Archive for the ‘Governo Municipal’ Category

É PROIBIDO PROIBIR

3 de dezembro de 2015

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Esta frase do título esteve em voga nos anos setenta.

A semana passada marcou uma mobilização majoritária da sociedade em favor do UBER através das redes sociais.

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou uma lei – ao que tudo indica inconstitucional –  para regulamentar o serviço do aplicativo UBER.

Segundo entendimentos como o da Ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi,  “não cabe aos municípios ou estados legislar se o UBER pode ou não funcionar”. Segundo ela, o “UBER faz apenas intermediação do contrato de transportes”. Destacou que o Código Civil prevê esse tipo de contrato e “a proibição de aplicativos de intermediação de transporte não pode ser pautada por pressão política de categorias, mas sim pelo interesse dos consumidores.

O prefeito afirmou que O Uber mostrou a sua prepotência, seu autoritarismo. Achou que Porto Alegre era terra de ninguém. Não é. Aqui tem prefeito, tem Câmara de Vereadores e tem leis”.

A EPTC avisou que pediria carros pelo aplicativo para multar motoristas e apreender veículos em flagrante.

O Código de Processo Penal explica que Flagrante Preparado  é aquele onde a autoridade instiga ou de alguma forma auxilia a prática de um crime. Sabendo que a conduta delituosa irá ocorrer, apenas aguarda a possível pratica, configurando o flagrante. São inúmeros os debates sobre a legalidade desses tipos de flagrante. A súmula 145 do STF dispõe que não há crime nesses casos.   

A analogia poderia ser usada em defesa dos motoristas parceiros do UBER que caiam em uma cilada. A autuação pode ser tranquilamente contestada.

O UBER é uma empresa de tecnologia. Criou um aplicativo que intermedia serviços de transporte entre usuário e prestador. Se você negociar com vizinhos de prédio transporte remunerado utilizando seu automóvel, estará prestando o mesmo serviço que os colaboradores/motoristas do UBER. A diferença é o uso do aplicativo. Se abrir uma loja virtual para vender tênis, a prefeitura irá regulamentá-la? Se você contrata uma diarista para fazer a limpeza de seu apartamento, está realizando um contrato entre duas partes. Como o de transporte. Aliás, o UBER, ou você leitor, poderia criar um aplicativo para isso.

Os usuários avaliam do serviço via aplicativo, a única forma de contato. Se o serviço não for de acordo, o motorista é excluído. Os pagamentos são eletrônicos, não circula papel moeda.  

Claro que a fiscalização deve acontecer. Quem já teve o dissabor de envolver-se em algum incidente de trânsito com um taxista, já viu surgir de pronto um enxame à postos para a intimidação ou o confronto físico. Como ocorre também com moto-boys. Isso deveria ser fiscalizado. A forma de dirigir dos profissionais do volante também. Nos lotações, cada freada ou troca de marchas produz um coice digno de um campeonato de derrubar senhoras. E principalmente, prestador de serviço que discutir, xingar ou brigar no trânsito, deveria ser excluído. Façam o banimento dos maus profissionais dados à violência, como esses criminosos agressores que quase mataram uma pessoa cujo pecado foi tentar ganhar seu sustento sem prejudicar ninguém.

Enio Meneghetti

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Conheça a verdade oculta no “pacote Anticorrupção” de Dilma: “uma farsa”, diz jurista

26 de março de 2015

Felizmente a mobilização contra o golpe jurídico e institucional de Dilma Rousseff com o tal “Pacote Anticorrupção” começou.
Uma dentre várias manifestações foi do presidente da Associação de Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Antônio César Bochenek, afirmou que os acordos de leniência não podem comprometer um trabalho que vem sendo executado adequadamente pela Justiça Federal do Paraná.
– O juiz Sérgio Moro está fazendo um trabalho fantástico, que tem sido confirmado não apenas pelos desembargadores do TRF, como também pelos ministros do STJ e do STF, que tem avalizado as decisões dele.
Um dos líderes da mobilização contra o pacote é o advogado Modesto Carvalhosa, de 82 anos, que recentemente lançou o livro “Considerações sobre a Lei Anticorrupção das Pessoas Jurídicas”.
Carvalhosa denuncia como “uma farsa” a regulamentação proposta por Dilma à Lei 12.846, de 1o de Agosto de 2013.
Diversas associações de juízes e procuradores também já se manifestaram colocando em dúvida o pacote de Dilma.

