Archive for the ‘Corrupção’ Category

Dinossauros da extrema esquerda

2 de abril de 2014

Capa JB JANGO

“Agora eu sei porque ninguém luta contra a ditadura que está se instalando no Brasil. Estão todos ocupados na luta contra o Golpe de 64”. by JB

Cada dia mais me convenço que a falta de conhecimento geral sobre o que aconteceu de fato em 1964 justifica melhor estudo. A auto defesa dos dinossauros da extrema esquerda brasileira é referirem-se aos excessos pós AI-5. Só que o AI-5 veio em dezembro de 1968. O fato que completou 50 anos agora, é a derrubada de João Goulart, em 1964.

Ou o perfil das críticas atuais, pode-se dizer, deveria ser dirigido a ampla maioria do povo e da imprensa brasileira de 1964, contrários a Goulart, como se todos estes aplaudissem ditaduras, torturas, ou torturadores, ou isso que pregam não é verdade. É apenas “marketing histórico”, sob medida para proveito dos dinossauros no poder.

Vejam, como exemplo de distorção dos fatos: é recorrente a esquerda referir-se a participação “americana” no episódio. Disso se servem os mal informados ou mal intencionados para tirar proveito desse “marketing histórico”. O que “esquecem” é de comentar a participação cubana e soviética nos primeiros anos da década de 1960 no Brasil, antes da queda de Jango. Fato histórico comprovado à exaustão.

Em dezembro de 1962 foram descobertos os campos de treinamento de guerrilha em Divinópolis, Goiás. Montados em duas fazendas, com financiamento cubano pelo “Movimento Revolucionário Tiradentes” (M.R.T.), de Francisco Julião, líder das ligas camponesas.

Em “A Ditadura Envergonhada”, Elio Gaspary revela: “Em 1961, manobrando pelo flanco esquerda do PCB, Fidel hospedara Francisco Julião (…). Em viagem a Moscou, Francisco Julião ele pedira mil submetralhadoras aos russos (…). Cuba enviou como conselheiro de sua embaixada um veterano combatente da guerrilha urbana, Miguel Brugueras (…).Francisco Julião também enviou homens para cursos de guerrilha em Cuba. (…) O plano insurrecional caiu nas mãos dos serviços de segurança americanos em novembro de 1962 quando um Boeing 707 da Varig caiu nas cercanias de Lima com o “correio oficial” cubano. Na mala diplomática, detalhes sobre o plano insurrecional no Brasil, reclamações sobre “o gasto do dinheiro cubano a mãos cheias.”
Francisco Julião Fidel
Muito se fala nas “Reformas” de Jango e pouco se diz sobre elas. Em seu discurso no famoso comício da Central do Brasil em 13 de março de 1964, Jango anunciou seus decretos. O da Reforma Agrária – número 53.700/64 – declarava de “interesse social” as áreas rurais em um raio de 10 km nas margens de todas as rodovias federais, ferrovias, açudes, barragens. Segundo o extinto IGRA – Instituto Gaúcho da Reforma Agrária, isso representava 41,9% do território do RS.

O Decreto 53.701/64 encampava as ações ordinárias de Refinarias de petróleo em mãos de particulares. Entre elas, a então “gaúcha”, IPIRANGA. Sim, a IPIRANGA chegou a ser estatal durante cerca de 15 dias.

Já o Decreto 53.702, com o prosaico título de “Tabelamento de Aluguéis”, outorgava uma verdadeira reforma urbana: em seu artigo quinto, trazia: “O Comissariado da Economia Popular listará em 90 dias os prédios e apartamentos desocupados com vistas à desapropriação por utilidade social”. O artigo nono do mesmo decreto trazia: “Os cartórios de Registro de Imóveis formarão nos próximos 90 dias listas especiais sobre os proprietários de mais de um imóvel.” Programa igual ao que fora feito na Cuba de Fidel, poucos anos antes. E tudo feito por decretos presidenciais, à revelia do Congresso Nacional. As indenizações, contrariando a Constituição vigente, seriam com títulos governamentais. Eram condições de verdadeira expropriação. Tudo por DECRETO! Qual o professor de História que conta isso? Qual o professor de cursinho pré vestibular conta isso?

