à campanha de Dilma Rousseff, em 2014.
– 2,4 milhões de reais à campanha de Lula, em 2006.
– 2,4 milhões de reais à campanha de Fernando Haddad, em 2012.
– 3,1 milhões de reais à empresa de consultoria de José Dirceu.

Pessoa também afirmou que a gráfica fantasma VTPB  foi usada para que dinheiro fruto do petrolão chegasse à campanha petista como se fosse uma doação oficial.

Relembro trecho de uma matéria de maio da IstoÉ:

“Uma das pistas reveladas por Pessoa atinge diretamente a campanha de Dilma e sua contabilidade.

Aos procuradores, o dono da UTC teria indicado que parte dos R$ 26,8 milhões que o PT pagou a VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior teve origem no petrolão.

Só a campanha de Dilma injetou na VTPB quase R$ 23 milhões, dinheiro que daria para imprimir 368 milhões de santinhos do ‘tipo cartão’, modelo descrito nas notas fiscais anexadas à prestação de contas.

O montante é duas vezes e meia o total de eleitores habilitados no país.”

Como comentei na ocasião: o PT paga o suficiente para imprimir material de campanha para dois Brasis e meio, e quer quer que você acredite que o objetivo era mesmo imprimi-lo.

Esse novelo tem de ser desfiado já.

Esperamos que Marcelo Odebrecht e Ricardo Pessoa derrubem juntos a República do PT.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

 

“Os riscos da prisão de Marcelo Odebrecht são tão grandes que tudo que a Operação Lava Jato já fez vira prefácio. “

20 de junho de 2015

 

Felipe Moura Brasil: “Lula está desesperado com o risco de ser preso.”

Coluna Radar, de VEJA:

“Possesso e tenso na sexta-feira, 19, logo após a prisão dos dois maiores empreiteiros do Brasil, Lula espumava de raiva.

Culpou o governo Dilma, qualificado de ‘frouxo’ por ter deixado a situação ter chegado a esse ponto.”

Lula culpa Dilma por não ter conseguido boicotar as investigações.

Folha de São Paulo:

“O ex-presidente Lula disse que a prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Guiterrez é uma demonstração de que ele será o próximo alvo da operação Lava Jato. Lula também reclamou da inércia da presidente Dilma Rousseff para contenção dos danos causados pela investigação.

Ele demonstra preocupação por não ter ter foro privilegiado”.

Pode ser preso.

Lula, segundo O Globo: 

“Dilma está no volume morto, o PT está abaixo do volume morto, e eu (Lula) estou no volume morto”.

“Acabamos de fazer uma pesquisa em Santo André e São Bernardo, e a nossa rejeição chega a 75%. Entreguei a pesquisa para Dilma, em que nós só temos 7% de bom e ótimo”.

Do blog do Josias de Souza: 

“Um senador governista ficou impressionado com a tensão exibida pelo ministro que o recebeu nesta sexta-feira (19). Resolvida a demanda, a conversa enveredou para as prisões da Lava Jato. O ministro utilizou a expressão “Pós-Odebrecht”. “A situação vai de mal a Pós-Odebrecht!”

Os riscos envolvidos na prisão de Marcelo Odebrecht seriam tão grandes que todo o estrago que a Operação Lava Jato já fez no Legislativo, no Executivo e no mercado da construção pesada virou prefácio. A política experimenta um sentimento inédito de vulnerabilidade. A oposição está preocupada. O governo está em pânico. Quem consegue dormir bem enquanto todos perdem o sono à sua volta provavelmente está mal informado.

Época: 

“Se prenderem o Marcelo, terão de arrumar mais três celas. Uma para mim, outra para o Lula e outra para a Dilma.” – Emílio Odebrecht. 

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“Em notícia veiculada em sua última edição, a revista Época relata que o presidente da Odebrecht descontrolou-se quando os policiais federais chegaram em sua casa com um mandado de prisão. Antes de ser levado, Marcelo Odebrecht teria feito três ligações. Numa delas, alcançou um amigo com credenciais para contactar Lula e Dilma Rousseff. “É para resolver essa lambança”, teria mandado dizer. “Ou não haverá República na segunda-feira.”

“Os destinatários do recado podem até considerar adequado dialogar com o novo hóspede da carceragem da PF em Curitiba. Mas os únicos interlocutores que o mandachuva da Odebrecht terá nos próximos dias, além dos seus advogados, serão os membros da força-tarefa da Lava Jato. E já está entendido que, para esses personagens, Marcelo Odebrecht precisa de interrogatório, não de diálogo.”

“Emílio Odebrecht, patriarca da família que controla a maior construtora da América Latina, também teve acessos de raiva nos últimos dias, informa a notícia de Época. Seu pavio diminuía na proporção direta do crescimento dos rumores sobre a perspectiva de detenção do filho. Conforme o relato de amigos, Emílio deu para repetir uma ameaça: “Se prenderem o Marcelo, terão de arrumar mais três celas. Uma para mim, outra para o Lula e outra para a Dilma.”

“Se a família Odebrecht cumprisse as ameaças de romper o silêncio, o país talvez eliminasse a fase do caos, caindo direto no pântano. Que é o melhor lugar para começar uma nação inteiramente nova.”

A bruxa continua solta

3 de junho de 2015

a bruxa continua solta

Não foi mau para o governo o surgimento do escândalo da FIFA. Ele ajuda muito a desviar a atenção sobre outros escândalos mais graves.

Muito mais do que eventuais desvios realizados por autoridades esportivas, afetam muito mais aos brasileiros os escândalos diários sobre desvios ocorridos nas obras de estatais e do próprio governo.

É claro, sem deixar de lado o fato de que, coincidentemente, as mega obras de construção de estádios inúteis como o de Manaus e outros foram realizadas pelas mesmas empreiteiras que atualmente monopolizam o noticiário. Isso é bem mais importante do que conhecer as peripécias dos cartolas do futebol.

Enquanto o assunto FIFA desviava a atenção, uma das revelações do final de semana que passou veio em reportagem de  “O Estado de S.Paulo”. O fato de que os investigadores da força tarefa da operação Lava Jato encontraram indícios de desvios de dinheiro na construção do Estaleiro Rio Grande, aqui pertinho, iniciada em 2006, e nos contratos fechados para produção de cascos de plataformas e sondas de exploração de petróleo, a partir de 2010. A WTorre construiu o Estaleiro, mas  em 2010, vendeu seus direitos no negócio para a Engevix.


Estão sendo investigados pagamentos da WTorre e Engevix às empresas de consultorias de quem? 
Antonio Palocci e José Dirceu.  


Palocci  alega que os pagamentos da W Torre à sua empresa, a Projeto Consultoria, foram referentes a quatro palestras aos diretores da empresa, cada uma por R$ 20 mil. A empreiteira apresentou 18 notas fiscais, num total de R$ 350 mil, emitidas pela Projeto, em 2007, 2008, 2009 e 2010.

A JD Assessoria e Consultoria, de José Dirceu recebeu R$ 2,6 milhões da Engevix, entre 2008 e 2012 – parte diretamente e outra parte por meio da Jamp Engenheiros Associados, do lobista Milton Pascowitch.

Às partes citadas, é claro, negaram que os contratos de consultorias prestados tiveram qualquer  relação ou possibilidade de pagamento de propina.

Agora, o que preocupa mesmo o Planalto é a questão sigilo das operações de crédito do BNDES. A pressão para que seja aberta uma CPI do BNDES é e tem de ser, cada vez maior. É assunto muito mais do que arrasa-quarteirão.

A questão é: por que o governo se esforça tanto em esconder os detalhes dos investimentos financiados pelo BNDES com nosso dinheiro em Cuba, Angola e outros países?

“Estes segredos cheiram mal”, chegou a declarar o deputado Onyx Lorenzoni.

Por que esta insistência governamental em descumprir o artigo 49/1 da Constituição Federal, que diz claramente:

“É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;

 

Mais claro que isso, impossível. Mas o governo além de descumprir este dispositivo legal, ainda se dá ao requinte de sonegar as informações ao público. Por que?

Isso ainda vai render muito.

Enio Meneghetti

 

Assista isso e reflita:

29 de maio de 2015

Será que nossas mais altas autoridades se safariam, havendo uma investigação séria sobre o tema?

 

“O dinheiro acabou”

27 de maio de 2015

o dinheiro acabou

Luiz Inácio Lula da Silva não anda numa fase muito boa. É possível que o projeto político dele enfrente problemas. A pressão da Lava Jato parece começar a tornar-se incômoda.

 

Semana passada o Ministério Público Federal deu um prazo de 15 dias para o Instituto Lula fornecer a agenda oficial de viagens dele à países africanos e da América Latina, entre 2011 e 2014.

 

Entram na questão os R$ 435 mil reais pagos pela Odebrecht para fretar o jatinho que levou Lula e acompanhantes a Cuba e República Dominicana e um contrato que seu sobrinho, Taiguara Rodrigues dos Santos, tem em Angola.

