Posts Tagged ‘Propina’

NÃO É PIADA!

2 de outubro de 2015

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A força-tarefa da Operação Lava Jato recebeu um premio na noite de 24 de setembro, em Nova York. O prêmio daGlobal Investigations Review na categoria “órgão de persecução criminal membro do Ministério Público do ano”, foi outorgado para celebrar os investigadores e as práticas de combate à corrupção que mais impressionaram o mundo no último ano.

Desde abril de 2014 o time que atua na Lava Jato apresentou 31 acusações criminais contra 143 pessoas pelos crimes de corrupção, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa, lavagem de dinheiro, entre outros. Detalharam o pagamento de propina de cerca de R$ 6,2 bilhões, sendo que R$1,5 bilhão já foram recuperados. Também foram propostas cinco acusações de improbidade administrativa contra 37 pessoas e empresas pedindo o ressarcimento total de R$ 6,7 bilhões.

 Os procuradores Deltan Dallagnol, Carlos Fernando dos Santos Lima e Roberson Pozzobon representaram a equipe de 11 membros da LavaJato, na cerimônia realizada em Nova York, para onde viajaram a expensas próprias.

 Quase ao mesmo tempo, Dilma Rousseff faz mais uma viagem internacional, de quatro dias, a Nova York, acompanhada de extensa comitiva.

Dona Dilma fez-se acompanhar dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) e Eleonora Menicucci (Política para as Mulheres). Há menos de noventa dias, dona Dilma já tinha gasto bons dólares na mesma Nova York.

Hóspede do Hotel St Regis, na Fifth Avenue, Sua Excelência ocupou a suíte Tiffany de 158 m2. Sala de jantar para dez pessoas mais sala de estar, ao módico preço de US$ 11 mil dólares a diária. Sem falar na hospedagem da comitiva, transporte terrestre, diárias, etc.

Sem medo de cair em demagogia, é impossível resistir a tristeza do contraste entre o fato acima, em comparação ao fato de que os procuradores pagaram a própria viagem.

A Força Tarefa da Lava Jato conseguiu uma façanha . O trabalho deles desnudou um projeto político de crime organizado.

 Enquanto no exterior há o reconhecimento do trabalho da Operação Lava Jato,  aqui no Brasil, concomitantemente aconteceu uma vergonhosa tentativa de impedir que ela produza seus resultados.

Sim, o Supremo Tribunal Federal desvinculou dos processos da Operação Lava Jato a investigação que corre contra a ex senadora paranaense Gleisi Hoffman, do PT. A manobra foi para esvaziar a 13a Vara Federal em Curitiba, onde o juiz Sérgio Moro vem atuando de forma impecável na condução dos processos oriundos das investigações da Operação LavaJato.

O ministro Gilmar Mendes foi o único a expor as graves consequências de se retirar do juiz Sérgio Moro a atribuição de julgar os escândalos da Lava Jato:

“No fundo, o que se espera é que o processo saia de Curitiba e não tenha a devida sequência em outros lugares. Vamos dizer em português bem claro”(…). ” não tem, na história desse país, nenhuma notícia de uma organização criminosa desse jaez, fato que nos envergonha por completo. Estamos falando do maior caso de corrupção do mundo”.

Felizmente, como não poderia deixar de ser, a vergonhosa manobra pegou muito mal, e o golpe contra a Lava Jato, contra o juiz Sérgio Moro e a força-tarefa do MPF e PF poderá ainda ter um resultado inesperado.

A sociedade reagiu e está se manifestando contra o abuso consciente de fatiar os processos da Lava Jato.

Estejamos atentos.

Enio Meneghetti

CLEPTOCRACIA = GOVERNO DE LADRÕES

23 de setembro de 2015

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Segundo o ministro do STF Gilmar Mendes,  o que está instalado no Brasil nesses últimos anos e está sendo revelado na Operação Lava Jato é um “modelo de governança corrupta, algo que merece o nome claro de cleptocracia” que nada mais é, por definição, um modelo em que o Estado é dominado por ladrões.