Claro que ainda há gente que sonha em montar isso no Brasil de hoje.

É preciso dizer quem?

Aliado e compadre de Jango, Samuel Weiner, o dono do único jornal de esquerda, a “Última Hora”, criado com verbas do Banco do Brasil para apoio ao governo, em suas memórias narrou os “esquemas” onde ele foi a Suíça buscar dinheiro para financiar “manobras políticas”. Ou como Samuel, segundo ele a mando de Jango, fazia movimentar “caixinha das empreiteiras”. Diz Samuel “mensalmente entregava os montes de cédulas a João Goulart”. Imagine se fosse um adversário dizendo isso!

Militante comunista, o recentemente falecido Jacob Gorender, disse em seu clássico livro “Combate nas Trevas”: “O período de 60 a 64 marca o auge da luta de classes no Brasil. Nos primeiros meses de 1964 esboçou-se uma situação pré revolucionária e o golpe direitista se definiu pelo caráter contrarrevolucionário preventivo. Houve chance de vencer, mas foi perdida. O pior é que foi perdida de maneira desmoralizante.”

A verdade é que a Constituição estava sendo rasgada por João Goulart, que estava ingenuamente sendo usado pela extrema esquerda, que tão logo visse implantadas as tais “Reformas de Base” das quais a maioria dos que a elas se referem, nem sabem o que propugnavam. Assim que as esquerdas conseguissem implantá-las, o primeiro do qual se livrariam – daquela forma soviética ou cubana então vigente – seria o próprio João Goulart.
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editorial do Correio da Manhã de autoria de Carlos Heitor Cony

Longe de defender ditaduras ou torturadores, digo que há muito mais. Em meu livro “Baile de Cobras”, lançado em maio de 2012, abordei todos estes fatos, descrevendo o clima reinante.

Infelizmente o que se vê hoje é uma tentativa de relegar fatos históricos a um segundo plano, talvez em prol do projeto político atual.

Enio Meneghetti
http://www.eniomeneghetti.com

Jogo de Cena

14 de março de 2014

 

Enquanto a cúpula do cúpula do PMDB ligada a Michel Temer fecha com a presidente Dilma, desautorizam publicamente o aparentemente rebelde líder na Câmara, Eduardo Cunha. A cacicagem peemedebista, sempre ávida por mais cargos, diz que há insatisfação, mas nega que o clima seja de ruptura. A radicalização de Eduardo Cunha obviamente atrapalha os planos de quem está sempre de olho na ampliação de espaço e poder.

Enquanto isso, a Câmara ameaça votar o requerimento do DEM e do PPS para a criação da CPI para investigar as denúncias contra a Petrobras.

 

Motivos e assunto não faltariam em uma “CPI da Petrobrás”: o endividamento, o uso político da estatal, os critérios usados para as verbas de patrocínio, o dinheiro jogado fora na compra da usina sucateada em Pasadena e muito mais.

 

Mas que ninguém se iluda. Michel Temer já firmou com Dilma Rousseff o compromisso de que a CPI não sai, porque o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, não vai deixar. E sem os votos da base alugada, digo, Base Aliada, as chances de emplacar qualquer CPI ou outros instrumentos de fiscalização do governo, são próximas de zero. Afinal, nem mesmo o suspeitíssimo “sigilo” em relação aos investimentos em Cuba e África se consegue transpor.

Sofrendo com alto endividamento e defasagem dos preços dos combustíveis no mercado interno, além das dificuldades para aumentar sua produção, apesar dos gastos elevadíssimos com contratação e aluguel de plataformas de exploração, a Petrobras tem uma necessidade de captação bruta de US$ 12,1 bilhões por ano – principalmente para financiar suas dívidas em crescimento. O mercado já percebeu que a dívida deve crescer.

E enquanto a Petrobras se endivida, como se constata, a empresa entra no meio das barganhas políticas entre o governo petista e sua nefasta Base Aliada.

