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SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER

21 de outubro de 2015

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Este artigo foi publicado na quarta feira, 21 de outubro.

Hoje, 24/10 a Folha publica a matéria cujo link segue abaixo.

Por que será que agora ninguém mais quer ouvi-lo? Leia o artigo “Só não vê quem não quer” e saberá.

Lava Jato freia contratação de Lula para dar palestras

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/10/1697967-lava-jato-freia-contratacao-de-lula-para-dar-palestras.shtml?cmpid=newsfolha

SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER

Lula deixou a presidência da República e passou a fazer palestras.

Isso era noticiado e perguntava a mim mesmo: Como funciona esse negocio? Por que vêm esses convites? Qual a razão, o interesse de uma empresa privada em pagar tanto dinheiro para ouvi-lo? Afinal, sem ofensa, mas qualquer pessoa do mundo corporativo ou com um mínimo de cultura, sabe que embora seja esperto e um mestre na comunicação, o discurso de Lula é absolutamente raso.

Hoje sabemos, as palestras dele encomendadas pela Odebrecht, viajando mundo afora em aviões fretados pela empresa, geraram obras fantásticas nos países visitados. O BNDES bancando a farra.

Aqui no Brasil Lula também fez das suas. E como! Antes de recordarmos as estrepolias na Petrobras, podemos lembrar a história mal contada da construção do estádio do Corinthians, o famigerado Itaquerão. Exemplo claro da orgia que se fez com o dinheiro dos brasileiros.

Aliás, como torcedor do Internacional sempre estranhei aquela intervenção de Dilma para solução do impasse entre Inter e Andrade Gutierrez. Dilma mandou e a Andrade Gutierrez obedeceu e fez a reforma de nosso Beira Rio. Lembro bem da descrição fantástica do diálogo da “madrinha” como os veículos mais aduladores a classificaram.

“É meu clube, é meu Estado. Não há hipótese nenhuma de a empresa sair e deixar todo mundo na mão.”

Ora, será que não conhecem a máxima de Milton Friedman, que ensina que “não existe almoço grátis”?

Impressiona o fato de que as pessoas esqueçam fatos como esses e se surpreendam quando após anos de esbanjamento em parcerias para lá de esquisitas, como nas obras da Petrobras e tantas outras, Lula, Dilma e seu partido tenham levado o Brasil à breca.

Em meio à mais terrível crise que já vivemos – e vai piorar! – a opinião pública se pergunta: como isso aconteceu?

Enquanto o mundo enfrentava com galhardia e responsabilidade a crise de 2008, o “mago” Lula dizia: gastem, comprem, torrem, endividem-se. É só uma marolinha!

Pois agora é que vamos recém começar a ver o tamanho do tsunami causado por esses aventureiros. O esquemão econômico que tomou conta do Estado brasileiro ainda permanece no Palácio do Planalto. E Lula está sendo investigado pelo Ministério Público por tráfico de influência internacional.

Seus problemas legais crescerão proporcionalmente ao agravamento da crise que recém inicia.

Enio Meneghetti

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POLÍCIA FEDERALQUER INVESTIGAR OS PODEROSOS

16 de setembro de 2015

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Lula sempre fez questão de alardear que em seu governo a Polícia Federal adquiriu autonomia.

Não faz muito, em uma homenagem a seu falecido ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, Lula bravateou:

“Por muito tempo, a Polícia Federal foi reduzida ao papel de instrumento da repressão política. A partir daquela indicação, a Polícia Federal conquistou finalmente o seu espaço republicano.”

Passou a alcançar “os poderosos”.

Então Lula deve estar bastante feliz com o pedido do delegado Josélio Azevedo de Sousa, ao ministro Teori Zavascki, do STF, de  autorização para que ele, Lula,  seja interrogado para  explicar seu envolvimento no esquema investigado na operação Lava-Jato. Disse o delegado, em seu pedido:

 

“(…) a presente investigação não pode se furtar de trazer à luz da apuração dos fatos a pessoa do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que, na condição de mandatário máximo do país, pode ter sido beneficiado pelo esquema em curso na Petrobras, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidário sustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal”.