O ministro não deixou pedra sobre pedra:  “Isso está evidente, veja o que fizeram com a Petrobrás, veja o valor da Petrobrás hoje, por isso que se defende com tanta força as estatais. Não é por conta de dizer que as estatais pertencem ao povo brasileiro. Porque pertencem a eles. Eles tinham se tornado donos da Petrobrás. Esse era o método de governança.”

Gilmar Mendes exemplificou bem, citando a compra de obras de arte caríssimas:  “Veja, não roubam só para o partido, é o que está se revelando, roubam também  para comprar quadros. Isso lembra o encerramento do regime nazista, quando se descobriu que  membros do partido tinham quadros, tinham dinheiro no exterior, é o que estamos vendo aqui.”

Quando isso e muito mais é proferido por um Ministro do STF, a Suprema Corte brasileira, torna-se ainda mais latente aquela consciência do perigo pelo qual passamos e nos safamos por pouco. Não foi mais do que a sorte que livrou-nos de estarmos hoje com o país sendo presidido por ninguém menos que o outrora poderoso ex Ministro Chefe da Casa Civil do governo Lula, o hoje apenado José Dirceu. Não fosse o estouro do desacerto financeiro entre o famigerado personagem e Roberto Jefferson, dificilmente teríamos nos livrado da sina de ter José Dirceu como sucessor de Lula.

Passaram-se anos quase dez anos do mensalão e constatamos que por muito pouco, três ou quatro anos mais, e eles teriam tudo dominado. Teriam partidarizado os tribunais superiores, o Congresso, os órgãos da administração pública, os fundos de pensão, ONGs, os principais veículos da imprensa, internet, redes sociais, tudo. Com os financiamentos ilegais via BNDES aos países aliados e estaríamos a muito mais de meio caminho de virarmos a Venezuela do cone sul. Mais uma vez foi somente o fator sorte (ou um milagre) que fez com que o plano fosse descoberto antes da deblaque total.

O que nos salvou foi um magistrado federal da primeira instância lá do Paraná. O juiz Sérgio Moro, juntamente com os membros da Força Tarefa da Lava Jato, que conseguiram desmontar e derrotar um projeto político criminoso delineado e em pleno andamento.

Porém, enquanto a Operação Lava Jato ainda não concluiu a limpeza, o governo Dilma segue querendo penalizar os brasileiros.  Dona Dilma, a presidente do Conselho de Administração da Petrobras durante as maiores falcatruas contra a estatal, no auge da impopularidade,  além de apelar para o discursinho de ser vítima de “golpe”, agora insiste em querer fazer com que a população cubra o rombo que os governos dela e de seu mentor e antecessor causaram nas contas públicas após anos de desperdício vergonhoso do dinheiro do contribuinte, em uma irresponsabilidade insaciável.

Nem vou me alongar descrevendo “pedaladas” e financiamentos de campanhas eleitorais vergonhosos, estes sim passíveis de serem classificados de “golpes”.

Chega! Já virou deboche!

Enio Meneghetti

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DILMA NÃO SABIA? COMO PODERIA NÃO SABER?

26 de agosto de 2015

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Dilma não sabia? Como poderia não saber?

Dilma presidiu o Conselho da Petrobras por sete anos. Foi ministra das Minas e Energia e depois assumiu a Casa Civil da Presidência da República no lugar do hoje preso José Dirceu.

Tudo isso enquanto os fatos que compõem o escândalo que hoje escandalizam o Brasil e o mundo aconteciam.

A explicação do PT para as verbas desviadas da Petrobras que foram parar como doação das empreiteiras agora investigadas no caixa da campanha, é que  ”tudo foi declarado à Justiça Eleitoral”.

Na última sexta-feira, finalmente, alguém resolveu tomar uma atitude.

Gilmar Mendes, ministro do STF e membro do TSE, enviou documentos ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot e à Polícia Federal, pedindo a abertura de investigação criminal. Para apurar se a campanha de Dilma recebeu dinheiro do Petrolão.

Segundo Gilmar Mendes, os indícios existem e ensejam a abertura de ação penal pública. Enviou os dados também à Corregedoria Eleitoral para a eventual detecção de irregularidades na prestação de contas do PT.

Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, o executivo da Toyo Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, revelaram em suas delações premiadas que parte do dinheiro roubado foi repassado ao PT como doação de campanha.

Pedro Barusco, disse que o PT amealhou cerca de duzentos milhões de dólares somente oriundos da diretoria comandada por Renato Duque, afilhado de José Dirceu.

Ricardo Pessoa, tido como líder do cartel de empreiteiras, revelou à Procuradoria que R$ 7,5 milhões do dinheiro desviado foi parar na campanha de Dilma.

Gilmar Mendes citou termos da delação de Milton Pascowitch, onde o delator afirmou que recursos do petrolão foram repassados a João Vaccari Neto, “simulando contrato de prestação de serviços”.

O ministro ressaltou que doação de recursos vindos de prática criminosa é indicio de crime de lavagem de dinheiro. Ele lembrou que omissão de recursos na contabilidade da campanha seria crime de falsidade ideológica eleitoral.

Gilmar Mendes frisou que várias empresas investigadas na Lava-Jato fizeram doações vultosas ao Diretório Nacional do PT.

Citou a UTC, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS, Odebrecht,  Engevix.

Segundo o TSE, o PT doou diretamente R$ 13,6 milhões à conta da campanha de Dilma. O comitê de campanha da candidata recebeu doações no total de R$ 47,5 milhões diretamente das empresas investigadas na Lava-Jato.

O ministro questionou ainda alguns detalhes que soam como pérolas entre as despesas da campanha: “a candidata despendeu grandes valores em contratos com fornecedores com incerta capacidade de cumprir ou entregar os respectivos objetos”. Citou a empresa Focal.  Na prestação de contas, aparece um pagamento de R$ 24 milhões à empresa por prestação de serviços, o segundo maior contrato da campanha. O ministro ressaltou que a empresa tem como sócio um motorista.

A gráfica VTPB, recebeu R$ 22,9 milhões da campanha para fornecer material impresso. De acordo com o delator Ricardo Pessoa, parte do valor teria vindo do esquema de corrupção da Petrobras.

Porém, até agora ninguém havia tomado nenhuma providência para investigar isso tudo, que inclusive já saiu na imprensa.

Estamos diante de um caso que é um escárnio!

Enio Meneghetti

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TIROU MUITA LÃ. AGORA SERÁ TOSQUIADO

31 de julho de 2015

Tirou muita la

 

Luiz Inácio Lula da Silva: “Eu quero dizer para vocês que eu estou cansado de mentiras e safadezas. Eu estou cansado de agressões à primeira mulher que governa esse país. Eu estou cansado de ver o tipo de perseguição e o tipo de criminalização que tentam fazer às esquerdas nesse país. Eu tenho a impressão que muitas vezes a gente vê na televisão, parece os nazistas criminalizando os judeus, os romanos criminalizando os cristãos, os fascistas criminalizando o povo italiano. Parece tantas outras perseguições que a gente já viu”.

 

Em um final de semana onde o elemento acima nominado foi capa negativa de uma das revistas mais importantes deste país, ele teve o topete de pronunciar estas palavras. Aliás, sempre que é acossado por suspeitas terríveis, ele apela para o discurso do coitadismo. É uma farsa que não engana a mais ninguém que seja isento ou possuidor de pelo menos dois neurônios.

 

A reportagem explica o relacionamento entre Léo Pinheiro, o homem que brindou o ex presidente com o apelido de Brahma, e Lula. As revelações incluem os devidos respingos na fortuna amealhada por Lulinha. Léo Pinheiro, ex presidente da empreiteira OAS, está negociando a delação premiada. É uma bomba armada para explodir. No colo de Lula.

Depois de preso por seis meses em Curitiba, agora em prisão domiciliar, carrega a indefectível tornozeleira eletrônica. Enterrado até a alma na Lava Jato, se condenado, amargará dezenas de anos no cárcere. Veja afirma que Léo Pinheiro relatará ao Ministério Público Federal detalhes de como o ex-presidente se beneficiou fartamente da farra do dinheiro público roubado da Petrobras.