 

Com “estadistas” desse nível, barrando toda e qualquer iniciativa que pudesse levar alguma dose de transparência a nosso combalido país, dá para entender porque às vezes parece não haver oposição. Com as motivações mesquinhas que movem a tal Base Aliada, é triste prever o que o futuro próximo nos reserva.

 

Enio Meneghetti

www.eniomeneghetti.com

Vexame Internacional

12 de fevereiro de 2014

A revista francesa FRANCE FOOTBALL – www.francefootball.com – publicou na semana que passou reportagem sobre a Copa no Brasil. O título da matéria “Peur sur le Mondial”, pode ser traduzido como “Medo do Mundial”.

O conteúdo da matéria é de fazer corar de vergonha qualquer um que tenha o mínimo conhecimento do que ocorre atualmente no Brasil. A reportagem aponta o mesmo engodo que muitos brasileiros engoliram: “Atingido por uma crise econômica e social, o Brasil está longe de ser aquele paraíso imaginado pela FIFA para organizar uma Copa do Mundo. Para a FIFA a Copa no Brasil passou a ser fonte de angústia”.

Alguns fatos que a reportagem de 12 páginas aborda:

– Foi o Brasil que procurou a FIFA e fez a proposta de sediar a Copa;

– Tudo no país se desenvolve a base de propinas;

– Membros do alto escalão do governo Lula estão presos por corrupção. Mesmo assim, artistas e grande parte da população pregam que eles são inocentes e fazem campanhas para recolher dinheiro para eles;

– Tudo o que está errado no Brasil é “culpa da FIFA”. Antes a culpa era dos EUA. Portugal já foi culpado também. Mas a culpa nunca é dos brasileiros; – A carga tributária do Brasil é maior que a da França. Mas os serviços públicos são péssimos, do nível do Congo;

– O Brasileiro dá mais importância ao futebol do que à política;

– A FIFA busca não associar-se a ditaduras. Excluiu a África do Sul na época do Apartheid, recusou a candidatura da China, mas aceitou a proposta do Brasil para sede da Copa, mesmo o país flertando com ditaduras;

– O Brasil foi o país que teve mais tempo para preparar o mundial: sete anos. Mesmo assim, o cronograma está totalmente atrasado;

– Jérome Valcke, secretário geral da FIFA, criticou os atrasos. O governo brasileiro simplesmente recusou-se a continuar tratando com ele;

– A África do Sul teve cinco anos de prazo e terminou com antecedência. A França teve apenas três anos. Há três meses da Copa, o Brasil ainda está longe do término das obras;

– O custo de cada estádio no Brasil em média é de mais de 500 milhões de euros. O dinheiro sai do bolso do Brasileiro. Tudo é financiado com recursos públicos. Na França tudo foi financiado com recursos privados;

– Em Brasília está sendo construindo um Estádio para 68.000 pessoas. Mas o time local está na quarta divisão e tem média de público de 600 pagantes; – Em São Paulo há dois grandes estádios, Morumbi e Pacaembú. Ao invés de reformá-los, construíram um 3o. estádio, o Itaquerão, a 23km do centro da cidade, sem metrô até lá. Isso para satisfazer o ex-presidente Lula, torcedor do Corinthians. Lula empenhou-se pessoalmente para que construíssem este estádio – de seu clube – em vez de reformar um dos outros dois já existentes. Lula é amigo de Marcelo Bahia, Diretor da Odebrecht, vencedora da licitação. Uma reforma dos outros dois estádios custaria menos de 100 milhões de Euros. O novo estádio foi orçado em 300 milhões de euros, mas já passou de 500 milhões. Um dos mais caros da história da humanidade. Lula e Marcelo são constantemente vistos em caríssimos restaurantes de Paris, tomando bons vinhos franceses;

O Brasil é autossuficiente em petróleo e está ao lado de países da OPEP, como Venezuela e Equador. Mas a gasolina é uma das mais caras do mundo, de péssima qualidade, misturada com etanol e solvente de borracha;

– O brasileiro defende o monopólio do petróleo. É o único país do mundo onde os consumidores acham que o monopólio é bom para o consumidor;

– Um hotel em São Paulo custa em média 40% mais do que se hospedar em um hotel equivalente em Paris;

– O Brasil adotou um sistema de tomadas elétricas que só existe lá, gerando um custo de milhões para os consumidores e lucros fabulosos para empresas do setor. Leve um adaptador de tomadas;

A reportagem conclui: “UMA VERGONHA INTERNACIONAL mas o brasileiro está muito feliz de ser pentacampeão de futebol. Nos corredores da FIFA já se admite que foi o maior erro da história da Instituição eleger o Brasil como sede”.