 

O delegado estendeu seu pedido também aos ex-ministros Gilberto Carvalho, Antônio Palocci, Ideli Salvatti, José Dirceu, mais  o presidente do PT, Rui Falcão, além dos ex-presidentes da Petrobras, Sergio Gabrielli e José Eduardo Dutra.

 

 

“Nenhum dos arrolados nega que as nomeações para as diretorias da Petrobras ora investigadas demandaram apoio político-partidário que, por sua vez, reverteu-se em apoio parlamentar, ajudando a formar, assim, a base de sustentação política do governo. Dentro dessa lógica, os indícios de participação devem ser buscados não apenas no rastreamento e identificação de vantagens pessoais porventura obtidas pelo então presidente, mas também nos atos de governo que possibilitaram que o esquema se instituísse e fosse mantido, uma vez que, tal como já assinalado, não se trata apenas de um caso de corrupção clássica”.

 

Outubro está chegando. Será um mês para não esquecer.

Enio Meneghetti

 

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CVM investiga ex-conselheiros da Petrobras por induzir investidor a erro Entre os investigados estão Mantega, Miriam Belchior e Luciano Coutinho. Eles ainda teriam aprovado medidas que inviabilizavam plano de negócios.

5 de maio de 2015

Já estava mais do que na hora.

 

Conselho de Administração da Petrobras (Foto: Editoria de Arte/G1)

 

São alvos da investigação o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, a ex-ministra do Planejamento e atual presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o ex-secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia e atual presidente da Eletrosul, Marcio Zimmermann.

Além deles, são investigados Sérgio Quintella, Jorge Gerdau, José Maria Ferreira Rangel e Francisco Roberto de Albuquerque.

Segundo o CMV, órgão regulador do mercado de capitais, o processo visa a apurar a responsabilidade dos investigados na suposta indução dos investidores a erro. Ao aprovarem o Plano de Negócios 2014-18, eles também teriam concordado com uma política de controle de preços de combustíveis do governo que inviabilizava o cumprimento das metas.

Dos investigados, apenas o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, segue no Conselho daPetrobras, que foi renovado recentemente.

A CVM ainda aguarda a defesa dos citados no processo.

De acordo com a comissão, se comprovada a suspeita, os citados podem ter de pagar multa e ficar proibidos de exercer cargo de administrador ou de conselheiro fiscal de companhia aberta, entre outras penalidades.

O G1 procurou os citados no processo e a Petrobras para comentar o assunto, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

O Conselho de Administração da Petrobras é o órgão de orientação e direção superior da companhia, responsável pela definição e aprovação do plano estratégico de negócios, bem como pela eleição da diretoria e fiscalização da gestão e contas da empresa. É o responsável pela aprovação de qualquer negócio ou operação que tenha impacto no futuro da empresa

O colegiado é composto por 10 integrantes escolhidos para um mandato de um ano, sendo permitida reeleição. Os conselheiros são escolhidos pelos acionistas. Dos 10 integrantes do órgão, 7 são indicados pelo acionista majoritário. Ou seja, o governo federal tem a maioria dos votos e é quem controla o conselho.

Dos outros 3 conselheiros, 1 é indicado pelos acionistas minoritários titulares de ações ordinárias, 1 é indicado pelos acionistas titulares de ações preferenciais e 1 escolhido pelos funcionários da empresa em eleição direta.

O conselho se reúne uma vez por mês, no mínimo, e, extraordinariamente, sempre que necessário. Pelo estatuto da companhia, os conselheiros podem participar das reuniões por telefone ou videoconferência, se necessário.

Os membros do conselho recebem honorários mensais fixos, o chamado jeton, correspondentes a até um décimo (10%) da média mensal do que recebem os membros da diretoria executiva. Segundo a Petrobras, o valor da remuneração atual definida pela assembleia geral dos acionistas está fixado em R$ 10.253,07 e independe do número de reuniões realizadas em um mês.

Matéria do G1 em São Paulo

05/05/2015 08h57 – Atualizado em 05/05/2015 10h53

O lorde do BNDES

16 de abril de 2015

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Falando pausadamente, escolhendo vagarosamente cada palavra, cada sílaba, cada tempo verbal cuidadosamente, Luciano Coutinho  presta, até agora, 13:45 h,  momento em que a TV Câmara tira do ar a transmissão da sessão, um enfadonho depoimento na CPI da Petrobrás.

