Archive for the ‘Curiosidades’ Category

Simplificando o Economês

8 de março de 2012

Jornais noticiam hoje em tom de festa o anúncio por parte do governo da redução da taxa de juros.

Só que a chamada taxa Selic somente tem influência direta no custo que o governo PAGA ao tomar dinheiro emprestado formando assim a (nossa) dívida interna  (sim, nossa, porque o governo toma emprestado, mas é o contribuinte quem paga).

Quanto aos juros que os contribuintes, consumidores, aposentados, pagam no cartão de crédito, no cheque especial, no empréstimo consignado em folha de pagamento, a taxas cavalares, estes são definidos pelos bancos e administradoras de cartões a partir da baliza das taxas  praticadas pelos bancos do próprio governo – Banco do Brasil e Caixa Federal – e não tem relação imediata e direta com a variação da taxa Selic, como já cansamos de ver comprovado.

Por isso o ministro Mantega “brinca” em público com o presidente da Caixa Econômica Federal, dizendo: “Anota aí, aumentar o crédito com redução da taxa de juros.” – conforme está nos jornais de hoje.

Afinal, por que os donos do Itaú, do Bradesco ou do Santander praticariam taxas menores, se o  Banco do Brasil e a Caixa Federal estão com seus juros na lua? – veja o post “Um Grande Negócio”.

Aí  o ministro vem a público mandar esse “recado” (que, creio,  dificilmente será ouvido) aos comandantes dos bancos estatais para reduzirem os juros, estimulando assim o crescimento do PIB pelo consumo, para reduzir a entrada de dólares e euros, o tal “tsunami monetário” referido pela presidente Dilma.

Portanto não há nenhum acesso de bondade nas declarações de Mantega. Mas acho difícil que a anomalia no spread bancário seja sanada tão cedo. 

Veja a matéria do Estadão abaixo:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,bancos-publicos-lideram-alta-dos-juros,10053,0.htm
Bancos públicos lideram alta dos juros
Levantamento feito com dados do BC mostram que taxas médias do BB e Caixa subiram mais que as do Itaú, Bradesco e Santander
20 de março de 2010 | 23h 00
Fernando Nakagawa, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA – Os bancos públicos lideram a alta dos juros nos empréstimos ao consumidor em 2010. Levantamento feito pelo Estado com dados do Banco Central mostra que a taxa do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal subiu este ano mais do que no Itaú, Bradesco e Santander. Os bancos federais lideram a alta nas quatro operações para pessoas físicas acompanhadas pelo BC: crédito pessoal, financiamento de veículos, aquisição de bens e cheque especial.
Analistas dizem que a alta pode ser fruto da recomposição da margem de lucro ou de mudança no perfil dos clientes.
Após meses de atuação agressiva, com corte dos juros entre 2008 e 2009, o comportamento dos bancos públicos parece mudar. Números do BC mostram que o juro médio praticado pelo BB e pela Caixa sobe gradualmente desde o fim de 2009.
Na modalidade mais tradicional de empréstimo, o crédito pessoal, a Caixa lidera o aumento. Entre o fim de 2009 e 18 de março, a taxa subiu 2,9 pontos porcentuais e atingiu 30,9% ao ano.
Proporcionalmente, essa foi a maior alta de juros – cerca de 10% no período – entre os cinco maiores bancos. O BB foi o segundo que mais elevou a taxa. No Itaú, oscilou ligeiramente e o Bradesco reduziu em 4 pontos.
Carros
No financiamento de veículos, operação apoiada pelo governo, foi a vez de o BB liderar. No ano, a taxa média do banco subiu 3 pontos e está em 22,9%.
Na média, o BB empresta hoje com um juro 15% maior que o do fim de 2009. Em segundo na lista, a Caixa teve aumento de 1,7 ponto. A taxa do Bradesco subiu 1,2 ponto e o Itaú reduziu os juros em quase 2 pontos.
Ainda que esses bancos não tenham anunciado a alta do custo dessas operações, a taxa cobrada pode subir.
Isso acontece porque as instituições estabelecem juros mínimos e máximos e a taxa praticada oscila dentro desse intervalo, conforme o perfil do cliente. Se o banco avaliar que o tomador do empréstimo tem mais risco, cobra mais juro. Desde o início do ano, é esse movimento que tem acontecido.
Queda da inadimplência
“Os bancos públicos podem estar aproveitando o aumento da demanda para recompor margens. Essa é a explicação mais razoável, até porque o risco de crédito não aumentou nos últimos meses. Pelo contrário, a inadimplência caiu e diminuiu a chance de calote, o que deveria gerar um alívio nos juros”, diz o diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad, Alberto Borges Matias.
O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, fez uma avaliação parecida. “Podemos ter milhares de explicações, mas há alguns motivos mais comuns. No caso dos públicos, eles fizeram um movimento muito forte de corte da taxa na crise e, agora, podem estar recompondo margem. É possível também que,para manter o ritmo de crescimento, estejam operando com novos clientes, o que eleva a taxa final.”
Vale lembrar que, mesmo com a alta recente, os bancos públicos ainda praticam taxas competitivas. No cheque especial e no crédito pessoal, Caixa e BB emprestam com as taxas mais baixas entre os cinco grandes. No financiamento de veículos, estão na média do mercado. A exceção fica com a aquisição de bens, segmento em que a Caixa empresta com o maior juro dos cinco maiores bancos: 71,9% ao ano.

Um Grande Negócio

5 de janeiro de 2012

Você já pensou que grande negócio seria comprar um carro por R$ 10 mil e revendê-lo pouco tempo depois por R$ 50 ou 60 mil? Ou adquirir um apartamento por R$ 100 mil e revendê-lo por, digamos R$ 400, 500 ou até 600 mil?

Pois é mais ou menos o que acontece em um mercado em expansão no Brasil. O do comércio das dívidas de inadimplentes.

Uma matéria do jornalista Rogério Jelmeyer, publicada no The Wall Street Journal, registra que o Brasil tem tido um um boom de empréstimos pessoais nos últimos anos. A estabilidade econômica e algum crescimento tem levado a baixas taxas de desemprego e salários em alta. Com o volume de empréstimos em alta, sobe também o volume da inadimplência. Que significa a abundância de novas oportunidades para a cobrança de dívidas. Setor que pela primeira vez, segundo a matéria, está começando a se tornar um grande negócio no Brasil.