As críticas às medidas foram feitas em debate sobre corrupção no Tribunal de Contas da União, vieram de vídeo produzido da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) e de Gilson Dipp, ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça.

(clique no título do artigo para acessar o vídeo)

No vídeo da Ajufe, entrevistados colocaram em dúvida as consequências dos acordos para os processos judiciais e criticaram a possibilidade de eles serem firmados apenas pela CGU – cujo chefe, Valdir Simão, estava na plateia.

A não participação de procuradores e juízes nesses acordos tem gerado críticas no contexto da Lava Jato, segundo as quais a o governo, por meio da AGU, acabaria beneficiando as empresas, para não parar obras públicas, e assim alimentaria a impunidade.

O presidente da ANPR, Alexandre Camanho corroborou parte das críticas. Segundo ele, a regulamentação da lei não pode ser pautada pelo “casuísmo” e pensada apenas sob a perspectiva da Lava Jato.

– Como é que acordos são firmados pela CGU à inteira revelia de outras autoridades?, indaga, sobre o que diz a regulamentação proposta pelo governo.

– Essa exclusividade do Executivo  fará com que as empresas tenham medo de ser achacadas.

– Se nós pensarmos que acordos podem ser firmados nos âmbitos estaduais e municipais e com as controladorias dessas esferas, o motivo passa a ser de pânico, e com certeza quem está em pânico é a iniciativa privada no Brasil.

– O MPF quer mecanismos para ter certeza que esses acordos não gerarão impunidade.

Camanho também teme que os acordos possam fazer com que as investigações penais sejam prejudicadas – os réus optariam por ceder informações à CGU, não ao MPF.

Em entrevista ao jornal O Globo, o jurista Modesto Carvalhosa classificou a medida como uma “farsa” e  adverte para seus perigos:

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“A regulamentação pode se tornar uma fonte de corrupção brutal. Porque os ministros podem dizer para os executivos das empreiteiras:

– Não, meu amigo, quero o meu também. Vocês já deram dinheiro para partidos, deputados, quero minha parte para absolver vocês.”

O jurista acrescenta:

– A Lei Anticorrupção é autoaplicativa, não precisava de regulamentação. Além disso, um decreto do Executivo não pode modificar a lei que ele regulamenta. Isso tudo é para adiar a aplicação da lei. Essa regulamentação tem que ser anulada pelo Ministério Público.

Carvalhosa adverte que a regulamentação proposta por Dilma deforma completamente e destrói a Lei Anticorrupção:
– Diz que só pode haver multa de até 5% do faturamento da empresa processada. Antes era 20%. Depois, cria uma instância de reconsideração, que é comandada pelo próprio ministro. Outra fonte de corrupção. Ademais, cria uma investigação preliminar sigilosa. Essa investigação pode decretar que a empreiteira não é culpada, não instaurar processo. Pode surgir decisão de arquivar a investigação, impedindo que o processo administrativo siga adiante.
Segue o jurista:
– A regulamentação fala que a competência de instaurar processos administrativos contra as empresas é de ministros, e não da Controladoria Geral da União (CGU). Acredito que o processo administrativo tem que ser feito por um ente público de corregedoria, ligado ao Estado, e não ao governo. Como pode colocar um político para julgar empreiteiras? Um ministro, que foi indicado por um partido que recebeu dinheiro da corrupção na Petrobras por meio de empreiteiras, vai julgar essas empresas? Como é que pode isso? Esse é um princípio universal da administração pública: nenhuma pessoa política pode fazer processo administrativo. Para isso existe a CGU”.
– Para acabar com corrupção tem que quebrar a interlocução direta entre fornecedores e o governo. E isso deve ser feito através de um instrumento chamado performance bond (seguro de desempenho). Uma seguradora garante qualidade, prazo e preço do projeto. Então, para não pagar um seguro monumental, ela toma conta da obra. Desde 1887, isso é utilizado nos Estados Unidos. Qualquer país civilizado no mundo temperformance bond.
– E adivinha quem é o maior conhecedor desse processo no Brasil? A Petrobras. Eles têm vários contratos de performance bond quando interessa (à empresa)“.

Venezualização?

5 de fevereiro de 2014

Embora possa parecer um problema restrito a Porto Alegre, é bastante sintomático o que se viu até agora na greve dos rodoviários.

Centrais adversárias levam a disputa de poder dentro de um sindicato ao desrespeito de um acordo firmado no âmbito do Judiciário. Partidos da extrema esquerda mobilizam e radicalizam os grevistas nos bastidores. O governo estadual representado pelo senhor Tarso Genro recusa o pedido da prefeitura municipal do uso da Brigada Militar para garantir a circulação dos ônibus que atenderiam à população que segue desassistida. Depredações, desobediência civil.

O quadro alarmante pode ser colocado ao lado do que se vê no restante do país.

O dinheiro jogado fora com despesas além da conta para fazer estádios. Manifestações contra a copa num país de fanáticos por futebol, o que seria difícil de imaginar alguns anos atrás.

A inflação crescente com evidentes sinais de descontrole. Sintomas de bolha de crédito. Descontrole de gastos com a péssima gestão das contas públicas. Déficit nominal. Carga tributária cada vez mais alta.

Eterna tentativa de controle do Congresso via cofres públicos e distribuição de cargos no executivo. Controle das eleições por meio dos bolsas-miséria.

O aumento descontrolado da violência nas regiões metropolitanas. Crise econômica gerando maior custo de vida e descontentamento individual. Esgotamento do modelo político e econômico. Cenário de instabilidade, radicalização e cada vez mais corrupção.

A lembrança das várias obras prometidas que não saíram do papel.

Os investimentos na infraestrutura carente que não foram feitos enquanto o país torra dinheiro no exterior com gastos absurdos em viagens oficiais e obras que nenhum retorno trarão, como o porto cubano.

Investidores externos fogem de um Brasil caro, corrupto, politicamente subdesenvolvido e ineficiente para produzir e crescer de verdade.

Pessimismo? Onde tudo isso irá parar?

Dilma Rousseff tentará resistir às pressões programadas para infernizar sua pretensão de reeleição amparada pelos estimados US$ 2 bilhões que o esquema já conseguiu arrecadar para torrar em 2014.

Será o tórrido verão prenúncio de um ano “quente” inverno adentro?

Quem viver verá.

Entrevista TVE – Baile de Cobras

10 de dezembro de 2012

Entrevistado por Ivete Brandalise no programa “Primeira Pessoa” da TVE em novembro último, falei sobre o  “Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti”, lançado pela Editora AGE. Brilhantemente  conduzida pela Ivete, creio que a entrevista ficou constituindo um bom resumo do conteúdo do livro,  onde estão fatos  da História recente do RS e do Brasil. Confira a seguir.

Na primeira parte,  inquirido,  descrevo  Ildo Meneghetti e as razões e as origens de seu ingresso tardio na vida pública. Abordado, respondi sobre o desafio de debater com Leonel Brizola no primeiro debate político da TV brasileira. O RS era um barril de pólvora. E citei Jacob Gorender, que descreveu aqueles momentos: “o auge da luta de classes no Brasil”.

Parte 1

No segundo bloco, abordou-se a queda de Jango,  os desencontros do governador Meneghetti com Paulo Brossard e seu PL – um episódio muito desagradável.

Parte 2

Na terceira parte, a vida pessoal de  Meneghetti: uma pessoa absolutamente despretenciosa, levava uma vida comum e mesmo quando governante, evitava o uso de formalidades ou grandes aparatos.

Parte 3

No quarto bloco, foi abordada  a situação em que se encontrava o Internacional quando Meneghetti assumiu a presidência, em vias de ser liquidado. E poucos anos depois, o ambicionado Estádio dos Eucaliptos.

Parte 4

No último bloco uma curiosidade:  a participação do prefeito Ildo Meneghetti na solução da saída do Grêmio da Baixada dos Moinhos de Vento para a Azenha, onde o clube construiu o Estádio Olímpico.

Parte 5,

O Velho Meneghetti

14 de maio de 2012

Jornalista Rogério Mendelski faz uma bela referência ao livro “Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti” em sua coluna no Correio do Povo deste domingo, 13.05.2012.

 

A transcrição é a seguinte:

O Velho Meneghetti

Assim era tratado o ex-governador Ildo Meneghetti por todos os gaúchos que privaram com ele, especialmente depois que ele deixou o governo, em janeiro de 1967. “O velho Meneghetti”, quando era citado desta maneira, trazia uma entonação vocal como nós damos ao “velho”, quando nos referimos aos nossos pais. “O velho Oswaldo”, diria o colunista, “era um excelente cozinheiro e nunca estava com mau humor”. Pois o livro “Baile de Cobras”, escrito pelo seu neto Enio Meneghetti, lançado na última segunda-feira, é um perfil do ex-governador que os gaúchos estavam esperando já faz algum tempo. Não se trata de uma ode na qual o neto elogia o avô, mas de um depoimento pleno de fatos importantes da vida política do RS da metade do século passado. O que enriquece “Baile de Cobras” não é somente a farta documentação da época com reproduções dos jornais (destaque para os jornais da Caldas Júnior), mas os detalhes do dia a dia de um homem cuja simplicidade o fazia dirigir o próprio carro quando era prefeito, refletindo uma honestidade nata que, nos dias de hoje, poderia ser considerada de ingênua diante do oceano de patifarias e de roubalheiras que se tornaram “métodos” e “programas” de governo. Um pequeno trecho narrado logo no início do livro provoca no leitor aquela vontade de não parar mais de lê-lo. Prefeito de Porto Alegre em seu segundo mandato, Meneghetti inaugurou, ao lado do presidente Getúlio Vargas, um conjunto habitacional no bairro Sarandi. Após o ato, Meneghetti entregou a Getúlio um cheque. “O que é isso, Meneghetti?”, perguntou o presidente. “É o dinheiro que sobrou da construção das casas”, respondeu. E o presidente, então, não resistiu: “Ora, é a primeira vez que vejo sobrar dinheiro de obras públicas”. Meneghetti: “É que aqui nós aplicamos as verbas na obra mesmo…”.

 
Reclama ao Menega (1)


Como prefeito, Meneghetti dirigia o seu automóvel particular, um Nash Rambler. Na estrada para Belém Novo, na companhia do vereador Braga Gastal, foi apertado por um ônibus da então DATC, autarquia municipal. Meneghetti ultrapassou, “fechou” o coletivo e saiu advertindo o motorista: “Seu mal-educado, onde já se viu dirigir assim? Poderia ter causado um acidente”. “Olha aqui, velhinho, se não tá satisfeito, vai reclamar com o Menega”, retrucou o motorista. “Mas o Meneghetti sou eu!”. “Brincadeira tem hora, velhinho. Tira o carro da frente que eu quero passar”.

Reclama ao Menega (2)


O vereador Braga Gastal aproximou-se e mostrou ao motorista quem era o cidadão. Meneghetti tirou o chapéu, foi reconhecido pelo motorista que ficou branco de susto. O prefeito, então, deu-lhe uma ordem: “O senhor, por favor, apresente-se amanhã na prefeitura, às 10 h”. No dia seguinte, lá estava o motorista. Meneghetti, que já tinha esquecido o incidente, recebeu o funcionário, perguntou-lhe sobre sua família (“mulher e quatro filhos”, informou o motorista). “Menega abriu a carteira, tirou algumas notas de cruzeiros, e fez-lhe uma recomendação: “Dê este presente aos meninos que eu mando, mas nunca mais faça aquilo, está bem?”.  

Baile de Cobras na Zero Hora

1 de maio de 2012

Matéria de Zero Hora desta terça-feira, 01 de maio.

Creio que o jornalista conseguiu captar com perfeição o que eu desejava passar ao leitor de “Baile de Cobras”.

Baile de Cobras

 

Um Presente de Natal Para Porto Alegre

24 de dezembro de 2011

Uma semana antes do Natal o mundo recebeu a notícia da morte do líder norte-coreano Kim Jong-il, que dominava o regime mais fechado do mundo atual.

No momento em que ainda nem secou a tinta dos jornais que publicaram reportagens sobre as peripécias do ex ministro do PC do B, Orlando Silva, frente a pasta do Ministério do Esporte, em nota oficial, seu Partido Comunista do Brasil, cujos maiores expoentes locais são Raul Carrion, Jussara Cony e a festejada deputada federal Manuela D’Avila, atual líder das pesquisas de intenção de votos à corrida pela prefeitura da capital gaúcha em 2012,  se solidarizou com a morte do ditador norte-coreano, vítima de um ataque cardíaco.

A nota, assinada pelo presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e pelo secretário de Relações Internacionais do Partido, Ricardo Abreu Alemão, lamenta com “profundo pesar” o falecimento do líder. Vale a pena ler a íntegra da nota: 

Estimado camarada Kim Jong Un Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares. O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana,inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos. Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista ena melhoria da vida do povo coreano. Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricaro Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB 19de dezembro de 2011 

Durante 17 anos Kim Jong-il esteve à frente de uma dinastia comunista hereditária nos quais governou com mão de ferro um regime baseado no culto à personalidade  sempre detrás dos inseparáveis óculos de sol e uniforme militar, que se transformaram em sua marca registrada.

Os norte-coreanos, sem acesso à informação, a não ser a oficial, e sem liberdade, sempre foram levados a crer que Kim Jong-il era um semi-Deus. Segundo a TV estatal até a natureza ficou de luto, pois estranhos fenômenos estariam ocorrendo no país após sua morte. Em uma montanha, perto da cidade-natal de Kim Jong-il, o gelo teria se quebrado e o barulho teria sido tão forte que fez tremer os céus e a terra.

Cobrada via twitter pela nota oficial de seu partido, a deputada Manuela D’Avila teria reagido com desdém: “Vamos tratar do que realmente é importante para Porto Alegre”, teria dito. Confesso que não li o papo virtual, pois não sou “seguidor” da deputada.

Mas, sim, vamos tratar do que realmente é importante para Porto Alegre.

Será que eleita prefeita, como vaticinam aqueles profetas que sempre somem após constatarem o equívoco de seus prognósticos após a abertura das urnas (vide 2008), o partido comunista da deputada tentará implantar na capital gaúcha, um modelo inspirado no por eles tão admirado regime descrito na nota do PC do B? Será que a guarda municipal ou nossos conhecidos “azuizinhos” receberão orientação e treinamento inspirados no modelo norte-coreano cuja admiração a nota oficial reflete tão bem?

E o que dizem os fisiológicos que hoje cercam e adulam essa virtual “pule vencedora” ao paço municipal?

Nada. Tudo vale pela chance de pegar um carguinho, um posto, um espaço, não importando serem estuprados os princípios ideológicos. 

Fale mais sobre o tema, nobre deputada.    

A Desistência de Pont

1 de dezembro de 2011

O fato político do dia aqui na aldeia foi a desistência do deputado Raul Pont em disputar a indicação para concorrer a prefeito de Porto Alegre.

A coluna da jornalista Rosane Oliveira hoje destaca que seu objetivo principal foi atingido. Era impedir o PT de abrir mão da candidatura própria “como queria a direção nacional”. Diz mais: “Sua candidatura nasceu para contestar quem dizia que o PT deveria indicar o vice de Manuela D’Avila ou José Fortunatti”.

 

Aí é que está o ponto. Estamos então perto da situação de partido único. Fortunatti e Manuela estavam ávidos por conquistar o apoio petista, defendido pela direção nacional. O famoso José Dirceu chegou a vir a Porto Alegre para encontrar-se discretamente com o governador Tarso Genro para advogar o apoio a Fortunatti. Reuniu-se também com o atual prefeito. E ninguém fala nada! Onde está a oposição? O PMDB local, que faz um discreto barulhinho em contraponto a Tarso Genro, ocupa com o deputado Mendes Ribeiro Filho importante pasta no ministério, nada fala.

A tal “base aliada” de Fortunatti na Câmara de Vereadores, composta de ferrenhos adversários dos petistas, faz cara de paisagem. O PP não deveria se manifestar sobre o flerte do Prefeito com o PT? Mas o que é isso? Onde está a tão proclamada “politização” dos gaúchos nessa hora, onde o adesismo e a disputa por cargos falam mais alto que a coerência e o histórico? Como esperar que com um quadro fisiológico destes o eleitor, o contribuinte, o cidadão, seja representado dignamente?

O Estádio Olímpico e os Projetos Habitacionais‏

5 de outubro de 2011

Então, em seqüência ao post anterior,  o Inter desde 1931 tinha seu Estádio dos Eucaliptos. 

 

O Grêmio permanecia no Estádio da Baixada dos Moinhos de Vento que, com a popularização do futebol, havia se tornado pequeno e não tinha como ser expandido no local onde se encontrava.  Ficava junto a Mostardeiro, à direita de quem descia a baixada que lhe emprestava o nome, onde hoje está parte do leito da II Perimetral.

 

Precisando de um local para erguer um novo estádio, o presidente gremista, Saturnino Vanzelotti, foi procurar a prefeitura. O prefeito era Ildo Meneghetti, que vencera o jovem líder trabalhista, Leonel Brizola, nas eleições de 1951.

 

Assim como em São Paulo já havia o Estádio Municipal do Pacaembú e o Rio teria, antes da Copa de 50, o Maracanã, havia o projeto de um Estádio Municipal em Porto Alegre no Plano de Urbanização de Loureiro da Silva, de 1943.  Tinha inclusive a área já definida, na Medianeira.

 

                                       Estádio Municipal

 

Dos entendimentos com a prefeitura, acabou sendo acertada com o Grêmio a permuta da área da baixada pelo local onde hoje está o Estádio Olímpico, na Avenida Carlos Barbosa. 

 

Desde o início de sua gestão, o prefeito debruçara-se sobre o problema crescente da falta de moradias populares. Já proliferavam as sub-habitações e o problema se agravava. Criou então um departamento específico na prefeitura para tratar da questão habitacional.

 

Com a definição da construção do Estádio do Grêmio no local e a prevista valorização dos terrenos lindeiros, pertencentes ao município, o prefeito enviou para a Câmara de Vereadores um projeto que autorizaria o Executivo a vender as áreas adjacentes, que loteadas e assim valorizadas, teriam os montantes apurados destinados obrigatoriamente à aquisição de áreas mais amplas, apropriadas à habitação popular.       

 

 

 

E assim, casualmente o prefeito, Patrono do Internacional, acabou tendo participação na história da construção do Estádio Olímpico, do rival Grêmio. 

Que, por outra coincidência, também era uma área muito próxima de onde localizara-se a antiga Chácara dos Eucaliptos, arrendada pelo Inter até meados de 1929.

Ressalte-se a atitude da Câmara Municipal, que aprovou um bom projeto, quando o mais comum em tempos recentes, seria torpedear um projeto proposto por adversários políticos…  

 

Nessa segunda gestão de Meneghetti como prefeito, foram produzidas e comercializadas, em uma Porto Alegre que contava ainda com menos de 400.000 habitantes, 4.469 unidades habitacionais. Foram 693 casas na Vila Batista Xavier, 994 no Sarandi, 1009 na Vila São José – no Partenon, 812 no Passo das Pedras, 713 no Parque Santa Anita. Eram casas populares, simples, de madeira, mas bem construídas. Eram vendidas a preços módicos e longos prazos para pagamento.  Muitas das casas estão de pé até hoje, passados quase sessenta anos.

 

 

 

Muitas das vilas que se denominaram depois São Gabriel, Batista Xavier, São José, Sarandi, Passo das Pedras, Vila Vargas eram chamadas, por seus moradores de Vilas Meneghetti. E na implantação de tais vilas, Meneghetti era o prefeito, o engenheiro, o urbanista, o assistente social. Participava da elaboração dos projetos, visitava e fiscalizava as obras pessoalmente. Nessas visitas ouvia a população, conversava, opinava. Nestes contatos, sem nenhum rigor de protocolo, confirmava sua impressão sobre a necessidade das demandas. Sem demagogia, sem exibicionismo, sem populismo.

 

Foi uma iniciativa pioneira. Até então, nunca uma prefeitura havia intercedido na questão dessa forma. 

 

Uma ocasião, na solenidade de entrega de um lote de casas construídas com o auxílio de verbas federais, convidado, compareceu Getúlio Vargas.  Meneghetti entregou ao presidente um cheque:

 

– O que é isso, Meneghetti?  – perguntou Getúlio, ao receber o cheque.

– Este é o dinheiro que sobrou da construção das casas.

– Ora, é a primeira vez que vejo sobrar dinheiro de obras públicas. – espantou-se Getúlio.

– É que aqui nós aplicamos o dinheiro na obra mesmo…
                  ZH  25/07/1999 – Meneghetti recebe Getúlio Vargas e Loureiro da Silva em 1953  

Mas o interessante mesmo, é que aqui eram os clubes, por seus dirigentes e torcedores, que resolviam seus problemas e construiam seus estádios. Enquanto em outros lugares, o poder público construía e pagava a conta.

 

Nota: para escrever este post, utilizei dados do livro “Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti” – em edição.  

A Estrada da Pedreira e o Estádio dos Eucaliptos

28 de setembro de 2011

Dias atrás vinha descendo a Plinio Brasil Milano, da Carlos Gomes em direção à Auxiliadora.
 
O carro chacoalhava tanto que resolvi prestar atenção ao pavimento. E, para minha surpresa, entre os muitos remendos de centenas de buracos abertos e mal fechados com asfalto irregular, vi um antigo piso de concreto preservado, velho conhecido, que julgava extinto das ruas de Porto Alegre.
 
Bem junto ao antigo Posto Timbaúva, naquelas curvas em “S” que há na descida, o piso em chapas de concreto junto ao acesso do posto de gasolina (hoje sob a bandeira da BR Distribuidora) permanece lá, como colocado na época da pavimentação da Estrada da Pedreira, há mais de sessenta anos, como se chamava a Plínio Brasil Milano até então.  
 

 

 


Digo que o piso é velho conhecido porque a primeira empresa a importar uma máquina pavimentadora em chapas de concreto, no final dos anos vinte do século passado, foi a Dahne, Conceição & Cia*, fundada por três colegas engenheiros, um deles meu avô Ildo Meneghetti, muitos anos antes de aventurar-se em política e eleger-se prefeito de Porto Alegre e depois governador do Estado.
 
Lembro da história da aquisição dessa máquina devido à construção do Estádio dos Eucaliptos, do Internacional.
 
O Inter tinha em 1929 seu próprio campo arrendado, a Chácara dos Eucaliptos, na Azenha.
 
A situação não era nada boa. O clube estava atolado em dívidas e até o aluguel da chácara estava atrasado. Não tinha dinheiro nem para pagar a conta de água.
 
Situada no início da José de Alencar, a Chácara dos Eucaliptos pertencia ao Asilo da Providência. Tinha uma alameda de eucaliptos, que servia de estrutura para as arquibancadas de madeira, deixando-as na sombra.
 
Porém, a chácara fora colocada à venda por 40 contos. O Internacional, embora como arrendatário tivesse a preferência para a compra, não conseguiu levantar o capital necessário para a aquisição. 
 
O presidente da Federação Rio Grandense de Football  e ex-dirigente colorado Antenor Lemos presidiu uma reunião que deveria decidir os destinos do clube. O “jovem” Ildo Meneghetti era um dos presentes.
 
Antenor fez uma exposição da situação grave pela qual o Inter passava e concluiu propondo o encerramento das atividades, com a liquidação do clube.
 
Meneghetti, que até ali ouvira em silêncio, resolveu falar.  Indagou mais detalhes sobre a situação, perguntando se não haveria outra solução. Não. Não havia. Foi o que todo o mundo respondeu.
          

Antenor Lemos tinha sido presidente do Internacional de 1920 a 1922 e era o cartola mais influente da cidade em toda a década de 20. Talvez  tenha sido o primeiro instigador da rivalidade entre Grêmio e Internacional nos moldes em que existe até hoje.
 
A cada derrota do rival Grêmio, Antenor soltava foguetes, promovia festas, acirrando a rivalidade. Mesmo quando presidente, não raro provocava brigas e partia logo para o soco. Era considerado capaz de tudo.
 
Um ocasião, já como presidente da Liga Porto-Alegrense, percebeu que o Inter perderia uma votação por causa do asmático representante do Cruzeiro. Não teve dúvidas: distribuiu charutos entre os presentes. O asmático teve que sair da sala e não pode votar, havendo o empate. E Antenor, como presidente, usou o voto de Minerva para favorecer o Inter. Era um homem decidido, que se fazia respeitar. Tinha um vozeirão e sua presença dominava os ambientes.
 
