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CPI DA PETROBRAS – ONYX MOSTRA QUE A CGU SE OMITIU PARA PROTEGER DILMA E O PT

7 de julho de 2015

Durante o depoimento do ex-ministro da CGU – Controladoria Geral da União, Jorge Hage, o deputado Onyx Lorenzoni demonstrou como o órgão ignorou a corrupção na Petrobras para proteger Dilma Rousseff durante o período eleitoral de 2014, mesmo tendo vários indicativos para deflagrar o processo de investigação a partir de maio do mesmo ano.

No mês de maio de 2014, Petrobras foi avisada pelo Ministério Público holandês sobre uma investigação feita em caráter sigiloso a partir da delação de um ex-funcionário, Jonathan Taylor, sobre pagamentos de propina feitos pela empresa holandesa SBM Off Shore em vários países, inclusive o Brasil, no caso a funcionários da Petrobras. Ainda em maio, a Petrobras informou à CGU. A partir daí era de se esperar que um órgão de controle como a CGU apurasse de forma transparente e independente, mas não foi o que ocorreu. A CGU “esqueceu” do processo durante os meses de maio a novembro, e só deu publicidade após o segundo turno das eleições, coincidentemente no mesmo dia em que o Ministério Público holandês anunciou uma multa de US$ 240 milhões paga pela SBM para encerrar o processo na Holanda. A CGU não tinha mais como “esquecer”.

PEDIDO DE INFORMAÇÕES
Durante o depoimento, Jorge Hage tentou justificar o atraso na divulgação do processo diminuindo a importância do delator Jonathan Taylor, mas Onyx apontou que no mês de junho de 2014 muitas correspondências foram trocadas entre a CGU e o Ministério da Justiça, em uma delas teria sido dito que “alguns milhões de dólares foram pagos”. Portanto, a justificativa de Hage não se sustenta.

Onyx solicitou cópia de todas as mensagens trocadas entre a CGU e o Ministério da Justiça, e também entre a CGU e a Petrobras no período de maio a novembro de 2014.
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O APOCALIPSE DOS DETENTORES DO PODER 

2 de julho de 2015

 

 

O apocalipse dos

A lama do petrolão chegou ao gabinete presidencial.

A sequência interminável de notícias tenebrosas chegou ao ápice no sábado, quando veio a público a lista de Ricardo Pessoa daqueles favorecidos com dinheiro desviado da Petrobras. A lista é encabeçada por Lula e Dilma Rousseff.

Dilma atrasou sua partida para os Estados Unidos para discutir a crise que a revelação da revista Veja trouxe ao Planalto. O plano apressado consiste em tentar bloquear o estrago usando Edinho Silva, tesoureiro da campanha dilmista e atual ministro de Comunicação Social da Presidência como dique. Vai ser meio difícil. O mais provável é que a enxurrada leve Edinho de roldão.

A informação de Ricardo Pessoa de que destinou R$ 7,5 milhões do dinheiro roubado da Petrobras para a campanha presidencial de Dilma em 2014, cria uma situação em que, como ex presidente do Conselho da Petrobras ela nada viu e como candidata usufruiu do produto do roubo em sua campanha eleitoral. Nada poderia ser mais patético.

Dilma continuará tentando fazer de conta que apoia investigações. Dirá que não se envolvia com o caixa de sua campanha e tudo era tratado pelo tesoureiro. Só mesmo quem acreditasse que Dilma, justamente neste assunto, teria deixado de ser a centralizadora que sempre foi. A desculpa só cola com quiser acreditar.

Ricardo Pessoa disse ter usado dinheiro roubado da Petrobrás também na campanha de Lula, em 2006.

Agora, absurdo mesmo foi a decisão da companheirada, de convocar o Ministro da Justiça para interpelá-lo acerca da atuação da Polícia Federal. Eles querem cobrar de José Eduardo Cardozo que tenha controle sobre a PF! Era só o que faltava para sucumbirmos ao bolivarianismo. 

Parece até aquela história do marido traído, que tenta resolver seu problema tirando o sofá da sala.    

Se fosse piada ainda dava para esboçar um sorriso. Mas pelo visto, parece que eles sonham mesmo em ter uma polícia para chamar de sua.   

 

Enio Meneghetti

 

 

 

ARMAGEDON “PT em pânico: Marcelo Odebrecht ameaça revelar esquema de campanhas; e delação de Ricardo Pessoa deve sair “

22 de junho de 2015

do blog de Felipe Moura Brasil – Veja

A coluna Painel, da Folha, traz duas ótimas notícias:

1) “A prisão de Marcelo Odebrecht levou pânico ao mundo político pelo grau de conhecimento que o presidente da empreiteira tem dos pormenores da engrenagem do financiamento eleitoral ao PT nos últimos anos. Mesmo negando participação de sua empresa no escândalo de corrupção na Petrobras, o executivo teria feito relatos de como o esquema abasteceu campanhas petistas em 2010 e 2014. O temor é que, se ficar preso por muito tempo, Marcelo resolva desfiar esse novelo.”

Quem deve teme. O temor do PT é sempre a confissão possível da sua própria culpa.

