Posts Tagged ‘Dilma’

ANOTE ESTE NOME!

15 de julho de 2015

Bernardo feiberhaus

Bernardo Freiburghaus. Ele está na lista de procurados pela Interpol. Atua desde os anos 90 guardando discretamente dinheiro dos clientes em contas secretas nos bancos suíços. 

A força-tarefa da lava-jato quer ouvi-lo há meses.

Lembram que no início do ano vazou o acontecimento de uma visita de advogados da Odebrecht ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo? Pois é. Preocupados com a colaboração das autoridades suíças com a força-tarefa da lava-jato, os advogados da empreiteira foram até José Eduardo Cardozo, justamente para tentar saber quais os dados bancários haviam sido enviados pelos suíços. 

Tudo porque Paulo Roberto Costa havia confessado ter conta na Suiça,  aberta por Freiburghaus no banco Julius Baer, para depositar parte de uma propina de US$ 5,6 milhões que teria sido paga pela Odebrecht. 

Paulo Roberto Costa declarou ainda que Freiburghaus agira assim orientado pelo ex-diretor da Odebrecht, Rogério Araújo.

A Odebrecht nega tudo isso, evidentemente.  Mas Bernardo Freiburghaus é  peça-chave para que o Ministério Público Federal possa comprovar, de forma testemunhal e/ou documental, se a cúpula da Odebrecht operava ou não um esquema de corrupção a partir de negócios com a Petrobras e outras estatais ainda sequer sonhadas.

O fato é que enquanto Freiburghaus não for encontrado pela Interpol, dificilmente haverá o relaxamento da prisão preventiva de Marcelo Odebrecht.

 E a manutenção de sua prisão preventiva preocupa – e muito –  o governo. Afinal, ele tem grandes conhecimentos. Sabe muito. Sabe tudo.

Em matéria de prisões preventivas, só há uma que preocupa ainda mais o Planalto: a de José Dirceu, que já andou insinuando que pode aderir a uma delação premiada que teria o efeito de uma bomba atômica no colo de uns e outros.

Será que trataram disso na escala da cidade do Porto?

Aposto que sim.

Enio Meneghetti

CPI DA PETROBRAS – ONYX MOSTRA QUE A CGU SE OMITIU PARA PROTEGER DILMA E O PT

7 de julho de 2015

Durante o depoimento do ex-ministro da CGU – Controladoria Geral da União, Jorge Hage, o deputado Onyx Lorenzoni demonstrou como o órgão ignorou a corrupção na Petrobras para proteger Dilma Rousseff durante o período eleitoral de 2014, mesmo tendo vários indicativos para deflagrar o processo de investigação a partir de maio do mesmo ano.

No mês de maio de 2014, Petrobras foi avisada pelo Ministério Público holandês sobre uma investigação feita em caráter sigiloso a partir da delação de um ex-funcionário, Jonathan Taylor, sobre pagamentos de propina feitos pela empresa holandesa SBM Off Shore em vários países, inclusive o Brasil, no caso a funcionários da Petrobras. Ainda em maio, a Petrobras informou à CGU. A partir daí era de se esperar que um órgão de controle como a CGU apurasse de forma transparente e independente, mas não foi o que ocorreu. A CGU “esqueceu” do processo durante os meses de maio a novembro, e só deu publicidade após o segundo turno das eleições, coincidentemente no mesmo dia em que o Ministério Público holandês anunciou uma multa de US$ 240 milhões paga pela SBM para encerrar o processo na Holanda. A CGU não tinha mais como “esquecer”.

PEDIDO DE INFORMAÇÕES
Durante o depoimento, Jorge Hage tentou justificar o atraso na divulgação do processo diminuindo a importância do delator Jonathan Taylor, mas Onyx apontou que no mês de junho de 2014 muitas correspondências foram trocadas entre a CGU e o Ministério da Justiça, em uma delas teria sido dito que “alguns milhões de dólares foram pagos”. Portanto, a justificativa de Hage não se sustenta.

Onyx solicitou cópia de todas as mensagens trocadas entre a CGU e o Ministério da Justiça, e também entre a CGU e a Petrobras no período de maio a novembro de 2014.
‪#‎LavaJato‬ ‪#‎Corrupção‬ ‪#‎JorgeHage‬

O APOCALIPSE DOS DETENTORES DO PODER 

2 de julho de 2015

 

 

O apocalipse dos

A lama do petrolão chegou ao gabinete presidencial.

A sequência interminável de notícias tenebrosas chegou ao ápice no sábado, quando veio a público a lista de Ricardo Pessoa daqueles favorecidos com dinheiro desviado da Petrobras. A lista é encabeçada por Lula e Dilma Rousseff.

Dilma atrasou sua partida para os Estados Unidos para discutir a crise que a revelação da revista Veja trouxe ao Planalto. O plano apressado consiste em tentar bloquear o estrago usando Edinho Silva, tesoureiro da campanha dilmista e atual ministro de Comunicação Social da Presidência como dique. Vai ser meio difícil. O mais provável é que a enxurrada leve Edinho de roldão.