Durante décadas de instabilidade econômica e da hiperinflação dos anos 90, os empréstimos para consumidores representavam uma parcela baixa na rentabilidade dos bancos. Mas em menos de 10 anos, o volume de crédito no Brasil quase dobrou, e agora responde por quase 50% do PIB. O total de empréstimos atingiu R$ 2 trilhões em novembro. E 5,6% do total, ou cerca de 112 bilhões de reais, foram pagos com mais de 90 dias de atraso.

O rápido crescimento tem levado a algumas preocupações. Pode haver uma bolha de crédito no Brasil, especialmente nos empréstimos ao consumidor, onde a taxa de inadimplência é muito maior do que é para empréstimos corporativos. As taxas de inadimplência para pessoas físicas subiram para 7,3% em novembro, enquanto para as empresas, a taxa foi de 4%.

Assim, mesmo sem superaquecimento, tem se tornado abundantes as oportunidades para empresas que compram dívidas. Segundo estimativas, o volume de dívidas incobráveis ​​no Brasil pode chegar a R$ 330 bilhões. Desse total, os bancos estimam que não irão recuperar cerca de R$ 180 bilhões, potencialmente tornando-os disponíveis para venda aos cobradores de dívidas.

Apenas um grande banco internacional em operação no Brasil vendeu cerca de R$ 16 bilhões em empréstimos ruins em 2011, quase quatro vezes a quantidade vendida em 2010. O equivalente a cerca de 9% de seu total de empréstimos. A pior parte da sua carteira, em que os clientes não haviam feito nenhum pagamento por mais de um ano.

Consultado, esse mesmo banco disse que “as condições do mercado atual explicam a aceleração da venda de suas carteiras, resultando em maior eficiência.” Bancos que costumam vender suas carteiras de empréstimos com mais de cinco anos de atraso, com o crescimento  do mercado de cobrança de dívidas, já estão começando a vender carteiras de crédito mais jovens. “Já é possível comprar carteiras de empréstimos com até três anos de atraso”, diz um executivo de uma empresa especializada nesses ativos.

Uma empresa criada em janeiro de 2009, com a compra de mais de R$ 3 bilhões em empréstimos ruins, declara que “a tendência é essa indústria se expandir em um ritmo semelhante ao do volume de empréstimos no Brasil”.

Os bancos vendem os maus empréstimos a uma taxa em torno de 1% a 6% do valor de face. Os cobradores de dívidas podem ganhar até cinco vezes seu investimento dentro de dois ou três anos, mesmo coletando muito menos do que o montante total do empréstimo.
O boom da cobrança de dívidas também parece estar se mostrando atraente para os devedores, que estão muitas vezes dispostos a retirar seus nomes das listas negras de restrições a crédito.

Por enquanto, os bancos internacionais têm sido os mais propensos a vender suas carteiras de empréstimos de difícil recuperação. Os bancos locais, com redes maiores, ainda optam por gerenciar eles mesmos suas cobranças, usando sua própria estrutura.

Isso também ocorre devido ao spread  –  a diferença entre as taxas de juros pagas a aplicadores financeiros e as elevadas taxas cobradas em empréstimos pessoais no Brasil.

Há quem sustente que esse spread é balizado devido ao alto custo operacional do maior banco estatal do país. Se este cobra de 5 a 6% ao mês de seus clientes, não há porque os bancos privados, mesmo com um custo operacional muito menor, cobrarem menos. Isso explica o custo proibitivo do crédito no Brasil e os lucros recordes dos bancos no país.

Segundo o economista Jackson Busato, os bancos não se importam se você está devendo. Eles querem que você  deva mais e comece a consumir. Mesmo quem ficou inadimplente no cartão de crédito há mais de 5 anos, ganha um novo cartão. Até porque o cliente já não consta dos registros de inadimplentes. Não está mais nos registros de SPC ou SERASA. Está limpo, embora esse crédito seja cobrado por algum escritório de cobranças. Mas eles não fazem nada e paga quem quer. Uma boa parcela realmente se assusta e paga.

Porque com a taxa de juros cobrada pelos bancos aos tomadores de empréstimos,  os bancos não tem como perder. Mesmo se somente uma pequena parcela dos devedores pagarem, os bancos terão  lucro. Mas a verdade é que a grande maioria paga. Os bancos invocam a inadimplência como a causa dos juros altos. É mentira, é ganância pura, é só fazer a conta. Rotativo do cartão de crédito leva 230% ao ano. O cheque especial, próximo disso. A  taxa Selic não tem nada a ver com as taxas cobradas.  A taxa Selic aumenta e diminui e nada acontece com essas taxas de crédito.

E alguém poderia ingenuamente perguntar: “mas e o governo, por que não faz nada à respeito?”

Pois justamente  é o governo o maior responsável por essa sangria no bolso dos incautos tomadores de empréstimos.

Alguém dúvida? Então experimente entrar em uma agência do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal ou mesmo do nosso Banrisul e pergunte ao atendente quais as taxas praticadas em empréstimos pessoais. Faça uma simulação de crédito. Até mesmo no caixa eletrônico. Use a regra do balconista:

– verifique qual o valor líquido a receber, descontados seguros, cadastro e todos os penduricalhos;

– veja o valor da prestação mensal e multiplique-o pelo número total de prestações;

– divida  o menor pelo maior, o valor líquido a receber pelo valor a ser efetivamente pago ao final da dívida;

– multiplique este resultado por 100 e terá o percentual total.

E  uma surpresa assombrosa com o número que obterá como taxa efetiva.

Ora, e se os bancos estatais balizam o mercado praticando taxas de tal monta, por que os donos dos Bradesco, Itaú e demais, praticariam taxas menores?

Portanto, são os bancos estatais, o governo, os porta estandartes desse mecanismo, que produz os lucros estratosféricos que todos os bancos vem registrando nos últimos anos. Simples assim.

New Brazil Boom: Collecting Debts

By ROGERIO JELMAYER

“Seasons greetings,” says a holiday card that will no doubt bring its Brazilian recipients more relief than cheer.