Algumas das revelações:

– A OAS presenteou Lula com uma reforma em um sítio em Atibaia – SP. O imóvel está em nome de um sócio de Lulinha, mas  o verdadeiro dono é Lula;

– Léo Pinheiro arranjou, a pedido de Lula, serviço e dinheiro para o marido de Rosemary Noronha, sua amante, porque ela ameaçava contar tudo que sabia dos esquemas do petista após ser abandonada em desgraça;

– Léo Pinheiro também traria detalhes de como Lula virou dono do tríplex no edifício Solaris, no Guarujá (SP), em uma das oito obras assumidas pela OAS depois do escândalo da quebra em 2006 da Bancoop, então presidida por João Vaccari Neto.

Isso seria apenas uma amostra do produto oferecido ao MPF. É mole?

Lula tem motivos para preocupação, o que o leva a proferir as besteiras transcritas lá em cima.

Ele não perde por esperar. Vem chumbo grosso. 

Enio Meneghetti

 

 

 

BOMBA – Conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa

26 de junho de 2015

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Em reportagem de 12 página, VEJA desta semana traz a lista completa de quem recebeu dinheiro sujo de Ricardo Pessoa, conforme sua denúncia.

A revista teve acesso aos termos do acerto da delação premiada e revela:

“O conteúdo é demolidor. As confissões do empreiteiro deram origem a 40 anexos recheados de planilhas e documentos que registram o caminho do dinheiro sujo. Em cinco dias de depoimentos prestados em Brasília, Pessoa descreveu como financiou campanhas à margem da lei e distribuiu propinas. Ele disse que usou dinheiro do petrolão para bancar despesas de 18 figuras coroadas da República. Foi com a verba desviada da estatal que a UTC doou dinheiro para as campanhas de Lula em 2006 e de Dilma em 2014. Foi com ela também que garantiu o repasse de 3,2 milhões de reais a José Dirceu, uma ajudinha providencial para que o mensaleiro pagasse suas despesas pessoais. A UTC ascendeu ao panteão das grandes empreiteiras nacionais nos governos do PT. Ao Ministério Público, Pessoa fez questão de registrar que essa caminhada foi pavimentada com propinas. Altas somas.”

Veja a lista dos acusados:

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Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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ARMAGEDON “PT em pânico: Marcelo Odebrecht ameaça revelar esquema de campanhas; e delação de Ricardo Pessoa deve sair “

22 de junho de 2015

do blog de Felipe Moura Brasil – Veja

A coluna Painel, da Folha, traz duas ótimas notícias:

1) “A prisão de Marcelo Odebrecht levou pânico ao mundo político pelo grau de conhecimento que o presidente da empreiteira tem dos pormenores da engrenagem do financiamento eleitoral ao PT nos últimos anos. Mesmo negando participação de sua empresa no escândalo de corrupção na Petrobras, o executivo teria feito relatos de como o esquema abasteceu campanhas petistas em 2010 e 2014. O temor é que, se ficar preso por muito tempo, Marcelo resolva desfiar esse novelo.”

Quem deve teme. O temor do PT é sempre a confissão possível da sua própria culpa.

Neste caso, ele indica que Dilma Rousseff – hoje reprovada por 65% dos brasileiros, segundo o Datafolha – é mesmo uma presidente ilegítima, eleita com dinheiro de propina.

2) “Atônitos com as prisões, políticos lembravam no fim da semana que ainda está por ser conhecido o teor da delação de Ricardo Pessoa, da UTC, que deve ser homologada nos próximos dias pelo relator Teori Zavascki.”

Finalmente, Zavascki.

A quem já esqueceu, relembro: Ricardo Pessoa, homem-bomba para o PT, declarou aos procuradores da Operação Lava Jato que pagou:

– 7,5 milhões de reais à campanha de Dilma Rousseff, em 2014.
– 2,4 milhões de reais à campanha de Lula, em 2006.
– 2,4 milhões de reais à campanha de Fernando Haddad, em 2012.
– 3,1 milhões de reais à empresa de consultoria de José Dirceu.

