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CORRUPTOS, TREMEI!

13 de dezembro de 2016

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Finalmente ficou escancarada a razão do papelão protagonizado na Câmara Federal no episódio da votação das 10 medidas semana passada. Também daquela manobra de Renan Calheiros, ao tentar aprovar goela abaixo dos senadores a morte das medidas contra a corrupção.

A revelação do conteúdo da delação do executivo Cláudio Mello Filho é apenas a primeira dentre os 77 executivos da Odebrech que vão dizer tudo o que sabem. Entre eles Marcelo Odebrecht, seu pai Emílio e executivos como Alexandrino Alencar.

Conforme Época de junho de 2015 já revelava, em março de 2013, Lula e Alexandrino embarcaram no aeroporto de Guarulhos com destino a Nigéria, Benin, Gana e Guiné Equatorial. Quatro meses depois dessa passagem de Lula pela África, a Odebrecht ganhou um contrato de uma obra de transporte com o governo ganês, contando com financiamento de US$ 200 milhões do BNDES. A revista publicou ainda um relatório da PF com entradas e as saídas do Brasil de Lula e do lobista Alexandrino, entre 2011 e 2015. Além de Cuba e Guiné Equatorial, ambos estiveram juntos no Panamá, Colômbia, Peru, Equador, Portugal, Angola e Gana.Obviamente, não foram a turismo.

Na iminência da prisão do filho Marcelo, o patriarca Emílio Odebrech cunhou aquela frase célebre: “Se prenderem o Marcelo, terão de arrumar mais três celas, uma para mim, outra para o Lula e outra ainda para a Dilma.”  Donde se conclui que vai sobrar para dona Dilma também.

Cabe lembrar ainda, que Alexandrino Alencar era figura carimbada nos pagos rio-grandenses no quesito doações de campanha.

Faltará dinheiro para as campanhas eleitorais em 2018. Quem mais sofrerá com a escassez de verbas, serão justamente aqueles que tinham acesso aos corruptores.

Inevitavelmente circularão nas redes sociais as listas dos “em quem não votar”, compostas por nomes figurantes nas delações como suspeitos de terem sido abençoados com o dinheiro da corrupção. O resultado será um aumento exponencial de processos na célere e eficaz vara do juiz Sérgio Moro, na primeira instância em Curitiba, a partir de 31 de janeiro de 2019.

Sim, os processos do Petrolão, para quem não tem foro privilegiado ou perdê-lo, serão todos julgados em Curitiba.

Ainda há muita lama por vir. A delação vista neste final de semana em reportagem de mais de 40 minutos no Jornal Nacional, é apenas um trailer do que teremos pela frente.

As revelações serão devastadoras. Isso não é premonição. É constatação.

Enio Meneghetti

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O CRIME NÃO COMPENSA

18 de outubro de 2016

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Marcelo Odebrecht está querendo mais do que os delegados da Polícia Federal estão dispostos a conceder-lhe pelo seu acordo de delação.

 

Perdeu tempo valioso bravateando sua ojeriza a delatores. Agora dá sinais de estar chegando ao limite emocional. E a cada dia de vacilação, suas possíveis revelações perdem o valor, enquanto seus processos caminham com celeridade.

 

Quando finalmente resolveu considerar a hipótese de fazer um acordo, muitas das revelações que ele poderia ter negociado a peso de ouro já haviam sido decifradas pela força tarefa da Lava Jato. As siglas, códigos, apelidos, codinomes, frases cifradas, utilizados para manter em sigilo a identidade de políticos e personagens chave para o funcionamento da engrenagem criminosa, já haviam sido desvendados.

Tudo começou a andar mais rápido a partir da colaboração da secretária Maria Lúcia Tavares, que atuava no departamento de propinas da empreiteira. A ajuda dela teria sido fundamental para o deslinde do conteúdo dos celulares aprendidos de Marcelo Odebrecht.

 

Assim chegaram ao “Italiano”, codinome usado para identificar Antonio Palocci. O “Pós-Itália”,  referente ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, a quem coube suceder a Palocci na missão de negociar os pagamentos de propina junto a Marcelo Odebrecht.

 

A defesa de Palocci nega que ele seja o “italiano” das planilhas.  Alegam que ele nada tem a ver com dinheiro de propina. Em outras palavras, a defesa de Guido Mantega diz o mesmo.

 

O problema é que as negativas não batem com as revelações de vários delatores da Odebrecht que já firmaram seus acordos. Nestes, “Italiano”, “Pós-Itália” e o sugestivo apelido de “Amigo”, seriam mesmo Palocci, Mantega e Lula, numa referencia ao amistoso relacionamento pessoal entre o ex-presidente e o pai de Marcelo, Emilio Odebrech.

Segundo Procuradores da República, Lula está por trás da criação da empresa do sobrinho Taiguara, a Exergia Brasil. Lula o ajudou na captação de contratos com a Odebrecht, orientou-o sobre os negócios em Angola, apresentou-o ao mundo empresarial e oficial em visitas ao exterior.

No último ano do mandato de Lula, o BNDES aprovou oito contratos em favor da Odebrecht que, juntos, somaram US$ 350 milhões. As concessões continuaram nos anos seguintes, quando a empresa firmou outros 22 contratos que chegaram a US$ 2 bilhões.