Neste caso, ele indica que Dilma Rousseff – hoje reprovada por 65% dos brasileiros, segundo o Datafolha – é mesmo uma presidente ilegítima, eleita com dinheiro de propina.

2) “Atônitos com as prisões, políticos lembravam no fim da semana que ainda está por ser conhecido o teor da delação de Ricardo Pessoa, da UTC, que deve ser homologada nos próximos dias pelo relator Teori Zavascki.”

Finalmente, Zavascki.

A quem já esqueceu, relembro: Ricardo Pessoa, homem-bomba para o PT, declarou aos procuradores da Operação Lava Jato que pagou:

– 7,5 milhões de reais à campanha de Dilma Rousseff, em 2014.
– 2,4 milhões de reais à campanha de Lula, em 2006.
– 2,4 milhões de reais à campanha de Fernando Haddad, em 2012.
– 3,1 milhões de reais à empresa de consultoria de José Dirceu.

Pessoa também afirmou que a gráfica fantasma VTPB  foi usada para que dinheiro fruto do petrolão chegasse à campanha petista como se fosse uma doação oficial.

Relembro trecho de uma matéria de maio da IstoÉ:

“Uma das pistas reveladas por Pessoa atinge diretamente a campanha de Dilma e sua contabilidade.

Aos procuradores, o dono da UTC teria indicado que parte dos R$ 26,8 milhões que o PT pagou a VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior teve origem no petrolão.

Só a campanha de Dilma injetou na VTPB quase R$ 23 milhões, dinheiro que daria para imprimir 368 milhões de santinhos do ‘tipo cartão’, modelo descrito nas notas fiscais anexadas à prestação de contas.

O montante é duas vezes e meia o total de eleitores habilitados no país.”

Como comentei na ocasião: o PT paga o suficiente para imprimir material de campanha para dois Brasis e meio, e quer quer que você acredite que o objetivo era mesmo imprimi-lo.

Esse novelo tem de ser desfiado já.

Esperamos que Marcelo Odebrecht e Ricardo Pessoa derrubem juntos a República do PT.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

 

A bruxa continua solta

3 de junho de 2015

a bruxa continua solta

Não foi mau para o governo o surgimento do escândalo da FIFA. Ele ajuda muito a desviar a atenção sobre outros escândalos mais graves.

Muito mais do que eventuais desvios realizados por autoridades esportivas, afetam muito mais aos brasileiros os escândalos diários sobre desvios ocorridos nas obras de estatais e do próprio governo.

É claro, sem deixar de lado o fato de que, coincidentemente, as mega obras de construção de estádios inúteis como o de Manaus e outros foram realizadas pelas mesmas empreiteiras que atualmente monopolizam o noticiário. Isso é bem mais importante do que conhecer as peripécias dos cartolas do futebol.

Enquanto o assunto FIFA desviava a atenção, uma das revelações do final de semana que passou veio em reportagem de  “O Estado de S.Paulo”. O fato de que os investigadores da força tarefa da operação Lava Jato encontraram indícios de desvios de dinheiro na construção do Estaleiro Rio Grande, aqui pertinho, iniciada em 2006, e nos contratos fechados para produção de cascos de plataformas e sondas de exploração de petróleo, a partir de 2010. A WTorre construiu o Estaleiro, mas  em 2010, vendeu seus direitos no negócio para a Engevix.


Estão sendo investigados pagamentos da WTorre e Engevix às empresas de consultorias de quem? 
Antonio Palocci e José Dirceu.  


Palocci  alega que os pagamentos da W Torre à sua empresa, a Projeto Consultoria, foram referentes a quatro palestras aos diretores da empresa, cada uma por R$ 20 mil. A empreiteira apresentou 18 notas fiscais, num total de R$ 350 mil, emitidas pela Projeto, em 2007, 2008, 2009 e 2010.

A JD Assessoria e Consultoria, de José Dirceu recebeu R$ 2,6 milhões da Engevix, entre 2008 e 2012 – parte diretamente e outra parte por meio da Jamp Engenheiros Associados, do lobista Milton Pascowitch.

Às partes citadas, é claro, negaram que os contratos de consultorias prestados tiveram qualquer  relação ou possibilidade de pagamento de propina.

Agora, o que preocupa mesmo o Planalto é a questão sigilo das operações de crédito do BNDES. A pressão para que seja aberta uma CPI do BNDES é e tem de ser, cada vez maior. É assunto muito mais do que arrasa-quarteirão.

A questão é: por que o governo se esforça tanto em esconder os detalhes dos investimentos financiados pelo BNDES com nosso dinheiro em Cuba, Angola e outros países?

“Estes segredos cheiram mal”, chegou a declarar o deputado Onyx Lorenzoni.

Por que esta insistência governamental em descumprir o artigo 49/1 da Constituição Federal, que diz claramente:

“É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;

 

Mais claro que isso, impossível. Mas o governo além de descumprir este dispositivo legal, ainda se dá ao requinte de sonegar as informações ao público. Por que?

Isso ainda vai render muito.