Pessoa também afirmou que a gráfica fantasma VTPB  foi usada para que dinheiro fruto do petrolão chegasse à campanha petista como se fosse uma doação oficial.

Relembro trecho de uma matéria de maio da IstoÉ:

“Uma das pistas reveladas por Pessoa atinge diretamente a campanha de Dilma e sua contabilidade.

Aos procuradores, o dono da UTC teria indicado que parte dos R$ 26,8 milhões que o PT pagou a VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior teve origem no petrolão.

Só a campanha de Dilma injetou na VTPB quase R$ 23 milhões, dinheiro que daria para imprimir 368 milhões de santinhos do ‘tipo cartão’, modelo descrito nas notas fiscais anexadas à prestação de contas.

O montante é duas vezes e meia o total de eleitores habilitados no país.”

Como comentei na ocasião: o PT paga o suficiente para imprimir material de campanha para dois Brasis e meio, e quer quer que você acredite que o objetivo era mesmo imprimi-lo.

Esse novelo tem de ser desfiado já.

Esperamos que Marcelo Odebrecht e Ricardo Pessoa derrubem juntos a República do PT.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

 

A bruxa continua solta

3 de junho de 2015

a bruxa continua solta

Não foi mau para o governo o surgimento do escândalo da FIFA. Ele ajuda muito a desviar a atenção sobre outros escândalos mais graves.

Muito mais do que eventuais desvios realizados por autoridades esportivas, afetam muito mais aos brasileiros os escândalos diários sobre desvios ocorridos nas obras de estatais e do próprio governo.

É claro, sem deixar de lado o fato de que, coincidentemente, as mega obras de construção de estádios inúteis como o de Manaus e outros foram realizadas pelas mesmas empreiteiras que atualmente monopolizam o noticiário. Isso é bem mais importante do que conhecer as peripécias dos cartolas do futebol.

Enquanto o assunto FIFA desviava a atenção, uma das revelações do final de semana que passou veio em reportagem de  “O Estado de S.Paulo”. O fato de que os investigadores da força tarefa da operação Lava Jato encontraram indícios de desvios de dinheiro na construção do Estaleiro Rio Grande, aqui pertinho, iniciada em 2006, e nos contratos fechados para produção de cascos de plataformas e sondas de exploração de petróleo, a partir de 2010. A WTorre construiu o Estaleiro, mas  em 2010, vendeu seus direitos no negócio para a Engevix.


Estão sendo investigados pagamentos da WTorre e Engevix às empresas de consultorias de quem? 
Antonio Palocci e José Dirceu.  


Palocci  alega que os pagamentos da W Torre à sua empresa, a Projeto Consultoria, foram referentes a quatro palestras aos diretores da empresa, cada uma por R$ 20 mil. A empreiteira apresentou 18 notas fiscais, num total de R$ 350 mil, emitidas pela Projeto, em 2007, 2008, 2009 e 2010.

A JD Assessoria e Consultoria, de José Dirceu recebeu R$ 2,6 milhões da Engevix, entre 2008 e 2012 – parte diretamente e outra parte por meio da Jamp Engenheiros Associados, do lobista Milton Pascowitch.

Às partes citadas, é claro, negaram que os contratos de consultorias prestados tiveram qualquer  relação ou possibilidade de pagamento de propina.

Agora, o que preocupa mesmo o Planalto é a questão sigilo das operações de crédito do BNDES. A pressão para que seja aberta uma CPI do BNDES é e tem de ser, cada vez maior. É assunto muito mais do que arrasa-quarteirão.

A questão é: por que o governo se esforça tanto em esconder os detalhes dos investimentos financiados pelo BNDES com nosso dinheiro em Cuba, Angola e outros países?

“Estes segredos cheiram mal”, chegou a declarar o deputado Onyx Lorenzoni.

Por que esta insistência governamental em descumprir o artigo 49/1 da Constituição Federal, que diz claramente:

“É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;

 

Mais claro que isso, impossível. Mas o governo além de descumprir este dispositivo legal, ainda se dá ao requinte de sonegar as informações ao público. Por que?