Sempre deixando claro não interferir nas áreas técnicas do banco, só falta fazer cara de nojo ao explicar que essas tarefas mundanas estão delegadas às áreas técnicas, distantes dos espessos tapetes de em que trafega no andar da presidência da nobre instituição que preside. Assim vem se esquivando – até agora – das tentativas dos deputados que o inquiriram de obter alguma informação útil para o que quer que seja.

Há pouco discorreu sobre o sigilo que deve proteger detalhes da situação econômica de empresas que contratam com o BNDES, porém  disse que jamais o banco deixará de prestar informações quando exigidas formalmente.

Sobre os empréstimos milionários a países estrangeiros, que contrariam o artigo 49 ítem 1 da Constituição Federal, que subordinam auxílios, gravames e créditos externos ao exame do Congresso, NADA.

http://www.eniomeneghetti.com

Quem será o primeiro a enfartar?

9 de abril de 2015

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Nota publicada na última edição da revista Época traz a informação de que, finalmente, estaria para começar a mais temida das delações premiadas da operação Lava Jato. A Procuradoria-Geral da República já teria acordado com o engenheiro Ricardo Pessoa, da UTC, os termos de sua delação.

Coordenador do cartel das empreiteiras, Pessoa é o personagem que faltaria para expor Lula, Vaccari e José Dirceu. Pessoa já revelou a pessoas próximas que pagou despesas pessoais do ex-ministro José Dirceu, deu 30 milhões de reais em 2014 a candidaturas do PT, incluindo a presidencial de Dilma Rousseff – tudo com dinheiro desviado da Petrobras.  Além disso, seria o grande conhecedor da atuação do cartel de empreiteiras nos demais órgãos do governo.

Ele já teria começado a falar tudo o que sabe, mas o conteúdo explosivo só tem valor processual após a homologação do acordo pelo relator do processo da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki.

Na outra ponta, Dilma teria confidenciado a interlocutores que estariam próximas a acontecer a soltura dos presos preventivamente pela operação Lava Jato, entre eles o próprio Ricardo Pessoa.

A avaliação é de que, se essa previsão se confirmar, a tendência seria os empresários abandonarem as negociações com os procuradores, tornando praticamente nulas as possibilidades de colaborarem com as apurações.

Dilma fez tal prognóstico ao se referir ao julgamento que a Segunda Turma do STF fará, nos próximos dias, do pedido de libertação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC.

Como ela teria conhecimento de decisões ainda não proferidas pela mais alta corte do país, é algo que não se sabe.

Vamos analisar os fatos: embora Dilma esteja com apenas 12% de aprovação, o governo não deve estar assistindo inerte os fatos acima descritos.  Usará todos os meios – republicanos ou não – que tiver a seu alcance de evitar esses fatos, que tem potencial avassalador.

Nos meios políticos já se comenta, abertamente, que a Força Tarefa do Ministério Público Federal tem indícios para implicar pessoas do último pavimento. Principalmente aquele que já teve foro privilegiado e hoje não o detém.

Até onde irão a motivação, as condições e a vontade de Dilma para continuar no Palácio do Planalto com aprovação de 12 % e em queda, é uma grande dúvida.

O potencial de traição e debandada do barco de Dilma é óbvio ululante.

Some-se a isto a crise econômica em curso. Falta pouco para o Brasil evoluir de uma recessão já visível para uma depressão.

Com a crise política se intensificando, resta saber de que lado será o primeiro personagem a enfartar.

Esse poderá ser o melhor indício de para o qual o lado a balança irá pender.

www.eniomeneghetti.com

Graça Foster, candidamente, pede “desculpas” e “tem vergonha” do que aconteceu na Petrobrás. Mas mesmo recebendo emails de Venina Velosa da Fonseca, nada fez. E assistiu, inerte, à transferência punitiva da denunciante para o outro lado do mundo.

27 de março de 2015

Assista o vídeo a seguir e veja também a tentativa desesperada da deputada Maria do Rosário de atrapalhar a inquirição da amiga de Dilma.