Enio Meneghetti

 

Vergonha nacional – o combo de Zavaski

30 de abril de 2015

Senhoras e senhores: é uma vergonha nacional o STF liberar para prisão domiciliar um dentre os nove detentos exatamente no momento em que este é apontado em matéria de capa de uma das principais publicações do país, VEJA desta semana, como prestes a revelar segredos de suas relações “anti republicanas” com o ex presidente Lula.

A decisão da segunda turma do STF é de uma coincidência infeliz, no momento em que VEJA (reprodução abaixo) estampa em letras garrafais a informação que o ex-presidente da construtora OAS, conhecido como Léo Pinheiro, dava sinais evidentes que iria abrir o bico e fazer a delação premiada.

Agora Léo Pinheiro e demais empreiteiros poderão fazer “contatos” antes impossíveis de passarem despercebidos. Ficarão presos em casa. Usar a tornozeleira eletrônica não os impede de usar um telefone celular de terceiros, ou receber visita de pombos correios. Além de ser bem menos incômodo usar o banheiro de casa do que o vaso turco da carceragem.

O COMBO DE ZAVASKI

Ao final da sessão em que o advogado de Ricardo Pessoa conseguiu colocar seu cliente dentro de casa, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, propôs libertar também outros oito executivos, sob o argumento de que estavam em “situação processual significativamente assemelhada” à de Pessoa. O combo proposto por Zavaski e acatado por apertados 3 x 2.

Não custa lembrar que o mesmo Zavaski, em uma história ainda mal explicada, coincidentemente, havia liberado Renato Duque depois que sua esposa teria falado desesperadamente com interlocutores de Lula e depois com o próprio. A grave revelação ainda está sem qualquer explicação ou interpelação, o que lhe dá ares de veracidade.

Zavaski tomou a iniciativa de estender a decisão que beneficiaria apenas a Ricardo Pessoa, também a José Aldemário Pinheiro Filho (Leo Pinheiro), Mateus Coutinho de Sá Oliveira, Agenor Franklin Magalhães Medeiros e José Ricardo Nogueira Breghirolli (todos executivos da empreiteira OAS); Gerson de Mello Almada (vice-presidente da Engevix); Sérgio Cunha Mendes (vice-presidente da Mendes Junior), Erton Medeiros Fonseca (executivo da Galvão Engenharia); e João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa).

Eles deverão se manter afastados da direção das empresas. A cada 15 dias, deverão se apresentar a justiça dizendo o que andam fazendo. Embora impedidos de manter contato com demais investigados, quem garante que não farão contatos muito mais efetivos para seus casos?

Certamente Ricardo Pessoa, Léo Pinheiro e Gerson Almada se borrarão de medo de fazer reuniões de negócios, jamais terão contatos com políticos ou intermediários e imagine se estes cidadãos cumpridores das leis tentarão interferir nos processos nos quais são réus! Imagine!

Quem vai fiscalizar isso? Como?

O brasileiro sempre foi um povo dócil. Quando o Brasil está prestes a conhecer o grande chefe, sai uma decisão dessas. O juiz Sérgio Moro é mesmo um homem incomum, que está horrorizando a bandidagem de alto coturno. O magistrado conseguiu manter presos por cinco meses os barões da construção civil. Façanha.

Semana que vem, Leo Pinheiro tem depoimento marcado com o Juiz Sérgio Moro. Vamos conferir o tom de sua fala.

E dia 04 de maio, a CPI da Petrobrás vai a Curitiba ouvir os presos da Lava Jato. Os nove dedos, isto é, os nove agora soltos pelo combo de Zavaski deverão estar lá.

Abaixo, a reportagem de VEJA sobre um pouco do que Leo Pinheiro poderia falar.

 

Os favores do empreiteiro

Preso há seis meses, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, uma das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, admite pela primeira vez a intenção de fazer acordo de delação premiada. Seu relato mostra quanto era íntimo de Lula

sitio Lula

“Segundo Léo Pinheiro, Lula pediu a ele que cuidasse da reforma do “seu” sítio em Atibaia. A propriedade está registrada em nome de um sócio de Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente(Jefferson Coppola/VEJA)

O engenheiro Léo Pinheiro cumpre uma rotina de preso da Operação Lava-Jato que, por suas condições de saúde, é mais dura do que a dos demais empreiteiros em situação semelhante. Preso há seis meses por envolvimento no esquema do petrolão, o e­­x-presidente da OAS, uma das maiores construtoras do país, obedece às severas regras impostas aos detentos do Complexo Médico-Penal na região metropolitana de Curitiba. Usa o uniforme de preso, duas peças de algodão a­­zul-claras. Tem direito a uma hora de banho de sol por dia, come “quentinhas” na própria cela e usa o banheiro coletivo. Na cela, divide com outros presos o “boi”, vaso sanitário rente ao piso e sem divisórias. Dez quilos mais magro, Pinheiro tem passado os últimos dias escrevendo. Um de seus hábitos conhecidos é redigir pequenas resenhas e anexá-las a cada livro lido. As anotações feitas na cela são muito mais realistas e impactantes do que as literárias. Léo Pinheiro passa os dias montando a estrutura do que pode vir a ser seu depoimento de delação premiada à Justiça. Pinheiro foi durante toda a década que passou o responsável pelas relações institucionais da OAS com as principais autoridades de Brasília. Um dos capítulos mais interessantes de seu relato trata justamente de uma relação muito especial – a amizade que o unia ao e­­x-presidente Lula.