Isso ainda vai render muito.

Enio Meneghetti

 

Assista isso e reflita:

29 de maio de 2015

Será que nossas mais altas autoridades se safariam, havendo uma investigação séria sobre o tema?

 

Comprovada na CPI a mentira do tesoureiro do PT João Vaccari

24 de abril de 2015

Em seu depoimento ontem a CPI da Petrobrás, o executivo da Toyo Setal,  Augusto Mendonça Neto, ajudou a comprovar uma mentira do ex tesoureiro do PT, atualmente preso, João Vaccari Neto.

Vaccari vinha sustentando que exercera o cargo que Tesoureiro do PT somente a partir do ano de 2010, época em que, segundo ele, só teriam ocorrido doações “legais” ao partido.  Ele sempre negou ter arrecadado recursos para o PT antes deste período. O deputado Onyx Lorenzoni já o havia inquirido sobre este ponto específico quando o ex tesoureiro depôs na CPI, semanas atrás, antes de ser preso.

Ontem, o executivo Augusto Mendonça Neto revelou que Renato Duque orientou-lhe que procurasse por Vaccari em 2008, no período em que ele nega ter sido tesoureiro do partido, na sede do PT em São Paulo, para fazer doações eleitorais.

Em 2008 ele era agente de propina. Ele era assaltante da Petrobras. E foi nessa condição que o senhor falou com ele – concluiu o deputado Onyx.

O executivo da Toyo Setal confirmou a mentira de Vaccari.

Ao sustentar que era tesoureiro somente a partir de 2010, João Vaccari Neto esqueceu que em 2008 Renato Duque, ex diretor da estatal e atualmente também preso, orientou Mendonça Neto a procurá-lo no diretório do PT em SP para saber como ele deveria fazer para operacionalizar para repassar ao PT parte do dinheiro desviado nos contratos da Petrobrás.

Veja aqui a inquirição do deputado Onyx a Augusto Mendonça Neto: 

 

 

E aqui o depoimento de João Vaccari, antes de ser preso.

Ontem, Alberto Yousseff detonou. Lava Jato reúne provas contra João Vaccari Neto.

2 de abril de 2015
O doleiro Alberto Youssef prestou novo depoimento ontem e detonou de vez o tesoureiro petista João Vaccari Neto.
O pavor nas hostes petistas é o pedido de prisão preventiva do tesoureiro. Bastante previsível, de acordo com o exame da documentação apresentada a seguir.
Alberto Youssef fez afirmações novas e inéditas.  Entre estas, disse que as empresas Odebrecht e Braskem depositavam as propinas relativas ao esquema de corrupção da Petrobras no exterior.
Também contou como entregou, a pedido de fornecedoras da estatal, propina em dinheiro no seu escritório, na Zona Sul de São Paulo, e na porta do prédio do Diretório do PT, em São Paulo:

“Eu usei uma das empresas do Waldomiro Oliveira (laranja de Youssef, titular da empresa Rigidez) para fazer uma operação para a Toshiba (…). Foram dois valores de R$ 400 e poucos mil que foram entregues, a mando de Toshiba, ao tesoureiro João Vaccari”.

 

“Reconheço meu erro. Resolvi fazer colaboração espontaneamente e retificar outros depoimentos. Eu era meramente engrenagem desse processo todo, tinha o poder público por trás disso tudo. Estou pagando que que fiz. Já estou preso há mais de um ano e não sei por quanto tempo ainda ficarei preso, mas infelizmente acabei de me envolvendo mais uma vez num escândalo”.

Youssef deu ainda os nomes dos diretores da Odebrecht que autorizavam as operações do doleiro no exterior:

“Era o senhor Márcio Faria, presidente da Odebrecht Óleo e Gás, o Cesar Rocha que era diretor financeiro da holding. Pela Brasken, que é do mesmo grupo, o contato era o Alexandrino”.

Youssef revelou que a primeira parcela da propina foi retirada pela cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, senhora Marice Correa de Lima, no escritório dele.