Dá para discordar?

Venezualização?

5 de fevereiro de 2014

Embora possa parecer um problema restrito a Porto Alegre, é bastante sintomático o que se viu até agora na greve dos rodoviários.

Centrais adversárias levam a disputa de poder dentro de um sindicato ao desrespeito de um acordo firmado no âmbito do Judiciário. Partidos da extrema esquerda mobilizam e radicalizam os grevistas nos bastidores. O governo estadual representado pelo senhor Tarso Genro recusa o pedido da prefeitura municipal do uso da Brigada Militar para garantir a circulação dos ônibus que atenderiam à população que segue desassistida. Depredações, desobediência civil.

O quadro alarmante pode ser colocado ao lado do que se vê no restante do país.

O dinheiro jogado fora com despesas além da conta para fazer estádios. Manifestações contra a copa num país de fanáticos por futebol, o que seria difícil de imaginar alguns anos atrás.

A inflação crescente com evidentes sinais de descontrole. Sintomas de bolha de crédito. Descontrole de gastos com a péssima gestão das contas públicas. Déficit nominal. Carga tributária cada vez mais alta.

Eterna tentativa de controle do Congresso via cofres públicos e distribuição de cargos no executivo. Controle das eleições por meio dos bolsas-miséria.

O aumento descontrolado da violência nas regiões metropolitanas. Crise econômica gerando maior custo de vida e descontentamento individual. Esgotamento do modelo político e econômico. Cenário de instabilidade, radicalização e cada vez mais corrupção.

A lembrança das várias obras prometidas que não saíram do papel.

Os investimentos na infraestrutura carente que não foram feitos enquanto o país torra dinheiro no exterior com gastos absurdos em viagens oficiais e obras que nenhum retorno trarão, como o porto cubano.

Investidores externos fogem de um Brasil caro, corrupto, politicamente subdesenvolvido e ineficiente para produzir e crescer de verdade.

Pessimismo? Onde tudo isso irá parar?

Dilma Rousseff tentará resistir às pressões programadas para infernizar sua pretensão de reeleição amparada pelos estimados US$ 2 bilhões que o esquema já conseguiu arrecadar para torrar em 2014.

Será o tórrido verão prenúncio de um ano “quente” inverno adentro?

Quem viver verá.

Lorotas

4 de fevereiro de 2014

Depois de três anos esnobando o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Dilma Rousseff finalmente debutou no evento justamente no momento em que as notícias sobre as dificuldades econômicas de seu governo começam a se avolumar.

Em Davos Dilma procurou seduzir o capital reunido afirmando a importância das parcerias com os investimentos privados. É uma pena que não tenha feito isso já no primeiro ano de seu governo.

Desde que tomou posse, Dilma pareceu mais interessada em criar ministérios e distribuir dinheiro à rodo, seja para sua dispendiosa base aliada ou enterrar dinheiro obras de infraestrutura financiadas pelo BNDES em Cuba ou países africanos como Angola ou Moçambique.

Nada contra a filantropia, desde que aqui mesmo no Brasil não houvesse carência do mesmo tipo de investimento.

Estamos carecas de saber que temos um Brasil abundante em infraestrutura por fazer. Estradas, portos, metrôs, hospitais, escolas, enfim, tudo isso constitui um pequeno resumo de nossas carências.

Assim, depois de pintar o quadro mais otimista que pode em Davos, o destino de nossa governanta maior foi Cuba, onde junto ao ditador Raul Castro, Dilma inaugurou o porto cubano de Mariel —um empreendimento no qual o BNDES já enterrou US$ 682 milhões nos últimos três anos, equivalentes a 71% do total de investimentos no porto cubano. Não se sabe muito mais sobre o investimento feito na ilha dos irmãos Castro, afora que os pagamentos (?!?) deverão começar em 2017.