“As you’ve changed the direction of your life and managed to pay down old debts, we wish you a 2012 that is full of conquests,” Recovery do Brasil, a Brazilian debt-collection agency, intones in an email to customers who have paid up.Bloomberg News

Brazilian reais notes

Brazil’s banks have been on a lending boom in recent years, as relatively steady economic growth has led to record low unemployment and rising salaries. As the volume of loans has increased, so, too, have bad loans. That has meant plenty of new opportunities for debt collection, which for the first time is starting to become big business in Brazil.

Call the rise of debt collection the price of growth. Years of economic instability and hyperinflation kept lending to consumers at a very low rate. But in less than 10 years, the volume of credit in Brazil has almost doubled, and now accounts for nearly 50% of gross domestic product. Total loans reached 2 trillion Brazilian reais ($1.1 trillion) in November, according to the central bank. And 5.6% of the total, or around 112 billion reais, was more than 90 days past due.

The rapid growth has led to some concerns there may be a credit bubble in Brazil, particularly in consumer lending, where the default rate is far higher than it is for corporate loans. Default rates for individual borrowers rose to 7.3% in November, while for businesses the rate was 4%.

Even without any overheating, opportunity abounds for bad-loan collection firms.

Salvatore Milanese, a partner at accounting firm KPMG, said loan growth in Brazil “isn’t worrisome right now, but the nonperforming loan rate is deteriorating in some areas, mainly among consumers.”

According to KPMG, overall bad debts in Brazil may be as much as 330 billion reais, and of that total, banks have already determined they won’t recover about 180 billion reais, potentially making them available for sale to debt collectors.

Banco Santander Brasil SA has sold about 16 billion reais in bad loans in 2011, nearly four times the amount sold in 2010. The loans, equivalent to about 9% of Santander Brasil’s total loans, are the worst part of its portfolio, on which customers had made no payments for more than one year.

In a statement sent to Dow Jones Newswires, Santander said: “Current market conditions explain the acceleration of the sale of its portfolios, resulting in increased efficiency.”

Banks used to sell portfolios of loans that were more than five years past due, but as the debt-collection market grows, they are starting to sell loan portfolios that are younger.

“Now it’s possible to buy portfolios of loans that are three years overdue,” said Bruno Bossi, an executive at Velum Credit Management, a local firm specialized in bad-loans recovery.

Velum was set up in January 2009, and has bought more than 3 billion reais in bad loans so far, according to the firm’s website. “The trend is for this industry to expand at a similar pace to lending in Brazil,” Mr. Bossi said.

According to KPMG’s Mr. Milanese, banks sell the bad loans at around 1% to 6% of face value. The debt collectors can earn up to five times their investment within two or three years, often collecting far less than the total amount of the loan.

The economics of the debt-collection boom is also proving attractive to debtors, who are often keen to remove their names from the blacklists compiled by Brazil’s credit-report firms. Akin to a bad credit score in the U.S., being on the wrong side of a credit-report firm means you can’t pay for items in installments, take out loans or provide loan guarantees.

One São Paulo professor owed 500 reais, including principal and overdue interest, and ended up paying less than half of that figure. “I paid up to clean my name from credit bureau files,” said the professor.

For now, international banks such as Santander Brasil have been the most likely to sell their bad-loan portfolios, according to KPMG. Local banks, with bigger networks, choose to do more of their own collection.

“This is a strategic decision made by each bank,” said Antonio Bornia, deputy chairman of Brazil’s third-largest bank, Banco Bradesco. “We prefer to conduct bad-loan recovery using our own structure, while some banks prefer to outsource it.”

Um Presente de Natal Para Porto Alegre

24 de dezembro de 2011

Uma semana antes do Natal o mundo recebeu a notícia da morte do líder norte-coreano Kim Jong-il, que dominava o regime mais fechado do mundo atual.

No momento em que ainda nem secou a tinta dos jornais que publicaram reportagens sobre as peripécias do ex ministro do PC do B, Orlando Silva, frente a pasta do Ministério do Esporte, em nota oficial, seu Partido Comunista do Brasil, cujos maiores expoentes locais são Raul Carrion, Jussara Cony e a festejada deputada federal Manuela D’Avila, atual líder das pesquisas de intenção de votos à corrida pela prefeitura da capital gaúcha em 2012,  se solidarizou com a morte do ditador norte-coreano, vítima de um ataque cardíaco.

A nota, assinada pelo presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e pelo secretário de Relações Internacionais do Partido, Ricardo Abreu Alemão, lamenta com “profundo pesar” o falecimento do líder. Vale a pena ler a íntegra da nota: 

Estimado camarada Kim Jong Un Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares. O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana,inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos. Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista ena melhoria da vida do povo coreano. Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricaro Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB 19de dezembro de 2011 

Durante 17 anos Kim Jong-il esteve à frente de uma dinastia comunista hereditária nos quais governou com mão de ferro um regime baseado no culto à personalidade  sempre detrás dos inseparáveis óculos de sol e uniforme militar, que se transformaram em sua marca registrada.

Os norte-coreanos, sem acesso à informação, a não ser a oficial, e sem liberdade, sempre foram levados a crer que Kim Jong-il era um semi-Deus. Segundo a TV estatal até a natureza ficou de luto, pois estranhos fenômenos estariam ocorrendo no país após sua morte. Em uma montanha, perto da cidade-natal de Kim Jong-il, o gelo teria se quebrado e o barulho teria sido tão forte que fez tremer os céus e a terra.

Cobrada via twitter pela nota oficial de seu partido, a deputada Manuela D’Avila teria reagido com desdém: “Vamos tratar do que realmente é importante para Porto Alegre”, teria dito. Confesso que não li o papo virtual, pois não sou “seguidor” da deputada.

Mas, sim, vamos tratar do que realmente é importante para Porto Alegre.

Será que eleita prefeita, como vaticinam aqueles profetas que sempre somem após constatarem o equívoco de seus prognósticos após a abertura das urnas (vide 2008), o partido comunista da deputada tentará implantar na capital gaúcha, um modelo inspirado no por eles tão admirado regime descrito na nota do PC do B? Será que a guarda municipal ou nossos conhecidos “azuizinhos” receberão orientação e treinamento inspirados no modelo norte-coreano cuja admiração a nota oficial reflete tão bem?

E o que dizem os fisiológicos que hoje cercam e adulam essa virtual “pule vencedora” ao paço municipal?