O restante foi entregue na porta do prédio do Diretório Nacional do PT, em São Paulo, por Rafael Ângulo Lopez – o mesmo que possibilitou ampla reportagem de Veja, refazendo a rota da propina.

Ângulo entregou o dinheiro na porta do PT a um representante da Toshiba, que repassaria o dinheiro a Vaccari.

O Blog de Fausto Macedo, no Estadão,  apresentou alguns dos documentos relativos às novas revelações de Youssef.
No depoimento de ontem, Youssef explicou como a Rigidez foi usada para esquentar o dinheiro destinado ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a pedido do executivo da Toshiba, José Alberto Piva Campana.
No material, que faz parte do inquérito aberto em janeiro tendo como alvo o negócio da Toshiba, há três notas fiscais emitidas pela Empreiteira Rigidez contra a Toshiba, totalizando R$ 1.494.318,42.
As notas de número 16, 22 e 24 foram emitidas nos dias 9 e 24 de abril e no dia 15 de maio, de 20123. Todas no valor de R$ 498.106,14.
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material sobre Toshiba e Rogidez no relatório da PF
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Cópia de uma das notas fiscais de pagamento da Toshiba para empresa de fachada de Youssef

Há ainda cinco folhas de uma proposta de contrato da Rigidez para a Toshiba com valor final de contrato de R$ 2.088.310.

O material foi encontrado nas buscas que a Polícia Federal fez na Arbor Contábil, empresa da contadora do doleiro, em São Paulo, em abril do ano passado e fazem parte do inquérito aberto para apurar o caso da Toshiba.

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Proposta de contrato entre Toshiba e empresa de laranja de Youssef

No local, foram obtidas ainda cópias de dois e-mails trocados entre outro executivo da Toshiba, Rubens Takimi Nomada, e Waldomiro Oliveira – laranja de Youssef na empresa Empreiteira Rigidez.

No primeiro e-mail o executivo pede proposta de contratação e a minuta do contrato para “prestação de serviços para o projeto Comperj Substações Unitárias”.

No segundo e-mail, o executivo solicita a revisão da proposta e lembra que é preciso reconhecer a firma no contrato.

 

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Email pedindo retificação e reconhecimento da firma no contrato frio.

No depoimento prestado ontem, Youssef detalhou a logística da entrega dos R$ 400 mil na porta do PT, em São Paulo, a pedido de Piva.

“O valor do PT foi negociado com João Vaccari, que na época representava o PT nos recebimentos oriundos dos contratos com a Petrobrás”, explicou.

Segundo Youssef, a contratação da Toshiba para as obras da Casa de Força, do Comperj, entre 2009 e 2010, correu o risco de ser desclassificada.  Foi quando ele, Youssef e o Paulo Roberto Costa foram acionados  para resolver o problema. O contrato era de aproximadamente R$ 130 milhões, que,  com descontos, baixou para R$ 117 milhões.

Foi Piva que pediu para usar uma de suas empresas de fachada – a Rigidez – “para fazer o repasse ao PT e ao PP”.

Na dia da entrega na sede do PT, Youssef afirmou que “Piva informou que almoçaria com João Vaccari e ali aproveitaria para fazer a entrega de parte do restante destinado ao PT”.

Yosseff disse que o executivo da Toshiba dias antes havia ido até seu escritório “mas ficou temeroso de sair com uma quantia alta e marcou uma segunda oportunidade para receber os valores e de imediato já entregar a Vaccari”.

Foi Rafael Ângulo Lopes – o mesmo que possibilitou excelente matéria de Veja desta semana pgs 46 a 49 refazendo a rota da propina – que levou a quantia, segundo afirmou o delator.

Ele diz ter pedido a Ângulo para levar a quantia em um restaurante indicado por Piva, que fica perto da Avenida Paulista e ali lhe entregar uma sacola lacrada com os valores devidos.

No dia 3 de fevereiro, porém, perante a delegada da Polícia Federal Erika Mialik Marena e os procuradores da República Carlos Fernando Santos Lima e Januário Palludo, o doleiro prestou depoimento complementar no âmbito da delação premiada que firmou. Na ocasião, foi indagado a dar mais detalhes sobre “as operações financeiras em que destinou valores para João Vaccari Neto”.

Youssef disse que “posteriormente tomou conhecimento que no meio do caminho Rafael foi orientado a entregar o dinheiro diretamente na sede do PT em São Paulo, tendo entregue os valores na porta da sede do partido para Piva, que lá se encontrava”.

O entregador, Rafael Ângulo Lopez, é uma figura com “memória fotográfica”. Segundo Veja, os procuradores que o interrogaram nas últimas semanas, recolheram “farto material probatório”.

Segundo a ampla reportagem de Veja,  Rafael Ângulo Lopez narrou aos investigadores que, por determinação de Youssef, acompanhou o executivo José Alberto Piva Campana, da Toshiba Infraestrutura, em duas entregas de dinheiro ilegal na sede do PT em São Paulo.

Nas duas ocasiões, o dinheiro, acomodado em malas de viagem, deixou o escritório do doleiro em um Porsche Cayenne blindado.

Ângulo dirigiu o carro até a sede do PT. Parou o veículo na porta e coube ao executivo fazer a entrega. Para conferir credibilidade ao relato, os investigadores imprimiram um mapa do trajeto e Ângulo descreveu cada esquina do percurso, a situação climática no dia das entregas, chegando a reproduzir a conversa travada com o executivo até o destino.

Ângulo também cumpria missões para o clube das empreiteiras e, além da memória fotográfica, mantinha em uma planilha de computador os contatos que fazia em sua rotina de “homem mala”.

Rafael Ângulo Lopez fechou acordo de delação premiada.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/investigadores-da-lava-jato-reconstituem-a-rota-do-money-delivery/

O QUE DIZEM  AS DEFESAS

Como sempre, Vaccari nega tudo. Por meio de seu advogado, o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, repudia taxativamente as acusações. D’Urso tem reiterado que o tesoureiro só arrecadou quantias declaradas à Justiça eleitoral. O criminalista rechaça o valor dos depoimentos prestados em regime de delação premiada. Segundo D’Urso, os delatores “não dizem a verdade”.

Em nota, afirmou que “nega veementemente que tenha recebido qualquer quantia em dinheiro por parte do senhor Alberto Youssef ou de seus representantes”:

“em fevereiro, Youssef afirmou que uma suposta entrega do dinheiro teria sido feita em um restaurante em São Paulo. No depoimento de hoje, se contradiz e afirma que foi na frente da sede do PT. Youssef também afirma que um funcionário dele teria entregue o dinheiro a um representante da empresa Toshiba, e não diretamente a Vaccari ou a outro representante do PT. A Toshiba nega veementemente que algum dos seus funcionários tenha repassado recursos para representantes do PT”.

“A afirmação de Youssef causa ainda mais estranheza porque sua contadora, Meire Bonfim Poza, declarou à CPI Mista da Petrobras, no último dia 8 de outubro, que não conhece e que nunca fez transações financeiras com Vaccari Neto. Essa Secretaria de Finanças reitera que todas as doações que o Partido dos Trabalhadores recebe são feitas na forma da lei e declaradas à Justiça”.
As empreiteiras, da mesma forma, negam tudo também.“A Odebrecht e seus integrantes negam as alegações caluniosas feitas por doleiro réu confesso em investigação em curso na Justiça Federal do Estado do Paraná. A Odebrecht nega a existência de qualquer irregularidade nos contratos firmados com a Petrobras, todos conquistados de acordo com a lei de licitações públicas.”

“A Andrade Gutierrez nega que tenha mantido qualquer tipo de contato com o Sr. Alberto Youssef. Vale ressaltar, inclusive, que, em depoimentos anteriores, o Sr. Alberto Youssef já havia deixado claro que não tratava de qualquer assunto com a Andrade Gutierrez e seus executivos. A Andrade Gutierrez reitera, como tem feito desde o início da Operação Lava Jato, que não tem ou teve qualquer envolvimento com os fatos relacionados com as investigações em curso. “

Acesse aqui a portaria do inqúerito da Toshiba.