Porque assim como nos negócios feitos com Angola, o governo decidiu que  até 2027 as bases do acordo são secretas.

Sim, o contribuinte brasileiro não tem o direito de saber como o governo gasta – o seu, o meu, o nosso – dinheiro através do BNDES.

Como se isso não fosse o bastante para constranger quem tenha um mínimo de vergonha na cara, na volta da Suiça, a comitiva presidencial resolveu dar uma paradinha secreta de dois dias em Lisboa, onde ocuparam acomodações nos dois hotéis mais caros da capital lusitana: O Ritz e o Tivoli. A suíte de Dilma no Ritz tem como diária a bagatela de 8 mil euros. Já os 25 apartamentos do Tivoli, não se sabe ao certo quanto custaram.

Como a esbórnia de fim de semana vazou e pegou mal, o governo apressou-se a dizer que se tratava de “uma escala técnica”, para reabastecimento do avião presidencial.  A desculpa esfarrapada era de que o avião presidencial não teria autonomia para ir direto da Suíça para Cuba.

Bem, a distância entre Zurique e Havana de 8.199 quilômetros. Só que, como bem flagrou o “Alerta Total”,  na página oficial da Aeronáutica consta que o Airbus A319 Corporate Jetliner – A319CJ –, usado pela Presidência da República – mais conhecido como “Aerolula” – é uma aeronave transcontinental, com autonomia de voo de até 11 mil quilômetros, dependendo do número de passageiros:

“Com sua elevada autonomia de voo, maior que a do A319 comum operado pela TAM, elimina muitas escalas técnicas para abastecimento. Permite voos de Brasília a Paris, a Nova York, a Quebec ou a Washington, sem escalas. Assim, demanda da FAB reduzido apoio logístico”.

O que mais será que nos contaram errado?

Enio Meneghetti

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Estado Totalitário

17 de janeiro de 2014

capa assassinato reputDepois de muito esforço, finalmente consegui adquirir um exemplar do livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado” de Romeu Tuma Junior. Livro que já havia mencionado em um artigo anterior, intitulado  “Teflon”.

As inconfidências registradas na obra são tantas que não posso classificar como leitura das mais agradáveis. Realmente é lamentável que no centro do poder de nosso país, coisas como as descritas possam ter ocorrido.

Em meio às muitas críticas que o autor faz da tentativa de criação de um verdadeiro estado policial, com vistas a manter sob vigilância os adversários do governo,  o mais surpreendente, pela sua aparente inocência,  nos é apresentado no Capítulo 5, intitulado “O projeto de poder do PT de Lula”, no item 2. – “Registro de Identidade Civil”, que resumo a seguir (página 94 e seguintes do livro):

“Um clique para ter controle de todo o Brasil: sonho de Márcio Thomaz Bastos – que eu recusei viabilizar na Secretaria Nacional de Justiça”.

O problema apontado envolveria a implantação da nova carteira identidade nacional, um cartão magnético que reuniria quatro documentos em um só, num investimento previsto de R$ 1,5 bilhão.

A questão, segundo o autor, seria: “Com a manobra eles tentavam criar um banco de dados único nacional, pelo qual você teria o RG, passaporte, CPF,certidão de nascimento, título de eleitor, tudo no mesmo documento. Embora tal sonho de controle total sobre o cidadão ainda não tenha sido implantado, boa parte dele pulsa e age em segredo, no íntimo da inteligência petista, nos dias que correm.(…). A PF adorou essa ideia (…). Teria acesso a dados da polícia do estado e almejava também os dados da secretaria da Fazenda estadual. A PF com isso nas mãos seria maior que a CIA e a KGB juntas (…). Se esse sonho do Márcio Thomaz Bastos se realizasse, eles teriam acesso, num clique, a todas as informações sobre a carteira de habilitação, carro, imposto de renda, Ministério da Fazenda, nota fiscal paulista… tudo sem ordem judicial. E sob o pretexto de se criar um registro único, para que você não precisasse mais ficar andando com um monte de documentos (…).”