A informação de Ricardo Pessoa de que destinou R$ 7,5 milhões do dinheiro roubado da Petrobras para a campanha presidencial de Dilma em 2014, cria uma situação em que, como ex presidente do Conselho da Petrobras ela nada viu e como candidata usufruiu do produto do roubo em sua campanha eleitoral. Nada poderia ser mais patético.

Dilma continuará tentando fazer de conta que apoia investigações. Dirá que não se envolvia com o caixa de sua campanha e tudo era tratado pelo tesoureiro. Só mesmo quem acreditasse que Dilma, justamente neste assunto, teria deixado de ser a centralizadora que sempre foi. A desculpa só cola com quiser acreditar.

Ricardo Pessoa disse ter usado dinheiro roubado da Petrobrás também na campanha de Lula, em 2006.

Agora, absurdo mesmo foi a decisão da companheirada, de convocar o Ministro da Justiça para interpelá-lo acerca da atuação da Polícia Federal. Eles querem cobrar de José Eduardo Cardozo que tenha controle sobre a PF! Era só o que faltava para sucumbirmos ao bolivarianismo. 

Parece até aquela história do marido traído, que tenta resolver seu problema tirando o sofá da sala.    

Se fosse piada ainda dava para esboçar um sorriso. Mas pelo visto, parece que eles sonham mesmo em ter uma polícia para chamar de sua.   

 

Enio Meneghetti

 

 

 

Quando outubro chegar

12 de junho de 2015

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A inflação sobe 8,47% nos últimos 12 meses.

Juros ao crédito atingem absurdos 121,96% ao ano. Sem falar nos números cobrados no cartão de crédito ou cheque especial, tão impagáveis que correspondem a suicídio financeiro.

Começa a sair de controle a inadimplência. O desemprego é uma realidade. Assalariados que mantém seus empregos começam a sentir as dificuldades para pagar as tarifas de luz, gás, água, plano de saúde (vai virar luxo) e telefone, que aumentam sem parar. Prestadores de serviços começam a sentir o efeito calote. As empresas vendem menos, atrasam pagamentos, demitem e retro alimentam a crise. O Brasil afunda a olhos vistos.

Enquanto isso, o investigado Lula telefonou para o vice presidente Michel Temer para reclamar da convocação de Paulo Okamoto para depor na CPI da Petrobrás, segundo informa a Folha de São Paulo.

E não foi só isso, como nos conta Felipe Moura Brasil:

“Lula saiu do sério ontem com Luiz Sérgio, o petista que é o relator da CPI da Petrobras, logo após saber que o seu fiel escudeiro, Paulo Okamoto, fora convocado a depor na comissão. Numa palavra, foi um esporro federal”.

Como vingança, o PT  agora quer mirar em FHC, como sempre faz. Os petralhas querem saber quais são as fontes de financiamento do Instituto que leva o nome de Fernando Henrique.

Podem espernear à vontade. Difícil vai ser explicar, entre muitas coisas mais, por que a Camargo Correa  doou 3 milhões ao Instituto Lula e repassou 1,5 milhão para a empresa de palestras de Lula, a LILS Palestras,  Eventos e Publicidade.

E não é só isso que nos traz o excelente Felipe Moura Brasil, vejam:

“Felizmente a CPI (da Petrobrás)  não é o Itamarati. Dias atrás, mostrei aqui que o órgão governamental liberava dinheiro, funcionários e diplomatas para ajudar nas viagens privadas do petista, bancadas por empreiteiras atualmente enroladas com a Operação Lava Jato, embora a lei que trata dos direitos de ex-presidentes não previsse apoio diferenciado no exterior.

Hoje, O Globo mostra que o Itamaraty continua favorecendo Lula, como queríamos demonstrar, dessa vez escondendo documentos sobre o lobby do petista para a Odebrecht.

A denúncia é “estarrecedora”:

“O Ministério das Relações Exteriores deflagrou ação para evitar que documentos que envolvam Luiz Inácio Lula da Silva com a Odebrecht, empreiteira investigada na Lava Jato, venham a público.

A ordem interna partiu do diretor do Departamento de Comunicações e Documentação (DCD) do Itamaraty, ministro João Pedro Corrêa Costa, depois que o órgão que ele dirige recebeu um pedido de informações de um jornalista baseado na Lei de Acesso à Informação. O Globo obteve um memorando que ele disparou, na última terça-feira, sugerindo a colegas do Itamaraty que tornassem sigilosos documentos ‘reservados’ do ministério que citam a Odebrecht entre 2003 e 2010, que, pela lei, já deveriam estar disponíveis para consulta pública.

Pela lei, papéis ‘reservados’ perdem o sigilo em cinco anos. No ofício interno do Itamaraty, o diplomata cogita a reclassificação dos documentos como ‘secretos’, o que aumentaria para 15 anos o prazo para divulgação. Dessa forma, as informações continuariam sigilosas por até dez anos”.

 

E dona Dilma faz de conta que não é com ela. Admite, fazendo graça, que a “marolinha” de Lula chegou. Mas o fato é que seu governo está completamente perdido.

Repito mais uma vez um palpite: outubro. Esse será um mês para não esquecer.

Aguardemos.

Enio Meneghetti

A bruxa continua solta

3 de junho de 2015

a bruxa continua solta

Não foi mau para o governo o surgimento do escândalo da FIFA. Ele ajuda muito a desviar a atenção sobre outros escândalos mais graves.