 

Taiguara é filho de Jacinto Ribeiro dos Santos, irmão da primeira mulher de Lula. Em 2012, uma empresa de Taiguara, a Exergia Brasil, foi subcontratada pela Odebrecht para atuar na ampliação e modernização da hidrelétrica de Cambambe, em Angola. Coincidentemente, o acerto entre Taiguara e a Odebrecht  ocorreu no mesmo ano em que a empreiteira conseguiu do BNDES um financiamento para realizar esse projeto na África.

 

A procuradora do MPF Mirella de Carvalho Aguiar diz em despacho: “Considerando que as obras são custeadas, direta ou indiretamente, por recursos do BNDES, caso se comprove que o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva também buscou interferir em atos praticados pelo presidente do mencionado banco, poder-se-á, em tese, configurar o tipo penal do art. 332 do Código Penal (tráfico de influência)”.

 

Como se sabe, o senado havia aprovado o fim do discutível sigilo nos empréstimos do BNDES. Dilma vetou a medida. Mas o Senado pode derrubar o veto. Na Câmara, a CPI do BNDES já é considerada favas contadas para o segundo semestre, tão logo esteja concluída a CPI do Petrolão.

 

A cada dia surgem novas informações que aumentam as suspeitas sobre as operações do banco.

O Ministério Público também está questionando repasses do Tesouro ao BNDES no valor de 500 bilhões de reais nos últimos seis anos. O MP suspeita que esse dinheiro possa ter ido parar nas contas das empresas que receberam os empréstimos no Brasil e no exterior. “São recursos que, por lei, não poderiam ser destinados a empréstimos ao BNDES (…)”, diz a representação do MP. 

 

Enfim, agora disse o Ministro Joaquim Levy em alto e bom som:

–  Terminou aquele modelo baseado em recursos públicos. O dinheiro acabou.”

Algo me diz que há muito mais para vir, lá do lugar onde veio isso…

 

Enio Meneghetti

“José Dirceu foi alertado por advogados para a possibilidade de ser preso a qualquer momento.”

14 de maio de 2015

“Se Lula e Dilma estão ou não no pacote da barganha.”  

“A eventual prisão de José Dirceu seria também mais um passo a ser dado por Sergio Moro na direção de Lula. O juiz suspeita que Lula está por trás do que aconteceu na Petrobras” – disse Ricardo Noblat no último parágrafo de um texto no Globo.

Lula investigação

O juiz Sergio Moro mandou a empreiteira OAS entregar todos as cópias de documentos relativos aos pagamentos de R$ 2,9 milhões a José Dirceu.

A OAS recusou-se a obedecer Moro, temendo que – como já aconteceu – “esse douto juízo as utilizar para decretação injusta de prisão de particulares”.

A empreiteira já apresentou documentos relativos aos pagamentos ao doleiro Alberto Youssef e Moro os usou para incriminar a própria empreiteira.

Agora usam o trauma sofrido para recusar-se  a fazer prova contra si mesma.

O juiz federal Sérgio Moro decidiu não entrar em polêmica com a empreiteira OAS. Em despacho nos autos do processo criminal Moro decidiu sobre a comunicação de não entregar cópias dos contratos firmados com a JD Assessoria e Consultoria, empresa de José Dirceu:

“Se armadilha houve, foi da empresa que não alertou o advogado para a natureza dos documentos ou do advogado que não alertou o cliente das consequências do ato”, escreveu Moro em seu despacho.

“Não pretendendo apresentá-los, como exercício do direito ao silêncio, é o quanto basta, sem falsas polêmicas e sem prejuízo da continuidade das investigações por outros meios”, continuou.

Só faltou escrever: “vocês não perdem por esperar”.

íntegra em http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/wp-content/uploads/sites/41/2015/05/depachooasdirceu2.pdf

Por outro lado, há quem avalie que o excelente juiz Sergio Moro pode ter espremido demais Ricardo Pessoa nas negociações de sua delação premiada. O que teria feito o dono da UTC correr para o abraço com Rodrigo Janot, Procurador Geral da República. O que poderia significar o pulo de Curitiba para Brasília?

Ricardo Pessoa delação

A promessa de Ricardo Pessoa de devolver R$ 55 milhões está sendo considerada uma pechincha pelos advogados dos colegas presos.

 

Se a barganha for somente financeira, menos mal.

O que o povo quer saber?

Se Lula e Dilma entraram ou não no pacote da barganha.

 

CONVOCAÇÃO DE LULA: 

Os petistas ensebaram mais de quatro horas para impedir a apreciação do requerimento de autoria do deputados do DEM, Onyx Lorenzoni e Efraim Filho para a convocação de Lula para depor na CPI da Petrobras. Após o início da sessão no plenário as comissões não podem votar requerimentos.