Segundo explica o autor, que é delegado de polícia de classe especial, com uma ferramenta dessas seria possível saber com um clique, imediatamente, por exemplo, além de dados do Imposto de Renda, que carro dirige a pessoa pesquisada, se tem multas, e assim, onde transita, e, pelo que menciona como “dados da Fazenda estadual” até mesmo as compras cotidianas feitas pela pessoa, com programas do tipo “CPF na nota”, que nos é oferecido em farmácias ou supermercados. Seria possível, em tese, saber até mesmo os medicamentos que a pessoa compra, se é diabético, as enfermidades de pessoas da família, qualquer coisa.

Sem dúvida, com a possibilidade de tal poder sem ordem judicial, o Estado de Direito ficaria bastante comprometido com o uso político de um sistema como o descrito.

A democracia correria risco.

Enio Meneghetti

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Teflon

15 de dezembro de 2013

Livro, o melhor presente

*Artigo que enviei para o jornal “O Fato” de São Gabriel, publicado na última sexta feira, 13 de dezembro.

O fato efervecente da semana é o lançamento do livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado” de Romeu Tuma Junior, ex Secretário Nacional de Justiça no governo Lula. O autor, que esteve por três anos no cargo, revela ter mergulhado na apuração de um mar de ilegalidades que vão desde rastreamento de contas bancárias no exterior – justamente a conta que seria do Mensalão, nas Ilhas Cayman – segundo ele a principal razão de ter caído em desgraça, até ao recebimento de “ordens” de produzir dossiês contra adversários do governo. Tudo com riqueza de detalhes que emprestam credibilidade às revelações.

Tuma Junior afirma que pela natureza do cargo que exerceu entre 2007 e 2010 teve acesso aos mais bem guardados segredos nacionais. Faz revelações acerca das investigações do assassinato de Celso Daniel – “eu era o delegado da região onde o corpo foi encontrado”, explica, dizendo que por essa razão participou das investigações, sendo inclusive o primeiro a chegar ao local escolhido para a desova do corpo – além de revelar ter sido ouvinte de desabafos de Gilberto Carvalho sobre o destino do dinheiro desviado da prefeitura de Santo André – as mãos de José Dirceu.

Ainda volta no tempo, afirmando que Lula teria sido informante de seu pai, o falecido Delegado – e posteriormente senador – Romeu Tuma, nos tempos do extinto DOPS. “Combinavam ações, nada escapava ao controle de Lula. Ele prestou um grande serviço ao Brasil” – diz.

Sobre a afirmação mais desagradável para os petistas, a de que Lula teria sido colaborador de um dos comandantes do aparelho de repressão, cabe lembrar que não é a primeira vez que alguém acusa o “Barba”- codinome de Lula nos relatórios do DOPS de comportamento duvidoso naquele período. O excelente livro “O Que Sei de Lula”,  do jornalista José Neumane Pinto*, entre muitas revelações bombásticas, traz a revelação que Lula teria conquistado a antipatia de Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo de São Paulo, por ter se recusado a manifestar seu apoio na luta pela volta dos exilados.

Segundo Neumane Pinto, que cobria as greves do ABC desde 1975, Lula afirmara que “não iria ajudar a trazer de volta aqueles que estavam tomando vinho em Paris e que depois que chegassem iriam querer mandar nele.” O livro conta muito mais, que Lula gabava-se de, nos tempos da Villares, de conseguir aumento entregando companheiros.

Claro que, na prática, provavelmente pouco mudará com todas essas revelações. A camada de Teflon que protege Lula e Cia contra escândalos é algo quase incompreensível.