Nada. Tudo vale pela chance de pegar um carguinho, um posto, um espaço, não importando serem estuprados os princípios ideológicos. 

Fale mais sobre o tema, nobre deputada.    

O Estádio Olímpico e os Projetos Habitacionais‏

5 de outubro de 2011

Então, em seqüência ao post anterior,  o Inter desde 1931 tinha seu Estádio dos Eucaliptos. 

 

O Grêmio permanecia no Estádio da Baixada dos Moinhos de Vento que, com a popularização do futebol, havia se tornado pequeno e não tinha como ser expandido no local onde se encontrava.  Ficava junto a Mostardeiro, à direita de quem descia a baixada que lhe emprestava o nome, onde hoje está parte do leito da II Perimetral.

 

Precisando de um local para erguer um novo estádio, o presidente gremista, Saturnino Vanzelotti, foi procurar a prefeitura. O prefeito era Ildo Meneghetti, que vencera o jovem líder trabalhista, Leonel Brizola, nas eleições de 1951.

 

Assim como em São Paulo já havia o Estádio Municipal do Pacaembú e o Rio teria, antes da Copa de 50, o Maracanã, havia o projeto de um Estádio Municipal em Porto Alegre no Plano de Urbanização de Loureiro da Silva, de 1943.  Tinha inclusive a área já definida, na Medianeira.

 

                                       Estádio Municipal

 

Dos entendimentos com a prefeitura, acabou sendo acertada com o Grêmio a permuta da área da baixada pelo local onde hoje está o Estádio Olímpico, na Avenida Carlos Barbosa. 

 

Desde o início de sua gestão, o prefeito debruçara-se sobre o problema crescente da falta de moradias populares. Já proliferavam as sub-habitações e o problema se agravava. Criou então um departamento específico na prefeitura para tratar da questão habitacional.

 

Com a definição da construção do Estádio do Grêmio no local e a prevista valorização dos terrenos lindeiros, pertencentes ao município, o prefeito enviou para a Câmara de Vereadores um projeto que autorizaria o Executivo a vender as áreas adjacentes, que loteadas e assim valorizadas, teriam os montantes apurados destinados obrigatoriamente à aquisição de áreas mais amplas, apropriadas à habitação popular.       

 

 

 

E assim, casualmente o prefeito, Patrono do Internacional, acabou tendo participação na história da construção do Estádio Olímpico, do rival Grêmio. 

Que, por outra coincidência, também era uma área muito próxima de onde localizara-se a antiga Chácara dos Eucaliptos, arrendada pelo Inter até meados de 1929.

Ressalte-se a atitude da Câmara Municipal, que aprovou um bom projeto, quando o mais comum em tempos recentes, seria torpedear um projeto proposto por adversários políticos…  

 

Nessa segunda gestão de Meneghetti como prefeito, foram produzidas e comercializadas, em uma Porto Alegre que contava ainda com menos de 400.000 habitantes, 4.469 unidades habitacionais. Foram 693 casas na Vila Batista Xavier, 994 no Sarandi, 1009 na Vila São José – no Partenon, 812 no Passo das Pedras, 713 no Parque Santa Anita. Eram casas populares, simples, de madeira, mas bem construídas. Eram vendidas a preços módicos e longos prazos para pagamento.  Muitas das casas estão de pé até hoje, passados quase sessenta anos.

 

 

 

Muitas das vilas que se denominaram depois São Gabriel, Batista Xavier, São José, Sarandi, Passo das Pedras, Vila Vargas eram chamadas, por seus moradores de Vilas Meneghetti. E na implantação de tais vilas, Meneghetti era o prefeito, o engenheiro, o urbanista, o assistente social. Participava da elaboração dos projetos, visitava e fiscalizava as obras pessoalmente. Nessas visitas ouvia a população, conversava, opinava. Nestes contatos, sem nenhum rigor de protocolo, confirmava sua impressão sobre a necessidade das demandas. Sem demagogia, sem exibicionismo, sem populismo.

 

Foi uma iniciativa pioneira. Até então, nunca uma prefeitura havia intercedido na questão dessa forma. 

 

Uma ocasião, na solenidade de entrega de um lote de casas construídas com o auxílio de verbas federais, convidado, compareceu Getúlio Vargas.  Meneghetti entregou ao presidente um cheque:

 

– O que é isso, Meneghetti?  – perguntou Getúlio, ao receber o cheque.

– Este é o dinheiro que sobrou da construção das casas.

– Ora, é a primeira vez que vejo sobrar dinheiro de obras públicas. – espantou-se Getúlio.

– É que aqui nós aplicamos o dinheiro na obra mesmo…
                  ZH  25/07/1999 – Meneghetti recebe Getúlio Vargas e Loureiro da Silva em 1953  

Mas o interessante mesmo, é que aqui eram os clubes, por seus dirigentes e torcedores, que resolviam seus problemas e construiam seus estádios. Enquanto em outros lugares, o poder público construía e pagava a conta.

 

Nota: para escrever este post, utilizei dados do livro “Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti” – em edição.  

A Estrada da Pedreira e o Estádio dos Eucaliptos

28 de setembro de 2011

Dias atrás vinha descendo a Plinio Brasil Milano, da Carlos Gomes em direção à Auxiliadora.
 
O carro chacoalhava tanto que resolvi prestar atenção ao pavimento. E, para minha surpresa, entre os muitos remendos de centenas de buracos abertos e mal fechados com asfalto irregular, vi um antigo piso de concreto preservado, velho conhecido, que julgava extinto das ruas de Porto Alegre.
 
Bem junto ao antigo Posto Timbaúva, naquelas curvas em “S” que há na descida, o piso em chapas de concreto junto ao acesso do posto de gasolina (hoje sob a bandeira da BR Distribuidora) permanece lá, como colocado na época da pavimentação da Estrada da Pedreira, há mais de sessenta anos, como se chamava a Plínio Brasil Milano até então.  
 

 

 


Digo que o piso é velho conhecido porque a primeira empresa a importar uma máquina pavimentadora em chapas de concreto, no final dos anos vinte do século passado, foi a Dahne, Conceição & Cia*, fundada por três colegas engenheiros, um deles meu avô Ildo Meneghetti, muitos anos antes de aventurar-se em política e eleger-se prefeito de Porto Alegre e depois governador do Estado.
 