De todos os empresários presos na Operação Lava-Jato, Léo Pinheiro é o único que se define como simpatizante do PT. O empreiteiro conheceu Lula ainda nos tempos de sindicalismo, contribuiu para suas primeiras campanhas e tornou-se um de seus mais íntimos amigos no poder. Culto, carismático e apreciador de boas bebidas, ele integrava um restrito grupo de pessoas que tinham acesso irrestrito ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada. Era levado ao “chefe”, como ele se referia a Lula, sempre que desejava. Não passava mais do que duas semanas sem manter contato com o presidente. Eles falavam sobre economia, futebol, pescaria e os rumos do país. Com o tempo, essa relação evoluiu para o patamar da extrema confiança – a ponto de Lula, ainda exercendo a Presidência e depois de deixá-la, recorrer ao amigo para se aconselhar sobre a melhor maneira de enfrentar determinados problemas pessoais. Como é da natureza do capitalismo de estado brasileiro, as relações amigáveis são ancoradas em interesses mútuos. Pinheiro se orgulhava de jamais dizer não aos pedidos de Lula.

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Pinheiro: do trânsito livre ao Palácio do Planalto ao banheiro coletivo na prisão(Beto Barata/VEJA)

Desde que deixou o governo, Lula costuma passar os fins de semana em um amplo sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. O imóvel é equipado com piscina, churrasqueira, campo de futebol e um lago artificial para pescaria, o esporte preferido do ex-presidente. Desde que deixou o cargo, é lá que ele recebe os amigos e os políticos mais próximos. Em 2010, meses antes de terminar o mandato, Lula fez um daqueles pedidos a que Pinheiro tinha prazer em atender. Encomendou ao amigo da construtora uma reforma no sítio. Segundo conta um interlocutor que visitou Pinheiro na cadeia, esse pedido está cuidadosamente anotado nas memórias do cárcere que Pinheiro escreve.

Na semana passada, a reportagem de VEJA foi a Atibaia, região de belas montanhas entrecortadas por riachos e vegetação prístina. Fica ali o Sítio Santa Bárbara, cuja reforma chamou a atenção dos moradores. Era começo de 2011 e a intensa atividade nos 150 000 metros quadrados do sítio mudou a rotina da vizinhança. Originalmente, no Sítio Santa Bárbara havia duas casas, piscina e um pequeno lago. Quando a reforma terminou, a propriedade tinha mudado de padrão. As antigas moradias foram reduzidas aos pilares estruturais e completamente refeitas, um pavilhão foi erguido, a piscina foi ampliada e servida de uma área para a churrasqueira. As estradas lamacentas do sítio receberam calçamento de pedra e grama. Um campo de futebol surgiu entre as árvores. O antigo lago deu lugar a dois tanques de peixes contidos por pedras nativas da região e interligados por uma cascata. Ali boiam pedalinhos em formato de cisne. A área passou a ser protegida por grandes cercas vigiadas por câmeras de segurança, canil e guardas armados.

O que mais chamou atenção, além da rapidez dos trabalhos, é que tudo foi feito fora dos padrões convencionais. A reforma durou pouco mais de três meses. Alguns funcionários da obra chegavam de ônibus, ficavam em alojamentos separados e eram proibidos de falar com os operários contratados informalmente na região e orientados a não fazer perguntas. Os operários se revezavam em turnos de dia e de noite, incluindo os fins de semana. Eram pagos em dinheiro. “Ajudei a fazer uma das varandas da casa principal. Me prometeram 800 reais, mas me pagaram 2 000 reais a mais só para garantir que a gente fosse mesmo cumprir o prazo, tudo em dinheiro vivo”, diz Cláudio Santos. “Nessa época a gente ganhou dinheiro mesmo. Eu pedi 6 reais o metro cúbico de material transportado. Eles me pagaram o dobro para eu acabar dentro do prazo. Era 20 000 por vez. Traziam o envelopão, chamavam no canto para ninguém ver, pagavam e iam embora”, conta o caminhoneiro Dário de Jesus. Quem fazia os pagamentos? “Só sei que era um engenheiro que esteve na obra do Itaquerão. Vi a foto dele no jornal”, recorda-se Dário.”

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Lava Jato prende ex-deputado André Vargas e investiga “malfeitos” na Caixa Federal e Ministério da Saúde

10 de abril de 2015

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“Segundo despacho do juiz Sergio Moro, há suspeita de que a agência de publicidade a Borghi/Lowe tenha pago propina aos irmãos Vargas para obter vantagens em contratos da Caixa Econômica Federal e outros órgãos públicos. Os repasses teriam sido feitos a duas empresas controladas pelos Vargas, a LSI e a Limiar.”

“Moro também afirma haver “razoável prova de que André Vargas realizou diversas e intensas intervenções junto ao Ministério da Saúde para a aprovação da parceria” entre a pasta e o laboratório Labogen.”