Muito mais do que eventuais desvios realizados por autoridades esportivas, afetam muito mais aos brasileiros os escândalos diários sobre desvios ocorridos nas obras de estatais e do próprio governo.

É claro, sem deixar de lado o fato de que, coincidentemente, as mega obras de construção de estádios inúteis como o de Manaus e outros foram realizadas pelas mesmas empreiteiras que atualmente monopolizam o noticiário. Isso é bem mais importante do que conhecer as peripécias dos cartolas do futebol.

Enquanto o assunto FIFA desviava a atenção, uma das revelações do final de semana que passou veio em reportagem de  “O Estado de S.Paulo”. O fato de que os investigadores da força tarefa da operação Lava Jato encontraram indícios de desvios de dinheiro na construção do Estaleiro Rio Grande, aqui pertinho, iniciada em 2006, e nos contratos fechados para produção de cascos de plataformas e sondas de exploração de petróleo, a partir de 2010. A WTorre construiu o Estaleiro, mas  em 2010, vendeu seus direitos no negócio para a Engevix.


Estão sendo investigados pagamentos da WTorre e Engevix às empresas de consultorias de quem? 
Antonio Palocci e José Dirceu.  


Palocci  alega que os pagamentos da W Torre à sua empresa, a Projeto Consultoria, foram referentes a quatro palestras aos diretores da empresa, cada uma por R$ 20 mil. A empreiteira apresentou 18 notas fiscais, num total de R$ 350 mil, emitidas pela Projeto, em 2007, 2008, 2009 e 2010.

A JD Assessoria e Consultoria, de José Dirceu recebeu R$ 2,6 milhões da Engevix, entre 2008 e 2012 – parte diretamente e outra parte por meio da Jamp Engenheiros Associados, do lobista Milton Pascowitch.

Às partes citadas, é claro, negaram que os contratos de consultorias prestados tiveram qualquer  relação ou possibilidade de pagamento de propina.

Agora, o que preocupa mesmo o Planalto é a questão sigilo das operações de crédito do BNDES. A pressão para que seja aberta uma CPI do BNDES é e tem de ser, cada vez maior. É assunto muito mais do que arrasa-quarteirão.

A questão é: por que o governo se esforça tanto em esconder os detalhes dos investimentos financiados pelo BNDES com nosso dinheiro em Cuba, Angola e outros países?

“Estes segredos cheiram mal”, chegou a declarar o deputado Onyx Lorenzoni.

Por que esta insistência governamental em descumprir o artigo 49/1 da Constituição Federal, que diz claramente:

“É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;

 

Mais claro que isso, impossível. Mas o governo além de descumprir este dispositivo legal, ainda se dá ao requinte de sonegar as informações ao público. Por que?

Isso ainda vai render muito.

Enio Meneghetti

 

Virá a gangrena?

20 de maio de 2015

virá a gangrena

Soa estranho ver os festejos pela vinda dos líderes do governo chinês dispostos a investir 50 bilhões de dólares em obras de infraestrutura e logística no Brasil, depois de termos esbanjado dinheiro via BNDES financiando as mesmas coisas em países aliados do governo petista.  Surreal!

Mas antes disso, líderes do governo saíram da reunião do último domingo falando abertamente em aumento de impostos federais por decreto.

 

Ajuste fiscal ou aumento de imposto? Claro que o governo não quer arcar com aumento imposto, porque pega mal. Mas como o Congresso não parece disposto a assumir o ônus pelo descalabro criado pelo governo, não restará outra saída para Dilma do que aumentar impostos e suportar mais críticas.

Para fazer previsões poderemos nos basear pelas mudanças na previdência social aprovadas na Câmara, que deverão passar no Senado. Dilma terá de vetar e corre o risco de ter seu veto derrubado. Quem viver, verá.  

Então, depois de terceirizar a Economia para seu ministro da Fazenda, Dilma faz os cortes e aponta os congressistas como culpados. Aposta no conflito, como se a culpa por ter torrado o dinheiro que havia no Brasil não fosse dela e de Lula.

 

Já ele, Lula, vive um momento delicadíssimo. Sabe que corre o risco de ter problemas judiciais e sua máquina age para acuar adversários e tentar impedir que seja alvo de denúncias. Mas posa de crítico do modelo dilmista, que é total responsabilidade (ou irresponsabilidade?) dele, para surgir como candidato em 2018.

 

Dilma arca com o desgaste e Lula fica descolado dela. Tudo ensaiadinho. Mas Lula não é mais o mito de tempos atrás. Ainda é rico, poderoso e esperto. Tem influência política. Tentar se livrar dando a entender que “no meu governo, era melhor”? Vamos ver se dará certo.  Acho que não cola mais.  

 

Analogicamente, o país é hoje um corpo tomado pela infecção.

Um exemplo é a educação. Além dos calotes nos estudantes reféns do Fies, no governo que tem como slogan a “Pátria Educadora”, as universidades públicas penam sem dinheiro para funcionar direito e os professores preparam uma greve por melhores salários, marcada para começar no dia 28.