Lembro da história da aquisição dessa máquina devido à construção do Estádio dos Eucaliptos, do Internacional.
 
O Inter tinha em 1929 seu próprio campo arrendado, a Chácara dos Eucaliptos, na Azenha.
 
A situação não era nada boa. O clube estava atolado em dívidas e até o aluguel da chácara estava atrasado. Não tinha dinheiro nem para pagar a conta de água.
 
Situada no início da José de Alencar, a Chácara dos Eucaliptos pertencia ao Asilo da Providência. Tinha uma alameda de eucaliptos, que servia de estrutura para as arquibancadas de madeira, deixando-as na sombra.
 
Porém, a chácara fora colocada à venda por 40 contos. O Internacional, embora como arrendatário tivesse a preferência para a compra, não conseguiu levantar o capital necessário para a aquisição. 
 
O presidente da Federação Rio Grandense de Football  e ex-dirigente colorado Antenor Lemos presidiu uma reunião que deveria decidir os destinos do clube. O “jovem” Ildo Meneghetti era um dos presentes.
 
Antenor fez uma exposição da situação grave pela qual o Inter passava e concluiu propondo o encerramento das atividades, com a liquidação do clube.
 
Meneghetti, que até ali ouvira em silêncio, resolveu falar.  Indagou mais detalhes sobre a situação, perguntando se não haveria outra solução. Não. Não havia. Foi o que todo o mundo respondeu.
          

Antenor Lemos tinha sido presidente do Internacional de 1920 a 1922 e era o cartola mais influente da cidade em toda a década de 20. Talvez  tenha sido o primeiro instigador da rivalidade entre Grêmio e Internacional nos moldes em que existe até hoje.
 
A cada derrota do rival Grêmio, Antenor soltava foguetes, promovia festas, acirrando a rivalidade. Mesmo quando presidente, não raro provocava brigas e partia logo para o soco. Era considerado capaz de tudo.
 
Um ocasião, já como presidente da Liga Porto-Alegrense, percebeu que o Inter perderia uma votação por causa do asmático representante do Cruzeiro. Não teve dúvidas: distribuiu charutos entre os presentes. O asmático teve que sair da sala e não pode votar, havendo o empate. E Antenor, como presidente, usou o voto de Minerva para favorecer o Inter. Era um homem decidido, que se fazia respeitar. Tinha um vozeirão e sua presença dominava os ambientes.
 
Mas Meneghetti, embora apreciasse Antenor Lemos, era um dos que não queria aceitar a idéia da liquidação e conseqüente encerramento das atividades do Inter. Argumentou, tentou fazer sugestões e afinal disse que não concordava com aquela solução, achava que talvez valesse a pena fazer mais uma tentativa. Em sua opinião aquilo “era uma precipitação”. E disse que tinham a obrigação de achar uma solução que mantivesse o Internacional.

 
– Tu achas? – perguntou Antenor Lemos, ao “menino” que ousava discordar.

– É, eu acho, sim.

– Então assume! – desafiou.       
                    
 Foi assim Meneghetti assumiu a presidência do Inter. Tinha 33 anos de idade.

 
Por uma gentileza do jornalista Cláudio Dienstmann, consegui uma cópia da ata da primeira sessão do Conselho Deliberativo, lavrada de próprio punho por Meneghetti, ocorrida em quinze de fevereiro de 1929, na sede da rua dos Andradas n.º 413,  onde está registrada a situação em que o clube se encontrava:
                                                
  “uma dívida de vinte contos de réis a pagar, não tendo material desportivo algum, estando o campo atual a precisar de uma reforma geral, o que não era conveniente, pois era de conhecimento de todos  que a tradicional ‘Chácara dos Eucalyptos’ tinha sido vendida ao sr. A. Laporta.” 

 
O Conselho Deliberativo autorizou o novo presidente a contrair um empréstimo de dez contos de réis, “a juros e prazos os mais convenientes possíveis”, para atender as despesas mais urgentes e começar a providenciar a aquisição de um terreno “onde pudesse instalar sua praça de desporto.”
 

Logo foi encontrada uma área cuja topografia era favorável,  até mesmo para a construção das futuras arquibancadas devido a uma elevação existente. A área era de propriedade do Banco Nacional do Comercio, que pretendia loteá-la. O preço era 220 contos de réis. Um dinheiro enorme. Negociando com a Companhia Territorial, subsidiária do banco, Meneghetti propôs um parcelamento e o negocio foi fechado.

 Mas ainda havia os aluguéis atrasados da Chácara dos Eucaliptos. Meneghetti procurou então o responsável pela loteadora que adquirira a área e propôs fazer a pavimentação das ruas que fariam parte do futuro empreendimento em troca da dívida. Foi aí que entrou a história da pavimentadora que a Dahne, Conceição havia adquirido.
 
 Proposta feita, o homem gostou:
  
– Muito bem, a proposta é boa. Mas qual é a minha garantia? – perguntou.
 
– A garantia é a minha palavra. – respondeu Meneghetti. O  homem olhou sério, surpreso com o atrevimento do jovem sentado à sua frente e decide:

 
– Está bem. Gostei de ti, guri. Negócio fechado.   
           
Dois anos depois o acordo estava integralmente cumprido.

 
Para pagar o terreno e financiar as obras do novo estádio foram lançados 500 títulos de sócios proprietários. Na Assembléia Geral Extraordinária de 31 de janeiro de 1929, foram propostos e aprovados os novos estatutos, redigidos e lavrados à mão por Meneghetti, criando uma nova categoria de sócios, inicialmente quinhentos, com quotas de quinhentos mil réis cada, pagáveis em vinte prestações. 
 
As obras são, então, iniciadas, com a Dahne, Conceição executando a terraplanagem da área do futuro Estádio dos Eucaliptos sem cobrar nada do clube.

 
É iniciada também, com muita dificuldade, a venda entre os torcedores dos quinhentos títulos. Acabam vendendo apenas 85. O próprio Ildo assumiu os demais.  Mais tarde, com o avanço das obras, foi feita uma nova emissão.
 
E assim, com muitas dilatações de prazo nos pagamentos do terreno, em junho de 1931 o Internacional inaugurou o seu estádio. Ildo Meneghetti, que assumiu a presidência em 1929 para permanecer pouco tempo, acabou ficando no cargo por cinco anos, de 1929 até 1933. Colocou uma fortuna no clube, que anos depois o escolheria como Patrono. 
 