Mas como a OAS, aí em cima, eles não perdem por esperar. É bem possível que logo existam fatos ainda mais escabrosos que os impeçam de continuar poupando o grande padrinho. 

 

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“Só não prenderam Lula porque ninguém tem coragem”, diz ex-deputado

13 de maio de 2015

Também acho. 

Pedro Corrêa (PP/PE), preso por suspeita de corrupção, depôs à CPI da Petrobrás e afirma que foi o ex-presidente que indicou Paulo Roberto Costa para diretoria na estatal

Matéria Estadão – Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE) – condenado no mensalão e preso pela Operação Lava Jato – afirmou à CPI da Petrobrás que foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que colocou Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento. Ouvido em Curitiba por parlamentares da CPI, o ex-presidente do PP afirmou que “só não prenderam Lula porque ninguém tem coragem”.

“O diretor de Abastecimento da Petrobrás, que se eu não me engano a memória era um tal de Manso, ele se atritou com a diretoria e o presidente Lula convidou o Paulo Roberto Costa para ser diretor de Abastecimento”, afirmou Corrêa, ao comentar a nomeação do delator ao cargo, em 2004. “Isso era a notícia que chegou para mim.”

“O presidente Lula, depois de achar que o Paulo (Roberto Costa) deveria ser diretor de Abastecimento, disse então que ele ficaria na cota de autoridades que poderiam ter a chancela do Partido Progressista”, disse Pedro Corrêa.

Lula disse isso? –  questionou o deputado Onyx Lorenzoni.

– Não disse isso a mim. Mas disse isso ao líder do partido, que era o sr Jose Janene –  respondeu o ex-deputado.

EM SEU FACEBOOK, LULA CRITICA ACUSAÇÕES DE YOUSSEF

Em suas delações premiadas, Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef – que operavam o esquema de propina na estatal pelo PP – afirmaram que a indicação do ex-diretor foi do PP. Disseram ainda que foi uma indicação problemática, alvo de muitas negociações.

CETICA15 - BSB - CONSELHO ÉTICA/PEDRO CORRÊA - NACIONAL - O Conselho de Ética vota o relatório em que o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) recomenda a cassação do mandato do deputado e presidente do PP, Pedro Corrêa (PE). - FOTO: CELSO JUNIOR/AE

Pedro Corrêa (PE). – FOTO: CELSO JUNIOR/AE

Pedro Corrêa é acusado de receber R$ 5 milhões do esquema de corrupção e propina na Petrobrás, por intermédio do ex-diretor de Abastecimento e do doleiro Alberto Youssef, peças centrais das investigações.

Inicialmente, ele afirmou aos deputados da CPI que usaria o direito de ficar calado, mas acabou respondendo às questões.

Negou recebimento de propina de Youssef e contatos com as empreiteiras do cartel – com exceção da Queiroz Galvão.

Os deputados da CPI encerraram os depoimentos de 13 alvos da Lava Jato presos em Curitiba – sede da grande investigação. Além de Corrêa, foram ouvidos o ex-deputado Luiz Argolo (SD-BA), que é acusado de ter se associado a Youssef, e André Vargas (ex-PT).

Corrêa negou que tivesse recebido dinheiro do esquema e argumentou que deixou de ter cargo parlamentar em 2006.

Advertido pelos parlamentares que mesmo depois ele manteve sua influência, o ex-parlamentar desafiou os membros da CPI a apontarem um caso de político que continuou poderoso, sem mandato.

“Lula é político sem mandato, Fernando Henrique é político sem mandato”, retrucaram os deputados.

“Qual é a influência hoje dele (Lula), se querem botar ele na cadeia? Agora ninguém tem coragem de botar ele na cadeia. Porque eu tenho certeza que aí sim vai existir o que aconteceu na época do Getúlio (Vargas, ex-presidente) quando ele deu um tiro no peito e o povo saiu para rua com paus, panelas para quebrar tudo”, retrucou Corrêa.

“Nunca recebi dinheiro ilegal do senhor Youssef”, afirmou o ex-deputado. Novamente perguntado pelos parlamentares da CPI sobre se achava que Lula seria preso, Corrêa voltou a falar no assunto.

“Eu, se tivesse uma bolinha de cristal, certamente não estaria aqui. Mas eu acho, na minha avaliação pessoal de um camarada que está fora da política desde 2006, que a prisão dele (Lula) seria uma catástrofe para esse País.”

Ex-deputado por Pernambuco, pai de políticos, Corrêa disse que no Nordeste a prisão de Lula enfrentaria resistência.