(se o vídeo não estiver visível aqui, clique no título para acessá-lo)  

A partir dos 13:30 segundos do vídeo, um resumo dos fatos NÃO explicados pela ex-presidente da Petrobrás.

 

PF prende sócio da Galvão Engenharia e mais um operador do esquema

27 de março de 2015

A desocupação da carceragem da PF em Curitiba não deixava dúvidas que aconteceriam novas prisões.

– Ainda há lugares disponíveis.  

Dario Q Galvão

foto: Folha SP

A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta feira, 27 de março, Dário Queiroz Galvão (foto), sócio da Galvão Engenharia.

Réu em uma ação penal originada pela operação Lava Jato, Galvão é acusado de pagar propina a políticos e executivos da Petrobras por facilidades em contratos da estatal. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na casa dele.

Na decisão do juiz Sergio Moro, ele argumentou que depoimentos como o do operador Shinko Nakandakari, apontaram Dario Galvão como o “mandante” de crimes praticados pela empresa, como corrupção e lavagem de dinheiro. Shinko Nakandakari afirmou em depoimento que era do empresário a decisão final sobre os valores de propina pagos a executivos da Petrobrás.

Como provas, o magistrado menciona que há contratos firmados entre a Galvão e uma empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef. A investigação também apontou o pagamento por serviços que nunca existiram, simulados para lavar dinheiro.

Segundo o juiz, os valores somam R$ 4,1 milhões. Outras notas fiscais mostram pagamentos em um total de R$ 1,3 milhão para a empresa de Alberto Youssef.

No Rio de Janeiro foi preso o operador Guilherme Esteves de Jesus. Ele é um dos onze operadores investigados na operação  My Way, e investigado de pagar propina para o estaleiro Jurong, segundo apontou em delação premiada o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco. Guilherme teria transferido 8,2 milhões reais por meio de offshores para Barusco, para o Renato Duque, para o ex-presidente da Sete Brasil João Ferraz e para Eduardo Musa, ex-diretor de Participações da Sete Brasil.

A decisão do juiz federal Sérgio Moro baseou-se nas delações de Barusco, de Alberto Youssef e de Paulo Roberto Costa em confessaram ter recebido propina da Galvão Engenharia.

 

A Galvão Engenharia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio nesta semana. O objetivo do procedimento, em que fornecedores e credores deixam de ser pagos, é evitar a falência.

Pela assessoria de imprensa, o Grupo Galvão informou que Dario Teixeira é presidente da Galvão Participações, controladora do Grupo Galvão, e a Galvão Engenharia, empresa do grupo, não se manifestará sobre o assunto.

 

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Uma aula sobre impeachment com o jurista Ives Gandra

13 de março de 2015

Imperdível!

Entrevista com o jurista Ives Gandra no programa The Noite, de Danilo Gentili em 09 de março de 2015.

Aprenda com bom humor!

 

A corrupção em escala industrial na Petrobrás

12 de março de 2015

“Ninguém tirará do lulopetismo a primazia de ter feito um assalto amplo e bem organizado à estatal, inclusive com o toque requintado de converter propina em doação formalmente legal a partido e candidatos.”

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Editorial de O Globo 12.03.2015

“Não causou o impacto do depoimento do marqueteiro de Lula, Duda Mendonça, na CPI dos Correios, em agosto de 2005, em que ele, ao dizer que recebera do PT em uma conta em paraíso fiscal, confirmou que o partido transacionava com dinheiro sujo no exterior.

Ainda assim, a ida do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, personagem de primeira grandeza no petrolão, à CPI da Petrobras, terça, teve peso equivalente, considerando-se as peculiaridades de cada momento.

Àquela altura de 2005, o escândalo do mensalão mal acabara de ganhar vida própria a partir da entrevista de denúncia concedida à “Folha de S.Paulo” pelo então deputado petebista fluminense Roberto Jefferson.

A ideia de o PT ser um partido com velhos e distorcidos costumes da política brasileira já não era inconcebível, mas comprovadamente fazer traficância financeira pelas Bahamas foi uma novidade.