E Antenor Lemos dá nome a uma das ruas das cercanias do velho Estádio.

*em parte desse  texto utilizei informações dos originais do  livro “Baile de Cobras – A Verdadeira História de Ildo Meneghetti” – em edição –  que deverá ser lançado no ano que vem.

 

Aeromóvel

17 de agosto de 2011

Em 10 de maio passado publiquei um post intitulado “Nosso Sonho do Metrô”, https://eniomeneghetti.com/2011/05/10/nosso-sonho-do-metro/ onde sugeria nossas autoridades a estudarem uma ligação entre a estação Anchieta do atual Trensurb ao extremo da Zona Norte, junto a FIERGS.

Leio agora reportagens sobre a implantação do Aeromóvel entre a linha do Trensurb e o Aeroporto. Orçada em R$ 29,9 milhões para um trecho de 998 metros, transportará 300 passageiros em 90 segundos.

Mencionam uma pesquisa que dá como embarque e desembarque no Salgado Filho  7.000 pessoas por dia. A pergunta é: essas pessoas utilizarão o Trensurb? Alguém vai voltar de viagem, pegar as malas e entrar no trensurb para ir a Esteio, por exemplo? Desse numero de 7.000, provavelmente somente os funcionários do aeroporto poderiam utilizar e mesmo assim, os que moram em áreas próximas ao trem ou nas cidades satélites servidas.  Não estariam forçando a barra com pesquisas para justificar um gasto que seria melhor aproveitado noutras áreas?

Por que nossas autoridades não ousam e vão um pouquinho mais adiante? Cerca de mais quatro quilômetros apenas! Com a vantagem de sequer precisar dos “52 pilares de sustentação que já estão sendo fabricados” – como revela a reportagem de Zero Hora (abaixo).

Sim, porque correndo paralela à Fre-Way, uma nova via poderia ser assentada perfeitamente onde hoje é praticamente só mato e atender a demanda dos mais de 150.000 moradores dos bairros Sarandi e Rubem Berta. E desafogar o trânsito de ônibus e automóveis da Sertório, Assis Brasil, Farrapos, Voluntários da Pátria, etc. e até da BR 116! Com um sistema moderno, econômico, confortável, limpo e ecológico.

Parece que não tem imaginação. Ou não querem. Ou ambos. Por que será?

Jornal Zero Hora – 16/08/2011 – pg 28
Ministro anuncia início de obras do aeromóvel que ligará estação da Trensurb ao aeroporto
Com novo transporte, passageiros poderão chegar ao aeroporto em 90 segundos
Juliana Bublitz | juliana.bublitz@zerohora.com.br

Em cerimônia realizada nesta segunda-feira na Capital, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, anunciou o início das obras do aeromóvel, em Porto Alegre. O sistema funcionará em uma via elevada de 998 metros de extensão será construída para ligar a Estação Aeroporto, da Trensurb, ao Terminal 1 do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

— Esse é um momento histórico para o transporte urbano brasileiro. E o que é melhor: com tecnologia gaúcha — disse Negromonte.

http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/11753255.jpghttp://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/11753255.jpg
Foto: Divulgação, Prefeitura de Porto Alegre

O ministro garantiu que a obra, com valor estimado de R$ 29,9 milhões, estará pronta até dezembro. A intenção é que no início de 2012 comecem os testes e que, até o fim do ano, os veículos entrem em operação.

Segundo pesquisa encomendada pela Trensurb à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cerca de 7 mil pessoas embarcam e desembarcam no aeroporto por dia.

Para atender à demanda, haverá dois veículos, um com capacidade de 150 usuários, e outro, de 300. Eles deverão operar de forma intercalada de acordo com os horários de maior exigência, como o início da manhã e o final da tarde, e farão o percurso em 90 segundos.

O aeromóvel será conectado ao andar de embarque do aeroporto e à área de transportes da estação. Com isso, o passageiro pagará apenas o valor da passagem unitária e utilizará o veículo de forma gratuita. Hoje, o trajeto pode ser feito a pé, de táxi ou por sete linhas de ônibus.

http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/11753255.jpghttp://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/11753255.jpg
Foto: Divulgação, Prefeitura de Porto Alegre
ZERO HORA

Onde Isto Tudo Vai Parar?

6 de julho de 2011

Fazer uma  viagem pelas notícias dos últimos 30 dias é uma coisa impressionante.

Onde esse carnaval vai parar? 

 

Operação Cartola RS: operação contra fraude de R$ 30 mi fecha 8 prefeituras  

 Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou na manhã desta quarta-feira uma operação para apreender documentos que comprovem um suposto esquema de contratação fraudulenta e superfaturamento de serviços prestados por empresas de publicidade junto a prefeituras municipais. Ao todo, foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão em dez cidades gaúchas, sendo que oito prefeituras foram fechadas durante a ação. As fraudes teriam desviado pelo menos R$ 30 milhões dos cofres públicos desde 2008, segundo a polícia. (terra)

Patrimônio de empresa de filho de Alfredo Nascimento aumenta 86.500%

A revelação sobre o crescimento espetacular no capital da empresa de Gustavo Morais Pereira, filho do ministro Alfredo Nascimento (transportes), publicada nesta quarta-feira pelo GLOBO, torna insustentável a permanência do representante do PR no cargo. Essa avaliação foi feita reservadamente tanto no Palácio do Planalto como nas bancadas do PR no Congresso. (o globo)
 
Casino pede para BNDES não financiar fusão Pão de Açúcar/Carrefour

 
Palocci amplia patrimônio 20 vezes, diz jornal; oposição pede explicação

Após 20 dias de desgaste, o ministro Antonio Palocci cedeu à pressão e deixou a Casa Civil. A presidente Dilma Rousseff demorou, mas não aguentou mais ver o governo sangrar em razão de revelações em série: que o patrimônio do ministro cresceu 20 vezes em apenas 4 anos; que em 2010, ano eleitoral, sua empresa de consultoria faturou 20 milhões de reais; e que o luxuoso apartamento que aluga em São Paulo está registrado em nome de um laranja. Agora, Dilma tentará recompor sua autoridade atropelada nestes dias de crise (o globo)

 
Nova lei impede prisão de quem frauda licitação

A nova lei 12.403, que entrou em vigor ontem, impede a prisão preventiva de autoridades ou servidores públicos que são flagrados fraudando licitações, somente porque a pena prevista para esse crime é inferior a quatro anos. De acordo com a Lei das Licitações (nº 8.666), a pena para fraude é de três anos e seis meses. A punição para quem dispensa licitação ilegalmente é de apenas três anos e cinco meses. (Cláudio Humberto)

Sigilo sobre obras da Copa é ‘absurdo’  

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fez duras críticas nesta quinta-feira à medida provisória que flexibiliza as licitações para as obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, aprovada na noite desta quarta-feira na Câmara dos Deputados.