“Pelo que conheço da minha região do Nordeste, e pelo que andei nas casas daquele povo pobre, a gente quando chega lá encontra um retrato do padrinho Padre Cícero, junto com o de Lula e de Miguel Arraes (ex-governador morto de Pernambuco). É um discurso da gente enfrentar, colocar o rico contra o pobre é uma coisa difícil de se enfrentar.”

O ex-presidente, por meio de sua assessoria, não quis comentar o caso.

 

 

 

Spa de segurança máxima

29 de abril de 2015

 

Spa de seg maxima

A Petrobras divulgou semana passada seu aguardado balanço.

A contabilidade da corrupção havia sido avaliada na gestão de Graça Foster em R$ 88,6 bilhões. Na ocasião, gerou um chilique e uma queda.

O balanço agora divulgado avaliou as perdas “fruto dos desvios apontados na Operação Lava Jato”em R$ 6 bilhões 194 milhões.

Mesmo sendo o balanço avalizado pela PriceWaterhouseCoopers, há quem sustente que o valor referente às perdas por corrupção foi subavaliado. Não teria levado em conta o superfaturamento nos aditivos aos contratos, que extrapolam o limite legal de 25%.

Mas, como tudo tem um lado positivo, agora, com a oficialização da perda via balanço, as providências legais contra os causadores do enorme prejuízo podem andar.

Diretores e conselheiros respondem por ação ou omissão. Segundo o Art. 23 do Estatuto Social da Petrobras os membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva respondem, nos termos do art. 158, da Lei nº 6.404, de 1976, individual e solidariamente, pelos atos que praticarem e pelos prejuízos que deles decorram.

O Art. 28 do Estatuto Social define competências ao Conselho: fiscalizar a gestão dos Diretores; avaliar resultados de desempenho; aprovar a transferência da titularidade de ativos da Companhia, inclusive contratos de concessão e autorizações para refino de petróleo, processamento de gás natural, transporte, importação e exportação de petróleo, seus derivados e gás natural. O Art. 29 determina: compete “privativamente” ao Conselho de Administração deliberar sobre as participações em sociedades controladas ou coligadas. Só a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, gerou perdas de R$ 9,143 bilhões. Sem falar em Pasadena. Fiscalizaram o que?

Nos Estados Unidos já correm algumas ações contra a Petrobrás, cobrando ressarcimentos por prejuízos bilionários pela manipulação no no valor das ações comercializadas na Bolsa de Nova York. A probabilidade de responsabilização das diretorias e membros do Conselho, inclusive Dilma, é elevada. Por aqui não se sabe ainda. Com a palavra o MP.

                                                                   – O –

Por muito pouco não passou batido, apenas O Globo publicou nota à respeito.

Foi comunicado em correspondência ao juiz Sérgio Moro o encerramento das atividades da JD Assessoria e Consultoria Ltda, de propriedade do ex ministro da Casa Civil José Dirceu e de seu irmão Luiz Eduardo de Oliveira e Silva.

Não foram explicadas as razões para o o fechamento da próspera empresa.

Espera-se que seu titular goze de merecida aposentadoria em algum Spa de segurança máxima.

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O lorde do BNDES custou a ouvir o que precisava na CPI da Petrobrás. Até que aconteceu.

16 de abril de 2015

O presidente do BNDES e do Conselhão da Petrobrás, Luciano Coutinho, quase botou todos para dormir na CPI da Petrobrás. Até que o deputado Onyx botou os pingos nos Is,  demonstrando que Luciano Coutinho, na melhor das hipóteses, foi conivente – por ação ou omissão – com os “mal feitos” da Petrobras.

Ele está desde 2011 no Conselho de Administração, que fez vistas grossas a corrupção na estatal.

Há muito a desvendar. Agora, que venha a CPI do BNDES. É urgente.

Confira no vídeo.

Falando pausadamente, escolhendo vagarosamente cada palavra, cada sílaba, cada tempo verbal cuidadosamente, Luciano Coutinho  prestava um enfadonho depoimento na CPI da Petrobrás.

Sempre deixando claro não interferir nas áreas técnicas do banco, só falta fazer cara de nojo ao explicar que essas tarefas mundanas estão delegadas às áreas técnicas, distantes dos espessos tapetes de em que trafega no andar da presidência da nobre instituição que preside. Assim vem se esquivando – até agora – das tentativas dos deputados que o inquiriram de obter alguma informação útil para o que quer que seja.

Discorreu sobre o sigilo que deve proteger detalhes da situação econômica de empresas que contratam com o BNDES, porém  disse que jamais o banco deixará de prestar informações quando exigidas formalmente.

Então está bem. Vamos fazer uma CPI do BNDES para abrir a Caixa Preta presidida pelo lorde.

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