VAI PARA OS ANAIS DA PREPOTÊNCIA – “ô querida?”

Para começo de conversa: a mulher maravilha pode dizer que não renunciará.

Renúncia depende dela.

Mas jamais poderia ter negado a possibilidade de cair.

Queda não depende dela.

E isso não é golpe.

Vejam a contribuição de O Implicante: 

A presidente Dilma Rousseff concedeu entrevista ao jornal Folha de São Paulo. Nitidamente, ela não está bem, e isso não é algo restrito à política, à economia do país ou mesmo uma especulação de saúde física. Ela simplesmente não consegue concluir um raciocínio. Tá feia a coisa.

Dilma-Pedro-Ladeira-Folhapress

Dilma, a simpática: “ô- ô querida?”

Conduzida por Maria Cristina Frias, Valdo Cruz e Natuza Nery, a entrevista de Dilma ao jornal Folha de São Paulo é um desastre. Por óbvio, os jornalistas não são culpados. Fizeram o que foi possível. O problema é que a Presidente da República não consegue concatenar seus pensamentos – ou ataca procedimento cuja regulamentação ela própria sancionou e até se vangloriou disso em debate.

A seguir, alguns trechos devidamente comentados:

Delatores dizem que doações eleitorais tiveram como origem propina na Petrobras.
Meu querido, é uma coisa estranha. Porque, para mim, no mesmo dia em que eu recebo doação, em quase igual valor o candidato adversário recebe também. O meu é propina e o dele não? Não sei o que perguntam. Eu conheço interrogatórios. Sei do que se trata. Eu acreditava no que estava fazendo e vi muita gente falar coisa que não queria nem devia. Não gosto de delatores.

Mesmo que seja para elucidar um caso de corrupção?
Não gosto desse tipo de prática. Não gosto. Acho que a pessoa, quando faz, faz fragilizadíssima. Eu vi gente muito fragilizada [falar]. Eu não sei qual é a reação de uma pessoa que fica presa, longe dos seus, e o que ela fala. E como ela fala. Todos nós temos limites. Nenhum de nós é super-homem ou supermulher. Mas acho ruim a instituição, entendeu? Transformar alguém em delator é fogo.

Dilma já disse que “não respeita” delator, mas nunca menciona o fato de que FOI ELA QUEM SANCIONOU A LEI QUE REGULAMENTA AS DELAÇÕES PREMIADAS. Isso mesmo. E é um recurso até mesmo nojento comparar a delação mediante tortura àquela realizada por um comparsa de quadrilha em crime de roubo de dinheiro público.

Parece que está todo mundo querendo derrubar a sra.
O que você quer que eu faça? Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo. Não me aterrorizam.

Isso é moleza? Ou é luta política? Luta política é moleza? Moleza é luta política? Quem entendeu alguma coisa, por favor, saúde a mandioca. E o milho.

O Joaquim Levy (Fazenda) propõe acelerar o ajuste?
Nós também, acelerar num outro sentido. Acelerar é tudo que tiver de fazer de ajuste façamos já. Porque, quanto mais rápido fizermos, mais rápido sairemos dele. O que mais pode ser feito? Não vou falar sobre isto.

E o governo vai ter de cobrir este buraco?
Vamos ter. Mas aí estamos agora mais preocupados em tomar medidas estruturantes, que contribuem ao mesmo tempo para o ajuste como para para o médio e longo prazos.

Tipo?
Tipo tipo.

Esta eu não conheço.
Vou te dizer como fazíamos em interrogatório. Você faz um quadrado (desenha), ai de ti se sair deste quadrado, você está lascado. Então, se eu não quiser falar de que tipo [de medida] eu não falo, tenho técnica para isto. Treino.

Percebe-se quão frágil é um governo quando, numa entrevista para esclarecer fatos, a presidente simplesmente prefere NÃO ESCLARECER NADA do ajuste do futuro, usando até mesmo expediente infantil nas respostas.

Vamos mal. Vamos pior do que se imaginava. Dilma, por favor, saia. O que já estava inaceitável passou de todos os limites do ridículo. É chegada a hora de dizer “tchau”.

Esta é a contribuição de Reinaldo Azevedo:

A presidente concedeu uma entrevista à Folha, que está na edição desta terça. A coisa não está bem.