 

 

 untitl.ed.bmp

  • pelicano220611.jpg

Supremo concede liberdade para Battisti

Decisão de não extradição, tomada por Lula, é válida. Battisti será libertado e ficará no Brasil

 
 
  • AUTO_jbosco.jpg

 

E prá arrematar, olhem essa:  
 
Se o Guaíba ficasse na China
Na China, a nova ponte do Guaíba seria o caminho mais curto entre o Ministério dos Transportes e a penitenciária
Há uma semana, o governo da China inaugurou a ponte da baía de Jiaodhou, que liga o porto de Qingdao à ilha de Huangdao. Construído em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$2,4 bilhões.
Há uma semana, o DNIT escolheu o projeto da nova ponte do Guaíba, em Ponte Alegre, uma das mais vistosas promessas da candidata Dilma Rousseff. Confiado ao Ministério dos Transportes, o colosso sobre o rio deverá ficar pronto em quatro anos. Com 2,9 quilômetros de extensão, vai engolir R$ 1,16 bilhões.
Intrigado, o matemático gaúcho Gilberto Flach resolveu estabelecer algumas comparações entre a ponte do Guaíba e a chinesa. Na edição desta segunda-feira, o jornal Zero Hora publicou o espantoso confronto númerico resumido no quadro abaixo:
 

 

Os números informam que, se o Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em 102 dias, ao preço de R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte não teria prazo para terminar e seria calculada em trilhões. Como o Ministério dos Transportes está arrendado ao PR, financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o País do Carnaval abrigaria o partido mais rico do mundo.
Depois de ter ordenado o afastamento dos oficiais, aí incluído o coronel do DNIT, Dilma Rousseff parece decidida a preservar o general. “O governo manifesta sua confiança no ministro Alfredo Nascimento”, avisou nesta segunda-feira uma nota da Presidência da República. “O ministro é o responsável pela coordenação do processo de apuração das denúncias feitas contra o Ministério dos Transportes”. Tradução: em vez de demitir o chefe mais que suspeito, Dilma encarregou-o de investigar os chefiados.
Corruptos existem nos dois países, mas só o Brasil institucionalizou a impunidade. Se tentasse fazer na China uma ponte como a do Guaíba, Alfredo Nascimento daria graças aos deuses se o castigo se limitasse à demissão.

Tá Achando Ruim? Vai Piorar…

21 de junho de 2011

Da série:  “Você pensa que já viu tudo”

Será que isso foi feito para resolver o problema de superlotação dos presídios?

Cerca de 80 mil detentos serão postos em liberdade no próximo mês. O que que a gente faz? Reza? 

 

Fim da prisão em flagrante. 


Repassando…

Caros colegas, após 15 anos de atuação na área criminal estou pensando seriamente em abandonar a área com a nova LEI 12.403/2011 aprovada pelo CONGRESSO NACIONAL e sancionada em 05/05/2011 pela Presidente DILMA ROUSSEF e pelo Ministro da Justiça JOSÉ EDUARDO CARDOZO.

Quem não é da área, fique sabendo que em 60 dias (5/7/2011) a nova lei entra em vigor, e a PRISÃO EM FLAGRANTE, E A PRISÃO PREVENTIVA SOMENTE OCORRERÃO EM CASOS RARÍSSIMOS, aumentando a impunidade no país. Em tese somente vai ficar preso quem cometer HOMICÍDIO QUALIFICADO, ESTUPRO, TRÁFICO DE ENTORPECENTES, LATROCÍNIO, etc.

A nova lei trouxe a exigência de manter a prisão em flagrante ou decretar a prisão preventiva somente em situações excepcionais, prevendo a CONVERSÃO DA PRISÃO EM FLAGRANTE ou SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA em 9 tipos de MEDIDAS CAUTELARES praticamente inócuas e sem meios de fiscalização (comparecimento periódico no fórum para justificar suas atividades, proibição de frequentar determinados lugares, afastamento de pessoas, proibição de se ausentar da comarca onde reside, recolhimento domiciliar durante a noite, suspensão de exercício de função pública, arbitramento de fiança, internamento em clinica de tratamento e monitoramento eletrônico).

Para quem não é da área, isso significa que crimes como homicídio simples, roubo a mão armada, lesão corporal gravíssima, uso de armas restritas (fuzil, pistola 9 mm, etc.), desvio de dinheiro público, corrupção passiva, peculato, extorsão, etc., dificilmente admitirão a PRISÃO PREVENTIVA ou a manutenção da PRISÃO EM FLAGRANTE, pois em todos esses casos será cabível a conversão da prisão em uma das 9 MEDIDAS CAUTELARES acima previstas.

Portanto, nos próximos meses não se assuste se você encontrar na rua o assaltante que entrou armado em sua casa, o ladrão que roubou seu carro, o criminoso que desviou milhões de reais dos cofres públicos, o bandido que estava circulando com uma pistola 9 mm em via pública, etc.

Além disso, a nova lei estendeu a fiança para crimes punidos com até 04 anos de prisão, coisa que não era permitida desde 1940 pelo Código de Processo Penal. Agora, nos crimes de porte de arma de fogo, disparo de arma de fogo, furto simples, receptação, apropriação indébita, homicídio culposo no trânsito, cárcere privado, corrupção de menores, formação de quadrilha, contrabando, armazenamento e transmissão de foto pornográfica de criança, assédio de criança para fins libidinosos, destruição de bem público, comercialização de produto agrotóxico sem origem, emissão de duplicata falsa, e vários outros crimes punidos com até 4 anos de prisão, ninguém permanece preso (só se for reincidente).