Mas Meneghetti, embora apreciasse Antenor Lemos, era um dos que não queria aceitar a idéia da liquidação e conseqüente encerramento das atividades do Inter. Argumentou, tentou fazer sugestões e afinal disse que não concordava com aquela solução, achava que talvez valesse a pena fazer mais uma tentativa. Em sua opinião aquilo “era uma precipitação”. E disse que tinham a obrigação de achar uma solução que mantivesse o Internacional.

 
– Tu achas? – perguntou Antenor Lemos, ao “menino” que ousava discordar.

– É, eu acho, sim.

– Então assume! – desafiou.       
                    
 Foi assim Meneghetti assumiu a presidência do Inter. Tinha 33 anos de idade.

 
Por uma gentileza do jornalista Cláudio Dienstmann, consegui uma cópia da ata da primeira sessão do Conselho Deliberativo, lavrada de próprio punho por Meneghetti, ocorrida em quinze de fevereiro de 1929, na sede da rua dos Andradas n.º 413,  onde está registrada a situação em que o clube se encontrava:
                                                
  “uma dívida de vinte contos de réis a pagar, não tendo material desportivo algum, estando o campo atual a precisar de uma reforma geral, o que não era conveniente, pois era de conhecimento de todos  que a tradicional ‘Chácara dos Eucalyptos’ tinha sido vendida ao sr. A. Laporta.” 

 
O Conselho Deliberativo autorizou o novo presidente a contrair um empréstimo de dez contos de réis, “a juros e prazos os mais convenientes possíveis”, para atender as despesas mais urgentes e começar a providenciar a aquisição de um terreno “onde pudesse instalar sua praça de desporto.”
 

Logo foi encontrada uma área cuja topografia era favorável,  até mesmo para a construção das futuras arquibancadas devido a uma elevação existente. A área era de propriedade do Banco Nacional do Comercio, que pretendia loteá-la. O preço era 220 contos de réis. Um dinheiro enorme. Negociando com a Companhia Territorial, subsidiária do banco, Meneghetti propôs um parcelamento e o negocio foi fechado.

 Mas ainda havia os aluguéis atrasados da Chácara dos Eucaliptos. Meneghetti procurou então o responsável pela loteadora que adquirira a área e propôs fazer a pavimentação das ruas que fariam parte do futuro empreendimento em troca da dívida. Foi aí que entrou a história da pavimentadora que a Dahne, Conceição havia adquirido.
 
 Proposta feita, o homem gostou:
  
– Muito bem, a proposta é boa. Mas qual é a minha garantia? – perguntou.
 
– A garantia é a minha palavra. – respondeu Meneghetti. O  homem olhou sério, surpreso com o atrevimento do jovem sentado à sua frente e decide:

 
– Está bem. Gostei de ti, guri. Negócio fechado.   
           
Dois anos depois o acordo estava integralmente cumprido.

 
Para pagar o terreno e financiar as obras do novo estádio foram lançados 500 títulos de sócios proprietários. Na Assembléia Geral Extraordinária de 31 de janeiro de 1929, foram propostos e aprovados os novos estatutos, redigidos e lavrados à mão por Meneghetti, criando uma nova categoria de sócios, inicialmente quinhentos, com quotas de quinhentos mil réis cada, pagáveis em vinte prestações. 
 
As obras são, então, iniciadas, com a Dahne, Conceição executando a terraplanagem da área do futuro Estádio dos Eucaliptos sem cobrar nada do clube.

 
É iniciada também, com muita dificuldade, a venda entre os torcedores dos quinhentos títulos. Acabam vendendo apenas 85. O próprio Ildo assumiu os demais.  Mais tarde, com o avanço das obras, foi feita uma nova emissão.
 
E assim, com muitas dilatações de prazo nos pagamentos do terreno, em junho de 1931 o Internacional inaugurou o seu estádio. Ildo Meneghetti, que assumiu a presidência em 1929 para permanecer pouco tempo, acabou ficando no cargo por cinco anos, de 1929 até 1933. Colocou uma fortuna no clube, que anos depois o escolheria como Patrono. 
 
E Antenor Lemos dá nome a uma das ruas das cercanias do velho Estádio.

*em parte desse  texto utilizei informações dos originais do  livro “Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti” – em edição –  que deverá ser lançado no ano que vem.