Entre as provas, há e-mails trocados entre os envolvidos, fotos dos encontros de Lula e o sobrinho com empresários em Angola, registros da participação de Lula, em 2010, em uma reunião da Diretoria do BNDES, quando “por orientação do presidente Lula”, ficou decidido que o banco faria uma agenda de ações para o período de 2011 a 2014. “Lula deixou criadas as bases no BNDES para continuidade do esquema de favorecimento mediante financiamentos internacionais, a empresas ‘escolhidas’ para exportação de serviços a países da África e América Latina”, diz um dos documentos enviado à Justiça.

Lula foi denunciado por agir em favor da empreiteira aceitando remuneração por palestras e vantagens indiretas. Já a Exergia Brasil, empresa de Taiguara, teria feito pagamentos no interesse de Lula e familiares. Foram identificados mais de um milhão em saques diversos em dinheiro vivo, realizados pelos funcionários da Exergia.

Para quem lembra, há pouco mais de um ano, Emílio Odebrech teria dito:

“Se prenderem o Marcelo, terão de arrumar mais três celas: Uma para mim, outra para o Lula e outra ainda para a Dilma.”

A hora da confirmação parece estar chegando.

Enio Meneghetti

Ainda a Petrobrás

24 de setembro de 2014

Ainda a Petrobrás

Não foi nenhuma surpresa a revelação no Jornal Nacional da Globo, que “Paulinho” teria confessado que recebeu R$ 1,5 milhão em propina pela compra da refinaria Pasadena, no Texas, EUA.

Depois, o delator ainda teria revelado que a compra da refinaria Pasadena pela Petrobras foi usada para fazer caixa dois para as campanhas do PT e seus aliados, além de garantir propinas para os idealizadores e participantes do negócio. Barbaridade!

Sendo tal revelação verdadeira, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff teriam de ser denunciados pelo Procurador Geral da República. Nenhuma decisão do vulto da compra de Pasadena é tomada na Petrobras sem que o Presidente da República tome conhecimento.

Por isso, Lula e Dilma Rousseff sabiam de tudo e devem ser responsabilizados por atos tomados pela direção e pelo conselho da estatal.

Acionistas da estatal podem usar este argumento para processá-los em Nova York, em cuja bolsa de valores a Petrobras negocia suas ações e onde os políticos brasileiros não tem influência para garantir sua impunidade.

A situação de Dilma é pior. Ela presidiu o conselho da estatal na gestão Lula. É considerada especialista na área de energia. Tem o perfil do administrador centralizador, de quem nada escapa e exige o controle de tudo. E já ficou provado que ai daquele que desobedeça suas ordens. Será descascado no ato, na frente de tudo e de todos. É seu estilo, conhecido desde que atuava nos governos gaudérios. É impossível, não cola, a versão preguiçosa de que não soubesse de tudo o que se passava na estatal.

A indicação da amiga Maria das Graças Foster para presidir a Petrobrás em substituição ao homem de Lula, José Sérgio Gabrielli, – da mesma forma como o era o ladrão confesso Paulo Roberto “Paulinho” Costa – era justamente para ter conhecimento total do que se passava na empresa. E Dilma ainda segue fazendo um discurso cínico de que tem “tolerância zero com a corrupção”.

Igualmente não cola a versão de que Paulo Roberto Costa teria sido o único a receber propina. Portanto, a consequência disto é que a lista de pessoas a serem processadas está diretamente ligada aos resultados eleitorais. Se os governistas vencerem, provavelmente tudo ficará como está, com a chance de tal denúncia se tornar realidade próxima de zero. Ainda mais em meio a um processo eleitoral constrangedor que os financia a peso de ouro e sustenta o projeto de perpetuação no poder.

Quantos mensalões mais existirão debaixo do tapete e que não foram revelados ate agora? O que há por trás dos contratos secretos – e inconstitucionais – de financiamento a fundo perdido do porto de Mariel em Cuba, o perdão das dívidas dos países africanos para que o governo pudesse financiar mais obras lá a serem executadas pelas grandes empreiteiras brasileiras, todas grandes contribuintes das campanhas petistas? Nem Dom Corleone conseguiria tanto!

O que estão querendo fazer com esse país é o mesmo que fizeram com a Petrobrás. Não vê quem não quer. Nunca antes na história deste país tantas irregularidades foram praticadas a céu aberto como atualmente. O Alerta Total lembra que a revista Veja fez a revelação que desde 2010 o Ministério Público investiga uma ONG criada por petistas na Bahia. A presidente do Instituto Brasil, Dalva Sele Paiva, revelou que a entidade foi criada para ajudar a financiar o caixa eleitoral do PT, desviando R$ 50 milhões de reais dos “projetos sociais” das administrações petistas, desde 2004.

Segundo Dalva Paiva, o Instituto Brasil recebia os recursos, simulava a prestação do serviço e repassava o dinheiro para os candidatos do PT. Se o acordo pagava pela construção de 1000 casas, por exemplo, o instituto erguia apenas 100. O dinheiro que sobrava era rateado entre os políticos do partido.Pelo menos R$ 17,9 milhões de reais, teriam saído do Fundo de Combate à Pobreza. De novo: quantos mensalões como este existem Brasil afora?

Corrompida pela ignorância, a massa não dá bola para denúncias. Quem recebe alguma vantagem do esquema de poder, vota fielmente no governo.

Infelizmente, o poder das pessoas decentes é infinitamente inferior ao poderio dos gestores do governo. O Ministério Público, as polícias, os órgãos de controladoria formulam denúncias. O Judiciário aceita algumas. alguns bagres foram condenados. Mas os chefões seguem impunes. Até quando?

Enio Meneghetti

http://www.eniomeneghetti.com