Do Duda Mendonça de 2005 ao Barusco de 2015, pode-se dizer que o PT de oposição, pré-2002, desapareceu. Nada do que surge no petrolão surpreende. Porém, o depoimento de Barusco serviu para demonstrar como o esquema de corrupção montado na maior estatal do país sob as bênçãos do lulopetismo, em sociedade com os aliados PMDB e PP, foi uma roubalheira em escala industrial.

Petistas com assento na CPI — o relator Luiz Sérgio (RJ), Afonso Florence (BA) e Maria do Rosário (RS) — tentaram fazer com que Barusco, confesso corrupto desde 1997, testemunhasse que havia esquema de mesma dimensão já no governo FH. Não conseguiram.

O testemunho do ex-gerente, do alto dos US$ 97 milhões que conseguiu surrupiar da estatal, foi que, a partir do início do governo Lula, cobrança e recebimento de propinas se institucionalizaram. Antes, eram artesanais, individualizadas. Depois, ficaram sistêmicas.

Com a tranquilidade de quem contava uma viagem de férias, Pedro Barusco relatou negociatas feitas na diretoria de Renato Duque, da área de Serviços, a quem era subordinado, e nome indicado pelo PT.

Barusco mantinha contato com o operador do PT no esquema, João Vaccari Neto, tesoureiro do partido, para quem, o ex-gerente estima, devem ter sido canalizados entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões provenientes de propinas geradas pelo superfaturamento de contratos firmados entre o “clube de empreiteiras” e a estatal. Ou seja, dinheiro público desviado. A base da estimativa de Barusco é realista: o próprio roubo.

Cabe frisar: o depoimento de Pedro Barusco, um dos que fizeram delação premiada, não aponta o PT como inventor da corrupção na Petrobras. São conhecidas histórias de desfalques na estatal em vários governos, inclusive no dos tucanos.

Mas ninguém tirará do lulopetismo a primazia de ter feito um assalto amplo e bem organizado à estatal, inclusive com o toque requintado de converter propina em doação formalmente legal a partido e candidatos.”

Grifos do blog.

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Renúncia já!

8 de março de 2015

“Dilma,  ‘revoltada’, afirmou que a Petrobras tinha a contabilidade das mais apuradas do mundo.”

Texto publicado no Estadão – grifos do blog

MIGUEL REALE JUNIOR*

07 de março de 2015

“A indignação em vista do descalabro moral e gerencial do governo veio à tona com a elevada rejeição da presidente. Fala-se cada vez mais em impeachment, cassação do seu mandato pelas vias legais.

Em entrevista concedida por José Dirceu em junho de 1992 ao programa Roda Viva, disse o então deputado: ‘Não se faz impeachment na Câmara e no Senado, ele acontece na sociedade; eu disse e quero repetir que o impeachment não se resolve no Congresso Nacional, se resolve nas ruas e se resolve com uma coalizão político-partidária’.

Porém, além dos fatores sociais e políticos, consistentes no apoio das ruas e na expressiva maioria parlamentar, há de se ter, para o impeachment, a acusação de ação ou omissão enquadrável em algum dos 65 tipos de conduta descritos na Lei n.º 1.079, de 1950. Nos governos Lula e no primeiro mandato de Dilma, poder-se-ia encontrar a violação ao dever de probidade na administração pela ausência de zelo da moralidade administrativa, não se tornando efetiva a responsabilidade dos subordinados em face de delitos funcionais, tal como preceitua o artigo 9o, item 3, da Lei 1.079.

Primeiramente, entendo que as infrações políticas que podem levar ao impeachment são exclusivamente previstas na forma dolosa, ou seja, intencional. Assim, os fatos devem revelar a intenção do governante de não tomar providências em vista da improbidade cometida por subordinados, o que circunstâncias a seguir lembradas podem indicar.

Em 2009, sendo Lula presidente da República e Dilma chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, instalou-se no Senado a CPI da Petrobras, tendo em vista, principalmente, relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) revelando sobrepreços na obra da Refinaria Abreu e Lima.