Em todos esses casos o Delegado irá arbitrar fiança diretamente, sem análise do Promotor e do Juiz. Resultado:  o criminoso não passará uma noite na cadeia e sairá livre pagando uma fiança que se inicia em 1 salário mínimo.

Esse pode ser o preço do seu carro furtado e vendido no Paraguai, do seu computador receptado, da morte de um parente no trânsito, do assédio de sua filha, daquele que está transportando 1 tonelada de produtos contrabandeados, do cidadão que estava na praça onde seu filho frequenta portando uma arma de fogo, do cidadão que usa um menor de 10 anos para cometer crimes…

Em resumo, salvo em crimes gravíssimos, com a entrada em vigor das novas regras, quase ninguém ficará preso após cometer vários tipos de crimes que afetam diariamente a sociedade. Para que não fique qualquer dúvida sobre o que estou dizendo, vejam a lei.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12403.htm

Também para comprovar o que disse, leiam o artigo do Desembargador FAUSTO DE SANCTIS sobre a nova lei, o qual diz textualmente que “com a vigência da norma, a prisão estará praticamente inviabilizada no país”:
http://advivo.com.br/blog/luisnassif/de-sanctis-e-o-codigo-de-processo-penal
GIOVANI FERRI, Promotor de Justiça de Toledo-PR.

Incoerência

9 de junho de 2011

Sobre o caso Battisti que, providencialmente para alguns, tira das manchetes o escândalo Palocci, cabe lembrar que o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, contrariando os tratados existentes entre Brasil e Itália, concedeu refúgio a Battisti, condenado por crime comum na Itália.

Tarso à época, como se fosse corte revisora da justiça italiana, justificou sua decisão apontando vícios nos processos que resultaram na condenação por crime comum.

Como se sabe, a Itália apelou ao STF no Brasil, que entendeu que a concessão do refúgio era ilegal.

Posteriormente, Lula decidiu manter Battisti no Brasil, contrariando a decisão do Supremo.

Mesma sorte e tratamento não tiveram os boxeadores cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, que durante os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio, abandonaram sua delegação e foram presos pela Polícia Federal, pelo “crime” de desejar abandonar o regime de Fidel.  Foram imediatamente deportados para Cuba.

Já quando Salvatore Cacciola, condenado no Brasil, foi preso em Mônaco, o mesmo Ministro da Justiça, atual governador do Estado do Rio Grande do Sul, rapidamente tomou um avião e foi solicitar a Justiça monegasca a extradição do ex-banqueiro.

A justiça de Mônaco proferiu parecer em favor da extradição do banqueiro. A decisão foi convalidada
pelo Príncipe Albert II, governante do Estado, que nunca contrariou decisões judiciais.

Como brasileiro, descendente de italianos e detentor da dupla cidadania, espero que a Corte de Haia dê ao caso Cesare Battisti o tratamento devido.

Um Sistema de Recolhimento de Lixo Sensacional

6 de junho de 2011

O Beto Becker envia um vídeo que dá o que pensar. Mostra um sistema adotado em Barcelona que acaba com as latas de lixo, a sujeira nas ruas, o barulho e a bagunça da coleta por caminhões.

Parece mágica, mas não é.

Imaginar sua implantação em cidades brasileiras seria uma visão tentadora. Mas não dá para deixar de exercitar a mente visualizando os empecilhos que algumas mentalidades míopes e tacanhas (ou mal intencionadas) causariam só de pensar em adotá-lo, antes mesmo de se começar a falar em custos.

Veja:

 

 

O sistema, como se pode ver, é sensacional. Confesso que não sei quanto custaria para implementá-lo em uma cidade como Porto Alegre. Como diz a reportagem, a longo prazo torna-se vantajoso.

Mas e os grupos que gravitam em torno do recolhimento de lixo, com as histórias que se contam Brasil afora, como reagiriam à idéia?

E aqui em nossa aldeia,  se  para tirar as carroças das ruas, já dá uma tremenda discussão pela perda da atividade econômica de seus condutores, imagina não ter mais a matéria-prima para recolher!

E os garis desempregados?

É claro que seria uma mão de obra perfeitamente alocada em outros setores, após treinada, como a construção civil, sem falar nos que seriam aproveitados na operação do novo processo.  Até porque,  um projeto como o mostrado no vídeo não se implanta do dia para a noite. Levaria bem mais de uma década, caso fosse adotado.

Mas o que haveria de discurso demagógico e desvio de foco em torno do assunto, dá bem para prever.

Lembro da piada do sindicalista que andava por uma estrada e viu uma retroescavadeira em operação. Parou a viatura  e dirigiu-se ao engenheiro que supervisionava o trabalho:

– Isso é uma vergonha! Essa máquina está tirando o trabalho de 10 homens que poderiam estar trabalhando de pá e carrinho de mão!

O engenheiro respondeu:

– Bem, na verdade, ela tira o trabalho de 100 homens, se trabalharem com uma colher e um balde cada um.

Piada? Mas eu lembro da gritaria que houve há apenas uns dez anos, quando pretenderam oferecer a opção do sistema self-service (perdoe-me pelo anglicismo, deputado Carrion!) nos postos de gasolina, pela diminuição de empregos que causaria aos frentistas. Claro que, no caso, era um problema a ser resolvido. Mas naquele caso, merecia ser estudada como uma opção a ser oferecida, desde que a um custo menor para os consumidores.

Evidentemente que não se pretende tirar o emprego ou sustento de ninguém. Mas existem formas racionais de encarar as novas idéias e resolver os problemas que elas trazem sem descartá-las de pronto. Todo novo processo sempre abre uma nova gama de atividades a serem exercidas. O que não se pode é parar de ousar.

Agora, quem matou a questão foi meu amigo Jackson:

“No Brasil, o sugador iria estragar por falta de manutenção; as pessoas colocariam sacos maiores que as bocas das lixeiras; algum cidadão com excesso de peso poderia tentar o suicídio e entalar, paralisando todo o sistema; a prefeitura faria uma taxa adicional de emergência e o sistema antigo de coleta seria reativado com o dobro do custo; o sistema seria invadido por sem-tetos que passariam a residir no interior dos tubos. Esquece.”

Definitivamente, seria difícil.