Mas os livros, “Assassinato de Reputações” e “O Que Sei de Lula” – ao lado de “Dirceu” de Otávio Cabral – um mergulho na vida daquele que, não fosse o desacerto financeiro com Roberto Jefferson, muito possivelmente seria o ocupante da cadeira máster do Palácio do Planaltoconstituem um triunvirato de leitura obrigatória para quem se interessa por política e/ou bastidores do poder. Tramas, intrigas, traições e – como não poderia deixar de ser – ilegalidades, que não ficam devendo nada aos melhores thrillers de ação e espionagem – sim, espionagem! Onde não faltaram sequer os detalhes de como  agiram para grampear os telefones e computadores dos Ministros do STF.

Em tempos de festas, qualquer um deles é um ótimo presente de Natal.

Fica a dica.

Enio Meneghetti
www.eniomeneghetti.com

* assista uma entrevista com o autor de “O Que Sei de Lula”, no post “Entrevista Bombástica” – aqui:  https://eniomeneghetti.wordpress.com/2011/09/15/entrevista-bombastica/?preview=true&preview_id=146&preview_nonce=4ff84f3174

Saulo Ramos disse sobre Celso de Mello

18 de setembro de 2013

Código+da..

Saulo Ramos foi quem defendeu junto ao então presidente José Sarney a indicação de Celso de Mello para o STF.

Mello havia sido secretário de Saulo Ramos na Consultoria Geral da República no governo Sarney. Findo o governo, vendo que o pupilo voltaria para o MP de São Paulo de onde era originário, Saulo Ramos lutou junto ao presidente por sua indicação para o STF, com o argumento que aquela seria sua “única chance”, senão o jovem talentoso ficaria “esquecido” no MP de São Paulo.

Posteriormente eles romperam, num episódio curiosíssimo que está no livro “O Código da Vida” de Saulo Ramos, que, ao que se sabe, nunca foi desmentido por Celso de Mello. Transcrevo:

“Na minha vida, conheci juízes formidáveis, dos quais guardo lembranças entusiastas e profundo respeito. Mas sofri também grandes desilusões. Algumas lamentáveis. Vou contar uma delas.

Terminado seu mandato na Presidência da República, Sarney resolveu candidatar-se a Senador. O PMDB negou-lhe a legenda no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas em questão do domicílio e o caso acabou no Supremo Tribunal Federal.

Naquele momento, não sei por que, a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:

– O processo do Presidente será distribuído amanhã. Em Brasília, somente estão por aqui dois ministros: o Marco Aurélio Mello e eu. Tenho receio de que caia com ele, primo do Presidente Collor. Não sei como vai considerar a questão.

– O Presidente tem muita fé em Deus. Tudo vai sair bem, mesmo porque a tese jurídica da defesa do Sarney está absolutamente correta.

Celso de Mello concordou plenamente com a observação, acrescentando ser indiscutível a matéria de fato, isto é, a transferência do domicílio eleitoral no prazo da lei.

O advogado de Sarney era o Dr. José Guilherme Vilela, ótimo profissional. Fez excelente trabalho e demonstrou a simplicidade da questão: Sarney havia transferido seu domicílio eleitoral no prazo da lei. Simples. O que há para discutir? É público e notório que ele é do Maranhão! Ora, também era público e notório que ele morava em Brasília, onde exercera o cargo de Senador e, nos últimos cinco anos, o de Presidente da República. Desde a faculdade de Direito, a gente aprende que não se pode confundir o domicílio civil com o domicílio eleitoral. E a Constituição de 88, ainda grande desconhecida (como até hoje), não estabelecia nenhum prazo para mudança de domicílio.

O sistema de sorteio do Supremo fez o processo cair com o Ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá.

Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura do Sarney.

Deus do céu! O que deu no garoto? Estava preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e, agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por impedido. Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio ser o relator.

Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:

– Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do Presidente.

– Claro! O que deu em você?

– É que a Folha de São Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o Presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou a minha vez de votar, o Presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de São Paulo. Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente.

Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a engolir e perguntei:

– Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de São Paulo noticiou que você votaria a favor?

– Sim.

– E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?

– Exatamente. O senhor entendeu?

– Entendi. Entendi que você é um juiz de merda!

Bati o telefone e nunca mais falei com ele.” *

* CÓDIGO DA VIDA – Saulo Ramos – Ed. Planeta – 2007 – págs. 168 a 170
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