Nas embaixadas brasileiras mundo afora, há contas atrasadas. Os pagamentos do governo às empreiteiras do  “minha casa minha vida” não está sendo feitos. A Petrobrás já admite que não terá dinheiro para arcar com sua parcela mínima de 30% nos contratos do pré sal. Carros encalhados nos pátios das montadoras. Mudanças nas regras dos financiamentos habitacionais afetam gravemente o mercado imobiliário, devendo ser sentidas na queda dos preços dos imóveis em seguida. Tudo isso traz mais desemprego, que alimenta a inadimplência, aumenta ainda mais a  recessão que já está aí. 

Para piorar tudo, inflação.

Não é preciso bola de cristal para adivinhar que a situação ruim irá piorar ainda mais.  

A infecção poderá virar gangrena.

Outubro. Aposto que será o mês em que bateremos no fundo do poço.  Vamos ver.

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inadimplência

 

DILMA ESTÁ NAS CORDAS

29 de abril de 2015

panelaço

 

Depois de terceirizar o governo para Joaquim Levy e Michel Temer, dona Dilma dá sinais que abrirá mão do pronunciamento televisivo pelo dia do trabalho.

Se não for manobra para pegar a todos de surpresa, ela demonstra cabalmente que está nas cordas ao desistir de fazer o blá-blá-blá anual.

Ser acuada pela população por medo de vaias e panelaços é o fim da várzea para um governante. O segundo mandato de Dilma acabou sem sequer ter começado.

Desde sempre, será a primeira vez que o PT abrirá mão de fazer a demagogia anual com os trabalhadores.

Qualquer um que avalie minimamente a personalidade da madama, sabe a dureza que deve ter sido para ela, “terceirizar” o governo. Vai ser interessante assistir quanto tempo ela aguentará ver o país ser dirigido por Levy e Temer. Não é preciso bola de cristal para prever uma explosão temperamental para breve.

Quem leu os post antigos aqui mesmo neste blog, sabe que faz tempo que comentamos a vaca já foi para o brejo há muito tempo. Era só uma questão de acabar o dinheiro para o caldo entornar.

Um dos muitos sintomas é a modificação do percentual de financiamento de imóveis usados pela CEF. Agora serão necessários 50% de entrada para financiar os 50 % restantes. O mercado vai parar. Finalmente saberemos se havia ou não bolha imobiliária.

Muito mais do que transparecer falta de dinheiro para financiamentos, a medida indica elevada inadimplência. E se os preços vão cair, o valor dos imóveis retomados por falta de pagamento sequer serão suficientes para cobrir o saldo devedor dos contratos firmados com o preço dos imóveis nas alturas.

A medida, que atinge somente os imóveis usados, também busca desovar o estoque de imóveis encalhados dos lançamentos. Só que, como muitos negócios são fechados com o imóvel “velho” de entrada, a medida pode não ser suficiente.

Não adianta dourar a pílula. Virá coisa muito pior pela frente. A recessão nem começou. Quem sobreviver até setembro ou outubro, saberá do que estamos falando.

Lula (o pai da “marolinha”), Dilma e o PT destruíram a economia brasileira. Não foi por falta de aviso.

Só está surpreso quem quer.

Spa de segurança máxima

29 de abril de 2015

 

Spa de seg maxima

A Petrobras divulgou semana passada seu aguardado balanço.

A contabilidade da corrupção havia sido avaliada na gestão de Graça Foster em R$ 88,6 bilhões. Na ocasião, gerou um chilique e uma queda.

O balanço agora divulgado avaliou as perdas “fruto dos desvios apontados na Operação Lava Jato”em R$ 6 bilhões 194 milhões.

Mesmo sendo o balanço avalizado pela PriceWaterhouseCoopers, há quem sustente que o valor referente às perdas por corrupção foi subavaliado. Não teria levado em conta o superfaturamento nos aditivos aos contratos, que extrapolam o limite legal de 25%.

Mas, como tudo tem um lado positivo, agora, com a oficialização da perda via balanço, as providências legais contra os causadores do enorme prejuízo podem andar.

Diretores e conselheiros respondem por ação ou omissão. Segundo o Art. 23 do Estatuto Social da Petrobras os membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva respondem, nos termos do art. 158, da Lei nº 6.404, de 1976, individual e solidariamente, pelos atos que praticarem e pelos prejuízos que deles decorram.

O Art. 28 do Estatuto Social define competências ao Conselho: fiscalizar a gestão dos Diretores; avaliar resultados de desempenho; aprovar a transferência da titularidade de ativos da Companhia, inclusive contratos de concessão e autorizações para refino de petróleo, processamento de gás natural, transporte, importação e exportação de petróleo, seus derivados e gás natural. O Art. 29 determina: compete “privativamente” ao Conselho de Administração deliberar sobre as participações em sociedades controladas ou coligadas. Só a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, gerou perdas de R$ 9,143 bilhões. Sem falar em Pasadena. Fiscalizaram o que?

Nos Estados Unidos já correm algumas ações contra a Petrobrás, cobrando ressarcimentos por prejuízos bilionários pela manipulação no no valor das ações comercializadas na Bolsa de Nova York. A probabilidade de responsabilização das diretorias e membros do Conselho, inclusive Dilma, é elevada. Por aqui não se sabe ainda. Com a palavra o MP.