Da Folha SP: A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (10) os ex-deputados federais André Vargas (ex-PT-PR e hoje sem partido), Luiz Argôlo (ex-PP e hoje Solidariedade-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE) e mais quatro pessoas ligadas aos políticos.

As prisões fazem parte da 11ª fase da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras e que, a partir de agora, também apura crimes na Caixa Econômica Federal e no Ministério da Saúde.

Os outros detidos são Leon Vargas, irmão de André Vargas, Elia Santos da Hora, secretária de Argôlo, Ivan Torres, apontado como laranja de Corrêa, e Ricardo Hofmann, vice-presidente e diretor-geral da agência de publicidade Borghi/Lowe em Brasília.

Intitulada “A Origem”, essa nova tem como foco crimes relacionados a três grupos de ex-agentes políticos após o envio de inquéritos que estavam no STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo os investigadores, o título é uma referência às investigações iniciais do caso, realizadas no Paraná, que levaram aos nome de Vargas e Argôlo após interceptações telefônicas em aparelhos do doleiro Alberto Youssef. Também indica uma resposta aos recursos dos advogados dos suspeitos, que sustentam que as apurações deveriam ter andamento no Rio, onde fica a sede da Petrobras.

Além dos sete mandados de prisão, a PF cumpre 9 de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão. A ação ocorre no Distrito Federal e em seis Estados (São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e no Ceará). Um imóvel de alto padrão em Londrina (PR) foi sequestrado.

Na Bahia, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão: na casa Luis Argôlo, de sua assessora e no escritório político do ex-deputado.

CAIXA ECONÔMICA

Segundo despacho do juiz Sergio Moro, há suspeita de que a agência de publicidade a Borghi/Lowe tenha pago propina aos irmãos Vargas para obter vantagens em contratos da Caixa Econômica Federal e outros órgãos públicos. Os repasses teriam sido feitos a duas empresas controladas pelos Vargas, a LSI e a Limiar.

“Os fatos caracterizam, em princípio, crimes de corrupção, com comissões devidas à Borghi/Lowe, agência de publicidade contratada por entidades públicas, sendo direcionadas como propinas e sem causa lícita a André Vargas e aos irmãos deste por intermédio do estratagema fraudulento”, diz o despacho.

O magistrado também apontou que há a suspeita de que outra empresa, a IT7 –que também mantém contratos com a Caixa e outros órgãos públicos–, fez repasses de mais de R$ 2 milhões aos irmãos Vargas, e que este valor teve origem ilícita.

Moro apontou que a IT7 “mantém contratos com diversas entidades públicas, como a Caixa Econômica Federal, o Serviço Federal de Processamento de dados, Celepar, CCEE, entre outras. Somente no ano de 2013, por exemplo, a IT7 recebeu, da Caixa Econômica Federal, cerca de R$ 50 milhões”.

De acordo com o despacho, “embora seja necessário aprofundar as investigações quanto ao tópico, há prova, em cognição sumária, de que Alberto Youssef providenciou, em dezembro de 2013, o repasse de R$ 2.399.511,60 em espécie a André Vargas, numerário este proveniente de empresa que mantém vários contratos com entidades públicas, o que foi feito mediante emissão de notas fiscais fraudulentas por serviços que não foram prestados. Em tese, os fatos configuram crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro”.

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Moro também afirma haver “razoável prova de que André Vargas realizou diversas e intensas intervenções junto ao Ministério da Saúde para a aprovação da parceria” entre a pasta e o laboratório Labogen.

O denunciado na Lava Jato Leonardo Meirelles e o doleiro Alberto Youssef tiveram uma sociedade no laboratório, que chegou a fazer uma parceria com o Ministério da Saúde para produzir o princípio ativo de um remédio que o país importa.

A parceria foi rompida pelo ministério no ano passado após a Operação Lava Jato ter revelado que Vargas havia intermediado encontros para a Labogen conseguir o negócio com o governo. Uma das suspeitas é que a Labogen tivesse o papel de pagar propina para obter o negócio com a Saúde.

O laboratório foi apanhado na Operação Lava Jato porque foi usada pelo doleiro para fazer remessas ilegais de US$ 37 milhões (R$ 85 milhões) simulando importações, de acordo com laudos da polícia.

CASSADO

André Vargas foi o primeiro parlamentar sob suspeita de participação de fraude na estatal a ser cassado pela Câmara, em dezembro. O Conselho de Ética considerou que o ex-petista quebrou o decoro parlamentar por sua ligação com o delator do esquema Alberto Youssef, preso em Curitiba, por intermediar, no Ministério da Saúde, negócios do doleiro.

O ex-deputado Luiz Argôlo é investigado sob a acusação de ter atuado com o grupo. Ele sempre negou ter contato com o “pessoal da Labogen” e disse que nunca “abriu portas” para a equipe do laboratório no Ministério da Saúde.

Corrêa, condenado no mensalão, é apontado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa por ter recebido R$ 5,3 milhões de uma só vez por meio do esquema de corrupção na estatal. Segundo depoimento de Costa à Lava Jato, houve um “repasse extraordinário” a ele, pois não era comum que um único parlamentar do PP recebesse uma quantia dessa monta do ‘”caixa” de propinas do PP.