No dia da instalação da CPI, Lula declarou que a comissão não era do Senado, era do PSDB, e só impatriotas punham a Petrobras em investigação, tendo a certeza de não haver irregularidades na empresa e Dilma, “revoltada”, afirmou que a Petrobras tinha a contabilidade das mais apuradas do mundo.

Lula interferiu na composição da CPI, combinando com o líder do PMDB, Renan Calheiros, a indicação da relatoria para o sempre governista Romero Jucá, ambos possíveis beneficiários dos desvios, segundo o procurador da República. Fernando Collor fazia parte da CPI e foi cooptado por Lula em troca do poder de nomear dois diretores da BR Distribuidora, suspeita de repassar importâncias ao senador. Os diretores sugeridos por Collor foram aprovados pelo conselho de administração presidido por Dilma. Estava tudo armado para o ocultamento.

Romero Jucá, no relatório da CPI, concluiu que as indicações de sobrepreço na Abreu e Lima decorriam da aplicação equivocada de índices pelo TCU, certo de que o tribunal viria a concordar com suas assertivas.

Lula e Dilma trabalharam para o fracasso das investigações do Senado e sabiam de tudo, segundo o doleiro Alberto Youssef. Na CPI encobriram-se irregularidades que só vieram à tona em março de 2014, sem nenhuma contribuição do governo Dilma. Já presidente da República, Dilma manteve a diretoria que administrava a Petrobras, deixando que continuassem a surrupiar quantias astronômicas, impossíveis de não ser percebidas, e em parte desaguadas na tesouraria do seu partido.

Mas mesmo que fique configurada conivência da presidente com os malfeitos, ao deixar sem apuração os desvios ao longo do tempo, tipificando-se, eventualmente, a conduta descrita no artigo 9o, item 3, acima lembrado, todavia, essa omissão dolosa teria ocorrido no período passado. A pena do impeachment visa a exonerar o presidente por atos praticados no decorrer do mandato. Findo o exercício da Presidência, não se pode retirar do cargo aquele cujo governo findou. Diz o artigo 15 da Lei do Impeachment que a denúncia deverá ser recebida se o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado o cargo. E Dilma deixara o cargo de presidente por ter terminado o mandato, tomando posse de outro, que se iniciou em 1o de janeiro com faixa presidencial e juramento.

Assim, se há manifestações nas ruas e grave crise de governabilidade, complicada por inflação e estagnação, falta, no entanto, fato concreto entre janeiro e março deste ano constitutivo de infração política a justificar o impeachment. Com tempo para agir, o governo repensa a não aplicação da Lei Anticorrupção às empresas, que poderia levar ao impeachment, como bem suscitou Modesto Carvalhosa. Se não há crime de responsabilidade, pode haver crime comum, por ora com pedido de arquivamento.

Na entrevista de 1992 ao Roda Viva, José Dirceu disse ser uma via a renúncia de Collor em razão de não ter “condições éticas e políticas de continuar governando o País”. Tal sucede com Dilma. Há uma revolta em face da imoralidade do “desgoverno”. Soma-se o amplo espectro político da corrupção revelado pelo procurador-geral da República, com ministros, presidentes do Legislativo e outros líderes do Congresso Nacional investigados no escândalo. Houve um ataque frontal à democracia com promiscuidade organizada entre Executivo e Legislativo. As bases da República foram corroídas no seu cerne. Apodreceram o Brasil.

No próximo dia 15, a passeata dos indignados deve clamar por patriótica e ampla renúncia. Dilma não tem condições éticas e políticas para governar, carente de qualquer credibilidade pelo passado nefasto e por ausência de autoridade moral: é apenas a triste condutora de sua herança maldita com um séquito de ex-ministros investigados.

A saída da crise é ainda mais estreita com representação do procurador-geral, pois Eduardo Cunha e Renan também devem renunciar à presidência de suas Casas. Malgrado a presunção de inocência, não contam com as imprescindíveis confiança e independência para desinfetar o Brasil.

Renúncia já: a única via em busca de pacto sério para reconstrução do País.”

* Miguel Reale Jr é  jurista, professor Titular de Direito Penal da USP, autor de diversos artigos publicados nos mais diversos veículos. Exerce a cátedra de direito penal no Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da USP. Filho do também jurista Miguel Reale. Foi Ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso.

 

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