                                                                   – O –

Por muito pouco não passou batido, apenas O Globo publicou nota à respeito.

Foi comunicado em correspondência ao juiz Sérgio Moro o encerramento das atividades da JD Assessoria e Consultoria Ltda, de propriedade do ex ministro da Casa Civil José Dirceu e de seu irmão Luiz Eduardo de Oliveira e Silva.

Não foram explicadas as razões para o o fechamento da próspera empresa.

Espera-se que seu titular goze de merecida aposentadoria em algum Spa de segurança máxima.

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“UM PARTIDO PARA TEMPOS DE GUERRA”

22 de abril de 2015

Um partido para tempos de guerra

Quem acha que estamos longe de um processo de  “venezualização”, não pode deixar de conhecer o documento intitulado  “Caderno de Teses para o Quinto Congresso Nacional do PT”.

O Congresso está marcado para 11 a 13 de junho, em Salvador.

 

A primeira “tese” da publicação dá o tom:  Um Partido para Tempos de Guerra e vai ao ponto: “O Partido que temos não está à altura dos tempos em que vivemos. Das direções até as bases, é preciso realizar transformações profundas. Precisamos de um partido para tempos de guerra”.

Alguns dos objetivos: “Ocupar as ruas, construir uma Frente Democrática e Popular, mudar a estratégia do Partido e a linha do governo. O PT está diante da maior crise de sua história. Ou mudamos a política do Partido e a política do governo Dilma  ou corremos o risco de sofrer uma derrota profunda, que afetará não apenas o PT, mas o conjunto da esquerda política e social, brasileira e latinoamericana”.

O documento propõe a constituição de  “uma frente popular em defesa da democracia e das reformas “ cujo programa deve conter “a revogação das medidas de ajuste recessivo; O combate à corrupção” (?); a reforma tributária com destaque para o imposto sobre grandes fortunas; a defesa da Petrobrás (?) .

 

 Seguem nos devaneios: “A Frente Democrática e Popular é essencial para derrotar o golpismo e libertar o governo da chantagem peemedebista.”.

Vão além: “Se queremos melhorar a vida do povo, se queremos ampliar a democracia, se queremos afirmar a soberania nacional, se queremos integrar a América Latina, (…) é preciso realizar reformas estruturais no Brasil, que permitam à classe trabalhadora controlar as principais alavancas da economia e da política nacional. Para isto, precisamos (…) dividir e neutralizar a burguesia, isolando e derrotando o grande capital transnacional financeiro”.

“A oposição de direita controla parte importante do Judiciário, (?) do Parlamento e do Executivo, em seus diferentes níveis. Agora está trabalhando intensamente para também controlar as ruas, utilizando para isto sua militância mais conservadora, convocada pelos meios de comunicação, mobilizada com recursos empresariais e orientada pelas técnicas golpistas das chamadas “revoluções coloridas”. Caso a direita ganhe a batalha de ocupação das ruas, não haverá espaço nem tempo para uma contraofensiva por parte da esquerda”.

“É possível derrotar momentaneamente a direita, até mesmo sem a ajuda do governo. Mas é impossível impor uma derrota estratégica à direita, se a ação do governo dividir a esquerda e alimentar a direita. Por isto, o 5º Congresso do PT deve dizer ao governo: que os ricos paguem a conta do ajuste, que as forças democrático-populares ocupem o lugar que lhes cabe no ministério, que a presidenta assuma protagonismo na luta contra a direita, contra o “PIG” e contra a especulação financeira”.

“A mobilização da direita visa criminalizar não só o PT e o conjunto dos partidos de esquerda, mas também a classe trabalhadora nas suas mais diversas expressões, organizações e movimentos: os sem-terras, os sem-tetos, os sindicatos combativos, os grupos e entidades populares etc. Não pode ser outra a leitura do ódio presente nos atos do dia 15 de março”.

 

(…) “ o PT defende tolerância zero com a facção golpista da direita”.

 

 

“Faz-se necessário implementar uma política de comunicação do campo democrático e popular, iniciando pela construção de uma agência de notícias, articulada a mídias digitais, que sirva de retaguarda e de instrumento(…) articulada à produção de um jornal diário de massas, (…)  orientada por valores democrático-populares e socialistas, combatendo a crescente ofensiva conservadora (…)”.

 

” (…)  Que recoloque o socialismo como objetivo estratégico. Que constate que o grande capital é nosso inimigo estratégico. Que não acredite nos partidos de centro-direita como aliados. Que seja baseada na articulação entre luta social, luta institucional, luta cultural e organização partidária. (…)”.

 

“Convencer a nós mesmos, ao PT, de que precisamos sair da situação atual, em que buscamos melhorar as condições de vida do povo nos marcos do capitalismo, para uma nova situação, em que melhoraremos as condições de vida do povo através de reformas estruturais democrático-populares e de medidas de tipo socialista. Só retomaremos a condição de partido hegemônico no governo, se nos dispusermos a conquistar/construir as condições para sermos partido hegemônico no poder de Estado”.