Dilma voltou a atacar a Lei 12.850, que ela própria sancionou em agosto de 2013, que trata da delação premiada. Mais uma vez, associou as práticas hoje em curso com o período do regime militar. Reproduzo a sua fala ao jornal:

– Eu conheço interrogatórios. Sei do que se trata. Eu acreditava no que estava fazendo e vi muita gente falar coisa que não queria nem devia. Não gosto de delatores. Não gosto desse tipo de prática. Não gosto. Acho que a pessoa, quando faz, faz fragilizadíssima. Eu vi gente muito fragilizada [falar]. Eu não sei qual é a reação de uma pessoa que fica presa, longe dos seus, e o que ela fala. E como ela fala. Todos nós temos limites. Nenhum de nós é super-homem ou supermulher. Mas acho ruim a instituição, entendeu? Transformar alguém em delator é fogo.

(…)

Num dado momento, afirma um entrevistador da Folha: “Parece que está todo mundo querendo derrubar a senhora”. E Dilma responde:
– O que você quer que eu faça? Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo. Não me aterrorizam.

É uma fala de vários modos imprudente. Em primeiro lugar, ela não vai cair se não houver lei que a derrube. E não se deve afirmar: “Venha tentar, venha tentar”.

Quem é o sujeito oculto da frase?

Que “você” é esse ao qual Dilma está se referindo?

Ela está desafiando a Justiça?

Ela está desafiando o Congresso?

Não houvesse temor, não teria convocado uma reunião de emergência com presidentes e líderes de partidos da base, como fez nesta segunda, exortando a todos a defender o governo. Os próprios convocados chamaram o encontro de “reunião anti-impeachment”. Ali se disse que o governo não cometeu ilegalidade nenhuma nas contas em 2014, embora um dos convidados tenha confessado que, hoje, há a avaliação de que o TCU vai, sim, recomendar a rejeição.

A presidente tem até o dia 21 para prestar esclarecimentos. Se o tribunal recusar as contas e se o parecer for endossado pelo Congresso, abre-se o caminho para a denúncia por crime de responsabilidade.

Situação igualmente grave é a vivida no TSE, que apura se a campanha de Dilma usou recursos ilegais.

No âmbito da delação premiada, homologada pelo STF, o empreiteiro Ricardo Pessoa disse ter repassado R$ 7,5 milhões oriundos do propinoduto da Petrobras para a campanha à reeleição da presidente. E aí? O TSE já cassou mandato por muito menos. Dilma sabe muito bem que está na corda bamba, não é? Se o STF homologou a delação de Pessoa, será que o TSE pode simplesmente ignorar o que diz? Comprovada a doação ilegal, a presidente pode ter cassada a sua diplomação — isto é, perder o mandato.

Então conviria que ela deixasse para a lei resolver a questão.

Uma resposta de Dilma não deixa de ter um tom intrigante. Os entrevistadores perguntam o que acontecerá se resolverem mexer com a sua biografia. Ela responde:
 – Ô, querida, e vão mexer como? Vão reescrever? Vão provar que algum dia peguei um tostão? Vão? Quero ver algum deles provar. Todo mundo neste país sabe que não. Quando eles corrompem, eles sabem quem é corrompido.

Duas observações relevantes. A lei não pune apenas quem rouba para si, para o enriquecimento pessoal. O roubo que financia um partido é também criminoso. Logo, Dilma não precisa ter enchido os bolsos de dinheiro. Basta que se demonstre que Pessoa fala a verdade, e ela cai. De acordo com a lei.

O segundo ponto: diz ela que, “quando eles corrompem, eles sabem quem é corrompido”.

A presidente tem alguma sugestão?

Dilma perdeu mais uma chance de ficar calada.

Quando um presidente da República diz “não vou cair”, é porque sabe que cresceu enormemente a chance de… cair.

E a sua biografia de ex-militante de um grupo terrorista não tem nada com isso.

Pode perder o mandato por lambança fiscal ou por lambança eleitoral. Ainda não é o pior dos mundos.

Se Rodrigo Janot não fosse tão generoso, poderia ser por causa dos descalabros na Petrobras.

Presidente, está sobrando loucura e faltando método.

Texto publicado originalmente às 5h59

Por Reinaldo Azevedo

Editado pelo blog.

 

Anúncios

Tags: , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: