Como era previsível, Renato Duque está “reservando-se ao direito de permanecer calado” neste momento, em seu depoimento na CPI da Petrobrás.
Porém, vale a pena analisar seu semblante, enquanto era advertido pelo deputado Onyx Lorenzoni das possibilidades em relação a seu provável tempo de prisão e demais consequências em uma possível condenação pelos crimes pelos quais responde.
Aos 3:40 seg. do vídeo abaixo. A garganta chegou a secar.
Não é arriscado prever que é enorme a possibilidade que ele, muito logo, venha tentar o benefício da “Delação Premiada”.
É sua única saída.
(Caso não apareça o vídeo aqui, clique no título do artigo para acessá-lo)
Com o depoimento de Renato Duque à CPI da Petrobrás nesta quinta feira,o PT começa a tremer na base.
Mesmo que Duque se recuse a dizer muito em seu depoimento de hoje na CPI da Petrobrás, há fartura de provas contra ele.
Desde testemunhais até pilhas de documentos apreendidos em um cômodo secreto em sua casa.
Sem falar no flagra da transferência de 70 milhões de euros da Suiça para Mônaco. Sua situação ficou delicadíssima, a ponto de, agora, dificilmente outro pedido do padrinho para soltá-lo surtirá efeito.
JOÃO VACCARI NETO:
Situação igualmente delicada, é a de João Vaccari Neto, Tesoureiro do PT.
Já indiciado, o governo e o próprio PT pressionaram o tesoureiro a deixar o cargo. Ele se recusou. Mas em off, dirigentes do partido confidenciam que sua situação é insustentável.
Vaccari foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef, por Paulo Roberto Costa e por Pedro Barusco como responsável por receber a propina em nome do PT.
Barusco afirmou que o petista recebeu aproximadamente 50 milhões de dólares desviados entre 2003 e 20013.
João Vaccari Neto é alvo preferencial.
JOSÉ DIRCEU:
José Dirceu é outro que está com sua situação complicada. Atualmente em prisão domiciliar, o ex Chefe da Casa Civil de Lula recebeu através de sua empresa JD Consultoria, cerca de R$ 1,5 milhão da JAMP Engenheiros Associados, de Milton Pascowitch. Foram dois pagamentos, nos anos de 2011 e 2012.
Gerson Almada, vice presidente da Engevix e um dos empreiteiros que permanecem presos, revelou que pagava entre 0,5 a 1% para Pascovitch gerenciar seu relacionamento com o PT e para obter bom trânsito de seus contratos na Petrobrás.
Veja aos 20 minutos em diante, o vídeo a seguir:
MILTON PASCOWITCH:
Milton Pascowitch foi apontado como operador financeiro da Engevix, responsável por transferências pela offshore MPJ International Group, nos Estados Unidos para a conta Aquarius, de Pedro Barusco.
A JAMP de Milton Pascowitch efetuou dois pagamentos para a consultoria de José Dirceu, em 2011 e 2012 e estão nos relatórios de Receita Federal que fazem parte do inquérito que apura a participação de Dirceu na Lava Jato.
Agora, o que pode ser oFiat Elba de Dilma foi revelado pela Folha de São Paulo
(texto da Folha SP, grifos do blog):
“Um documento entregue a investigadores holandeses fortalece o depoimento do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco de que a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010 recebeu US$ 300 mil da empresa SBM Offshore, acusada de pagar propina para obter contratos no Brasil.
No dia 7 de setembro de 2010, a menos de um mês do primeiro turno eleitoral, a SBM, com sede na Holanda, assinou um “adendo” de duas páginas ao contrato que mantinha desde 1999 com o brasileiro Júlio Faerman, então representante da firma no país.
Ele é apontado como distribuidor de propinas em troca de vantagem na Petrobras.
Esse aditivo, entregue pela SBM ao Ministério Público holandês, estipula a parcela única de US$ 311,5 mil a ser paga à Faercom Energia Ltda, empresa de Faerman, que assina como diretor
Segundo os papéis, o valor se refere a “certos serviços adicionais” relacionados ao projeto da plataforma da Petrobras no campo de Cachalote, no litoral sul do Espírito Santo, tocado pela holandesa.
A SBM informou às autoridades que transferiu o dinheiro no dia 5 de novembro daquele ano para uma conta no banco Safra, na Suíça, em nome da empresa Bien Faire,com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal.
A companhia é uma das seis controladas por Faerman em paraísos fiscais e que foram usadas para operações de repasse de propina a funcionários da Petrobras, segundo investigações internas da SBM e de autoridades holandesas.
A SBM Offshorediz ter pago US$139 milhões a Faerman pelos serviços prestados até o ano de 2012. Ao todo, os contratos da empresa, ligados a oito plataformas da Petrobrás, somam US$ 27 bilhões.
O lobista recebia de 3% a 10% de comissão da SBMem cima dos contratos.
A CGU (Controladoria-Geral da União) e o TCU (Tribunal de Contas da União) também abriram apuração e encontraram indícios de irregularidades.
(…)
Na delação ao Ministério Público, Barusco afirmou que o ex-diretor Renato Duque “solicitou ao representante da SBM, Júlio Faerman, a quantia de US$ 300 mil a título de reforço de campanha durante as eleições de 2010”.
Na terça feira (10), o ex-gerente deu a mesma versão à CPI da Petrobrás: “Em 2010, foi solicitado à SBM um patrocínio de campanha, mas não foi dado por eles diretamente. Eu recebi o dinheiro e repassei (…) para o Vaccari.”
A legislação eleitoral brasileira proíbe que empresas estrangeiras doem dinheiro para campanhas eleitorais.
A pena é a cassação do mandato.
É mole?
E a dona Dilma vai a TV nesta quarta feira apresentar pacote contra a corrupção.
A seguir, vídeo do pronunciamento do deputado Onyx Lorenzoni, proferido na Câmara Federal ontem, 17 de março de 2015. O tom de oposição deveria ser adotado por muitos parlamentares vacilantes. Ele diz tudo.
Abaixo, a transcrição.
Discurso Onyx
“Não é de hoje que eu combato o petismo.
Não é de hoje, presidente, que eu testemunho a forma PREPOTENTE, AUTORITÁRIA, com que o PT faz política.
Não é de hoje que eu vejo eles colherem os frutos da discórdia que semeiam.
Estou calejado de enfrentar o petismo. E enfrentar a máquina de propaganda que é alimentada com dinheiro público, com dinheiro dos impostos.
Não é de hoje que eu denuncio a prática petista, contumaz, de relativizar crimes. De trocar o sentido das palavras.
Querem alguns exemplos?
‘Dinheiro não contabilizado’. Deputado Moroni, isto é Caixa 2.
‘Contabilidade criativa’ = Fraude contábil.
‘Pragmatismo político’ = . Oportunismo sem escrúpulos.
‘Malfeitos’ = Corrupção.
Não é de hoje, que eu vejo o PT colocar o partido acima da sociedade brasileira.
Aqui, é da série ‘Relembrar é viver”.
( apresenta FOTO da fachada do Palácio Piratini com a bandeira de Cuba. Posse de Olívio Dutra no Governo RS)
Primeiro de janeiro de 1999. Primeiro governo petista de um estado. A posse do Partido dos Trabalhadores . Olívio Dutra. Vice Governador, Miguel Rosseto. O mesmo que veio dizer NADA na televisão, depois dos movimentos de domingo. A Secretária de Minas e Energia. A senhora Dilma Vana Rousseff.
Aqui, (mostrando a foto) na mão do povo petista, não tem bandeiras brasileiras. Aqui só tem bandeiras vermelhas. Na sacada do Palácio Piratini, no balcão, colocada pela mão diligente dos dirigentes petistas, tem a bandeira de Cuba. Não tem a bandeira do Rio Grande e não tem a bandeira brasileira. Estava lá atrás.
Quando o Brasil assistiu na última sexta feira 13, aquela movimentação paga com recursos públicos, alimentada com dinheiro dado pelo governo para as Centrais Sindicais, para ONGs que suporta o PT!
E o que tinha lá?
Lá só tinha bandeira vermelha. Pode procurar! Desafio a achar bandeira do Brasil.
Aí, no dia 15, olha só!
O Brasil se cobriu de verde-amarelo! Quem tá aqui não tem lanchinho! (FOTO)
Quem tá aqui não tem remuneração!
Sabe por que é no domingo, a manifestação dos brasileiros de bem?
Porque no resto da semana eles trabalham!
Quem faz na sexta feira é quem não trabalha!
Horário de expediente não é hora de fazer manifestação! Horário de expediente é hora dee trabalhar.
Essa é a grande diferença que se estabelece no Brasil, neste momento.
E qual é o recado do Brasil das ruas?
O povo está cansado de conversa mole. Vir com uma conversinha de que vai “combater corrupção”… De que jeito?
Se Pedro Barusco , gerente de terceira categoria, acumulou 97 milhões de dólares! Que ele devolveu FELIZ! Num ato quase inumano!
Não comprou um carro melhor, deputado!
Não comprou um imóvel!
Tinha, nos anos de 2009/2010, mais de 60 milhões de dólares fora do Brasil. Foi incapaz de comprar um imóvel, que se comprava, pela crise americana, por 150, ou 120 mil dólares…
E sabem por que, ele não fez isso?
Porque o dinheiro não era dele! Isto é uma obviedade!
E eu perguntei:
– O dinheiro é do Lula?
– O dinheiro é do Dirceu?
Ele era um fiel depositário.
Agora, a Polícia Federal colocou o (Renato) Duque na cadeia. O Ministério Público vai atrás dele. E agora, nós temos a possibilidade de conhecer ainda, a mais tenebrosa extensão da roubalheira na Petrobrás.
O governo perde nas ruas de lavada.
Mas com sua miopia e absoluta falta de humildade, apesar das palavras ocas e vazias da senhora Dilma Vana, o governo usa e abusa da tolerância dos brasileiros.
A máscara do petismo, que é um mal – eu respeito o PT. Mas o petismo, assim como o nazismo, assim como o socialismo, assim como o comunismo, assim como todos os “ismos” – é um mal, que eu combato. Mas a máscara vem caindo.
A crise que o país atravessa, é econômica. É resultado da incompetência e da soberba do petismo brasileiro.
Mas a crise do governo é de credibilidade.
O que os brasileiros de verde e amarelo disseram é que não acreditam mais nesse partido. Não acreditam mais nos seus fantoches.
E não acreditam mais na senhora, Senhora Dilma Vana Rousseff!
Pesquisa Datafolha mostra que 62% avaliam o governo Dilma como ruim ou péssimo.
Pois e não é que, dentro das circunstâncias, ela até que se saiu bem?
Os números certamente cairão mais. A divulgação da sucessão de escândalos deve aumentar muito. As notícias negativas serão cada vez mais divulgadas, à medida que a mídia patrocinada não terá como deixar de adequar a linha editorial ao clamor das ruas, em que pese o maciço investimento governamental em propaganda. Afinal, o que é aquele comercial da Petrobrás, exibido já há mais de trinta dias em horário nobre, elencando virtudes que foram amputadas da maior estatal do país?
Os números do Datafolha podem deixar dúvidas, já que a avaliação do público contabilizado pelo instituto como presente no ato ocorrido em São Paulo, tenha sido flagrantemente inferior à avaliação da Polícia Militar daquele estado.
Sem falar no que as imagens evento evento mostraram: o maior público jamais visto em manifestações naquele local.
De qualquer modo, desde os momentos finais do governo Collor, não se via uma taxa de reprovação tão elevada de um presidente.
Os números de rejeição de Dilma devem subir.
A próxima manifestação, marcada para o domingo de 12 de abril deverá ter um público ainda maior.
Isso dever-se-á ao sucesso da manifestação de 15 de março e ao fim do temor, que afastou muitas pessoas do evento do último domingo. Esse temor foi deliberadamente explorado pelos MAVs (Militância em Ambiente Virtual) a serviço do governo, para desestimula a participação popular.