Enfim, quem quiser ler as 165 páginas de ameaças, pode acessá-las no endereço eletrônico http://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2015/04/TESES5CONGRESSOPTFINAL.pdf

CADERNO TESES PT

Não é uma leitura agradável, mas é essencial conhecer a íntegra do absurdo.

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“O Brasil precisa de um partido de centro-direita” – Em entrevista ao site de VEJA, gaúcho Onyx Lorenzoni defende o fortalecimento do DEM e ataca negociações para fusão com o PTB. Sobre a presidente, é claro: ‘No momento em que a Elba aparecer, o impeachment vem’

18 de abril de 2015

Entrevista de Onyx lorenzoni ao site de VEJA – Por: Gabriel Castro, de Brasília18/04/2015

onyx veja

Deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS): voz pela reafirmação do partido(Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Ao lado do senador Ronaldo Caiado, o deputado federal Onyx Lorenzoni é a principal voz do DEM contra os planos de fusão do partido com o PTB. O parlamentar gaúcho, que está no quarto mandato na Câmara, defende que a sigla adote bandeiras mais claras de centro-direita e discuta uma fusão com partidos menores para criar um grande partido oposicionista depois das eleições de 2016. Já a união com o PTB é inadmissível, diz ele, por causa das divergências ideológicase políticas. Em entrevista ao site de VEJA, o deputado critica a direção do partido por seu pragmatismo “às raias do absurdo” e afirma que os políticos brasileiros ainda estão com a cabeça no século passado.

Por que, na visão do senhor, a fusão do DEM com o PTB é inaceitável? Primeiro porque o trabalhismo tem um conteúdo doutrinário completamente diferente quer da inspiração inicial do PFL, que era um membro da Internacional Liberal, quer do DEM, que é filiado à Internacional da Democracia de Centro. Nossos similares são o PP espanhol, a CDU alemã e o Partido Conservador britânico. Os partidos trabalhistas do mundo todo estão ligados à Internacional Socialista, porque de uma certa forma o trabalhismo é uma variante do socialismo. A gente não pode misturar coisas tão diversas. A própria bancada do PTB fez um documento dizendo que não quer tratar de fusão agora. Desde que o PT chegou ao poder, o DEM tomou a decisão de ir para a oposição, ao contrário do PTB. Não tem como fazer algo que não é racional, não se sustenta no argumento político dos conteúdos programáticos e doutrinários e ainda passaria à sociedade a mensagem de que o DEM traiu seus eleitores. As pessoas que estão liderando esse movimento estão num pragmatismo político-eleitoral que só se cria no Brasil. Talvez a sociedade brasileira de dez ou vinte anos atrás pudesse aceitar com mais naturalidade essa mistura de – como se diz na minha terra – cavalo com cobra d’água, que é PTB e DEM. Mas hoje em dia, com a sociedade nas ruas desde 2013 exigindo outro tipo de participação política, as pessoas não têm como aceitar. Com o advento das redes sociais, os eleitores são muito mais informados e críticos. Eles querem que você seja coerente, seja leal e que traia o compromisso que assumiu. O cidadão da era digital aceita a representação desde que ela seja coerente, leal a ele e desde que o representante dê razões para que o cidadão se sinta verdadeiramente representado. O que falta hoje no processo político brasileiro é clareza.

O senhor acha que os dirigentes levam isso em consideração? Lamentavelmente, digo que há um pragmatismo às raias do absurdo. E isso é o ontem da política. O Gaspar Silveira Martins, que foi um líder importante no Rio Grande do Sul, cunhou uma frase muito famosa no meu Estado: ideias não são metais que se fundem. Hoje, pelos movimentos populares, talvez seja o melhor momento nos doze anos do DEM, que passou por tantas coisas complicadas. Nós nos desfizemos da capa de fisiológicos, aprendemos a fazer oposição, nos transformamos na oposição mais dura ao petismo, iniciamos a derrota mais dura que Lula sofreu em seus oito anos, que foi o fim da CPMF. Depois enfrentamos aquela maluquice que o Gilberto Kassab fez com a gente em conluio com o Palácio do Planalto e quase nos destruiu no pós-2010. Perdemos dezessete deputados federais. Sobrevivemos a tudo isso e agora era o momento de sermos reconhecidos pela população que se mobilizou. O PSDB é visto por eles como uma oposição ma non troppo, nem tão vigorosa. E toda essa massa de eleitores olha para a gente com imenso respeito e carinho e quer se identificar com a gente. Então, no momento em que nós temos que realçar as nossas características, vamos jogar na lata do lixo toda a credibilidade conquistada a duras penas nesses doze anos para fazer uma incorporação ao PTB que ninguém vai entender? Como a sociedade vai entender uma coisa essa? Nós vamos dar razão para o Lula? E isso vai ser feito pela mão dos nossos principais dirigentes?. É um momento muito doloroso para a gente. Isso causa uma indignação que o senador Ronaldo Caiado, eu e muitos líderes estamos expondo ao abrir esse debate público. Vamos continuar tentando demover o presidente do partido e o prefeito de Salvador de conduzir o partido à destruição.

A ideia da fusão partiu do prefeito ACM Neto? Essa construção passa fundamentalmente pelo comando do ACM Neto e pelo presidente José Agripino, que por alguma razão se convenceu de que esse era um bom caminho. É um pragmatismo que me entristece. Isso passa também pelo ex-prefeito César Maia, porque a origem dele foi o PTB. Mas há uma desconexão muito forte do momento político que nós vivemos no Brasil. Temos a honra de ter mais de 1 milhão de filiados, que o partido herdou do trabalho bonito que o PFL fez. Hoje muita gente fala em democracia, bate no peito mas a democracia deve muito aos líderes que fizeram o PFL. A Frente Liberal foi a travessia segura para sair daquele período de trevas. Se dependesse do PT não haveria nada disso. A presidente Dilma não lutou para fazer uma democracia, ela lutou para ter um regime comunista. É diferente. As pessoas têm um problema conveniente de memória conveniente. Mas eu mantenho minha posição. O petismo para mim é uma doença que fez muito mal ao Brasil e o Brasil precisa ser curado dessa doença para não ser destruído.

Os casos de corrupção do DEM não ajudaram a desgastar a imagem do partido? Não. Vou dizer com toda a franqueza e sinceridade: eu participei dos episódios de expurgo do Arruda (José Roberto, ex-governador do DF) e do Demóstenes (Torres, ex-senador, cassado após a descoberta de seus laços com o contraventor Carlinhos Cachoeira). Diante da sociedade o DEM é o único partido brasileiro que não transigiu com seus corruptos. Ninguém pode impedir que um filho se drogue, que um irmão seja corrupto. O importante é como uma família, uma igreja, um clube ou um partido político lidam com isso. O DEM deu um recado claro: aqui não é lugar de gente assim. Todo mundo protege: “Vamos esperar a investigação, espera lá”. O PT faz festa, faz vaquinha para pagar multa. A gente toma uma decisão. É diferente.

Mas o presidente José Agripino é investigado no STF por corrupção. O presidente está sob observação. Houve um pedido de investigação. E esse episódio tem no mínimo um fato curioso. Há três anos essa denúncia foi feita, a Procuradoria-Geral da República abriu uma investigação e ela foi arquivada por ausência absoluta de qualquer comprovação. A pessoa que denunciou foi num cartório, assinou que nada envolvia o senador. Surpreendentemente, ele, agora envolvido em outras falcatruas, faz uma delação premiada e imputa tudo aquilo que há três anos negou. O senador Agripino, por tudo que a gente conhece é um homem de bem e merece o benefício da dúvida. Nós estamos de acompanhando os desdobramentos atentamente. E achamos que vai acontecer de novo o arquivamento. Mas, evidentemente, se a denúncia for acolhida e for autorizado o processo o senador vai ter de compreender que terá de se afastar da presidência do DEM. Isso é óbvio.

O senhor tem um plano para salvar o partido? Não é plano de salvação. Nós vamos votar uma reforma política teoricamente segundo o planejamento até o final desse semestre. Eu fiz essa proposta na Executiva: que o partido arquivasse qualquer coisa de fusão agora, nós reabríssemos esse debate com o horizonte mais aberto em novembro de 2016, depois da eleição municipal. Aí nós vamos conhecer qual vai ser a nova estruturação dos municípios brasileiros. E então fará sentido tentar, pelo menos no nosso campo político, a organização de um partido de centro-direita com bandeiras claras. Nem nós temos essas bandeiras claras hoje. Alguns de nós temos, mas a instituição do partido não tem e precisa ter.

No plano do senhor, isso passaria por fusões com partidos menores. O DEM teria de ser o núcleo desse novo partido? O DEM seria o eixo doutrinário e programático, justamente por estar na Internacional da Democracia de Centro, para trazer para o Brasil todo esse acúmulo de ideias que deram tão certo na Espanha, na Alemanha e na Inglaterra. A política é um pêndulo, vai para o lado esquerdo, depois volta para o direito ciclicamente. No Brasil e na América Latina, a política, por uma série de razões, foi para o lado esquerdo da década de 1990 para cá. Mas os resultados são muito ruins.Venezuela, Bolívia, Argentina, Brasil… A eleição do ano passado é o ponto onde a volta começa a acontecer. Não havia nenhum candidato de centro-direita no Brasil, competitivo e com programa claro. Havia candidatos de centro para a esquerda. É por isso que eu digo: o Brasil carece de um partido de centro-direita claro e forte que possa reunir princípios que a centro-direita pratica no mundo todo. Eu acredito que um candidato à Presidência nascido daí seria muito competitivo para um cenário em que o Brasil busca outras respostas que a esquerda nem o centro podem dar.

Mas não parecem existir muitos partidos com um perfil adequado a se fundir com o DEM. Qual seria o critério? Teria de haver um fato comum: todos serem partidos de oposição ou que queiram migrar para a oposição. Na minha opinião haveria muitas migrações para o novo partido, mesmo de gente que correria o risco de perder o mandato. Falta ao Brasil reequilibrar as forças políticas. Por exemplo: o governo da presidente Dilma coloca o Joaquim Levy para tocar a economia e qual é a receita do Levy?É transferir é a mais simplista possível. Transfere para o cidadão pagar a conta. Está bem, cara pálida, mas um governo que se dá ao luxo de gastar quase 400 bilhões de reais por ano para manter sua máquina não vai dar sua cota de sacrifício? Por que o cidadão que já está sugado ao extremo tem de contribuir com esses 70 bilhões de reais para o ajuste fiscal?. Por que não cortar um quarto da estrutura que hoje serve a administração federal? Aí já se juntam mais de 70 bilhões de reais.