Quando o depoimento de Costa veio à tona, o advogado Marcelo Leal de Lima Oliveira, que defendeu o ex-deputado no processo do mensalão, afirmou, que não poderia comentar porque ainda não conversou com Corrêa sobre o caso nem teve acesso à delação, mas que não havia acusações contra seu cliente.

De reportagem da Folha SP

Quem será o primeiro a enfartar?

9 de abril de 2015

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Nota publicada na última edição da revista Época traz a informação de que, finalmente, estaria para começar a mais temida das delações premiadas da operação Lava Jato. A Procuradoria-Geral da República já teria acordado com o engenheiro Ricardo Pessoa, da UTC, os termos de sua delação.

Coordenador do cartel das empreiteiras, Pessoa é o personagem que faltaria para expor Lula, Vaccari e José Dirceu. Pessoa já revelou a pessoas próximas que pagou despesas pessoais do ex-ministro José Dirceu, deu 30 milhões de reais em 2014 a candidaturas do PT, incluindo a presidencial de Dilma Rousseff – tudo com dinheiro desviado da Petrobras.  Além disso, seria o grande conhecedor da atuação do cartel de empreiteiras nos demais órgãos do governo.

Ele já teria começado a falar tudo o que sabe, mas o conteúdo explosivo só tem valor processual após a homologação do acordo pelo relator do processo da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki.

Na outra ponta, Dilma teria confidenciado a interlocutores que estariam próximas a acontecer a soltura dos presos preventivamente pela operação Lava Jato, entre eles o próprio Ricardo Pessoa.

A avaliação é de que, se essa previsão se confirmar, a tendência seria os empresários abandonarem as negociações com os procuradores, tornando praticamente nulas as possibilidades de colaborarem com as apurações.

Dilma fez tal prognóstico ao se referir ao julgamento que a Segunda Turma do STF fará, nos próximos dias, do pedido de libertação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC.

Como ela teria conhecimento de decisões ainda não proferidas pela mais alta corte do país, é algo que não se sabe.

Vamos analisar os fatos: embora Dilma esteja com apenas 12% de aprovação, o governo não deve estar assistindo inerte os fatos acima descritos.  Usará todos os meios – republicanos ou não – que tiver a seu alcance de evitar esses fatos, que tem potencial avassalador.

Nos meios políticos já se comenta, abertamente, que a Força Tarefa do Ministério Público Federal tem indícios para implicar pessoas do último pavimento. Principalmente aquele que já teve foro privilegiado e hoje não o detém.

Até onde irão a motivação, as condições e a vontade de Dilma para continuar no Palácio do Planalto com aprovação de 12 % e em queda, é uma grande dúvida.

O potencial de traição e debandada do barco de Dilma é óbvio ululante.

Some-se a isto a crise econômica em curso. Falta pouco para o Brasil evoluir de uma recessão já visível para uma depressão.

Com a crise política se intensificando, resta saber de que lado será o primeiro personagem a enfartar.

Esse poderá ser o melhor indício de para o qual o lado a balança irá pender.

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Ontem, Alberto Yousseff detonou. Lava Jato reúne provas contra João Vaccari Neto.

2 de abril de 2015
O doleiro Alberto Youssef prestou novo depoimento ontem e detonou de vez o tesoureiro petista João Vaccari Neto.
O pavor nas hostes petistas é o pedido de prisão preventiva do tesoureiro. Bastante previsível, de acordo com o exame da documentação apresentada a seguir.
Alberto Youssef fez afirmações novas e inéditas.  Entre estas, disse que as empresas Odebrecht e Braskem depositavam as propinas relativas ao esquema de corrupção da Petrobras no exterior.
Também contou como entregou, a pedido de fornecedoras da estatal, propina em dinheiro no seu escritório, na Zona Sul de São Paulo, e na porta do prédio do Diretório do PT, em São Paulo:

“Eu usei uma das empresas do Waldomiro Oliveira (laranja de Youssef, titular da empresa Rigidez) para fazer uma operação para a Toshiba (…). Foram dois valores de R$ 400 e poucos mil que foram entregues, a mando de Toshiba, ao tesoureiro João Vaccari”.

 

“Reconheço meu erro. Resolvi fazer colaboração espontaneamente e retificar outros depoimentos. Eu era meramente engrenagem desse processo todo, tinha o poder público por trás disso tudo. Estou pagando que que fiz. Já estou preso há mais de um ano e não sei por quanto tempo ainda ficarei preso, mas infelizmente acabei de me envolvendo mais uma vez num escândalo”.

Youssef deu ainda os nomes dos diretores da Odebrecht que autorizavam as operações do doleiro no exterior:

“Era o senhor Márcio Faria, presidente da Odebrecht Óleo e Gás, o Cesar Rocha que era diretor financeiro da holding. Pela Brasken, que é do mesmo grupo, o contato era o Alexandrino”.

Youssef revelou que a primeira parcela da propina foi retirada pela cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, senhora Marice Correa de Lima, no escritório dele.

O restante foi entregue na porta do prédio do Diretório Nacional do PT, em São Paulo, por Rafael Ângulo Lopez – o mesmo que possibilitou ampla reportagem de Veja, refazendo a rota da propina.