A partir das ações dos MAVs, até uma imaginária possível presença de black blocks foi aventada. Além da possibilidade de quebra-quebra e depredações. Até instruções de como agir – sentar-se e tocar apitos) foi divulgada como precaução.
É claro que uma expectativa como essa afastou muitas pessoas.
Gelson Almada, vice presidente da construtora Engevix pediu para ter antecipado seu depoimento na Operação Lava Jato.
Conforme sua defesa, ele diz ter “uma contribuição relevante” para fornecer.
Isso deverá atrasar os depoimentos dos cinco presos da décima fase da Operação Lava Jato, que foram levados para Curitiba na noite de segunda-feira.
Como se sabe, entre os detidos está Renato Duque, ex diretor da Petrobrás. Foram presos também, Adir Assad, Lucélio Goes, Sônia Marisa Branco e Dario Teixeira Alves.
Segundo revelou Felipe Moura Brasil, em janeiro, Gerson Almada rompeu o pacto de silêncio das empreiteiras sobre a participação dos políticos e o uso do dinheiro sujo em campanhas eleitorais dizendo que:
“foi o custo alto das campanhas eleitorais que levou à arrecadação desenfreada de dinheiro para as tesourarias dos partidos políticos. Não foi por coincidência que a Petrobras foi escolhida para geração dos montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias”.
De acordo com a planilha de Pedro Barusco, o PT recebeu mais de 50 milhões de reais das mãos de Gerson Almada.
Na petição, o advogado de Almada também se refere a
“quem usou a Petrobras para obter vantagens indevidas para si e para outros bem mais importantes na República Federativa do Brasil”.
Conforme já avaliava Felipe Moura Brasil em seu blog de Veja on line dia 03 de março, existe a possibilidade de José Dirceu, o padrinho do arrecadador petista Renato Duque, voltar a Papuda.
Quem sabe, poderiam acompanhá-lo outros “bem mais importantes”.
A cúpula do PT tem motivos para grande preocupação com a prisão do ex diretor da Petrobrás, Renato Duque, na manhã desta segunda feira. Todos no PT sabem que Duque é um arquivo vivo. É ligado ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu.
Havia esperança no PT que Duque permanecesse solto e em silêncio. Mas depois do depoimento de Pedro Barusco à CPI da Petrobrás, alguns petistas já haviam sentido que poderia ser novamente pedida sua prisão.
Barusco apontou Renato Duque e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de participação vital no esquema do petrolão.
Renato Duque estava solto depois que o ministro Teori Zavascki, do STF, concedeu-lhe um habeas corpus.
Segundo o blog O Antagonista,a prisão de Renato Duque, em novembro do ano passado, fez com que a sua mulher entrasse em desespero.
Ela procurou Paulo Okamotto, e disse-lhe que teria provas para mostrar Lula não só sabia, como participara do esquema do petrolão.
Okamotto levou o problema a Lula, que tentou acalmá-la. Ela repetiu a ameaça, confirmando que não hesitaria em implicar Lula no esquema, se o marido não fosse libertado imediatamente.
Sem outra opção, Lula pediu ajuda a um amigo, ex-ministro do STF (quem será?), que sugeriu falar com Teori Zavascki.
Esse amigo assim fez: explicou que se Renato Duque não fosse solto, Lula seria envolvido “injustamente” no escândalo.
E foi assim que Duque ficou solto. Até agora.
O medo agora é que se a prisão perdurar, poderá causar em Renato Duque o mesmo efeito que causou em Paulo Roberto Costa, que acabou fazendo delação premiada.
Estamos diariamente recebendo tantas notícias escabrosas, que às vezes a lógica dos problemas que enfrentamos são visíveis com muito mais clareza por alguém que as vê de longe.
Embaraçoso, constrangedor, vergonhoso, ver nosso país apresentado desta forma, mas é a mais pura realidade.
Como disse o hoje encarcerado Renato Duque, “que país é esse?”
Após uma tentativa do depoente, o ex presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli, de colocar para dormir os deputados com uma maçante exposição de sua “maravilhosa” gestão frente a Petrobrás, que lhe possibilitaram as perguntas “chapa-branca” do relator.
“Ninguém tirará do lulopetismo a primazia de ter feito um assalto amplo e bem organizado à estatal, inclusive com o toque requintado de converter propina em doação formalmente legal a partido e candidatos.”
Editorial de O Globo – 12.03.2015
“Não causou o impacto do depoimento do marqueteiro de Lula, Duda Mendonça, na CPI dos Correios, em agosto de 2005, em que ele, ao dizer que recebera do PT em uma conta em paraíso fiscal,confirmou que o partido transacionava com dinheiro sujo no exterior.
Ainda assim, a ida do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, personagem de primeira grandeza no petrolão, à CPI da Petrobras, terça, teve peso equivalente, considerando-se as peculiaridades de cada momento.
Àquela altura de 2005, o escândalo do mensalão mal acabara de ganhar vida própria a partir da entrevista de denúncia concedida à “Folha de S.Paulo” pelo então deputado petebista fluminense Roberto Jefferson.
A ideia de o PT ser um partido com velhos e distorcidos costumes da política brasileira já não era inconcebível, mas comprovadamente fazer traficância financeira pelas Bahamas foi uma novidade.
Do Duda Mendonça de 2005 ao Barusco de 2015, pode-se dizer que o PT de oposição, pré-2002, desapareceu. Nada do que surge no petrolão surpreende. Porém, o depoimento de Barusco serviu para demonstrar como o esquema de corrupção montado na maior estatal do país sob as bênçãos do lulopetismo, em sociedade com os aliados PMDB e PP, foi uma roubalheira em escala industrial.
Petistas com assento na CPI — o relator Luiz Sérgio (RJ), Afonso Florence (BA) e Maria do Rosário (RS) — tentaram fazer com que Barusco, confesso corrupto desde 1997, testemunhasse que havia esquema de mesma dimensão já no governo FH. Não conseguiram.
O testemunho do ex-gerente, do alto dos US$ 97 milhões que conseguiu surrupiar da estatal, foi que, a partir do início do governo Lula, cobrança e recebimento de propinas se institucionalizaram. Antes, eram artesanais, individualizadas. Depois, ficaram sistêmicas.
Com a tranquilidade de quem contava uma viagem de férias, Pedro Barusco relatou negociatas feitas na diretoria de Renato Duque, da área de Serviços, a quem era subordinado, e nome indicado pelo PT.
Barusco mantinha contato com o operador do PT no esquema, João Vaccari Neto, tesoureiro do partido,para quem, o ex-gerente estima, devem ter sido canalizados entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões provenientes de propinas geradas pelo superfaturamento de contratos firmados entre o “clube de empreiteiras” e a estatal. Ou seja, dinheiro público desviado. A base da estimativa de Barusco é realista: o próprio roubo.
Cabe frisar: o depoimento de Pedro Barusco, um dos que fizeram delação premiada, não aponta o PT como inventor da corrupção na Petrobras. São conhecidas histórias de desfalques na estatal em vários governos, inclusive no dos tucanos.
Mas ninguém tirará do lulopetismo a primazia de ter feito um assalto amplo e bem organizado à estatal, inclusive com o toque requintado de converter propina em doação formalmente legal a partido e candidatos.”
Em seu patético discurso no domingo à noite, Dilma Roussef tentou passar uma versão absolutamente falsa da realidade. Para ela, tudo o que acontece agora é apenas temporário, com recuperação já “- no final do segundo semestre”.
A reação do governo às manifestações populares ocorridas durante a fala presidencial seguiu a mesma linha de falsidade. Cometer o ridículo de acusar de serem “financiadas pela oposição” as manifestações espontâneas de vaias e panelaços nas janelas e varandas de várias cidades brasileiras, eleva o nível de descaramento a níveis preocupantes. A destrambelhada reação governista só serviu mesmo para ampliar a promoção do mega evento de protesto programado para o domingo, dia 15 de março.
Dilma abusou da demagogia, prometendo novos rumos dizendo nada e coisa nenhuma de concreto. O momento crítico, que já havia sido previsto muitas vezes e há bastante tempo, de forma recorrente, continua sendo negado pela governanta.
A tempestade chegou e está aí, com o agravante de uma crise institucional com denúncias perigosamente próximas de Dilma e Lula.
Com o governo desmoralizado e uma lista de membros da Base Aliada no Legislativo a serem investigados pelo STF, o povo protesta contra o desgoverno que se apossou do Brasil.
Dilma jamais terá a humildade de reconhecer seus erros. O povo está farto e o governo sabe disso. As pesquisas de opinião recebidas pelo Planalto já apontam os recordes de insatisfação popular.
Na fala presidencial, não faltaram, como sempre, ataques à imprensa – “noticiários confundem mais do que esclarecem”.
Ela negou a crise econômica – “nem de longe estamos vivendo a crise que dizem alguns”.
Fez de conta que não existiram os cortes em direitos trabalhistas e aumento de impostos – “de maneira justa e suportável para todos”.
Tudo isso para dizer que a conta do descalabro que criou agora é nossa, do contribuinte, da dona de casa e do trabalhador.
– Sobre a lista do Petrolão e da investigação contra a sua campanha? Nada.
– Sobre o colapso energético e a iminência de pagão? Nada.
– Sobre a inflação fora de controle? Nada.
– Sobre queda de consumo e desemprego? Nada.
– Sobre ameaça óbvia de recessão? Nada.
– Sobre a destruição da Petrobras (e sabe-se lá do que mais) para adquirir maioria no Congresso Nacional e financiar campanhas eleitorais da Base Aliada? Nada.
– Sobre os empréstimos sigilosos e inconstitucionais, feitos pelo governo brasileiro a Cuba, Angola e demais países, via BNDES, numa caixa preta que quando for aberta revelará um escândalo muito maior que Mensalão,Petrolão, Eletrolão?Nada.
– Sobre a tentativa de barrar novas delações premiadas via TCU e/ou seu Ministro da Justiça, como as de Ricardo Pessoa – líder do cartel de empreiteiras ou do presidente da Camargo Correa, Dalton Aavancini, que pretende mostrar que a empreiteira pagou R$ 900 mil ao ex ministro José Dirceu, em abril de 2010, à título de “consultoria” e revelar a propina pagas como pedágio para entrar nas obras da Usina Hidroelétrica de Belo Monte?* Nada. *VEJA – 11.03.2015- pg 57
Nem parecia aquela Dilma que teve que aprovar a “Lei do Calote”, em dezembro de 2014, obra prima da contabilidade criativa, que criou o “superávit negativo”, para evitar que ela fosse punida por crime de responsabilidade, por ter gasto mais do que permitido.
E ainda teve gente que disse que as vaias de protesto eram em “varandas gourmet” com panelas Tramontina…
Dilma não teve dó nem piedade do mundo real: “- Com coragem e até sofrimento, o Brasil tem aprendido a praticar a justiça social em favor dos mais pobres, como também aplicar duramente a mão da justiça contra os corruptos. É isso, por exemplo, que vem acontecendo na apuração ampla, livre e rigorosa nos episódios lamentáveis contra a Petrobras. – mais uma vez apelando para a insinuação mentirosa de que seria o governo a determinar a ação da Justiça contra a corrupção em seu governo.
Por isso, tanta panelada, buzinada, vaia e xingamento.
Enio José Hörlle Meneghetti, 67 anos, é administrador de empresas. Tem cursos de especialização em marketing e mercado de capitais. Conservador, já atuou nas esferas pública e privada. Foi Gerente de Governança, Riscos e Conformidade do GHC - Grupo Hospitalar Conceição, Gerente Estadual da GEAP, Diretor de Incentivo ao Desenvolvimento da METROPLAN além de3 outras atividades. Assessorou o deputado Onyx Lorenzoni, foi Chefe de Gabinete do Vice-Governador (RS) Paulo Afonso Feijó. Autor do livro "Baile de Cobras", biografia do ex-prefeito de Porto Alegre e ex-governador do Rio Grande do Sul, Ildo Meneghetti, seu avô.