Não faltam ao DEM algumas bandeiras mais claras no campo dos valores? Um partido político tem de ter bandeiras claras. Eu luto internamente há no mínimo dez anos para que nós tenhamos outras bandeiras que não apenas a redução dos impostos. Acho que tem de haver outras. Por exemplo: a priorização da educação infantil e o direito à legítima defesa. O partido nunca teve coragem de apoiar isso, enquanto a sociedade brasileira acredita nesse direito. Na época do referendo, o PSDB ficou no muro. O DEM poderia ter a coragem que meia-dúzia de nós tivemos: defender a manutenção do direito. Fomos consagrados com uma vitória de 64% nas urnas. Também posso citar a independência do Banco Central, que é um valor importante. E a mudança no pacto federativo. Defendo a década federativa, que é a tese de em dez anos transferir 5% da receita da União para os municípios brasileiros. Isso muda o país.

Mas não dá voto. Como não dá voto? Se você dialogar com a sociedade, fizer fóruns, se levar isso para os vereadores e prefeitos, tem um exército a seu favor. Mas precisa assumir isso publicamente e ser competente na comunicação. As bandeiras estão aí. Acontece que, por conta do oportunismo ou do pragmatismo político, os partidos no Brasil nunca se identificaram com isso. Talvez por temer a população.

Há duas causas que têm um apoio massivo do eleitorado e que se encaixariam ideologicamente no perfil do DEM: a oposição à descriminalização do aborto e a redução da maioridade penal. Por que o partido não abraça essas bandeiras, já que teria pouco a perder e um grande ganho potencial? Eu não tenho dúvida de que, no atual cenário político-partidário brasileiro, as cúpulas partidárias têm receios de comprometimento. Têm medo. O que impera não é a sintonia com a doutrina, é o resultado eleitoral imediato. E não se aposta num processo de transformação do país, aposta na sobrevivência do próprio grupo. Quando a gente defende que o DEM precisa ter um caminho desse, estamos falando de outro Brasil. É o país que está emergindo dos 100% de escolaridade e do uso da tecnologia. Na próxima década, a mudança de perfil do eleitorado brasileiro vai ser radical. Lamentavelmente os líderes do meu partido não estão enxergando . Eles estão no século 21 imaginando que vão crescer politicamente com o mesmo conceito do século XX. Essa coisa da matemática partidário-eleitoral. Isso não é o futuro. Isso é o passado. Um grande problema é que o Congresso brasileiro ainda funciona com essa cabeça do século passado, e por consequência do comandos partidários que acham que todo se resolve em cima da mesa. Inclusive o DEM e o PTB, sem dúvida nenhuma.

A oposição está pronta para não cometer o erro que a maior parte dos senhores admite ter cometido na época do mensalão ao não levar adiante um processo de impeachment? Se nós conseguirmos a conexão política que mobilize as ruas, o grupo político do qual eu faço parte não temerá o que não devia ter temido em 2005. O impeachment de um presidente é uma previsão constitucional para momentos como os que nos estamos vivendo. O governo da presidente Dilma acabou sem começar, e ela não dispõe mais nem de confiança nem de credibilidade. Hoje quem está mandando no Brasil não é nem o PT nem a Dilma, é a trinca peemedebista: Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha. E seguramente eles não simbolizam o futuro do Brasil. Eles simbolizam o ontem do Brasil, que não interessa a ninguém. Juridicamente já existem os elementos. Não tem é o fato político que desencadeie uma mobilização popular capaz de dar respaldo ao julgamento político da Câmara e do Senado.

Mas isso não é agir como no mensalão e esperar para ir a reboque da população? Não é esperar. Lá em 2005 nós tínhamos elementos. O que não tivemos foi uma unidade na oposição. Agora não vamos titubear. Em 2015, se surgir, nós vamos pedir o impeachment. A conexão da Dilma, objetivamente, com o episódio do petrolão e que pode desembocar na eleição dela. Porque a CGU escondeu da população as informações que recebeu da SBM antes das eleições?

O que já existe juridicamente para o impeachment, na visão do senhor? Pasadena. Eu acho que na compra de Pasadena a Dilma é absolutamente responsável por ação ou omissão. Ela se enquadra perfeitamente no crime de responsabilidade. Não só eu. O próprio Ives Gandra Martins e o professor de direito constitucional da USP Modesto Carvalhosa concordam com isso. O episódio de Pasadena tem todos os argumentos jurídicos. O problema é que nós não temos conexão política. Falta a Elba. Se acharmos a Elba, não tenho medo de impeachment.

Ou seja: é preciso comprovar que a presidente obteve uma vantagem do esquema? É isso. Que ela sabia, a dúvida é zero. Nós precisamos achar o fato que prova isso. Não sei na campanha eleitoral, pode ser a qualquer momento. No momento em que a Elba aparecer, o impeachment vem. E seria muito bom para o Brasil.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/o-brasil-precisa-de-um-partido-de-centro-direita

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