Ângulo entregou o dinheiro na porta do PT a um representante da Toshiba, que repassaria o dinheiro a Vaccari.

O Blog de Fausto Macedo, no Estadão,  apresentou alguns dos documentos relativos às novas revelações de Youssef.
No depoimento de ontem, Youssef explicou como a Rigidez foi usada para esquentar o dinheiro destinado ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a pedido do executivo da Toshiba, José Alberto Piva Campana.
No material, que faz parte do inquérito aberto em janeiro tendo como alvo o negócio da Toshiba, há três notas fiscais emitidas pela Empreiteira Rigidez contra a Toshiba, totalizando R$ 1.494.318,42.
As notas de número 16, 22 e 24 foram emitidas nos dias 9 e 24 de abril e no dia 15 de maio, de 20123. Todas no valor de R$ 498.106,14.
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material sobre Toshiba e Rogidez no relatório da PF
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Cópia de uma das notas fiscais de pagamento da Toshiba para empresa de fachada de Youssef

Há ainda cinco folhas de uma proposta de contrato da Rigidez para a Toshiba com valor final de contrato de R$ 2.088.310.

O material foi encontrado nas buscas que a Polícia Federal fez na Arbor Contábil, empresa da contadora do doleiro, em São Paulo, em abril do ano passado e fazem parte do inquérito aberto para apurar o caso da Toshiba.

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Proposta de contrato entre Toshiba e empresa de laranja de Youssef

No local, foram obtidas ainda cópias de dois e-mails trocados entre outro executivo da Toshiba, Rubens Takimi Nomada, e Waldomiro Oliveira – laranja de Youssef na empresa Empreiteira Rigidez.

No primeiro e-mail o executivo pede proposta de contratação e a minuta do contrato para “prestação de serviços para o projeto Comperj Substações Unitárias”.

No segundo e-mail, o executivo solicita a revisão da proposta e lembra que é preciso reconhecer a firma no contrato.

 

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Email pedindo retificação e reconhecimento da firma no contrato frio.

No depoimento prestado ontem, Youssef detalhou a logística da entrega dos R$ 400 mil na porta do PT, em São Paulo, a pedido de Piva.

“O valor do PT foi negociado com João Vaccari, que na época representava o PT nos recebimentos oriundos dos contratos com a Petrobrás”, explicou.

Segundo Youssef, a contratação da Toshiba para as obras da Casa de Força, do Comperj, entre 2009 e 2010, correu o risco de ser desclassificada.  Foi quando ele, Youssef e o Paulo Roberto Costa foram acionados  para resolver o problema. O contrato era de aproximadamente R$ 130 milhões, que,  com descontos, baixou para R$ 117 milhões.

Foi Piva que pediu para usar uma de suas empresas de fachada – a Rigidez – “para fazer o repasse ao PT e ao PP”.

Na dia da entrega na sede do PT, Youssef afirmou que “Piva informou que almoçaria com João Vaccari e ali aproveitaria para fazer a entrega de parte do restante destinado ao PT”.

Yosseff disse que o executivo da Toshiba dias antes havia ido até seu escritório “mas ficou temeroso de sair com uma quantia alta e marcou uma segunda oportunidade para receber os valores e de imediato já entregar a Vaccari”.

Foi Rafael Ângulo Lopes – o mesmo que possibilitou excelente matéria de Veja desta semana pgs 46 a 49 refazendo a rota da propina – que levou a quantia, segundo afirmou o delator.

Ele diz ter pedido a Ângulo para levar a quantia em um restaurante indicado por Piva, que fica perto da Avenida Paulista e ali lhe entregar uma sacola lacrada com os valores devidos.

No dia 3 de fevereiro, porém, perante a delegada da Polícia Federal Erika Mialik Marena e os procuradores da República Carlos Fernando Santos Lima e Januário Palludo, o doleiro prestou depoimento complementar no âmbito da delação premiada que firmou. Na ocasião, foi indagado a dar mais detalhes sobre “as operações financeiras em que destinou valores para João Vaccari Neto”.

Youssef disse que “posteriormente tomou conhecimento que no meio do caminho Rafael foi orientado a entregar o dinheiro diretamente na sede do PT em São Paulo, tendo entregue os valores na porta da sede do partido para Piva, que lá se encontrava”.

O entregador, Rafael Ângulo Lopez, é uma figura com “memória fotográfica”. Segundo Veja, os procuradores que o interrogaram nas últimas semanas, recolheram “farto material probatório”.

Segundo a ampla reportagem de Veja,  Rafael Ângulo Lopez narrou aos investigadores que, por determinação de Youssef, acompanhou o executivo José Alberto Piva Campana, da Toshiba Infraestrutura, em duas entregas de dinheiro ilegal na sede do PT em São Paulo.

Nas duas ocasiões, o dinheiro, acomodado em malas de viagem, deixou o escritório do doleiro em um Porsche Cayenne blindado.

Ângulo dirigiu o carro até a sede do PT. Parou o veículo na porta e coube ao executivo fazer a entrega. Para conferir credibilidade ao relato, os investigadores imprimiram um mapa do trajeto e Ângulo descreveu cada esquina do percurso, a situação climática no dia das entregas, chegando a reproduzir a conversa travada com o executivo até o destino.

Ângulo também cumpria missões para o clube das empreiteiras e, além da memória fotográfica, mantinha em uma planilha de computador os contatos que fazia em sua rotina de “homem mala”.

Rafael Ângulo Lopez fechou acordo de delação premiada.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/investigadores-da-lava-jato-reconstituem-a-rota-do-money-delivery/

O QUE DIZEM  AS DEFESAS

Como sempre, Vaccari nega tudo. Por meio de seu advogado, o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, repudia taxativamente as acusações. D’Urso tem reiterado que o tesoureiro só arrecadou quantias declaradas à Justiça eleitoral. O criminalista rechaça o valor dos depoimentos prestados em regime de delação premiada. Segundo D’Urso, os delatores “não dizem a verdade”.

Em nota, afirmou que “nega veementemente que tenha recebido qualquer quantia em dinheiro por parte do senhor Alberto Youssef ou de seus representantes”:

“em fevereiro, Youssef afirmou que uma suposta entrega do dinheiro teria sido feita em um restaurante em São Paulo. No depoimento de hoje, se contradiz e afirma que foi na frente da sede do PT. Youssef também afirma que um funcionário dele teria entregue o dinheiro a um representante da empresa Toshiba, e não diretamente a Vaccari ou a outro representante do PT. A Toshiba nega veementemente que algum dos seus funcionários tenha repassado recursos para representantes do PT”.

“A afirmação de Youssef causa ainda mais estranheza porque sua contadora, Meire Bonfim Poza, declarou à CPI Mista da Petrobras, no último dia 8 de outubro, que não conhece e que nunca fez transações financeiras com Vaccari Neto. Essa Secretaria de Finanças reitera que todas as doações que o Partido dos Trabalhadores recebe são feitas na forma da lei e declaradas à Justiça”.
As empreiteiras, da mesma forma, negam tudo também.“A Odebrecht e seus integrantes negam as alegações caluniosas feitas por doleiro réu confesso em investigação em curso na Justiça Federal do Estado do Paraná. A Odebrecht nega a existência de qualquer irregularidade nos contratos firmados com a Petrobras, todos conquistados de acordo com a lei de licitações públicas.”

“A Andrade Gutierrez nega que tenha mantido qualquer tipo de contato com o Sr. Alberto Youssef. Vale ressaltar, inclusive, que, em depoimentos anteriores, o Sr. Alberto Youssef já havia deixado claro que não tratava de qualquer assunto com a Andrade Gutierrez e seus executivos. A Andrade Gutierrez reitera, como tem feito desde o início da Operação Lava Jato, que não tem ou teve qualquer envolvimento com os fatos relacionados com as investigações em curso. “

Acesse aqui a portaria do inqúerito da Toshiba.

Graça Foster, candidamente, pede “desculpas” e “tem vergonha” do que aconteceu na Petrobrás. Mas mesmo recebendo emails de Venina Velosa da Fonseca, nada fez. E assistiu, inerte, à transferência punitiva da denunciante para o outro lado do mundo.

27 de março de 2015

Assista o vídeo a seguir e veja também a tentativa desesperada da deputada Maria do Rosário de atrapalhar a inquirição da amiga de Dilma.

(se o vídeo não estiver visível aqui, clique no título para acessá-lo)  

A partir dos 13:30 segundos do vídeo, um resumo dos fatos NÃO explicados pela ex-presidente da Petrobrás.

 

Inquérito para apurar se a compra de um Range Rover pela mulher de Nestor Cerveró foi com dinheiro do “esquema”

25 de março de 2015

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Não bastou o Silvinho “Land Rover” Pereira, anos atrás, parece que agora a mulher de Cerveró também ganhou um carro da marca. Um Range Rover com o dinheiro da Petrobrás. Que sina para a marca!

O juiz Sérgio Moro pediu nesta terça-feira uma investigação sobre a compra de um carro pela mulher do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró.

A proposta de compra e venda do carro foi emitida em julho de 2012. E o nome do cliente é Patrícia Cerveró, esposa do ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Já o e-mail de contato é o de Fernando Soares na empresa dele: a Hawk Eyes.

A vendedora contou que em julho de 2012 Fernando Soares indicou “uma amiga” para a concessionária. Passou os dados de Patrícia Cerveró. Na mesma concessionária, Alberto Youssef presenteou carro igual para Paulo Roberto Costa como pagamento de propina.

A revenda revelou que o veículo foi pago por depósito em dinheiro de R$ 220 mil. E o banco confirma: o depósito foi feito em espécie pela mulher de Cerveró, Patrícia.

O que a Polícia Federal vai apurar é de quem era o dinheiro usado para pagar o carro de Cerveró.

A suspeita é que a transação era pagamento de propina e quem teria feito o pagamento do carro é Fernando Soares, que está sendo acusado do pagamento de propinas para Nestor Cerveró.

O advogado de Nestor Cerveró nega a suspeita, alegando que todos os bens do cliente foram adquiridos com rendimentos próprios e declarados no Imposto de Renda.

http://www.eniomeneghetti.com